Sala do Manege

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

48° 51′ N 2° 19′ E

A Sala do Manege na planta de Turgot.
A Sala do Manege sob a Revolução Francesa.

O Manège é um lugar, situado em Paris, França, onde se reunia a Assembléia Constituinte de 1789 sob a Revolução Francesa.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Quando da infância do Rei Luís XV de França, foi construído um vasto manege ao lado do Palácio das Tulherias, em Paris, cedido posteriormente a um escudeiro do rei que explorava o local como academia equestre. Passou de mão em mão, acabando por constituir-se numa espécie de propriedade privada, apesar de nunca deixar de ser, de fato, uma propriedade da Coroa de França. Foi com este título que foi recuperado pela Assembléia Nacional quando esta procurava estabelecer-se em algum lugar fora do palácio do arcebispo de Paris, impróprio para comportá-la.

Ocupação pela Assembléia Nacional[editar | editar código-fonte]

Em 9 de Novembro de 1789, depois da Jornada de 5 e 6 de Outubro, responsável pela transferência do Rei e da família real para Paris, a Assebléia Nacional Constituinte, formalmente os Estados Gerais de 1789, transfere suas deliberações de Versailles para as Tulherias, seguindo o rei, e instala-se na Sala do Manege, às margens do palácio parisiense. Tendo nacionalisado os bens do Clero, a Assemléia Nacional, solicitando um espaço maior do que o Manege pode prover, estende sua ocupação para dois conventos adjacentes, os dos Capuchinhos (que logo depois sediará o prelo revolucionário em seu refeitório), e o dos Feuillants, cuja simpática biblioteca receberá os arquivos da Assembléia.

Os conventos[editar | editar código-fonte]

O Convento dos Capuchinhos é de proporções modestas enquanto o dos Feuillants exibe um certo luxo arquitetônico através de sua entrada, situada no eixo da atual Rua Castiglione (na altura da Rue Saint-Honoré). Separando os dois conventos, uma estreita passagem abre-se ao fundo do pátio dos Feuillants e chega até ao jardim das Tulherias, constituindo, pelo uso, uma espécie de passagem pública.

O edifício do Manege não tem porte suficiente para receber o conjunto de serviços que acompanham a Assembléia Nacional. Eles são distribuídos sobre os edifícios dos conventos. Os arquivos da Assembléia Nacional foram alocados na bela biblioteca do Conventos dos Feuillants, o tesouro dos dons patrióticos nos aposentos do pregador, o escritório de geografia no claustro e o prelo no refeitório dos Capuchinhos.

A passagem[editar | editar código-fonte]

Para ligar os escritórios à sala da Assembléia foi preparada, no jardim dos Feuillants, uma passagem de tábuas, levando até à sala do pessoal. A porta principal abria-se sobre um pátio que margeava diversas construções do corpo de guarda.

O público encontrava lugar nas duas extremidades da sala ou ainda nos camarotes, o que fazia reforçar sua semelhança com um teatro, já que o público da época era amante dos debates políticos e comparecia à Assembléia Nacional como se fosse a um espetáculo.

Não demorou muito portanto para que, num panfleto intitulado "Les Chevaux au Manège", "Os Cavalos do Manège" (em português), os deputados influentes fossem apelidados com nomes de cavalos, tanto com concisão quanto imparcialidade :

Saída da Assembléia Nacional do Manege para as Tullerias[editar | editar código-fonte]

A Assembléia Nacional permaneceu no Manege até 9 de Maio de 1793. É a Convenção que se apossa das Tulherias, tanto por razões práticas quanto por reforçar, por sua entrada no antigo palácio dos reis, que ela teria daí por diante o poder real.