Salário mínimo

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O Salário mínimo é o mais baixo valor de salário que os empregadores podem legalmente pagar aos seus funcionários pelo tempo e esforço gastos na produção de bens e serviços. Também é o menor valor pelo qual uma pessoa pode vender sua força de trabalho. Apesar de existir em praticamente todos os países do mundo, existem diversas opiniões sobre as vantagens e desvantagens do salário mínimo. Os defensores dizem que ele aumenta o nível de vida dos trabalhadores e reduz a pobreza[1] . Os opositores dizem que, se for alto o suficiente para ser eficaz, ele aumenta o desemprego, especialmente entre os trabalhadores com produtividade inferior (devido à inexperiência ou deficiência), prejudicando assim os trabalhadores menos qualificados para o benefício dos mais qualificados.[2] .

História do Salário Mínimo[editar | editar código-fonte]

Uma fábrica de roupa em Chicago, Illinois, Estados Unidos, em 1903

Salários mínimos instituídos por lei foram propostos primeiramente como uma forma de controlar a proliferação de estabelecimentos que apresentavam condições de trabalho deploráveis na indústria manufatureira. Esses estabelecimentos empregavam um grande número de mulheres e jovens, pagando-os salários mais baixos do que os pagos a homens adultos. Considerava-se que os proprietários tinham um poder de barganha muito forte, e os salários mínimos foram propostos com o intuito de fazer com que todos tivessem um salário “justo”.Hoje, as leis de salário mínimo protegem trabalhadores na maioria das atividades mal-remuneradas.[3]

O salário mínimo é uma questão social importante, centrada na questão de se os mercados podem promover distribuição de renda para os membros menos aptos da força de trabalho. Para alguns, a solução óbvia a essa preocupação é redefinir a estrutura de salários politicamente, com o intuito de atingir uma distribuição de renda socialmente preferível. Dessa forma, as leis de salário mínimo estão geralmente inseridas num contexto de política redistributiva, visando reduzir a pobreza.[4]

Apesar dos objetivos do salário mínimo serem largamente aceitos como desejáveis, há um grande desacordo sobre se o salário mínimo é eficaz ou não em atingir seus objetivos. Desde que começou a ser posto em prática, o salário mínimo tem sido uma política pública altamente controversa, e tem recebido muito menos apoio de economistas em geral do que do público amplo. Apesar de décadas de experiência prática e pesquisa econômica, a discussão sobre os custos e benefícios de salários mínimos continua ainda hoje.[3]

A exposição clássica das deficiências de uma política de salário mínimo para reduzir a pobreza foi feita por George Stigler em 1946:

  • o emprego pode cair mais do que proporcionalmente em relação ao aumento dos salários, e portanto reduzindo o nível geral de renda;
  • à medida que setores da economia não afetados pelo salário mínimo recebem trabalhadores advindos dos setores afetados, o decréscimo dos salários nos setores não afetados pode ser maior do que o acréscimo do salário nos setores afetados;
  • o impacto do salário mínimo na distribuição de renda familiar pode ser negative a não ser que as vagas em menor número, mas com salários maiores, sejam alocadas para as famílias mais necessitadas, do que, por exemplo, para adolescentes de famílias longe da pobreza;
  • empregadores proibidos de pagar menos que o mínimo legal é o equivalente a proibir trabalhadores de venderem a sua força-de-trabalho por menos que o salário mínimo. A restrição do mínimo legal é equivalente à restrição de que os trabalhadores permanecerão desempregados a não ser que encontrem empregadores dispostos a pagar aquele salário.[4]

Estudos empíricos diretos indicam que efeitos antipobreza nos EUA seriam muito modestos, ainda que não provocasse desemprego. Muitos poucos trabalhadores de salários baixos vem de famílias na pobreza. Aqueles primeiramente afetados pelo salário mínimo são adolescentes e mulheres sem qualificação que trabalham meio-período, e qualquer do salário na renda é estritamente proporcional ao número de horas de trabalho que lhes são oferecidas. Então, se a renda de trabalhadores com baixos salários deve ser complementada de alguma forma, outros fatores que não o salário mínimo devem ser considerados. Oportunidades de emprego e os fatores que limitam a participação no Mercado de trabalho também precisam ser considerados.[4] O economista americano Thomas Sowell também argumentou que, a despeito de costume ou lei, o salário mínimo real é sempre zero, e zero é o que algumas pessoas recebem quando não conseguem encontrar emprego ao tentar ingressar na força de trabalho ou quando se tem um emprego e o perdem.

