Samuel (Bíblia)

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Samuel
Ícone de Samuel, no Museu de Arte Regional de Donetsk
Nome hebraico ou grego שְׁמוּאֵל
Pais Ana e Elcana
Filhos Joel e Abias
Livros I e II Samuel.
Portal Bíblia

Samuel (em hebraico שְׁמוּאֵל) foi um líder importante na História de Israel. A sua história é contada na bíblia, no chamado Livro de Samuel.

Filho de Elcana,[1] da região de Efraim[2] e Ana.[1]

Terá sido o último dos juízes de Israel, e o primeiro dos profetas registados na história do seu povo. Terá ungido os seus dois primeiros reis, Saul e David. Poderá ter vivido algures por volta de 1095 a.C..

História bíblica[editar | editar código-fonte]

O Espírito de Samuel aparece à Saul, por Salvator Rosa (c. 1668).

Samuel foi o último dos juízes e o primeiro dos profetas. Homem de profunda piedade e discernimento espiritual dedicava-se totalmente à realização dos propósitos de Deus para o bem de Israel. Mesmo não sendo ele descendente da linhagem de Arão, sucedeu a Eli no cargo sacerdotal. Ao que parece, foi o primeiro a estabelecer uma instituição para o preparo dos jovens que desejavam abraçar a vocação profética. Viu-se na contingência de guiar a Israel em algumas das mais profundas crises de sua história; no desempenho de suas funções quase alcança a estatura de Moisés. Deus nunca pretendeu que Israel tivesse outro rei além dele. Mas o povo começou a olhar para outros povos e a desejarem um rei. Podemos afirmar que a vida do povo de Deus pode ser resultado de sua vontade diretiva ou permissiva, isso vai depender da escolha; ele foi comissionado para ungir a Saul, o primeiro rei, e a David, o maior dos reis de Israel.

Samuel significa literalmente:"Seu nome é Deus", ou, "Nome de Deus". Seu significado contextual significa: "Pedido de Deus" ou "do Senhor o pedí".

Judaísmo[editar | editar código-fonte]

Exceto pela tradição judaica e pela Bíblia, não há muitas fontes disponíveis sobre a sua existência. Portanto, é a partir dos livros que levam seu nome que se conhece sobre sua vida e sua importância na história de Israel.

A promessa de Ana[editar | editar código-fonte]

A história biblica refere que Ana, mãe de Samuel, sofria de esterilidade, o que lhe era motivo de grande humilhação, já que Penina, a outra esposa de seu marido Elcana, tinha filhos.[3]

Certa vez durante os dias do sacrifício anual ao Senhor, Ana, humilhada por Penina sua rival, se pôs a orar com grandes dores no templo.[4] Sentindo-se amargurada, Ana orou com lágrimas e fez um voto com Deus, prometendo que seu filho seria um nazireu e serviria no templo.[5] Porém, os seus lábios mexiam-se ao ponto do levita Eli a repreender achando que ela estivesse embriagada.[6]

Ana, ao ser advertida pelo sacerdote [7] defende-se dizendo que não havia provado vinho ou qualquer bebida forte, mas que estava derramando seu coração ao Senhor por estar muito aflita.[8] O sacerdote se compadece dela e lhe abençoa dizendo: "Vai em paz; e o Deus de Israel te conceda a petição que lhe fizeste."[9]

Vemos no decorrer do livro de I Samuel, capítulo 1, vers. 10, a afirmação de que "ela ora e chora", fazendo um voto de que, dando-lhe Deus um filho, ela o entregaria nas mãos dEle. Segundo a própria Bíblia, Ana conheceu a seu marido, e Deus se lembrou dela.

Então, conforme o pedido de Ana, Deus lhe deu Samuel como filho,[1] e ela cumpriu a promessa, entregando-o, logo que Samuel foi desmamado, a Eli.[10]

O que se observa na história de Ana, que é muito admirável, é seu sofrimento e grande humilhação que passara por ser estéril ("o Senhor lhe tinha cerrado a madre"). Porém, com uma fé inabalável e uma vida totalmente dependente de Deus, Ana foi exaltada, demonstrando que, quando se busca ao Senhor de todo coração, Ele responde, e no tempo certo.

Entregue ao templo[editar | editar código-fonte]

Samuel, assim que foi desmamado, foi entregue ao sacerdócio,[10] "ministrava perante o Senhor" (I Samuel 2:18) Existe alguma ambiguidade nas opiniões no que diz respeito ao tipo de trabalho que Samuel efectuava no Templo. Existe quem defenda que este foi entregue ao templo com voto de Nazireu.

Nomeado profeta[editar | editar código-fonte]

Samuel era conhecido como correto, ao contrário do que se dizia dos filhos de Eli, que cometiam sacrilégios, e haviam sido amaldiçoados.

O relato conta de uma profecia de um profeta desconhecido, dizendo a Eli que Deus já havia escolhido um novo sacerdote para tomar seu lugar (que seria, portanto, Samuel).

