Saúva

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Atta cephalotes

Atta cephalotes
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Hymenoptera
Família: Formicidae
Subfamília: Myrmicinae
Tribo: Attini
Género: Atta
Espécies

Saúva é designação comum às formigas, especialmente as do gênero Atta, da família dos formicídeos. Conta com cerca de duzentas espécies, nativas do Novo Mundo e abundantes na região neotropical. Elas cortam pedaços de folhas, que carregam para os ninhos a fim de criar os fungos que constituem o seu alimento exclusivo. No Brasil, são uma das mais importantes pragas agrícolas.

São chamadas ainda, entre outros nomes, de saúba, formiga-cortadeira, formiga-carregadeira, formiga-de-mandioca, formiga-cabeçuda, formiga-de-roça, roceira, cabeçuda, caçapó, maniuara,[1] caiapó, carregadeira, cortadeira, formiga-caiapó, formiga-da-roça, formiga-de-nós, formiga-saúva, lavradeira, manhuara, picadeira e formiga-de-taboca.

As folhas e outras partes de plantas (tanto mono como dicotiledôneas) cortadas pelas saúvas são levadas para o formigueiro para servirem de substrato para o cultivo do fungo mutualista do qual as formigas se alimentam. A nomenclatura desse fungo é controversa, recebendo diversos nomes, como: Leucoagaricus gongylophorus (este sendo o mais aceito atualmente), Leucocoprinus gongylophorus, Attamyces bromatificus, Pholota gongylophora (Moeller), dependendo do autor.

Tipos de trabalhos na colônia[editar | editar código-fonte]

Tanajura (içá): desde o ovo até a fase adulta, a tanajura (içá) é uns dos ovos mais bem cuidados do formigueiro. Três anos depois do início do formigueiro, o formigueiro começa a produzir içás que fazem o voo nupcial na primavera; depois de voar, a içá cai no chão e inicia um novo formigueiro com os ovos e o fungo que ela cultivará. Seu tempo de vida pode ser entre 20 e 30 anos.

Bitus: uns dos ovos da rainha menos tratados é macho. Ele acasala e depois morre. Também é produzido depois de três anos e faz um voo nupcial na primavera.

Cortadeiras: é um trabalho de carregar as folhas para o formigueiro.

Soldados: encarregam de proteger o formigueiro dos invasores.

Lixeiras: limpeza da colônia, carregam o lixo para uma galeria mais funda e longe de todas para não transmitir doenças. Tipos de lixo: fungos e formigas mortas.

Enfermeiras: cuidam dos ovos, casulos e pupas e ajudam a rainha a cuidar dos filhotes.

Importância ecológica[editar | editar código-fonte]

Ajudam a enriquecer o solo e dar origem a florestas.

Ciclo de Vida[editar | editar código-fonte]

Os ovos bem cuidados dão origem a formigas aladas, as fêmeas (tanajuras); os ovos mal cuidados dão origem a machos (bitus). No voo nupcial, macho e fêmea acasalam. O macho (bitu) morre. A fêmea volta ao chão, arranca as asas e funda um novo formigueiro. Depois de uma semana, ela já produz ovos e, depois de 45 dias, os ovos chegam à idade adulta. Depois de uns anos, os ovos bem tratados viram formigas aladas que dão origens aos novos formigueiros. A fêmea guarda uma bolota de fungo que é alimento para as saúvas.

A. cephalotes numa folha

A içá ou tanajura, como é conhecida a rainha, e o bitu, vitu, cabitu, savitu, içabitu, sabitu ou escumana,[2] como é conhecido o macho, revoam em dias claros na primavera e no começo da estação chuvosa, após a rainha ser fecundada inicia novo sauveiro. Traz, no aparelho bucal, uma bolota de fungo de seu formigueiro natal e a regurgita no novo sauveiro, irrigando-a depois com sua matéria fecal.

Atta columbica cortando folhas de uma árvore no Panamá

Cerca de 99% das içás não chega a formar sauveiros maduros.

Entre as espécies mais comuns de saúva no estado de São Paulo, estão:

  • Atta sexdens rubropilosa Forel, 1908 - saúva-limão
  • Atta sexdens piriventris Santschi, 1919 - saúva-limão-sulina
  • Atta laevigata F. Smith, 1858 - saúva-cabeça-de-vidro
  • Atta bisphaerica Forel, 1908 - saúva-amarela ou saúva-mata-pasto
  • Atta capiguara Gonçalves, 1944 - saúva-dos-pastos ou saúva-parda

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Saúva" e "saúba" são oriundos do termo tupi ïsa'ub.[3] "Maniuara" é oriundo do tupi mani'wara.[4] "Bitu", "sabitu", "vitu", "cabitu", "savitu" e "içabitu" vêm da junção dos termos tupis ïsá (formiga) e ibitu (vento).[5] "Içá" é a forma reduzida do tupi ïsa'ub (formiga mestra).[6] "Tanajura" provém do tupi tanayu'rá.[7]

Controle natural[editar | editar código-fonte]

Em voo, as içás são devoradas por pardais, andorinhas, sabiás e outras aves.

No sauveiro novo, são atacadas por tatus e insetos predadores.

Culinária (somente as rainhas: içá ou tanajura)[editar | editar código-fonte]

Diversas espécies eram consumidas pelos índios brasileiros, fritas, em salmoura e misturadas com farofa.
Essa tradição foi passada para os sertanejos e tropeiros, os quais, ainda nos dias atuais, não deixam a tradição ser exterminada.

Também no nordeste brasileiro as tanajuras fazem parte de um cardápio exótico, sendo iguaria em mercados públicos como o de São José, no Recife, Pernambuco. A captura, o modo de preparar e a degustação da Tanajura são tombados como patrimônio imaterial do povo do município de Tianguá, localizado na Cuesta da Ibiapaba no Ceará

Em cidades do interior, elas são servidas fritas na manteiga em bares e restaurantes populares.

Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 557.
  2. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 263.
  3. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 557.
  4. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 081.
  5. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 911.
  6. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 911.
  7. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 646.

Fontes[editar | editar código-fonte]

  • Mariconi, F.A.M. 1970. As saúvas. São Paulo, Agronômica Ceres, 167p.
  • Folha Online - Painel do Leitor [2]
  • Folha Online - Comida [3]