Discussão teórica[editar | editar código-fonte]

A macroeconomia clássica estuda o efeito do salário mínimo no contexto do mercado de trabalho. Neste mercado, o trabalhador fornece seu serviço e o empregador compra o serviço em forma de salário.

O modelo mais tradicional do mercado de trabalho é um de competitividade perfeita (um modelo teórico, elementar, presente na maioria dos livros de economia, para os principiantes nessa ciência, em forma linear e perfeitamente elástica, comum na maioria dos livros texto). Nestes modelos teóricos e elementares do ponto de vista do raciocínio econométrico, o preço do trabalho é determinado por um equilíbrio natural no valor marginal, devido à derivada unitária, vide noções de cálculo (o que provoca enganos, até entre economistas de determinadas escolas, pois entra-se na área da política, que é inseparável da economia - pura e teórica), onde a curva de oferta do trabalho intercepta a curva de procura(pelo trabalho). Na situação de competitividade perfeita - teórica, em um limite de preço inferior, o que raramente acontece(no enfoque teórico do conceito de salário mínimo), e o que causa um aumento do número de pessoas que estariam dispostos ao trabalho por este salário, mas uma procura menor de funcionários por empregadores (o enfoque é visto sempre pelo lado do empregador). O resultado evidente - econométrico é e será sempre um excesso de trabalho no mercado(desemprego). Esse excesso é referido sempre como "desemprego - voluntário" e não como "falta de crédito" ao empregador e à economia como um todo, o que é uma falácia, devido ao baixo salário enfocado no nível de renda da economia, que, devido a diversos fatores, que não cabe aqui relatar; acabam a não satisfazer nem ao trabalhador, e nem ao patrão ou empresário, é importante alertar esses pormenores, tratando-se de uma enciclopédia como a nossa e não um livro de princípios econométricos, uma vez que se traz a luz um modelo que é bastante discutido nos meios acadêmicos, como esse.

Curva de oferta de trabalho[editar | editar código-fonte]

Gráfico do mercado de procura e oferta de trabalho

O número de trabalhadores no mercado é normalmente considerado diretamente proporcional ao salário oferecido. A medida que o salário aumenta a oferta de trabalho aumenta. Esta relação é tradicionalmente ilustrada em um gráfico com o salário no eixo vertical e a quantidade de trabalho no eixo horizontal. A curva de oferta de trabalho tem a tendência a aumentar em função dos dois, com base sempre no que foi relatado acima.

Essa tendência é baseada na premissa de que, se o salário for suficientemente baixo, o trabalhador prefere não trabalhar. À medida que o salário aumenta o trabalhador prefere trocar seu tempo de folga por tempo de trabalho. Isso é representado na curva de oferta caminhando para cima a medida que o salário aumenta. É importante entender que o valor do salário não altera o formato da curva.

Outras variáveis podem causar uma mudança no formato desta curva. Por exemplo, trabalhadores em todos os níveis de salário aceitariam salários menores se houver uma queda no custo de vida. Isso é representado por uma translação da curva inteira de oferta de trabalho para a direita.

Curva de procura de trabalho[editar | editar código-fonte]

Oposto a curva de oferta de trabalho, a curva de procura de trabalho varia inversamente com o salário. Isso é representado pela curva que cai da esquerda para direita no gráfico ao lado. A medida que o preço do trabalho aumenta é suposto que empresas vão contratar menos funcionários. A curva também varia inversamente com o número de funcionários contratados. Isso vem do princípio que a produtividade de um funcionário cai proporcionalmente ao número de funcionários contratados. Segue este princípio a frase "tem cozinheiros demais na cozinha". É importante entender que o valor do salário não altera o formato da curva.

