Callithrix jacchus

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Weißbüschelaffe (Callithrix jacchus).jpg

Estado de conservação
Status iucn3.1 LC pt.svg
Pouco preocupante (IUCN 3.1) 3
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Primates
Subordem: Haplorrhini
Família: Cebidae
Subfamília: Callitrichinae
Género: Callithrix
Espécie: C. jacchus
Nome binomial
Callithrix (Callithrix) jacchus
(Linnaeus, 1758)
Distribuição geográfica
Originário da Nordeste e Leste do Brasil introduzido em outras regiões.
Originário da Nordeste e Leste do Brasil introduzido em outras regiões.

O sagüi-de-tufos-brancos (nome científico: Callithrix jacchus), também conhecido como Soim, é uma espécie macaco do Novo Mundo. Sua origem é do nordeste do Brasil, mas atualmente é encontrado também no sudeste e demais áreas, além de criado em cativeiros em diversos países.

Taxonomia e Evolução[editar | editar código-fonte]

Os saguis que ocorrem na Mata Atlântica já foram considerados todos como subespécies de Callithrix jacchus.4 Atualmente, todos esses táxons são considerados como espécies separadas, com Callithrix jacchus se referindo apenas às populações que ocorrem no nordeste brasileiro e Caatinga.5 4 6

Estudos realizados com morfometria de crânios colocaram Callithrix jacchus como grupo-irmão de um grupo monofilético formado por Callithrix kuhlii, Callithrix penicillata e Callithrix geoffroyi.5 Entretanto, dados moleculares sugerem outro clado, com Callithrix geoffroyi como grupo-irmão de um clado com uma politomia não resolvida entre Callithrix kuhlii, Callithrix penicillata e Callithrix jacchus.7

Caracterização[editar | editar código-fonte]

É o sagüi mais conhecido e comum. São animais de pequeno porte com peso entre 350 e 450 gramas, pelagem estriada na orelhas e mancha branca na testa. Coloração geral do corpo acinzentado-claro com reflexos castanhos e pretos. A cauda é maior do que o corpo e tem a função de garantir o equilíbrio do animal.

Distribuição Geográfica e Hábitat[editar | editar código-fonte]

Habita florestas arbustivas da Caatinga e a Mata Atlântica do nordeste brasileiro, ocorrendo de forma nativa nos estados de Alagoas, Pernambuco, Sergipe, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Maranhão, Bahia e Tocantins, até o sul do rio São Francisco.6 Foi uma espécie introduzida em várias localidades do Brasil, sendo muito comum em remanescentes de floresta degradada da Mata Atlântica e existem populações estabelecidas na Ilha de Santa Catarina e em Buenos Aires, onde originalmente não ocorriam.6 No Recôncavo Baiano, parece haver uma zona de hibridização com Callithrix penicillata, fato que parece ter ocorrido devido ao desmatamento, já que provavelmente essa área era habitada por Callithrix kuhlii.6 Entretanto, alguns estudos mostram que muitas dessas populações não estão consolidadas e se mantém graças à novas introduções realizadas pelo homem, como observado na bacia do rio São João, no Rio de Janeiro.8

Ecologia[editar | editar código-fonte]

Essa espécie vive em grupos de três a 15 animais, formados por indivíduos reprodutores e não reprodutores. Possui uma área de vida de pequenas, como mostrado em populações estudadas no Rio Grande do Norte: de 0,5 ha a 35,5 ha.9 Isso se deve provavelmente por possuir uma dieta rica em goma, que permite que os animais explorem outros tipos de alimentos, além de frutos, em meses de escassez.9

Alimentação[editar | editar código-fonte]

Alimentam-se de insetos, aranhas, pequenos vertebrados, ovos de pássaros, frutos e são também gumívoros (alimentam-se da goma exsudada de troncos que roem com seus incisivos inferiores, de árvores gumíferas). Esta goma serve de fonte de carboidratos, cálcio e algumas proteínas. Dispende cerca de 25 a 30% de seu tempo ativo, procurando por alimentos.

