Samora Correia

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 Portugal Samora Correia  
—  Freguesia  —
Brasão de armas de Samora Correia
Brasão de armas
Samora Correia está localizado em: Portugal Continental
Samora Correia
Localização de Samora Correia em Portugal
38° 55' 34" N 8° 52' 15" O
País  Portugal
Concelho BNV.png Benavente
 - Tipo Junta de freguesia
Área
 - Total 321,39 km²
População (2011)
 - Total 17 123
    • Densidade 53,3/km2 
Orago Nossa Senhora da Oliveira

Samora Correia é uma cidade e freguesia portuguesa do concelho de Benavente, com 321,39 km² de área e 17 123 habitantes (2011). Densidade: 53,3 hab/km².

Foi sede de concelho entre 1300 e 1836 quando foi integrado no actual município. Era constituído por uma freguesia e tinha, em 1801, 1173 habitantes.

O Campo de Tiro de Alcochete situa-se maioritariamente nesta freguesia.

Foi elevada a cidade em 12 de Junho de 2009.[1]

História[editar | editar código-fonte]

A cidade de Samora Correia, localizada no concelho de Benavente, tem existência documentada dos meados do século XIII.

Pequena embora, por circunstâncias de isolamento, pois situava-se na margem esquerda do estuário do Rio Tejo, com uma largura de 8 km, onde apareciam umas 5 ilhotas. A árida charneca naquela época, sem os recursos actuais, não favorecia a fixação humana, servindo de coutos e paraíso para as caçadas dos nobres.

A Grande Lezíria formou-se aos poucos, no século passado, graças aos valados levantados e à regularização dos esteiros. Sem vias de comunicação, as próprias estradas de terra batida eram cortadas pelas cheias regulares.

Assim, só teve grande desenvolvimento após a construção da Ponte em Vila Franca de Xira e das estradas para o resto do país, beneficiando da proximidade de Lisboa e do cruzamento de estradas.

1186 – Tudo começou em 28 de Outubro de 1186 (Corpo Cronológico, Parte I, maço 1, número 3, Documentos Régios) quando o Rei D. Sancho I resolveu delimitar as fronteiras das Ordens Religiosas Militares de Avis e de Sant’Iago, na zona, pelas Ribeiras de Lavre e de Canha até à foz com o Rio Tejo.

À Ordem de Avis (antiga Ordem de Calatrava e de Évora) foi atribuída uma pequena faixa de território de 8 km entre a margem direita da Ribeira de Canha e a actual Salvaterra de Magos, junto ao Tejo, alargando para o norte do Alentejo, e para a Ordem de Sant’Iago toda a margem esquerda até ao Algarve.

1207 – A Ordem de Sant’Iago edificou o baluarte ou fortim de S. João Baptista de Belmonte, em frente do actual Monte os Condes de Santo Estêvão (que então ainda não existia) antes do fim do século, posição menos defensiva, pois os muçulmanos nunca se interessaram para aquém de Coruche, do que marcar presença e ocupação de um território.

Um documento de 1207 (ANTT. "Bulário Português do Papa Inocêncio III", I.N.C.I., Coimbra A.N.T.T., Chancelaria de S. Vicente, cx. 46, m.1, n.º 33) aparece uma sentença do Prior de Alcobaça que determina quais os pagamentos de dízimos a fazer a Ruta (Arruda dos Vinhos), onde se inclui o Fortim de Belmonte, sinal de que muitos anos antes ele teria sido construído, mesmo antes da fundação de Benavente em 1200.

Normalmente, os nobres freires-soldados das Ordens Religiosas Militares se fizessem acompanhar de familiares e serviçais, para os serviços de agro-pecuária de manutenção dos mesmos.

1245-52 - (A.N.T.T. -"Bullarium Ordinis Militiae Sancti Iacobi gloriosissimi Hispaniarum Patroni, 1245, fcript.20 e 1252, fcript.I") Em virtude da insalubridade dos terrenos da várzea de Belmonte e da árida charneca acima, os auxiliares dos freires-soldados começaram a subir para terras aráveis mais acima, nas proximidades da actual Samora Correia e já em 1245 o Bispo de Lisboa mandou que se levantasse uma igreja para os servir. Ordem repetida com insistência em 1252.

1270 – O "Livro 1º Privilégios e alvarás de Reis, Príncipes, Infantes, Mestres, em favor da See de Lixboa", Este documento de D. Paio Peres Correia refere-se já à Comenda de Çamora (ainda sem Correia), cerca da de Belmonte. Constituída em Comenda antes de 1270, com população desde pelo menos 1245, podemos assegurar que em 1260 era fundada a Vila de Samora Correia, como povoação.

1300 – ANTT, Chancelaria da Ordem de Sant’Iago, Livro dos Copos, Colecção especial, parte II, caixa 83, maço 1, documento 1.