Outras variáveis podem causar uma mudança no formato desta curva. Por exemplo, uma empresa pode decidir contratar mais funcionários em todos os níveis de salário se houver um aumento do preço do produto fabricado por ela. Isso é representado por uma translação da curva inteira para a direita.

Curva de oferta e procura de trabalho[editar | editar código-fonte]

As curvas de oferta e procura de trabalho podem ser desenhadas no mesmo gráfico. Isso nos permite examinar os possíveis efeitos do salário mínimo. Quando as duas curvas se encontram (o ponto de equilíbrio) a oferta de trabalho é a mesma que a procura de trabalho. Neste ponto se estabelece o valor "natural" do trabalho no mercado.

De acordo com o modelo, um nível de salário maior no mercado imposto por um salário mínimo, aumentaria o número de trabalhadores dispostos a trabalhar por este valor. Isso também diminuiria o número de trabalhadores que as empresas estariam dispostas a contratar. A diferença do número de contratados e dos que querem trabalhar por este valor é o que chamamos de desemprego. Em conclusão se o salário mínimo for maior do que o preço natural isso pode aumentar o desemprego.

Críticas do modelo clássico[editar | editar código-fonte]

Uma visão alternativa é tratar o mercado de trabalho de baixa renda como um mercado de competição monopsonista. Neste tipo de mercado o comprador (o empregador) tem muito mais poder do que o vendedor de trabalho (o trabalhador). Neste caso o trabalhador pode aceitar um salário bem abaixo do verdadeiro valor de seu trabalho. Seguindo este modelo, um salário mínimo que força o empregador a pagar salários mais próximos do verdadeiro valor de equilíbrio, causaria ao mesmo tempo um aumento de renda e a redução do desemprego. O salário mínimo ideal é o valor marginal de produtividade do trabalhador, sendo o maior salário mínimo que não causaria o desemprego.

Esta visão não depende de argumentos puramente ideológicos a favor do salário mínimo. Ela enfatiza o salário mínimo como sistema de regulação do mercado, que visa combater o truste e a combinação de preços. É comum que os críticos do modelo monopsonisto de trabalho argumentem que não existe a combinação de salários entre empregadores, e que o salário mínimo seria o único fator anticompetitivo no mercado. Porém o desequilíbrio de poder no mercado, que justifica o modelo monopsonisto, não depende da combinação de salários entre empregadores. Outros fatores como a segmentação, imobilidade, custo de informação e fatores pessoais tornam o mercado de trabalho demonstrativamente não competitivo.

Por exemplo, o modelo de competição perfeitamente elástica estipularia que o mesmo trabalho, na mesma função, teria o mesmo valor em qualquer lugar do mundo (conhecido como a lei de preço único). Isso porque se oferecerem salários maiores para trabalhadores rurais em São Paulo por exemplo, o trabalhador do Acre que ganha menos, poderia se mudar para São Paulo imediatamente. Isso causaria uma falta de mão de obra no Acre, o que aumentaria o preço do trabalho no local, eventualmente igualando o preço do trabalho do Acre e o de São Paulo. Porém, na realidade o trabalhador do Acre encontraria um número de obstáculos financeiros, burocráticos e pessoais para se mudar para São Paulo. Estes obstáculos de mobilidade impedem a realização da lei de preço único do trabalho.

O modelo de competitividade perfeita estipula uma relação linear entre o valor do salário e a disposição do trabalhador de vender seu tempo vago em forma de trabalho. Esta relação é bem representativa para setores de trabalho com alta renda, mas não representativa de setores de baixa renda. Isso porque não leva em consideração necessidades básicas do ser humano, como a necessidade de se alimentar. Na realidade o mesmo trabalhador rural do Acre, se vendo impedido de mudar-se para um local com maiores salários, poderia se ver forçado a aceitar trabalho pelo preço da alimentação básica, independente do verdadeiro valor do seu trabalho.

