Salto da fé

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Salto da fé é uma expressão utilizada para explicar a ruptura do estádio ético para o estádio religioso da existência, na filosofia de Sören Kierkegaard.

O homem que se encontra no estádio ético em determinado momento se depara com o arrependimento e com a consciência da sua finitude, da certeza da morte. Essa nova postura existencial, fruto da auto-análise, culmina em um salto para um outro estádio da existência, o estádio religioso.

Kierkegaard defendia que esse pulo para o estádio religioso é um verdadeiro "salto no escuro", pois não apresenta nenhuma garantia racional para o indivíduo, mas por isso mesmo é sua salvação. Esse salto não é passagem, pois não é gradual ou feito de forma suave, serena. É salto, pois é ruptura de uma antiga atitude perante a vida (ética) para outra (religiosa).

O Salto da fé coloca o indivíduo em relação direta com o Absoluto (comprometimento com Deus) e causa um rompimento entre ele e o geral (a sociedade e suas regras), realizando assim a exceção.

O indivíduo que deu o Salto da fé, que se tornou exceção, não procura conciliar inconciliáveis (Deus e o Mundo) e está disposto a sacrificar tudo por Deus, tal como ocorrera com Abraão, o Cavaleiro da Fé, em relação a seu filho, Isaac.

O homem do estádio religioso viverá a angústia de Abraão e seu testemunho será doloroso. Para Kierkegaard ser cristão é sofrer por amor a Deus, é ser perseguido, incompreendido, é estar apartado da multidão. Segundo o filósofo dinamarquês, comete um erro muito grande quem procura o cristianismo para fugir do sofrimento, do calvário. Esse vive um falso cristianismo. É o cristianismo dos rituais externos e não do grande acontecimento íntimo que muda completamente a existência.

Kierkegaard apontava como figura representativa do falso cristianismo o bispo Mynster, que depois das pregações de domingo, onde falava de renúncia, simplicidade e sacrifício, ia tomar parte dos jantares da corte.

Com o Salto da fé o indivíduo se torna exceção e terá assumido seu destino perante Deus.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • FARAGO, France. Compreender Kierkegaard. Petrópolis: Vozes, 2005. ISBN 8574480738
  • LE BLANC, Charles. Kierkegaard. São Paulo: Estação Liberdade, 2003. ISBN 8532633811
  • MARCONDES, Danilo. Iniciação à História da Filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 1998. ISBN 8571104050