Reprodução[editar | editar código-fonte]

Nas fêmeas a maturidade sexual é atingida aos 18 meses e nos machos aos 24. O período de gestação varia entre 140 a 160 dias, depois de um ciclo estral de cerca de 15 dias. Nascem dois filhotes a cada gestação. Os filhotes são grandes. Com duas semanas de vida começam a experimentar frutas maduras, sem deixar a amamentação (até os 2 meses). O pai, como em outros sagüis, ajudam carregando os filhotes que agarram-se muito bem para qualquer um dos pais, sendo transferidos para a mãe na hora da alimentação. Aos 21 dias, os jovens começam a explorar um pouco, mas andam nas costas de seus pais até a idade de 6-7 semanas.

Manifestações sonoras[editar | editar código-fonte]

Quando é ameaçado, emite guinchos muito agudos, alertando o grupo. Protegem o território de outros grupos com sons fortes.

Galeria[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Groves, C.. In: Wilson, D. E., and Reeder, D. M. (eds). Mammal Species of the World. 3rd edition ed. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 16 de novembro de 2005. Capítulo: Order Primates. , 131 p. ISBN 0-801-88221-4 OCLC 62265494
  2. Rylands AB e Mittermeier RA. In: Garber PA, Estrada A, Bicca-Marques JC, Heymann EW, Strier KB (eds). South American Primates: Comparative Perspectives in the Study of Behavior, Ecology, and Conservation. Nova Iorque: Springer, 2009. Capítulo: The Diversity of the New World Primates (Platyrrhini): An Annotated Taxonomy. , 23–54 p. ISBN 978-0-387-78704-6
  3. Rylands, A.B, Mittermeier, R.A., de Oliveira, M.M. & Kierulff, M.C.M. (2008). Callithrix jacchus (em Inglês). IUCN 2012. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2012 Versão 2. Página visitada em 27 de dezembro de 2012.
  4. a b Coimbra-Filho, A. F.; Mittermeier, R.A.; Rylands, A. B.; Mendes, S. L.; Kierulff, M.C.M.; Pinto, L.P.S.. (2006). "The Taxonomic Status of Wied’s Black-tufted-ear Marmoset, Callithrix kuhlii (Callitrichidae, Primates)". Primate Conservation 21: 1-24.
  5. a b Marroig,G.; Cropp, S.; Cheverud, J.M.. (2004). "Systematics and Evolution of the Jacchus Group of Marmosets (Platyrrhini)". American Journal of Physical Anthropology 123: 11-22. DOI:10.1002/ajpa.10146.
  6. a b c d Rylands, A.B.; Coimbra-Filho, A.F. e Mittermeier, R.A.. In: Ford, S.M.; Porter, L.M. e Davis, L.L.C. (eds). The Smallest Anthropoids: The Marmoset/callimico Radiation. Nova Iorque: Springer, 2009. Capítulo: The Sistematics and Distribution of the Marmosets (Callithrix, Calibella, Cebuella, and Mico) and Callimico (Callimico) (Callitrichidae, Primates). , 25-63 p. ISBN 978-1-4419-0292-4
  7. Tagliaro, C.H.; Schneider, M. P.; Schneider, H.; Sampaio, I.C.; Stanhope, M.J.. (1997). "Marmoset phylogenetics, conservation perspectives, and evolution of the mtDNA control region". Molecular Biology and Evolution 14 (6): 674-684.
  8. Morais Jr, M.M.; et al. In: de Oliveira, P.P.; Grativol, A.D.; Miranda, C. R.R. (eds). Conservação do Mico-leão-dourado: Enfrentando os desafios de uma paisagem fragmentada. Campos de Goytacazes: Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, 2008. Capítulo: Os sagüis, Callithrix Jacchus e penicillata, como espécies invasoras na região de ocorrência do mico-leão dourado. , 87-117 p. ISBN 978-85-89479-11-0
  9. a b Castro, C.S.S.. (2003). "Tamanho da área de vida e padrão de uso do espaço em grupos de sagüis, Callithrix jacchus (Linnaeus) (Primates, Callitrichidae)". Revista Brasileira de Zoologia 20 (1): 91-96. DOI:10.1590/S0101-81752003000100011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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