Debate sobre as consequências[editar | editar código-fonte]

Para os marxistas, o salário mínimo visa à proteção do trabalhador contra ao que consideram exploração do capitalista, em virtude da exploração da concorrência pela oferta de mão-de-obra. Para economistas da escola keynesiana, o salário mínimo também providencia estabilidade e crescimento econômico, porque canaliza a circulação de dinheiro para a parte da população com a maior probabilidade de gastar.

Segundo muitos economistas neoclássicos, o salário mínimo consiste em um entrave para a contratação de trabalhadores e gera desemprego estrutural, porque salários artificialmente inchados pelo Estado fazem com que a demanda por mão-de-obra se reduza, ocasionando uma redução do emprego. Desse ponto de vista, o salário mínimo é considerado um mal, mas esta concepção não toma em conta possíveis efeitos benéficos no plano económico, como o incentivo ao aumento da produtividade e ao investimento, em alternativa à concorrência pelos baixos salários.

Nos países onde há inflação considerável, o salário mínimo é reajustado mais frequentemente; uma crítica comum dos trabalhadores é que os aumentos de salário não acompanham a inflação.

Reajuste[editar | editar código-fonte]

Um dos pontos abordados pela votação do Orçamento da União é o reajuste do salário mínimo. O reajuste busca sempre cobrir a variação da inflação do ano que passou (utilizando para tanto o INPC) e acrescentar um pouco mais, a variação do PIB relativa ao ano que passou (uma forma de distribuir as riquezas). Os gráficos mostram que esta regra de reajuste vem sendo seguida desde a entrada do Real.

O salário médio do brasileiro, apesar de também subir, mostra-se sempre aquém desta regra de reajuste, consequentemente diminuindo as diferenças sociais no país, como se vê no coeficiente de gini. Após 14 anos, o salário médio que equivalia a 8 salários mínimos(R$800,00) em 1995, passou a valer 3 salários mínimos(R$1.395,00) em 2009.

Evolução do salário mínimo do Brasil comparativamente ao reajuste dado pela regra INPC + variação do PIB
Evolução do salário mínimo e do salário médio do Brasil
Evolução do salário médio normalizado pelo valor do salário mínimo do Brasil

Portugal[editar | editar código-fonte]

Em Portugal Continental, desde 1 de Janeiro de 2011, o salário mínimo nacional é de 485,00 euros por mês, pagos em 14 vezes (subsídio de Natal e subsídio de férias) ou 565,83 euros pago em 12 meses.[5]

Na Região Autónoma dos Açores, desde 1 de Janeiro de 2010, o salário mínimo regional é de 498,75 euros por mês, pagos em 14 vezes (subsídio de Natal e subsídio de férias) ou 581,88 euros pago em 12 meses.

Na Região Autónoma da Madeira, desde 1 de Janeiro de 2010, o salário mínimo regional é de 484,50 euros por mês, pagos em 14 vezes (subsídio de Natal e subsídio de férias) ou 565,25 euros pago em 12 meses.

Aprendizes, praticantes, e estagiários têm direito a auferir 80% do salário mínimo quando se encontrem em formação prática (estágio) para uma categoria profissional qualificada, qualquer que seja a sua idade e no primeiro ano do início da profissão. Esta redução é aplicável só durante um ano, aqui se incluindo o período de formação na mesma categoria passado noutras entidades patronais.

A 5 de Dezembro de 2006, o Governo em conjunto com representantes do Patronato e as plataformas sindicais acordaram a evolução do salário mínimo nacional até 2011, sendo que o objectivo seria de alcançar o patamar dos 500 euros em 2011.

