Sandman (Morfeus)

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Sandman é uma revista de história em quadrinhos (banda desenhada em Portugal), sucesso de crítica e público. Foi criada por Neil Gaiman em 1988 para o selo Vertigo da Editora DC Comics. Suas histórias descrevem a vida de Sonho, o governante do Sonhar (o mundo dos sonhos) e sua interação com o universo, os homens e outras criaturas.

Info Aviso: Este artigo ou seção contém revelações sobre o enredo (spoilers).

Índice

[editar] Sonho

Sonho (que também é conhecido como Morpheus, Sandman, Oneiros, Oniromante e Lorde Moldador, entre outros nomes) é o governante do Sonhar. Ele é um Pérpetuo - os Perpétuos são manifestações antropomórficas de aspectos comuns a todos os seres vivos: Destino, Desencarnação (ou Morte), Devaneio (ou Sonho), Destruição, Desejo, Desespero e Delírio. Os 7 perpétuos não são deuses, mas sim entidades além, responsáveis pelo ordenamento da realidade conhecida. Só sua existência mantém coeso o universo físico e todos os seres vivos.

[editar] Personalidade

Sonho é um herói nobre, trágico, no estilo tradicional dos heróis da tragédia grega. Às vezes parece insensível, outras meditativo ou irado, mas invariavelmente melancólico. Já seu lado mais racional está sempre ciente de suas responsabilidades, tanto para com as pessoas comuns, quanto para aqueles de suas terras. Compartilha de uma ligação recíproca de dependência e de confiança com sua irmã mais velha, a Morte. Apesar de obscuro, talvez por ter de conviver com a imaginação e os desejos reprimidos de todos os seres vivos que libertam suas mentes em seu reino, ele se esforça vigorosamente em compreender sua própria natureza e a dos outros perpétuos.

[editar] Aparência

De modo geral, Sandman aparece para cada pessoa como o aspecto mais nobre de sua raça. Como personagem, Sonho é extremamente pálido, tem cabelos negros e se veste geralmente apenas com uma peça de tecido preto enrolada ao corpo. A forma na qual geralmente é visto na revista parece ter sido baseada na aparência do cantor Robert Smith (vocalista da banda The Cure).Já apareceu, na história chamada "Histórias na Areia", interagindo com os antepassados de uma tribo da África sub-saariana, representado como um homem negro chamado Kai'Ckul. Também já apareceu transfigurado em gato na história "Sonho de Mil Gatos" e também como raposa no especial "Caçadores de Sonhos". Sonho às vezes é visto com uma ou mais de suas ferramentas: uma algibeira cheia de areia, um rubi e um elmo de formato bastante singular. O elmo - feito com ossos de um deus morto, só costuma ser usado em algumas situações, como viagens a lugares inóspitos - também é seu símbolo na galeria de cada Perpétuo. Ele sempre se veste de preto, exceto quando usa seu traje formal, que tem detalhes roxos e azuis. No seu passado não costumava ser assim. Na história "Homens de Boa Sorte", Sonho é visto em diferentes momentos nos últimos 500 anos. Nessa história seus trajes são um pouco mais convencionais do que os do Sonho moderno, mas ainda com um ar de excentricidade. Outro detalhe, seus olhos são negros como a noite pontilhada por milhares de estrelas brilhantes.

[editar] O Sonhar

As mentes de todos os seres vivos estão ligadas ao reino de Morpheus, o Sonhar. É para lá que vão as almas de todos os que dormem e onde são guardadas lembranças e pensamentos da hora do sono. O Sonhar guarda também o mundo imaginário de cada sonhador, várias realidades alternativas e seres imaginários se escondem lá. Sua biblioteca abriga bilhões de livros que nunca foram escritos. Toda a sanidade mental dos seres depende da boa administração desse reino (já que a realidade física do universo e mental dos seres também depende de nada "vazar" de lá para cá)e Sandman executa suas funções de maneira magistral. No sonhar vivem, por exemplo, Caim e Abel.

[editar] Arcos de história

No total, são 13 arcos que contam a história de Sandman em 75 números. Entre parênteses, as edições que pertencem a cada arco.

