Samarra

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Sāmarrā
سامَراء
—  Cidade  —
Grande Mesquita de Samarra, com seu famoso minarete espiral
Grande Mesquita de Samarra, com seu famoso minarete espiral
apelido/alcunha(s) Samarra
Sāmarrāسامَراء está localizado em: Iraque
Sāmarrā
سامَراء
Localização de Samarra
34° 11' 54" N 43° 52' 27" E
País Iraque
Província Salah ad Din
População (2003 est[1] )
 - Total 348 700

Samarra (em árabe: سامَرّاء - Sāmarrā) é uma cidade no Iraque. Ela está localizada na margem oriental do Tigre, na província de Salah-ad-Din, a 125 quilômetros ao norte de Bagdá[1] .

Escritores muçulmanos medievais acreditavam que o nome "Samarra" deriva da frase árabe "Sarra man ra’a" (em árabe: سر من رأى), que pode ser traduzida como "uma alegria a todos que a veem". Quando a cidade entrou em declínio, o nome teria mudado para "Sa'a man ra’a" (em árabe: ساء من رأى), "Uma tristeza a todos que a veem"). Com o tempo, os dois nomes se fundiram na forma atual "Samarra" (em árabe: سامَرّاء).

Em 2007, a UNESCO nomeou a Cidade Arqueológica de Samarra como um Patrimônio Mundial da Humanidade[2] .

História[editar | editar código-fonte]

Samarra antiga[editar | editar código-fonte]

Os restos da antiga Samarra foram escavados pela primeira vez entre 1911 e 1914 pelo arqueólogo alemão Ernst Herzfeld. Desde 1946, os diários, cartas, relatórios não publicados da escavação e fotografias estão preservados na Galeria de Arte Freer, em Washington, D.C., nos Estados Unidos.

Embora o sítio arqueológico coberto por ruínas de tijolos seja enorme, o local foi ocupado de maneira esparsa nos tempos antigos, com exceção da calcolítica Cultura de Samarra (ca. 5 500 - 4 800 a.C.) identificada no rico sítio de Tell Sawwan, onde evidências de irrigação - incluindo cultivo do linho - confirma a presença de uma próspera cultura gregária com uma estrutura social bastante organizada. Esta cultura é conhecida principalmente por sua fina olaria, decorada em fundo queimado com figuras estilizadas de animais, pássaros e desenhos geométricos. Este tipo de olaria, amplamente exportado, um dos primeiros estilos relativamente uniformes e distribuídos por todo o Antigo Oriente Médio, foi reconhecido primeiramente em Samarra. A Cultura de Samarra foi a precursora da cultura mesopotâmica do período ubaida.

Antigos topônimos para Samarra relatados pelo Samarra Archaeological Survey são o grego Souma (Ptolemeu V.19; Zósimo III, 30), latim Sumere, um forte mencionado durante a retirada do exército de Juliano, o Apóstata em 364 d.C. (Amiano Marcelino XXV, 6, 4) e o siríaco Sumra (Hoffmann, Auszüge, 188; Miguel, o Sírio, III, 88), onde aparece como um vilarejo.

A possibilidade de uma população maior surgiu a partir da abertura do Qatul al-Kisrawi, a extensão norte do canal Nahrawan, que desvia água do Tigre na região de Samarra, atribuído por Yaqut (Mu`jam, no capítulo "Qatul") ao rei sassânida Cosroes I (r. 531-578). Para celebrar o final deste projeto, uma torre comemorativa (atual Burj al-Qa'im) foi construída na enseada sul e um palácio com um "paraíso" (uma reserva de caça cercada) na enseada norte (atual Nahr al-Rasasi) perto de al-Daur. Um canal suplementer, o Qatul Abi al-Jund, escavado pelo califa abássida Harun al-Rashid, teve a sua finalização comemorada com a construção de uma cidade planejada na forma de um octógono regular (atual Husn al-Qadisiyya), chamada "al-Mubarak" e abandonada, incompleta, em 796.

Capital abássida[editar | editar código-fonte]

Mesquita de al-Askari antes dos atentados.