Em 2011, havia em Portugal cerca de 400 mil trabalhadores a auferirem o salário mínimo. Esse valor quase duplicou desde 2006, pois desde então houve um aumento do salário mínimo, houve a descida dos salários dos jovens que entravam na vida ativa, e por fim, o pano de fundo da recessão económica no país.[6]

Evolução do salário mínimo em Portugal desde 1974
Efectivo em
Serviço
Doméstico
Agricultura
Restantes
Actividades
27 de Maio de 1974
3300$
16 de Junho de 1975
4000$
1 de Janeiro de 1977
3500$
4500$
1 de Abril de 1978
3500$
4500$
5700$
10 de Outubro de 1979
4700$
6100$
7500$
1 de Outubro de 1980
5700$
7500$
9000$
1 de Outubro de 1981
6800$
8950$
10700$
1 de Janeiro de 1983
8300$
10900$
13000$
1 de Janeiro de 1984
10000$
13000$
15600$
1 de Janeiro de 1985
13000$
16500$
19200$
1 de Janeiro de 1986
15200$
19500$
22500$
1 de Janeiro de 1987
17500$
22400$
25200$
1 de Janeiro de 1988
19500$
24800$
27200$
1 de Janeiro de 1989
22400$
28400$
30000$
1 de Julho de 1989
24000$
30000$
31500$
1 de Janeiro de 1990
28000$
34500$
35000$
1 de Janeiro de 1991
33500$
40100$
1 de Janeiro de 1992
38000$
44500$
1 de Janeiro de 1993
41000$
47400$
1 de Janeiro de 1994
43000$
49300$
1 de Janeiro de 1995
45700$
52000$
1 de Janeiro de 1996
49000$
54600$
1 de Janeiro de 1997
51450$
56700$
1 de Janeiro de 1998
54100$
58900$
1 de Janeiro de 1999
56900$
61300$
1 de Janeiro de 2000
60000$
63800$
1 de Janeiro de 2001
64300$
67000$
1 de Janeiro de 2002
68410$
341,23 €
69770$
348,01 €
1 de Janeiro de 2003
353,20 €
356,60 €
1 de Janeiro de 2004
365,60 €
1 de Janeiro de 2005
374,70 €
1 de Janeiro de 2006
385,90 €

Em 2007 as regiões autónomas passaram a fixar o seu salário mínimo

Efectivo em
Portugal Continental
R. A Dos Açores
R. A Da Madeira
1 de Janeiro de 2007
403,00 €
423,15 €
411,16 €
1 de Janeiro de 2008
426,00 €
447,30 €
434,52 €
1 de Janeiro de 2009
450,00 €
472,50 €
459,00 €
1 de Janeiro de 2010
475,00 €
498,75 €
484,00 €
1 de Janeiro de 2011
485,00 €
509,25 €
494,00 €
1 de Outubro de 2014
505,00 €
530,25 €
515,00 €

Brasil[editar | editar código-fonte]

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Getúlio Vargas foi o responsável pela instituição do salário mínimo no Brasil em 1930, com uma fórmula simples, criou uma "cesta básica" e recomendou que "o salário mínimo deveria cobrir 10 cestas básicas regionais de gêneros alimentícios". Essa sua instrução foi regulamentada mais tarde pelas: lei nº 185 de janeiro de 1936 e pelo decreto-lei nº 399 de abril de 1938. O Decreto-Lei nº 2162 de 1º de maio de 1940 fixou os valores do salário mínimo, e foi nesse ano que ele passou a vigorar. O salário mínimo da época tinha 14 valores diferentes cuja variação entre o menor e o maior era de 2,67 vezes que dependia da economia regional. A atribuição desses valores foi feita da seguinte forma: o país foi dividido em 22 regiões (os 20 estados da época mais o Distrito Federal e o território do Acre), que por sua vez foram dividas em 50 sub-regiões. Essa tabela tinha vigência mínima de três anos, sendo assim o primeiro reajuste ao salário mínimo só ocorreu em 1943, no mês de julho. O salário mínimo teve outro aumento em dezembro do mesmo ano. Esses dois aumentos, além de proporcionarem recuperação do poder aquisitivo dos salários, diminuíram a diferença entre o menor e o maior salário para 2,24 vezes. Aos aumentos de 1943 seguiram-se oito anos sem reajuste, devido ao valor real e poder de compra.