Aparece pela primeira vez o topónimo de "Correia" unido ao de "Çamora". A única explicação plausível é que os samorenses, reconhecidos ao seu fundador, D. Paio Peres Correia, quiseram homenageá-lo acrescentando o seu nome de família, tanto mais que no selo do Concelho aparecem as correias do escudo de armas.

1495 – Em Castelo Novo (Fundão) foi assinada a escritura da doação da Herdade de Pancas a uma sobrinha do Cardeal de Alpedrinha.

1510 – A 13 de Abril, D. Manuel I concede o Novo Foral Manuelino a Samora Correia, e o primeiro censo de 1532 (ANTT, Gaveta V, 1-47, "Livro do número de moradores e confrontações de termos, com declaração de vilas e lugares do Mestrado, comarcas Antre Tejo e Odiana"), falando já no concelho existente. Atribui ao concelho o total de 65 famílias. Interessante notar que se descreve já o sistema de regadio da várzea da Murteira, e desta mesma quinta.

1758 – A Memória paroquial de 1758 é o primeiro relato completo do Concelho, feito pelo Prior, onde se relata já a existência da Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe desde 1570 junto ao Paço (pavilhão de caça dos Condes de Sarzedas) de Palhavã, com Capelão privativo, pois foi santuário de grande devoção.

1834 – É constituída a Companhia das Lezírias do Tejo e Sado, com 6 grandes accionistas, e houve um reforço da agricultura e da pecuária.

1836 – A 31 de Dezembro é suprimido o Concelho de Samora Correia, como 473 mais, e integrado no de Benavente, onde se perderam os documentos do Tombo de Samora.

1837 - A 13 de Maio de 1837, houve uma revolta contra o governo setembrista presidido por Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo. As forças, que eram constituídas essencialmente por veteranos do exército Miguelista, concentraram-se, de 13 para 14 de Maio, no lugar das Marnotas, perto de Loures e a cerca de 10 km a norte de Lisboa, depois dirigiram-se para o Ribatejo, atravessaram o Tejo em Muge,concelho de Salvaterra de Magos. Entraram a 15 em Samora Correia onde aclamaram D. Miguel I como rei de Portugal.

A revolta foi rapidamente sufocada, já que os revoltosos, ao verem aproximar-se o exército governamental, debandaram. Mesmo assim, o governo pouco tempo mais sobreviveu, já que a 2 de Junho um novo ministério, presidido por António Dias de Oliveira, era empossado.

Feitos prisioneiros e acusados de alta traição, 16 dos intervenientes foram condenados à morte em 1839, mas a acabaram por ser amnistiada em 1840. Mas o perdão não chegou a tempo para o Remexido que acabou executado.

1909 - Um violento terramoto arrasa grande parte da vila, composta de casas construídas de taipa e adobe.

1951 - A 30 de Dezembro é inaugurada a Ponte Marechal Carmona, em Vila Franca de Xira que deu origem à actual situação de encruzilhada de estradas. O isolamento de outrora deu lugar a um grande desenvolvimento, quer agro-pecuário quer industrial, fazendo desta freguesia a mais próspera do Distrito de Santarém, e a que mais cresce demograficamente.

1975 - Durante o golpe militar de 11 de março, que opôs um grupo de militares e civis em torno do general António de Spínola ao MFA, então no poder, às 12:20, descolam 3 helicópteros Allouette III de Tancos, transportando 12 elementos para uma acção armada contra as antenas do Rádio Clube junto ao Porto Alto. Às 13:00, um grupo de civis armados e comandados por 2 militares atacam o emissor do Rádio Clube Português, interrompendo a emissão desta estação em onda média. Os atacantes faziam-se transportar em 2 helicópteros seguindo num o major Vítor da Silva Marques, António Maria Rodrigues Simões de Almeida, João Diogo de Alarcão de Carvalho Branco e José Carlos Vilardebó de Sommer Champalimaud e no outro o 1.° tenente Nuno Barbieri, José Maria da Costa Vilar Gomes, Eurico José da Costa Vilar Gomes, António Miguel José de Melo Ribeiro da Cunha e Miguel Pedro Vilardebó de Sommer Champalimaud.

1976 - A 16 de novembro um incêndio destrói o Palácio do Infantado, perdendo-se todo o seu interior.

1986 - O Grupo Desportivo de Samora Correia chega pela primeira vez à segunda divisão nacional. Na altura não havia a divisão de honra, e na Taça de Portugal só é eliminado pelo então campeão europeu, o F.C. do Porto.

2009 - Foi elevada a cidade em 12 de Junho.[1]

Lugares[editar | editar código-fonte]

Património[editar | editar código-fonte]

  1. a b Público. Portugal tem cinco novas cidades e 22 vilas. Página visitada em 2009-6-12.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]