  1. Sandman: Prelúdios e noturnos (01 a 09)
  2. Sandman: A casa de bonecas (10 a 16)
  3. Sandman: Terra dos sonhos (17 a 20)
  4. Sandman: Estação das brumas (21 a 28)
  5. Sandman: Espelhos distantes (29 a 31)
  6. Sandman: Um jogo de Você (32 a 37)
  7. Sandman: Convergência (38 a 40)
  8. Sandman: Vidas breves (41 a 49)
  9. Sandman: Fim dos mundos (51 a 56)
  10. Sandman: Entes queridos (57 a 69)
  11. Sandman: Despertar (70 a 73)
  12. Sandman: Exílio (74)
  13. Sandman: A tempestade (75)

No Brasil foram lançados 10 arcos (assim como nos Estados Unidos). Os arcos, em ordem, são:

1. Sandman: Prelúdios e noturnos (The Sandman #1-8, 1988-1989)

2. Sandman: A casa de bonecas (The Sandman #9-16, 1989-1990)

3. Sandman: Terra dos sonhos (The Sandman #17-20, 1990)

4. Sandman: Estação das brumas (The Sandman #21-28, 1990-1991)

5. Sandman: Um jogo de você (The Sandman #32-37, 1991-1992)

6. Sandman: Fábulas & Reflexões (The Sandman #29-31, 38-40, 50, Sandman Special #1 and Vertigo Preview #1, 1991, 1992, 1993)

7. Sandman: Vidas Breves (The Sandman #41-49, 1992-1993)

8. Sandman: Fim dos Mundos (The Sandman #51-56, 1993)

9. Sandman: Entes Queridos (The Sandman #57-69 and Vertigo Jam #1, 1994-1995)

10. Sandman: Despertar (The Sandman #70-75, 1995-1996)

OBS.: As datas acima são das publicações americanas.

[editar] História

No primeiro arco (Prelúdios e Noturnos) Sonho relata sua captura por um mago chamado Roderick Burgess, em 1916. Ele permaneceu aprisionado numa redoma de vidro durante cerca de setenta anos antes de conseguir se libertar. Nos números seguintes ele retorna ao Sonhar e encontra seu reino em um estado de profunda decadência. Para restaurar o Sonhar, Sonho parte em busca de suas ferramentas - três objetos que contem parte de seu poder. A algibeira estava na posse de uma amiga de John Constantine, o elmo na posse de um demônio e o rubi nas mãos de John Dee, o Doutor Destino.

No segundo arco (Casa de Bonecas) Revela-se mais sobre as relações entre os Perpétuos e os seres humanos. A primeira revista do arco intercala acontecimentos simultâneos na Terra e no Sonhar. Na Terra é mostrado o encontro entre Rose Walker e Unity Kinkaid, que lhe revela ser sua avó. A mãe de Rose nasceu quando Unity estava em coma (ela foi vítima de um dos muitos disturbios do sono motivados pela prisão de Sonho). No Sonhar, Sonho começa a restaurar seu reino, ordena um recenseamento dos habitantes e se prepara para combater a ameaça iminente do surgimento de um vórtice: um vórtice é uma pessoa que surge a cada era, capaz de romper as barreiras do Sonhar, e por isso mesmo perigosa demais pra ser mantida viva. O vórtice dessa era é Rose Walker.

O terceiro arco (Terra dos Sonhos) é formado por histórias sem relação entre sí. A primeira história se chama Calíope, nome de uma das nove musas da mitologia grega, mais específicamente a que inspirava a poesia épica. A história começa com ela aprisionada há décadas por um escritor ambicioso que, após anos de sucesso editorial e se valendo de abusos sexuais e da escravidão de Calíope, resolve entregar sua posse para um escritor mais jovem. Sonho sente compaixão por Calíope, em grande parte por ele próprio ter sido prisioneiro dos mortais, e faz com que seja libertada. Nessa história revela-se que Sonho e Calíope tiveram um filho de nome Orfeu. A segunda história (Um Sonho de Mil Gatos) é uma das mais curiosas de Sandman. Toda contada do ponto de vista dos gatos, é centrada na figura de uma espécie de profeta felina, que conversou com Morpheus durante um sonho. A gata buscava respostas sobre porque os humanos haviam matado seus filhotes. Sonho explica que os motivos dos homens eram ininteligíveis e em seguida relata sobre uma era em que os gatos eram senhores dos homens, que então não passavam de animais pequeninos. Esta era teria acabado quando um homem visionário conseguiu convencer vários homens a sonhar um mesmo sonho: o de um mundo em que eram senhores e não presas. Quando conseguiu isso a realidade se tornou qual os homens sonharam, e de forma tão profunda que mesmo o passado mudou, de forma que o homem sempre houvessem sido a raça dominante. Ao saber disso a gata se dedica a unir sua raça, fazendo com que os outros gatos voltem a sonhar com uma era em que eles reinassem tranquilos. Na terceira história - Sonho de uma Noite de Verão - William Shakespeare apresenta essa peça pela primeira vez e para uma platéia formada por criaturas de Arcádia, a terra das lendas habitada por personagens da ficção. Shakespeare teria escrito a peça baseando-se nesses mesmos personagens, que ele conheceu durante uma viagem arranjada por Sonho (o trato entre os dois é brevemente abordado na história "Homens de Boa Sorte, em Sandman nº14). Em troca da viagem, Sonho encomendou a Shakespeare duas peças, sendo Sonhos... a primeira. A outra seria "A Tempestade", mas será abordada mais tarde.