As diversas leis trabalhistas foram consolidadas pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1 de maio de 1943, conhecida pela sigla CLT, fortemente inspirada na Carta del Lavoro do governo de Benito Mussolini na Itália. Em seu artigo 176 foi inserida a regra do salário-minímo, que deveria ser suficiente para atender as necessidades primárias do trabalhador.

A nova constituição do Brasil de 1988 estabelece no capítulo II (Direitos Sociais) artigo 6 o direito de todo trabalhador a um salário mínimo. A cláusula IV manteve basicamente a definição da antiga CLT ao estabelecer que o valor do salário fosse "capaz de atender a suas [do trabalhador] necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social". Esta cláusula também garante reajustes periódicos a fim de preservar o poder aquisitivo do trabalhador.

Baseado nesta premissa, o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) divulga o salário mínimo necessário para se cumprir o que a constituição estabelece.

Em 2008, o salário mínimo anual vigente no Brasil (incorporado o décimo terceiro) equivaleu a 35% da renda per capita.[7]

Desde 1994, quando a moeda corrente passou a ser o Real, houve 18 reajustes.

A tabela abaixo mostra o valor de todos os reajustes do salário mínimo, desde o plano real.

Vigência
Valor (R$)
Salário Necessário
média do período segundo o DIEESE
Necessário/
mínimo
Corrigido INPC
até Janeiro/2010
Câmbio oficial médio
período de vigência da linha
Valor (US$)
Câmbio oficial médio
período de vigência da linha
Valor (€)
1/Julho/94 até 31/Agosto/94
R$ 64,79
R$ 617,93
9,54
R$ 233,04
US$ 1,00 = R$ 0,913
US$ 70,96
1/Setembro/94 até 30/Abril/95
R$ 70,00
R$ 735,83
10,51
R$ 229,42
US$ 1,00 = R$ 0,861
US$ 81,30
1/Maio/95 até 30/Abril/96
R$ 100,00
R$ 750,91
7,51
R$ 281,32
US$ 1,00 = R$ 0,954
US$ 104,82
1/Maio/96 até 30/Abril/97
R$ 112,00
R$ 809,80
7,23
R$ 266,51
US$ 1,00 = R$ 1,027
US$ 109,06
1/Maio/97 até 30/Abril/98
R$ 120,00
R$ 821,72
6,85
R$ 263,90
US$ 1,00 = R$ 1,102
US$ 108,89
1/Maio/98 até 30/Abril/99
R$ 130,00
R$ 881,70
6,78
R$ 274,57
US$ 1,00 = R$ 1,362
US$ 95,45
1/Maio/99 até 31/Março/00
R$ 136,00
R$ 908,11
6,68
R$ 276,52
US$ 1,00 = R$ 1,825
US$ 74,52
€ 1,00 = R$ 1,882
€ 72,23
1/Abril/00 até 31/Março/01
R$ 151,00
R$ 992,01
6,57
R$ 291,43
US$ 1,00 = R$ 1,891
US$ 79,85
€ 1,00 = R$ 1,718
€ 87,90
1/Abril/01 até 31/Março/02
R$ 180,00
R$ 1085,41
6,03
R$ 326,89
US$ 1,00 = R$ 2,442
US$ 73,71
€ 1,00 = R$ 2,164
€ 83,18
1/Abril/02 até 31/Março/03
R$ 200,00
R$ 1268,61
6,34
R$ 331,02
US$ 1,00 = R$ 3,131
US$ 63,88
€ 1,00 = R$ 3,202
€ 62,46
1/Abril/03 até 30/Abril/04
R$ 240,00
R$ 1419,79
5,92
R$ 335,10
US$ 1,00 = R$ 2,924
US$ 82,08
€ 1,00 = R$ 3,445
€ 69,66
1/Maio/04 até 30/Abril/05
R$ 260,00
R$ 1509,97
5,81
R$ 339,08
US$ 1,00 = R$ 2,842
US$ 91,48
€ 1,00 = R$ 3,596
€ 72,31
1/Maio/05 até 31/Março/06
R$ 300,00
R$ 1512,87
5,04
R$ 367,00
US$ 1,00 = R$ 2,293
US$ 130,82
€ 1,00 = R$ 2,781
€ 107,89
1/Abril/06 até 31/Março/07
R$ 350,00
R$ 1524,72
4,36
R$ 414,84
US$ 1,00 = R$ 2,154
US$ 162,52
€ 1,00 = R$ 2,763
€ 126,67
1/Abril/07 até 29/Fevereiro/08
R$ 380,00
R$ 1748,49
4,60
R$ 436,02
US$ 1,00 = R$ 1,885
US$ 201,60
€ 1,00 = R$ 2,622
€ 144,91
1/Março/08 até 31/Janeiro/09
R$ 415,00
R$ 2025,12
4,88
R$ 453,65
US$ 1,00 = R$ 1,898
US$ 218.67
€ 1,00 = R$ 2.729
€ 152.09
1/Fevereiro/09 até 31/Dezembro/09
R$ 465,00
R$ 2039,28
4,39
R$ 459,06
US$ 1,00 = R$ 1,968
US$ 236,27
€ 1,00 = R$ 2.742
€ 169.60
1/Janeiro/10 até 31/Dezembro/10
R$510,00
R$ 1995,28
Até Fevereiro
3,91
R$ 510,00
US$ 1,00 = R$ 1,736
Até 12 de Janeiro de 2010
US$ 293,77
€ 1,00 = R$ 2.3081
Até 12 de Janeiro de 2010
€ 220.96
Desde 1/Março/11
R$545,00
R$ 2194,00
4,03
R$ ------
US$ 1,00 = R$ 1,62
US$ 336.00
€ 1,00 = R$ 2.3081
€ 233.56
Desde 1/Janeiro/12
R$622,00
R$ 2212,66
3,56
R$ ------
US$ 1,00 = R$ 1,789
US$ 348.08
€ 1,00 = R$ 2.420
€ 257.02
A partir de 1/Janeiro/13
R$678,00
R$ 2295,58
3,39
R$ ------
US$ 1,00 = R$ 2,046
US$ 331.38
€ 1,00 = R$ 2.697
€ 251,39
A partir de 1/Janeiro/14
R$724,00
R$ 2771,44
3,83
R$ ------
US$ 1,00 = R$ 2,391
US$ 302.80
€ 1,00 = R$ 3.261
€ 222,02

