Salve Rainha

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A Salve Rainha, ou salve-rainha[1] , é uma oração católica à Virgem Maria. Encerra a recitação do terço e também as Horas das Completas que se proclamam em sua honra para a proteção durante o sono dos monges.

Salve A Rainha[editar | editar código-fonte]

Em português[editar | editar código-fonte]

Salve Rainha[editar | editar código-fonte]

Salve, Rainha, mãe de misericórdia,
vida, doçura, esperança nossa, salve.
A vós bradamos os degredados filhos de Eva.
A vós suspiramos, gemendo e chorando
neste vale de lágrimas.
Eia, pois, advogada nossa,
esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei,
e depois deste desterro mostrai-nos Jesus,
bendito fruto do vosso ventre,
Ó clemente, ó piedosa,
ó doce sempre Virgem Maria
V.: Rogai por nós Santa Mãe de Deus
R.: Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Amém

Em latim[editar | editar código-fonte]

Salve, Regina, Mater misericordiae,
vita, dulcedo, et spes nostra, salve.
Ad te clamamus, exsules filii Hevae,
ad te suspiramus, gementes et flentes
in hac lacrimarum valle.
Eia, ergo, advocata nostra, illos tuos
misericordes oculos ad nos converte;
et Jesum, benedictum fructum ventris tui,
nobis post hoc exilium ostende.
O clemens, O pia, O dulcis Virgo Maria.

Em alguns, ainda é adicionado:

V.: Ora pro nobis sancta Dei Genetrix.
R.: Ut digni efficiamur promissionibus Christi.

Origem[editar | editar código-fonte]

A "Salve Rainha" é uma das orações mais populares entre os católicos. Quem compôs esta prece estava vivamente marcado por misérias, na oração os fiéis "bradam" como "degredados", "suspiramos gemendo e chorando", vemos o mundo como "um vale de lágrimas", como um "desterro". Entretanto, essa visão da vida acaba dissolvendo-se num sentimento de esperança no final da oração graças à Maria.

Com efeito, se, ao considerar a condição humana, o autor da prece só vê motivos de tristeza, ao fixar sua atenção em Maria, mostra-se animado por um horizonte de expectativas reconfortantes e consoladoras, pois ela é a "Mãe de misericórdia", "Vida, doçura, esperança", "Advogada" de "olhos misericordiosos".

A autoria da oração é atribuída ao monge Hermano Contracto, que a teria escrito por volta de 1050, no mosteiro de Reichenan, na Alemanha. Naquela época, a Europa central passava por calamidades naturais, epidemias, miséria, fome e a ameaça contínua dos povos nómadas do Leste, que invadiam os povoados, saqueando-os e matando.

Frei Contracto nascera raquítico e disforme e, na idade adulta, andava e escrevia com dificuldade. Foi nesta situação que frei Contracto criou esta prece, mesclando sofrimento e esperança.

Segunda a crença, quando nasceu frei Contracto e constataram o raquitismo e má-formação do bebê, sua mãe Miltreed, consagrou-o no leito a Maria, sendo ele educado na devoção a ela. E, anos mais tarde, foi levado de liteira, por ser deficiente físico, até o mosteiro de Reichenan, onde, com o tempo, chegou a ser mestre dos noviços.

Quando veio a ser conhecida pelos fiéis, a "Salve Rainha" teve um sucesso enorme, e logo era rezada e cantada em muitos locais. Um século mais tarde, ela foi cantada também na catedral de Espira, por ocasião de um encontro de personalidades importantes, entre elas, a do imperador Conrado III e São Bernardo, conhecido como o "cantor da Virgem Maria", ele que foi um dos primeiros a chamá-la de "Nossa Senhora". Dizem que foi nesse dia e lugar que, ao concluir o canto da "Salve Rainha", cujas últimas palavras eram "mostrai-nos Jesus, o bendito fruto do vosso ventre", no silêncio que se seguiu, São Bernardo que gritou sozinho no meio da catedral: "Ó clemente, ó piedosa, ó doce e sempre Virgem Maria"... E, a partir dessa data, estas palavras foram incorporadas à "Salve Rainha" original.

Referências

  1. Academia Brasileira de Letras. Disponível em http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=23. Acesso em 5 de junho de 2013.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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