Sam Harris

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Sam Harris
Nascimento 1967
Estados Unidos da América
Nacionalidade Americano
Ocupação Escritor e neurocientista
Magnum opus O Fim da Fé
Carta a Uma Nação Cristã
The Moral Landscape

Sam Harris (1967) é um escritor, filósofo, e neurocientista americano. É o autor de O Fim da Fé (2004) (no português brasileiro, "A Morte da Fé"), laureado com o prêmio PEN/Martha Albrand em 2005,[1] e de Carta a Uma Nação Cristã (2006), uma resposta elaborada às críticas que o livro anterior recebeu. Em 2009, ele completou o seu doutorado em neurociência na Universidade da Califórnia em Los Angeles.[2] [3] [4]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Após ter sido intensamente criticado em consequência de suas críticas à dogmática religiosa, Harris é cauteloso em revelar detalhes sobre sua vida pessoal e sobre seu passado.[3] Ele disse ter sido criado por uma mãe judia e por um pai Quaker,[3] [5] e disse para a revista Newsweek que quando era criança, teria recusado fazer a cerimónia Bar mitzvá.[6] Ele frequentou a Universidade de Stanford, na condição de aluno de graduação (major) em língua inglesa, mas deixou os estudos depois de uma experiência com a droga LSD, que lhe alterou a perspectiva de vida. Durante este período estudou o budismo e a meditação, e proclama ter lido centenas de livros sobre religião. Após onze anos, retornou para Stanford onde obteve a sua graduação em filosofia. Mais tarde obteve o seu doutorado em neurociência na Universidade da Califórnia em Los Angeles, utilizando imagens de ressonância magnética para conduzir pesquisas sobre a base neurológica das crenças, descrenças, e incertezas.[3] [4]

Visão de Mundo[editar | editar código-fonte]

A mensagem básica de Harris é a de que chegou a hora de questionar livremente a ideia de fé religiosa.[7] Ele entende que a sobrevivência da civilização está em perigo devido ao tabu de não se permitir questionar as crenças religiosas. Enquanto realça o que ele considera como um problema particular posto pelo Islã neste momento com relação ao terrorismo internacional, Harris diretamente critica as religiões de todos os tipos e tendências. Ele enxerga a religião como um impedimento para o progresso em relação a abordagens mais esclarecidas da ética e da espiritualidade.

Embora um ateísta por definição, Harris afirma que o termo é desnecessário. Sua posição é a de que o ateísmo não é uma visão de mundo ou filosofia, mas a "destruição de ideias más". Declara que a religião é especialmente cheia de ideias más, chamando de "um dos mais perversos maus usos de inteligência que nós já inventamos" ("one of the most perverse misuses of intelligence we have ever devised").[8] Ele compara as crenças religiosas modernas com os mitos dos antigos gregos, que foram uma vez aceitos como verdadeiros, mas que atualmente estão obsoletos. Em uma entrevista em janeiro de 2007, Harris disse: "Nós não temos uma palavra para não acreditar em Zeus, o que é dizer que nós somos todos ateístas em respeito a Zeus. E nós não temos uma palavra para não ser um astrólogo" ("We don't have a word for not believing in Zeus, which is to say we are all atheists in respect to Zeus. And we don't have a word for not being an astrologer"). Ele então diz que o termo será aposentado apenas quando "nós todos alcançarmos um nível de honestidade intelectual onde nós não mais fingiremos estar certos sobre coisas de que nós não estamos certos" ("we all just achieve a level of intellectual honesty where we are no longer going to pretend to be certain about things we are not certain about").[9]

Ele também rejeita a alegação de que a Bíblia foi inspirada por um Deus omnisciente. Ele declara que, se esse fosse o caso, o livro iria "fazer predições específicas, falseáveis, sobre os eventos humanos" ("make specific, falsifiable predictions about human events"). Em vez disso, a Bíblia "não contém uma única frase que não poderia ter sido escrita por um homem ou uma mulher vivendo no primeiro século" ("does not contain a single sentence that could not have been written by a man or woman living in the first century").[10]

No livro O Fim da Fé, Harris dedica um capítulo à "Natureza da Crença". Sua principal sugestão é que todas as crenças, exceto aquelas relacionadas aos dogmas religiosos, são baseadas em provas e experiências. Ele diz que a religião permite que visões que, de outra forma, seriam um sinal de loucura, se tornem aceitas e, em alguns casos, veneradas como "sagradas". Ele dá especial atenção a doutrinas tais como a transubstanciação, a doutrina adotada pela Igreja Católica de que, durante a missa, o pão e vinho da eucaristia mudam de substância para o corpo e sangue de Jesus Cristo. Harris sugere que se alguém isoladamente desenvolvesse essa crença, iria ser considerado "louco". Ele entende ser "meramente um acidente da história ser considerado normal em nossa sociedade acreditar que o criador do universo possa ouvir os seus pensamentos, enquanto que é demonstrativo de doença mental acreditar que ele está se comunicando com você por batidas de chuva em código Morse na janela de seu quarto" ("merely an accident of history that it is considered normal in our society to believe that the Creator of the universe can hear your thoughts while it is demonstrative of mental illness to believe that he is communicating with you by having the rain tap in Morse code on your bedroom window").[11]