Informação retirada do Portal Brasil - Índices financeiros brasileiros

Salário Mínimo Necessário calculado pelo DIEESE [2]

Correção do INPC feito pelo site do BC - Banco Central do Brasil

Taxa de câmbio fornecido pelo BC - Banco Central do Brasil

Inflação do US dollar estimado usando o Inflation Calculator

Valores reais do salário mínimo em termos percentuais (em relação ao poder aquisitivo):

  • 1982/83 = perda de 8,2%;
  • 1989/90 (recessão) = queda de 33,6%;
  • 2009 maio = diminuição de 3,1%.

Referências

  1. Real Value of the Minimum Wage (em inglês).
  2. Black, John. Oxford Dictionary of Economics. [S.l.]: Oxford University Press, USA, 2003-09-18. 300 pp.
  3. a b Neumark, David; William L. Wascher. Minimum Wages. Cambridge, Massachusetts: The MIT Press, 2008. ISBN 978-0-262-14102-4.
  4. a b c Eatwell, John, Ed; Murray Milgate, Peter Newman. The New Palgrave: A Dictionary of Economics. Londres: The Macmillan Press Limited, 1987. 476–478 pp. ISBN 0-333-37235-2.
  5. [1]
  6. Bruno Faria Lopes (20 de Julho de 2011). 402 mil pessoas. Trabalhadores com salário mínimo quase duplicam desde 2006. Visitado em 24 de Janeiro de 2011.
  7. IBGE: PIB per capita sobe 4% em 2008 para R$ 15.240 (em português).

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]