Em 836, os soldados escravos turcos do Califado Abássida - conhecidos como ghilman na época, antecessores dos mamelucos - agitaram a população de Bagdá, provocando revoltas. Por isso, o califa al-Muta'sim resolveu mudar-se com a corte de Bagdá para a nova cidade de Samarra.

Neste período, o povoado original, pré-muçulmano, foi suplantado por uma nova cidade, fundada em 833. Samarra permaneceria a capital do Califado até 892, quando a corte, sob al-Mu'tamid, retornou para Bagdá. O sucessor de al-Mu'tasim, al-Wathiq, transformou a cidade num centro comercial, tendência que continuou sob o califado de al-Mutawakkil, que patrocinou a construção da Grande Mesquita de Samarra, com seu famoso minarete espiral (malwiyah), construído em 847. Ele também construiu parques e um palácio para seu filho al-Mu'tazz.

O patriarca nestoriano Sargis (r. 860-872) mudou a sede do patriarcado da Igreja do Oriente de Bagdá para Samarra e um - ou dois - de seus sucessores também possivelmente permaneceram ali, próximos da corte[3] .

Após o período conhecido como "anarquia em Samarra", o califa al-Mu'tadid mudou-se com a corte novamente para Bagdá e Samarra entrou num longo período de declínio (que se acelerou após o século XIII, quando o traçado do Rio Tigre mudou).

Importância para os muçulmanos[editar | editar código-fonte]

É em Samarra que está a Mesquita de al-Askari, que abriga os mausoléus de Ali al-Hadi e Hasan al-Askari, respectivamente o décimo e o décimo-primeiro imans xiitas, além do santuário de Muhammad al-Mahdi, o chamado "Imam Secreto", que é o décimo-segundo e o último imam dos xiitas duodecimanos. Este fato tornou o local um importante centro de peregrinação. Além disso, Hakimah Khatun e Narjis Khatun, parentas do profeta Maomé e dos imans xiistas, tidas em alta estima por muçulmanos xiitas e sunitas, estão enterradas lá, o que só aumenta o caráter sagrado do local para todos os muçulmanos.

Período contemporâneo[editar | editar código-fonte]

Mesquita de al-Askari após o atendado de 2006. Em 2007, um novo atentado destruiu os dois minaretes.

Embora Samarra seja famosa por seus lugares sagrados para os xiitas, incluindo o túmulo de diversos imans, a cidade é majoritariamente sunita, o que foi origem de conflitos, principalmente após a Invasão do Iraque de 2003.

Em 22 de fevereiro de 2006, a cúpula dourada da Mesquita de al-Askari foi destruída num atentado, iniciando um período de revoltas e ataques retaliatórios por todo o país, causando centenas de mortes. Nenhuma organização assumiu a responsabilidade pelo ataque.

Em 13 de junho de 2007, insurgentes, supostamente membros da al-Qa'eda, atacaram novamente a mesquita e destruíram os dois minaretes que ladeavam o domo destruído. Em 12 de julho de 2007, a torre do relógio foi explodida, sem fatalidades. O clérigo xiita Muqtada al-Sadr incitou demonstrações pacíficas e pediu três dias de luto. Ele afirmou que acreditava que nenhum árabe sunita poderia estar por trás do ataque. A mesquita e os minaretes estão fechados desde o atentado de 2006 e um estado de sítio por período indefinido vigora na cidade[4] [5] .

Referências

  1. a b http://hhcom1.co.cc/english/Salah-Al-Din.html
  2. "Unesco names World Heritage sites", BBC News, 2007-06-28. Página visitada em 2010-05-23.
  3. Mari, 80–1 (árabe), 71–2 (latim)
  4. Qassim Abdul-Zahra. "Iraqi police say famous shrine attacked", June 13, 2007.
  5. Blast hits key Iraq Shia shrine BBC (2007-06-13). Página visitada em 2012-04-21.
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Imagem: Cidade Arqueológica de Samarra A cidade de Samarra inclui o sítio Cidade Arqueológica de Samarra, Património Mundial da UNESCO. Welterbe.svg