Para ele, apesar de existirem várias formas de obter conhecimento, aceitar mentiras apenas por serem emocionalmente agradáveis não é algo saudável. Harris acredita que no contexto de um século XXI, com tecnologias militares de um poder inimaginável, continuar relegando a razão a fantasias religiosas constitui um sério perigo ao futuro da humanidade

Estados Unidos religioso[editar | editar código-fonte]

Harris centra muitas de suas críticas sobre o estado contemporâneo das coisas religiosas nos Estados Unidos. Harris preocupa-se de que muitas áreas da cultura americana estão danificadas pelas opiniões que são guiadas pelo dogma religioso. Por exemplo, ele cita pesquisas de opinião pública mostrando que 44% dos americanos acreditam que é "certo" ou "provável" que Jesus retornará à Terra dentro dos próximos cinquenta anos, e que o mesmo número percentual de pessoas acredita que o Criacionismo deve ser ensinado em escolas públicas, e que Deus prometeu literalmente a terra de Israel aos atuais judeus.[12] [13]

Quando o ex-presidente estadunidense George W. Bush publicamente invocou Deus em discursos sobre questões de política interna e externa, Harris nos propôs considerar como nós poderíamos reagir se ele tivesse mencionado Zeus ou Apolo na mesma situação.[12]

Tais opiniões e manifestações sem lógica são frequentemente protegidas contra um criticismo objectivo, o que nos impede de planejar um futuro sustentável e construir uma sociedade realmente global, diz Harris.[14]

Ética e moralidade[editar | editar código-fonte]

Em consideração a moralidade, Harris considera que estamos há muito atrasados para adotarmos o humanismo secular. Harris afirma que a suposta ligação entre fé religiosa e moralidade é um mito, que não está baseado em provas estatísticas. Ele observa, por exemplo, que os países escandinavos, altamente secularizados, estão dentre os mais generosos para com o terceiro mundo.

Harris vai além e coloca que, longe de ser a fonte de nossa boa moral, a religião pode render posições éticas altamente problemáticas. Ele cita diversos exemplos, incluindo a proibição da Igreja Católica do uso de preservativos, alegadamente agravando a epidemia global de SIDA, as tentativas feitas por grupos de pressão religiosos estadunidenses para impedir pesquisas com células-tronco, e a natureza punitiva da "guerra contra as drogas" estadunidense. Ele vê nesses exemplos a tendência da religião separar os juízos morais do foco no sofrimento humano real. Harris também vê a influência da religião na maioria das leis estadunidenses sobre "vícios". Ele entende que a maioria das leis marginalizando a pornografia, sodomia e prostituição têm, na verdade, a intenção de combater o "pecado", e não o "crime".[15]

Harris sustenta que a moralidade e a ética podem ser estudadas, e melhoradas, sem "pressupor qualquer coisa com base em provas insuficientes" ("presupposing anything on insufficient evidence").[16] Ele declara que os humanos devem "decidir o que é bom nos bons livros" ("decide what is good in the Good Books"), em vez de derivar o nosso código moral das escrituras. Ele elogia a regra de ouro como um ensinamento moral que é "ótimo, sábio, e compassivo" ("great, wise and compassionate"). Ele contrasta isso com as passagens bíblicas que declaram que atos como sexo pré-marital, desobediência aos pais e a adoração de "outros deuses" devem ser punidos com morte. Harris declara que nós evoluímos em nosso pensamento de uma maneira que nós compreendemos que a Regra de Ouro vale a pena ser seguida, enquanto que outros mandamentos em outras partes da Bíblia não. Ele também ressalta que a Regra de Ouro não é exclusiva de uma religião em particular, e que ela foi ensinada por figuras tais como Confúcio e o Buda séculos antes do Novo Testamento ser escrito.[15]

Referências

  1. PEN American Center, 2005. "The PEN/Martha Albrand Award for First Nonfiction."
  2. Greenberg, Brad A. Making Belief UCLA Magazine. Published Apr 1, 2008, accessed October 28, 2009.
  3. a b c d Segal, David. "Atheist Evangelist", The Washington Post, October 26, 2006.
  4. a b Melissa Healy Religion: The heart believes what it will, but the brain behaves the same either way. Los Angeles Times. Published September 30, 2009. Accessed October 17, 2009.
  5. Csillag, Ron. "Losing faith in religion", Toronto Star, July 2, 2005.
  6. Miller, Lisa. "Beliefwatch: The Atheist", Newsweek, October 30, 2006.
  7. Harris, Sam (2004). The End of Faith: Religion, Terror, and the Future of Reason. W.W. Norton & Company, p. 13-15.
  8. The Problem with Atheism Sam Harris at washingtonpost.com (September 28, 2007). Visitado em 6 December 2007.
  9. Sam Harris, 2005. "Interview: Sam Harris." PBS.org.
  10. Sam Harris "Reply to a Christian." Council for Secular Humanism.
  11. Harris, Sam (2004). The End of Faith: Religion, Terror, and the Future of Reason. W.W. Norton & Company, p. 72.
  12. a b "The Politics of Ignorance." The Huffington Post.
  13. Pew Research Center - Religion and Politics The Pew Research Center.
  14. Veja (26 de dezembro de 2007). A religião faz mal ao mundo (em português). Visitado em 19 de Novembro de 2009.
  15. a b Harris, Sam (2004). The End of Faith: Religion, Terror, and the Future of Reason. W.W. Norton & Company.
  16. "Why Religion Must End." AlterNet.org.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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