Santa Companha

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
A Santa Compaña (graffiti en Pontevedra.)

A Santa Companha é uma das lendas da mitologia popular galega e portuguesa[1] . Também se registra uma lenda similar em Astúrias, chamada de Güestia (Hoste) e no Brasil [2] .

Tradicionalmente é descrita como uma procissão de mortos ou almas em pena que à noite percorre os caminhos duma paróquia portando círios, sendo o cheiro à cera o principal sinal de que a Santa Companha anda perto.

Sua missão é visitar todas aquelas casas nas quais pronto haverá um passamento (morte).

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O nome poderia provir do latim "sancta cum pania" ('santa companhia', embora uma tradução mais literal seria, "que comem do mesmo pão").

Descrição[editar | editar código-fonte]

A procissão costuma ir encabeçada por um vivo portando uma cruz e um caldeiro de água benta seguido pelas almas com os círios acesos, nem sempre visíveis, notando-se a sua presença no cheiro à cera e no vento que se ergue quando passa.

Esta pessoa viva que precede a procissão pode ser homem ou mulher, dependendo de se o orago da paróquia for respectivamente santo ou santa.

O portador da cruz não voltará a cabeça em nenhum momento nem renunciará aos seus cargos precedendo a Santa Companha. Só ficará livre quando encontrar outra pessoa pelo caminho a quem entregar a cruz e o caldeiro, momento no qual esta passará a substituí-lo.

Para se escapulir desta obriga de substituição, a pessoa que veja passar a Santa Companha deve traçar um círculo no chão e se deitar boca abaixo sem olhar para nenhum espírito. A pessoa que leva a cruz e o caldeiro a cada passo adelgaça mais e volve-se mais branco até que possa ceder o caldeiro a outro.

Versões[editar | editar código-fonte]

Embora todas as versões coincidissem em considerar a Santa Companha como uma anunciadora da morte, há diferentes versões.

Na maioria das histórias a Santa Companhia realiza a suas aparições à noite, porém, há também relatos de saídas diurnas.

Xoán Cuveiro Piñol [3] escreve: Companha: entre o vulgo, crida hoste ou procissão de bruxas que andam à noite alumiadas com ossos de mortos, chamando nas portas para que as acompanhem, os que desejam que morram depressa....

Outros nomes[editar | editar código-fonte]

A Santa Companha também é conhecida com os nomes de:

  • Procissão das almas: aplicado especialmente no Sul da Galiza, sobretudo em Ourense e Portugal [4] .
  • Hoste: aplicado em algures ao formar a comitiva uma espécie de hoste.
  • Estatinga ou estadinga: considerada uma derivação de «hoste antiga» ou «Inimigo antigo» (um eufemismo por "Demônio).
  • Estadeia: derivação provável de «estadal», o círio usado para iluminar aos defuntos, ou também de demora (estadia).
  • Avisião: nome aplicado antigamente nos Foios e Quadrazais (Sabugal) e Vale de Xalma (Espanha).
  • Pantaruxada: nome infreqüente.
  • Pantalha: em opinião de Vicente Risco, fusão dos términos «Pantasma» (fantasma) e «Espantalho».
  • Visão: aparição.
  • Visita: em clara referência à intencionalidade da aparição.

Lendas análogas[editar | editar código-fonte]

Existe, dentro das crenças galegas, outra procissão chamada de "procissão das Xás", muito semelhante à Santa Companhia, mas que se diferencia desta em que não são fantasmas de mortos os que vão nela, senão fantasmas de indivíduos vivos, que não lembram nada o dia seguinte e que vão enfraquecendo até falecer.

É análoga[5] à lenda irlandesa de Banshee e à britona de Ankou.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BECOÑA IGLESIAS, Elisardo. La Santa Compaña, El Urco y Los Muertos. [S.l.: s.n.], 1980.
  • LISÓN TOLOSANA, Carmelo. La Santa Compaña. [S.l.: s.n.]. ISBN 8446021641.
  • PAREDES, Xoán M.. Curiosities across the Atlantic: a brief summary of some of the Irish-Galician classical folkloric similarities nowadays. Galician singularities for the Irish. [S.l.: s.n.], 2000.

Referências