Ainda na juventude, Samuel começou a manifestar dons proféticos, sonhando com palavras e visões divinas. Sua primeira profecia constava da confirmação de que Eli e seus filhos seriam retirados do sacerdócio.

A morte de Eli[editar | editar código-fonte]

Eli e Samuel, por Copley (1780).

Os filisteus invadiram e venceram Israel, e capturaram a Arca da Aliança. No processo, os filhos de Eli, Hofni e Finéias morreram, e fazendo ele menção da arca de Deus, caiu da cadeira onde estava sentado, quebrando seu pescoço e assim morrendo, cumprindo a profecia de Samuel, confirmando-o como portador da palavra divina.

Samuel reaparece apenas 20 anos depois, quando a Arca já havia sido devolvida e encontrava-se em Quireate-Jearim, como uma figura de primeira importância junto ao povo. Sua orientação teria causado a vitória de Israel sobre os filisteus. Samuel aparece realizando sacrifícios, e diz-se que "julgava a Israel" (I Samuel 7:15), dando a entender que se tratava de um juiz. I Samuel 8:1 também diz que Samuel fez de seus filhos, Joel e Abias, Juízes de Israel também, embora não seguissem os passos de seu pai.

A orientação de Samuel parece ter tido grande importância para os israelitas, que o viam tanto como sacerdote e profeta, como juiz e administrador. Em sua velhice, representantes do povo vieram lhe pedir que escolhesse um rei para governar Israel, visto que seus filhos não estavam qualificados para seguir como juízes. Samuel teria consultado a Deus antes de confirmar a demanda, alertanto os israelitas quanto aos direitos de um rei sobre seus súditos e suas terras.

Pouco tempo depois, o jovem Saul, da Tribo de Benjamim, veio ao encontro de Samuel. Um dia antes, Deus revelara ao velho profeta que Saul seria ungido rei. No dia seguinte, Samuel assim o fez, e o orientou para que visse sinais e os seguisse, e Saul os seguiu. Samuel convocou representantes de todo Israel a Mispa e declarou publicamente o jovem benjamita como rei.

Velho e cansado, e com um rei para liderar os israelitas, Samuel se retirou de suas funções. Porém, quando Saul tentou realizar um sacrifício por conta própria Samuel o repreendeu, e predisse sua queda. Antes da consumação desta profecia, Samuel ainda o orientou a atacar os amalequitas, provavelmente um povo nômade da Península Arábica.

Enquanto Saul começava a enfrentar derrotas em batalha e problemas pessoais, Samuel profetizou a vida de Jessé e seus filhos, e que um deles seria ungido rei de Israel. Samuel ungiu o mais novo, David, e o colocou em contato com Saul (David repreende com autoridade de Deus o espírito mau da parte de Deus que atormentava Saul tocando sua harpa). Este deve ter sido um dos últimos atos de Samuel, que morreu antes que David fosse confirmado rei.

Discussões[editar | editar código-fonte]

Mesquita do Profeta Samuel, em Jerusalém.

A ausência de fontes confiáveis extra-bíblicas sobre a vida ou os atos de Samuel suscita discussões[quem?] sobre sua própria existência real. A história de Samuel liga o final do período dos Juízes (quando líderes tribais lideravam isoladamente parte das tribos de Israel contra inimigos específicos, e não havia uma união em torno de um rei) e o início do período monárquico. Estilisticamente, o próprio Samuel é o elo entre os juízes e os reis, sendo o último juiz que ungira o primeiro rei, justificando, norteando, e dando sentido a autoridade real sobre Israel.

O primeiro livro de Samuel parece ter sido escrito no início do período monárquico (durante o reinado de David ou Salomão, pois quando Israel vence os filisteus, diz-se que "os filisteus foram abatidos e nunca mais vieram aos termos de Israel" (I Samuel 7:13), embora mais tarde, quando Judá e Israel (ou Samaria) tornaram-se reinos independentes, os filisteus voltaram a atacar com sucesso. Portanto, no momento em que o livro foi escrito, Samuel era uma personalidade ainda recente de sua história - um personagem fictício de tamanha importância localizado em um tempo recente teria tirado toda a credibilidade do relato frente ao povo, o que seria indesejável pois são os atos de Samuel que fundamentalizam a existência da própria autoridade real. Esta é a principal evidência de que este personagem tenha realmente existido.

A Samuel se atribui a autoria dos dois livros que levam seu nome, embora o profeta venha a falecer antes do final do primeiro volume.

Referências

Precedido por
Eli
Juiz de Israel
Sucedido por
Saul (Rei de Israel)


Árvore genealógica baseada em I Samuel

 
 
 
 
 
 
Efraim
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Zufe
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Toú
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Eliú
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Jeroão
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Penina
 
Elcana
 
 
 
 
 
 
 
Ana
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Filho1
 
...
 
Filhon
 
 
Samuel
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Joel
 
 
 
Abias