O quarto arco de histórias (Estação das Brumas) é um dos mais impressionantes. Conta a história da ida de Sonho ao Inferno, para resgatar sua ex-amante, Nada. Ao chegar ao Inferno, disposto a uma luta de vida ou morte, descobre que Lúcifer está abandonando seu domínio. Após uma grande conversa entre os dois, onde Lúcifer faz várias confissões (inclusive lhe diz que pretende morar na praia e ser um pianista de jazz em um bar na Terra) ele dá ao Lorde Moldador a chave do Inferno e pede para lhe cortar as asas. A partir disso o Sonhar começa a receber a visita de todas as divindades conhecidas em busca da chave do senhor dos Sonhos. Uma maldição que nem o senhor dos sonhos poderia imaginar que seria tão terrível.

Adicionando (O autor original do artigo não descreveu o quinto arco)

O quinto Arco (Espelhos Distantes) É composto de histórias desconexas entre sí ele introduz Orpheus, filho de Sandman, na história e mostra a participação do lorde dos sonhos nos camimhos do império romano, ele se encerra mostrando um jogo muito curioso entre os perpétuos.

No sexto arco (Um jogo de você) Barbie, uma nova iorquina divorciada, viaja para o mundo mágico que ela já havia habitado uma vez em seus sonhos, para descobrir que este mundo está sendo ameaçado pelas forças de Cuckoo. Esta série introduz o personagem Thessaly, que exercerá um papel importante no destino de Morpheus.

Já no sétimo arco (Fábulas e Reflexões) temos uma coleção de pequenas histórias que se dão na história de Morpheus, sendo a maioria delas publicadas originalmente antes e depois do quinto arco de histórias. Quatro lidando com reis e comandantes, foram originalmente publicada sob o título de "Distant Mirrors", enquanto outras três, que detalham os encontros entre vários personagens, foram publicadas no arco Convergências. Fábulas e Reflexões também traz um especial de Sandman, publicado originalmente como uma história independente, que assimila o mito de Orfeu aos mitos de Sandaman.

No oitavo arco (Vidas Breves) Delírio, a irmã mais nova de Sandman o convence a ajudá-la a encontrar seu irmão perdido, conhecido como Destruição dos Perpétuos, que abdicou de seu lugar na família trezentos anos antes.

No Nono arco (Fim dos Mundos) Viajantes de todos os tempos ficam presos no vórtice de uma tempestade da realidade, do mito e da imaginação e acabam convergendo em uma misteriosa estalagem. Na tradição dos "Contos de Canterbury", de Chaucer, eles esperam a tempestade passar contando histórias.

No Decimo arco (Entes queridos) Impossíveis de serem detidas em sua missão de vingança, elas não parariam antes que o crime que desejavam punir fosse vingado e limpo com sangue. As pessoas assustadas as chamavam de Bondosas ou Fúrias. Agora, Sonho dos Perpétuos, seus amigos e sua família se encontram presos em uma sombria conspiração. E alguém irá morrer.

No 'décimo Primeiro Arco (Despertar) Deuses antigos, velhos amigos e inimigos se reúnem para prestar um tributo e para recordar, no velório mais estranho que já existiu. E, no final de sua vida, William Shakespeare cumpre sua parte em uma estranha barganha.

[editar] Títulos Relacionados

Sandman - The Dream Hunters (Os Caçadores de Sonhos) Situado no Japão, este conto de fadas adulto, narrado com ilustrações e prosa, foi maravilhosamente pintado pelo lendário artista Yoshitaka Amano (Final Fantasy).

