Saadianos
No início do século XVI, os Saadianos1 Saaditas ou Sa`didas2 dirigem tribos originárias do vale do Drá, exasperadas com as ofensivas cristãs, que se revoltam contra os berberes Wattássidas e afastam-os do poder em 1554.
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Origens [editar]
Os Saadianos são de origem árabe. Pretendem ao título de Xerifes por serem descendentes de Hassan ben `Alî, filho mais velho de Ali e de Fátima Zahra. Este parentesco prestigioso, que na época era aceito por todos, foi questionado no século XVII; pode ser que sua ascendência não venha de Maomé, mas de sua ama Halima, da tribo dos Banî Sa `d. Daí o nome da dinastia saadiana3 .
O fundador da dinastia, Muhammad al-Qâ'im, chamado tambél al-Mahdî, ou Abu Abdallah, começa por iniciativa da irmandade Xadhiliyya uma guerra santa contra os Portugueses desde o mês de Agosto de 1511, com uma tentativa falhada contra a Fortaleza de Santa Cruz do Cabo de Gué (Agadir)4 , que será tomada em 15414 . Ao mesmo tempo, os Saadianos aliam-se aos espanhois para enfrentar a ameaça turca.
Em 4 de Agosto de 1578, perto de Alcácer-Quibir, ao norte do país, D. Sebastião, de 24 anos, rei de Portugal, com 16 000 homens, enfrenta o sultão saadiano Mulei Moluco à frente de 50 000 homens. Sebastião tem um aliado na pessoa de um ex-governante de Marrocos, Mulei Mohammed. A batalha acaba com um desastre para os Portugueses e seu aliado, mas Mulei Moluco não tem a oportunidade de saborear a sua vitória, porque morre de doença durante a batalha.
Ahmed al-Mansur, sucessor de Abd el-Malik (Mulei Moluco), leva a dinastia Saadiana ao seu auge. Uma expedição victoriosa contra o Império Africano de Songhai, em 1591, permite-lhe enriquecer a sua capital com o ouro do Sudão (Sudão é diferente do país africano da actualidade: é a antiga denominação árabe dos países logo abaixo do Sahara. Sudão em árabe significa "terra dos negros").
A dinastia [editar]
Os sultãos Saadianos [editar]
- 1511 - 1517 Muhammad al-Qâ'im bi-'Amr Allah (al-Mahdî, ou Abu Abdallah)
- 1517 - 1544 Ahmed al-'A`raj e Mohammed ech-Cheikh
- 1544 - 1557 Mohammed ech-Cheikh (sultão de Marrocos inteiro desde 1554)
- 1557 - 1574 Abdallah el-Ghalib
- 1574 - 1576 Mohammed el-Mottouakil (Mohammed Saadi II, ou Mulei Mohammed)
- 1576 - 1578 Abu Marwan Abd al-Malik I Saadi, (Mulei Moluco), chamado El-Moatassem Billah
- 1578 - 1603 Ahmed al-Mansur, chamado Ed-Dahabi
1603-1659 Os líderes Saadianos baseados em Marraquexe
- 1603 - 1608 Abou Faris
- 1608 - 1613 : Mohamed ech Cheikh II el Mamoun
- 1613 - 1628 : Zaidan el-Nasir
- 1628 - 1631 : Abd al-Malik II
- 1631 - 1636 : Al-Walid
- 1636 - 1654 : Mohammed ech-Cheikh es sghir (Mohammed Saadi III)
- 1654 - 1660 : Ahmed el-Abbas
1603-1627 Os líderes Saadianos baseados em Fez
- 1604 - 1613: Mohamed ech Cheikh II el Mamoun
- 1613 - 1623: Abdallah II
- 1623 - 1627: Abd el Malek
Cronologia [editar]
- 1524 : A família saadiana apodera-se de Marraquexe. Trata-se de uma linhagem pretendidamente Xerifiana, originária de Tamegroute, uma aldeia no vale do Drá, cujo um dos chefes, Abu Abdallah, tinha reunido as tribos do Suz para lutar contra os Portugueses. O crescente papel dos Saadianos reflete a ascensão das zaouias ou irmandades muçulmanas, e a crescente autoridade espiritual dos Marabutos, um fenómeno frequente em tempos de crise, enquanto o Islão aparece ameaçado. É assim que, desde 1511, Mohammed al-Jazuli, líder de uma poderosa Zaouïa do Suz, apoia a designação como chefe de guerra de Abu Abdallah, chamado o "que está de pé pela vontade de Deus" (al-Qâ'im bi-'Amr Allah).
