Samuel Richardson
Samuel Richardson (19 de agosto de 1689 - 4 de julho de 1761) foi um escritor inglês. Denis Diderot escreveu uma grande homenagem a Richardson, que hoje pertence aos escritos do primeiro já publicados, e tem o título de "Elogio à Richardson".
O pai do romance inglês, Samuel Richardson, era impressor. Aretidão moral que havia de revelar-se fortemente em Pamela era já evidente na primeira obra de Richardson, O Vade Mecum do Aprendiz. Assim como as moças eram instruídas no prêmio da virtude em Pamela, o manual de Richardison para os rapazes era uma lição dos prêmios do trabalho.
[editar] História
O romance inglês começa a sua longa e brilhante carreira no jardim bem tratado e cheio de sombras da casa que um tal Samuel Richardson tinha construído para a família no subúrbio londrino de Hammersmith. Richardson, um homem opulento e bastante vaidoso, por volta dos 40 anos, fazia-se adorar por uma pequena corte de senhoras jovens, sentadas à volta dele. Um verdadeiro "jardim florido de damas", como diria mais tarde um biógrafo. Tudo era, porém, muito respeitável. As moças olhavam-no como um pai sabedor e amável, com quem se podia falar de assuntos que elas não confessariam a ninguém. Como casos de amor. Richardson dava sempre um bom conselho, e até se encarregava de escrever cartas para as suas fãs - cartas dirigidas aos seus pretendentes, que conseguiam criar, melhor do que as cartas escritas pelas jovens, o ambiente verdadeiramente desejado num namoro do século 18. Richardson não escrevera até aí muitas cartas, porque tinha uma vida bastante ocupada, a não ser a sua correspondência comercial, algum anúncio de sua tipografia e um curioso livro chamado O Vade Mecum do Aprendiz, no qual dava úteis conselhos a respeito de moral e de negócios aos jovens ansiosos por triunfar - como tinha feito o próprio Richardson - na carreira do comércio. Todavia, estava nessa altura empenhado em escrever um livro de cartas para todos os fins, que esperava imprimir com bom lucro. Uma dessas cartas era "De um tio a um sobrinho, a respeito das más companhias, do mau emprego do tempo, etc., na sua aprendizagem." Os tios com sobrinhos desregrados não tinham mais que copiar a carta de Richardson e pôr-lhe os respectivos nomes. Ficavam assim com a certeza de que a carta seria explícita e incisiva, além de bem pesada e elegante. A carta n.º 138 é de "Um pai a uma filha que está a servir, por saber que o patrão atenta contra a virtude dela." Ao escrevê-la, Richardson baseou-se num caso verdadeiro passado uns antes, em que uma criada resiste às tentativas do jovem patrão. Lembrou-se que a história da moça podia ser contada numa série de cartas - por exemplo, entre a jovem e os pais, preocupados e morando a milhas de distância - e de que o livro em questão seria ao mesmo tempo interessante e instrutivo, não só para moças jovens, mas para toda a gente que tivesse problemas de amor e de moral. Em três meses a história Pamela estava escrita e tinha nascido o romance inglês em 1740. (Romance, 1978 Europa Verlag AG - Lugano e Editora Verbo - Lisboa - São Paulo.)