Morte - A Festa Em uma homenagem a Gaiman, Jill Thompson cria e ilustra uma história no estilo mangá, com os personagens de Sandman. As duas irmãs mais novas da Morte (Delirio e Desespero) organizam uma festa para os fugitivos do Inferno. Quando a farra foge ao controle, Morte tem que restabelecer a ordem e salvar o Além.

Morte - O Preço da Vida A cada século, durante um dia, a Morte toma sua forma característica para aprender mais sobre as vidas que deve tomar. (Publicado em 1994 no Brasil, pela editora Globo)

Morte - O Grande Momento da Vida Quando uma jovem mãe faz um acordo com a Morte para salvar seu filho, sua namorada paga o preço, em uma história sobre fama, relacionamentos e rock'n roll. (Publicado em 1997 no Brasil, pela editora Abril)

Capas na areia Não é propriamente uma história mas um apanhado das capas da revista, que são pura arte. Contém também comentários, entrevistas e uma história inedita.

Noites sem fim Coletânea de 7 histórias, cada uma sobre um dos Perpétuos, esta obra é a primeira tradução mundial do trabalho de Gaiman e cada conto foi ilustrado por um artista diferente. (Publicado no Brasil pela editora Conrad)

[editar] Lugares

Apesar da Terra e o Sonhar serem os principais cenários da revista, outros mundos frequentam constantemente suas páginas. Sonho já teve que ir ao Inferno atrás de uma de suas ferramentas, por exemplo. O Sonhar mantém uma relação estreita com Faerie/Fandall, o reino encantado onde habitam as lendas, inclusive a rainha do lugar - Titânia - ainda alimenta sentimentos por Morfeu.

[editar] O Sonhar

O castelo no qual Sonho habita e todo o resto do Sonhar mudam de aspecto à sua vontade, mas certas áreas têm sua forma mantida como uma cortesia a seus habitantes. Sonho parece ser o único Perpétuo a povoar seu reino - muitos outros personagens vivem lá, incluindo Caim e Abel (que pouco têm a ver com sua versão bíblica). Ele inclusive mantém empregados para executar tarefas que poderia realizar facilmente, incluindo a reorganização do castelo e a vigilância de sua entrada.

Os outros Perpétuos têm seus próprios lares. Destino, por exemplo, está sempre perambulando por um jardim onde, não importa em que direção ande, há sempre vários caminhos à sua frente e um único atrás de si. Desespero "mora" num local coberto de bruma e névoa, onde ratos se escondem, e cercada por espelhos. Morte é a única dos Perpétuos que não tem seu reino mostrado diretamente, onde resta a dúvida de como é o "Reino da Morte". Na homenagem feita à Sandman em "Morte - a Festa", o reino dela é mostrado, e é o local onde a "balada", realizada por Delírio e Desespero, acontece. Mas nada parecido consta no Sandman oficial.

[editar] Perpétuos

Os Perpétuos ou Sem Fim (Destino, Morte, Sonho, Destruição, Desejo, Desespero e Delírio) são um grupo de seres que personificam vários aspectos do universo na série de história em quadrinhos Sandman, de Neil Gaiman. Eles existem desde a aurora dos tempos e acredita-se que estão entre as criaturas mais poderosas (ou pelo menos influentes) do universo Sandman, desempenhando papel central ao longo da história, em que Sonho é o protagonista.

Os Perpétuos são uma família pouco convencional de sete irmãos. Em suas formas mais comuns, todos têm a pele branca (apesar de Destruição, Delírio e Destino serem bem menos pálidos que os outros) e a maioria tem cabelos negros, mas as aparências e personalidades variam bastante. Eles têm algum controle sobre os conceitos que representam mas, da mesma forma que os deuses retratados em Sandman, também são modelados a partir de expectativas e crenças subconscientes dos seres humanos. Em particular, a aparência de Sonho varia bastante, dependendo do observador.

[editar] Destino

Destino é o mais velho dos Perpétuos. No princípio havia a Palavra, e ela foi escrita à mão na primeira página de seu livro, antes mesmo de ser pronunciada.

Para os olhos mortais, Destino é, também, o mais alto dos Perpétuos.

Alguns crêem que ele seja cego, enquanto outros, talvez mais sabiamente, alegam que ele tenha viajado além da cegueira e que, na verdade, não possa ver nada, exceto "enxergar" os finos traçados espirais das galáxias no vazio, observando os intricados padrões da vida em sua jornada através do tempo. Destino cheira a séculos e a pó, um odor que não é desagradável, e, em suas mãos, sempre traz um livro, preso ao seu pulso. Sua voz é como o farfalhar de velhos pergaminhos numa biblioteca, tarde da noite, quando as pessoas foram para casa e os livros começam a ler a si mesmos.