- 1524 - 1550: Reino de Abu al-Abbas Ahmad ben Muhammad (Ahmed el Wattasi). Ele deve reconhecer a independência de facto dos Saadianos, nas regiões do sul. Quando tenta de tomar Marraquexe, em 1528, é vencido e forçado a retirar-se. Dois filhos de Abu Abdallah compartilham o poder no sul do país: Ahmed al-'A`raj, o mais velho, que reina em Marraquexe, e Mohammed ech-Cheikh, governador do Suz.
- 1537: Victoriosos dos Wattássidas no Oued-el-Abid, os Saadianos obtêm a partilha de Marrocos em dois reinos cuja fronteira é na altura da região de Tadla.
- 1541: Os Saadianos tomam Santa Cruz do cabo de Guer (Agadir) aos Portugueses e aparecem como os defensores do Islão, enquanto os Wattássidas tentam negociar com os cristãos. A queda de Santa Cruz marca o princípio do declínio português. Azamor e Safim são rapidamente evacuados e, depois da tomada de Fez pelos Saadianos, Alcácer-Ceguer e Arzila são abandonados, em 1550. Os portugueses apenas conservam Tânger, Ceuta e Mazagão.
- 1544 (Junho): Batalha do passo de Bibaoun5 , ou de El-Kahira 6 : Os dois irmãos Ahmed al-'A`raj e Mohammed ech-Cheikh combatem um contra o outro. Mohammed ech-Cheikh vence e Ahmed al-'A`raj refugia-se com seus dois filhos, na Zaouïa Ben Sasi (perto de Marraquexe). É depois levado a Tafilalt.
- 1548: Os Saadianos fazem prisioneiro o Sultão Wattássida Ahmed el Outassi, que é libertado contra o abandono de Meknès.
- 1550: Os Saadianos tomam Fez.
- 1552: Falham em suas tentativas de expandir-se para Argélia.
- 1554: O Wattássida Abû Hasûn `Alî, apoiado pelos Otomanos instalados em Argel, volta a tomar Fez, mas é finalmente derrotado e morto no Tadla pelo Saadiano Muhammad al-Shaykh, que recupera Fez. Os últimas Wattássidas são massacrados por piratas quando fogem de Marrocos.
- 1554-1557: Reinado de Mohammed ech-Cheikh (ou Muhammad al-Shaykh) sobre Marrocos reunificado, cuja capital é transferida de Fez a Marraquexe. O Sultão saadiano, inquieto das ambições turcas, vira-se para Espanha e negocia secretamente com o conde de Alcaudete, governador espanhol de Orão, para agir contra Argel, mas os turcos anticipam e cercam sem sucesso Orão, enquanto os Saadianos não conseguem apoderar-se de Tlemcen.
- 1557: Mohammed ech-Cheikh é assassinado por um desertor turco que se tinha posto a seu serviço: a sua cabeça é enviada a Argel, e depois a Constantinopla. O seu irmão também é assassinado em Tafilalt, por ordem de Abdallah el-Ghalib, para este poder reinar.As tropas de Argel ameaçam Fez depois de uma batalha indecisa travada perto do rio Sebu, mas uma surtida das forças espanholas de Orão obriga-as a retirarem-se.
- 1557-1574: Reinado de Abdallah el-Ghalib. Falha em sua tentativa de apoderar-se de Mazagão, e a revolta dos mouriscos de Granada interfere com seu projeto de aliança com a Espanha contra a ameaça otomana. Mas esta ameaça aparece menos perigosa depois que em Lepanto a frota cristã vence o sultão, em outubro de 1571.
- 1574-1576: Reinado de Mulei Mohammed, o filho mais velho de Muhammad al-Ghalib. Segundo a tradição, era o irmão mais velho do defunto, Abu Marwan Abd al-Malik I Saadi (Mulei Moluco), que devia suceder-lhe. Abd al-Malik, que tinha combatido nas armadas otomanas, é apoiado pelo sultão turco, que procura instalar, finalmente, o poder do Império Otomano em Marrocos. Abd al-Malik dessa maneira pode invadir o país com um poderoso Exército turco, e toma Fez, e em seguida Marraquexe, depois de vencer seu sobrinho perto de Rabat. Este procura então o apoio do Rei Dom Sebastião de Portugal.
- 1576-1578: Reinado de Mulei Moluco. Este procura afastar o aliado turco, que o ajudou a tomar o poder, porque compreende que o sultão de Constantinopla é a principal ameaça para a independência de Marrocos, muito mais perigosa que a espanhola de Filipe II, forçado a dispersar os seus esforços da Itália aos Países Baixos.
- 1578-1603: Reinado de Ahmed al-Mansur, irmão de Abd al-Malik. Seu reinado é um período de paz, que vê o Império Otomano abandonar suas ambições para o oeste, o que contribui para reforçar a independência Saadiana.
- 1578 (4 de Agosto): Batalha de Alcácer Quibir
- 1581: tomada da oásis de Tuat, (província de Adrar, que era uma etapa necessária no caminho que vinha do sul de Argélia para Tombuctu e Gao, um caminho que tinha gradualmente suplantado o que passava por Tafilalet, a suleste de Marrocos. O declínio do Comércio transaariano - cujas caravanas estão agora em competição com as caravelas Portuguesas que vão directamente às costas da Guiné -, o desejo de controlar as salinas de Teghaza, de que se apoderou o Império Songhai deGao, o desejo de apoderar-se das minas de ouro do Sudão, levam Marrocos a virar-se para essas áreas para restabelecer o comércio, que durante pelo menos sete séculos tinha-se revelado muito proveitosos para ele.
- 1603: Com a morte, da peste, do sultão, começa a guerra entre seus filhos, que são proclamados sultãos, um em Fez, o outro em Marraquexe. Mulei Zaidan el-Nasir finalmente sai vitorioso da luta que o opõe a seus irmãos Abou Faris e Mohamed ech Cheikh II el Mamoun. Durante os quarenta anos que seguem, vários sultões Saadianos sucedem-se em Fez, e Marraquexe. É preciso esperar a chegada e victória dos Alaouitas para assistir ao restabelecimento da ordem e da unidade.
- 1609-1614 Expulsão dos Mouriscos de Espanha. Muitos deles vêm instalar-se em Marrocos. Treze mil estabelecem-se na foz do rio Bu Regreg e criam os fundamentos de uma República corsária (1627-1668), que se tornará famosa e multiplicará expedições por todo o Atlântico.
Ver também [editar]
Notas e referências
- ↑ em árabe: السعديون; transl.: as-saʿadiūn, "os saadianos".
- ↑ Janine et Dominique Sourdel, Dictionnaire historique de l'islam, Ed. P.U.F., ISBN 978-2130-545361, p. 715, artigo Saadiens e Dynastie des Hasanides Les Sa`dides
- ↑ Charles-André Julien, Histoire de l'Afrique du Nord, des origines à 1830, éd. Payot, Paris, 1994, ISBN 978-2228-887892, p. 573
- ↑ a b Kevin Shillington (de de 2005). "Encyclopedia of African history, Band 1". CRC Press.
- ↑ Chronique de Santa-Cruz du Cap de Gué (Agadir). Texte portugais du XVIeme siècle, traduit et annoté par Pierre de Cenival. Paris, Paul Geuthner. 13, rue Jacob, 13. 1934
- ↑ Luís del Marmol Carvajal, in Primera parte de la Descripcion general de Affrica, con todos los sucessos de guerras que a avido entre los infieles, y el pueblo christiano, y entre ellos mesmos desde que mahoma inve[n]to su secta, hasta el año del señor mil y quinientos y setenta y uno / por el veedor Luys del marmol Caravaial Granada : en casa de Rene Rabut, : vendense en casa de Iuan Diaz, 1573
Bibliografia [editar]
- Bernard Rosenberger, Le Maroc au XVIè siècle. Au seuil de la modernité., Fondation des Trois Cultures, 2008, ISBN 9954-0-1368-7
- Mohammad al Saghir ben al Hadj ben Abd-Allah al Wafrani (Oufrani), Nozhet-el hādi bi akhbar moulouk el-Karn el-Hadi - Histoire de la dynastie saadienne au Maroc : 1511-1670, traduzido em francês e publicado por O. Houdas, Ernest Leroux, Paris, 1889. http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k5459924n.r=nozhet.langFR
- Charles-André Julien, Histoire de l'Afrique du Nord, des origines à 1830, éd. originale 1931, rééd. Payot, Paris, 1994, ISBN 978-2228-887892
- Janine et Dominique Sourdel, article Saadiens em Dictionnaire historique de l'islam, Ed. P.U.F., ISBN 978-2130-545361, p. 715
- Nabil Mouline, Le Califat imaginaire d'Ahmad al-Mansûr. Pouvoir et diplomatie au Maroc au XVIe siècle, Paris, PUF, 2009. Présentation
Ligações externas [editar]
- السعديون (القائمة الكاملة, Os Saadianos (em árabe) www.hukam.net
- Les Saadiens (em francês) Memoarts.com