Ele caminha eternamente por seu jardim, onde, sempre no ponto em que ele se encontra, podem ser vistas várias trilhas por onde ele poderá seguir, mas, sempre, apenas uma por onde ele veio.

Ele não deixa pegadas.

Ele não projeta sombra.

[editar] Morte (Desencarnação)

Talvez este seja o melhor modo de definir a irmã mais velha de Morpheus.

Diferentemente do que se esperava, ela não foi concebida por Gaiman e Dringenberg como uma figura sombria e fria, um 'esqueleto com uma foice', mas sim como uma bela garota, que se veste como uma pós-punk, e que sempre nos passa muito otimismo e alegria, apesar do fardo que é o seu "trabalho".

Aliás, em se tratando deste assunto, sem sombra de dúvida seu irmão mais novo, Sonho, é muito mais mórbido e melancólico que ela. Ela traz sempre consigo seu símbolo: o Ankh.

O Ankh é um símbolo muito antigo, derivado da cultura egípcia. Ele era encontrado sempre nos hieróglifos, sendo segurado pelas divindades egípcias como se fosse uma chave, o que nos remete ao seu significado como "a chave dos portões que separam a vida e a morte", já que estes desenhos eram muito comuns em pirâmides mortuárias dos faraós.

O Ankh é considerado um símbolo de vida e fertilidade, o que torna ainda mais irônico ser exatamente ele o símbolo utilizado pela irmã mais velha. Ela não foi a primeira a vir... mas será a última a partir.

"Quando a primeira coisa viva existiu, eu estava lá esperando... Quando a última coisa viva morrer, meu trabalho estará terminado... Então, eu colocarei as cadeiras sobre as mesas, apagarei as luzes, e fecharei as portas do universo, enquanto o deixo para trás...", disse ela a seu irmão Sonho.

A cada século ela vive um dia entre nós.

"Uma vez, a cada cem anos, a Morte prova o amargo sabor da mortalidade para compreender melhor sua missão. Este é o preço por ser a divisora entre todos os vivos que já foram e os que ainda irão." Estas são suas próprias palavras sobre o assunto.

Morte acompanha a cada mortal duas vezes na vida: no nascimento, ela fala nos fala, mas não lembramos o que ela diz, não se sabe o porquê, e na morte, ela nos guia ao descanso eterno.

[editar] Delírio

Delírio é a mais jovem dos Perpétuos.

Ela cheira a suor, vinho azedo, noites tardias e couro velho. Seu reino é próximo, e pode ser facilmente visitado. As mentes humanas, porém, não foram feitas para compreender seu domínio, e os poucos que viajaram até ele conseguiram relatar apenas fragmentos perdidos.

Sua aparência, um amontoado de idéias vestidas no semblante da carne, é a mais variável de todos os Perpétuos. A forma e o contorno de sua sombra não têm relação com a de nenhum corpo que esteja usando. Ela é tangível como veludo gasto. Delírio tende a se tornar borboletas ou peixes dourados, agora e sempre.

Alguns dizem que a grande frustração de Delírio é saber que, apesar de ser mais velha que as estrelas e mais antiga que os deuses, ela continua sendo, eternamente, a mais jovem da família, pois os Perpétuos não medem tempo como nós nem vêem mundos através de olhos mortais.

Um dia, Delírio também foi Deleite. E, embora isso tenha sido há muito tempo, ainda hoje seus olhos têm matizes diferentes: um é verde-esmeralda bem vivo, salpicado de pontos prateados; o outro é do mesmo azul que esconde sangue dentro de veias mortais. Ela vê o mundo de sua própria e única visão.

Os Perpétuos acreditam que apenas Delírio sabe porquê ela mudou.

[editar] Destruição

Destruição, que refere-se a si mesmo como 'a ovelha negra da família', é o membro dos Perpétuos que nos traz à conclusão de que talvez eles não sejam realmente necessários. Podemos vencer as dificuldades sem que eles nada façam. Segundo ele, os Perpétuos não têm o direito de interferir com as nossas vidas. Nós somos capazes de conduzi-las.

Ele tenta ser criativo, como tem mostrado em suas "vidas" longe dos Perpétuos. Um construtor, um artista, um trabalhador, um chefe, Destruição passa todo o seu tempo construindo, ao invés de destruir. Destruição possui uma sabedoria secular e uma capacidade de raciocínio muito acima do que nós podemos racionalizar. Mesmo sendo um dos mais novos membros da família, é considerado o "grande irmão" por todos. Destruição já não discute mais com sua família. Talvez por isso, viva sempre de mudança.

"Os Sem-Fim? Os Perpétuos são apenas padrões. Os Perpétuos são idéias. Os Perpétuos são funções de onda. São motivos repetitivos."

"Nós somos ecos das trevas e nada mais. Não temos direito de brincar com a vida deles, ordenar seus sonhos e desejos. Até mesmo nossas existências são breves e limitadas. Nenhum de nós vai durar mais que esta versão do universo."

"Cumpri o meu papel mais do que adequadamente por dez bilhões de anos. Uma moeda de dois lados: destruição é necessária. Nada novo pode existir sem a destruição do velho."

"A destruição não cessou com o abandono do meu reino. Talvez seja mais descontrolado, selvagem. Talvez não. Só não é mais responsabilidade de alguém."

[editar] Desejo

Só há uma coisa pra se ver no reino crepuscular de Desejo. É o que se chama limiar, a fortaleza do Desejo.

Desejo sempre morou no limite.

O limiar é maior do que podemos imaginar. É uma estátua de Desejo, ele ou ela própria. (Desejo nunca se satisfez com um único sexo. Ou apenas uma de qualquer coisa... Exceto, talvez, o próprio limiar.) O limiar é um retrato do Desejo, completo em todos os detalhes, erguido, a partir de seus caprichos, com sangue, carne, osso e pele. E, como toda verdadeira cidadela desde o início dos tempos, o limiar é habitado. O lugar só tem um ocupante neste momento. O Desejo dos Perpétuos.

O limiar é grande demais para apenas uma pessoa. Contém dois tímpanos maiores que uma dúzia de salões de baile. E veias vazias e ressonantes como túneis. É possível andar nelas até envelhecer e morrer sem passar novamente pelo mesmo lugar. Entretanto, dado o temperamento de Desejo, só há um lugar em toda a catedral de seu corpo que lhe serve como lar.

Desejo mora no coração. É improvável que qualquer retrato consiga fazer jus a Desejo, pois vê-la (ou vê-lo) seria o mesmo que amá-lo (ou amá-la) - apaixonadamente, dolorosamente, até a exclusão de tudo o mais.

Desejo exala um perfume quase subliminar de pêssegos no verão e projeta duas sombras: uma negra e de nítidos contornos; a outra sempre ondulante, como neblina no calor.

Desejo sorri em breves lampejos, da mesma forma que o brilho do Sol reluz no gume de uma faca. E há muito, muito mais do gume de uma faca na essência de Desejo.

Jamais a(o) possuída(o), sempre o(a) possuidor(a), com pele tão pálida quanto fumaça, e olhos aguçados como vinho.

Desejo é tudo o que você sempre quis.

Quem quer que seja você. O que quer que seja você.

Tudo.

[editar] Desespero

Desespero, irmã gêmea de Desejo, é rainha de seu próprio domínio sombrio. Diz-se que, dispersas pelo reino de Desespero, há uma infinidade de pequenas janelas penduradas no vazio.

A cada janela aberta uma cena diferente se revela. Em nosso mundo, a vista é um espelho. Assim, quando você fita seu próprio reflexo e nota os olhos de Desespero sobre si, é fácil senti-la agarrando e apertando seu coração.

Sua pele é fria e pegajosa. Seus olhos são da cor do céu, naqueles dias cinzas e úmidos que desbotam o significado do mundo. Sua voz vai pouco além de um sussurro. E, embora ela não tenha odor, sua sombra é almiscarada e pungente, tal qual a pele de uma cobra. Muitos anos atrás, um certo dogma religioso que, ainda hoje existe no Afeganistão declarou-a uma deusa, proclamando todos os recintos vazios como seus locais sagrados.

A seita, cujos membros se denominavam "Os Não-Perdoados", persistiu por dois anos, até que seu último adepto finalmente se suicidou, após ter sobrevivido aos outros membros por quase sete meses.

Desespero diz pouco, mas é paciente.

[editar] Ligações externas

Editora Conrad Editora que publica maior parte dos livros e quadrinhos do Neil Gaiman no Brasil

Matéria do site HQ Maniacs

Matéria/Resenha do Site Unifolha

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