Santa Luzia (Minas Gerais)

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Município de Santa Luzia
Do alto, da esquerda para a direita: Novo prédio do Fórum Desembargador Pedro Viana na Comarca de Santa Luzia, Monumento aos bravos da Revolução Liberal de 1842, vista da Rua Floriano Peixoto no bairro Centro, vista da Avenida Brasília, vista da Matriz de Santa Luzia na Rua Direita.

Do alto, da esquerda para a direita: Novo prédio do Fórum Desembargador Pedro Viana na Comarca de Santa Luzia, Monumento aos bravos da Revolução Liberal de 1842, vista da Rua Floriano Peixoto no bairro Centro, vista da Avenida Brasília, vista da Matriz de Santa Luzia na Rua Direita.
Bandeira de Santa Luzia
Brasão de Santa Luzia
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 18 de março
Fundação 1692 (322 anos)
Gentílico luziense
Lema Hodie et Semper Nihil Déficit
Prefeito(a) Carlos Calixto (PSB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Santa Luzia
Localização de Santa Luzia em Minas Gerais
Santa Luzia está localizado em: Brasil
Santa Luzia
Localização de Santa Luzia no Brasil
19° 46' 12" S 43° 51' 03" O19° 46' 12" S 43° 51' 03" O
Unidade federativa  Minas Gerais
Mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte IBGE/2008 [1]
Microrregião Belo Horizonte IBGE/2008 [1]
Região metropolitana Belo Horizonte
Municípios limítrofes Belo Horizonte (SO), Vespasiano (O), Lagoa Santa (N), Jaboticatubas (N), Taquaraçu de Minas (L), Sabará (SE)
Distância até a capital 18 km
Características geográficas
Área 233,759 km² [2]
Área urbana 35,0 km² (BR: 91º) – est. Embrapa[3]
Distritos Sede, São Benedito
População 213 345 hab. (BR: 132º MG: 13º) –  Estimativa IBGE/2013 [4]
Densidade 912,67 hab./km²
Altitude 751 m
Clima tropical de altitude Cwa
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,715 (BR: 1454º) – alto PNUD/2010 [5]
PIB R$ 2 099 191,626 mil (MG: 23º; BR: 242º) – IBGE/2010 [6]
PIB per capita R$ 10 331,48 IBGE/2010 [6]
Página oficial
Prefeitura santaluzia.mg.gov.br

Santa Luzia é um município brasileiro do estado de Minas Gerais, pertencente à Região Metropolitana de Belo Horizonte. Localiza-se a 19º46'11" de latitude sul e 43º51'05" de longitude oeste, a uma altitude de 751 metros. Sua população de acordo com a Estimativa 2013 pelo IBGE é de 213.345 habitantes[4] , com a maior concentração populacional e atividade comercial no distrito de São Benedito, situado a oito quilômetros do centro do município.


História[editar | editar código-fonte]

Período colonial[editar | editar código-fonte]

Vista da primitiva cidade de Santa Luzia, com destaque a Matriz com sua antiga fachada

A história do município originou-se com aventureiros que em busca de riquezas, descobriram Santa Luzia. Tudo começou, em 1692, durante o ciclo do ouro. Uma expedição dos remanescentes da bandeira de Borba Gato implantou o primeiro núcleo da Vila, as margens do Rio das Velhas, no qual se fazia garimpo de ouro de aluvião. Em 1695 uma grande enchente do rio destruiu todo o povoado, localizado próximo ao atual bairro de Bicas, então o pequeno vilarejo mudou-se para o alto da colina, onde hoje, é o Centro Histórico da cidade. Em 1697, ergueu-se o definitivo povoado, que recebeu o nome de Bom Retiro. Em 1724 foi criado a Freguesia de Santa Luzia, subordinado a Sabará.

Havendo já alguns arraiais nas proximidades e ao longo do Rio das Velhas, existia entretanto, um grande hiato entre Roça Grande e a região de Sete Lagoas, tornando-se difícil o abastecimento das populações nômades e o descanso das tropas que de mandavam o norte do estado. Nessa época, começaram a surgir varias fazendas, em vastos latifúndios, criadas para o descanso do gado e para suprir o abastecimento regional.

Com o movimento crescente que se operava na região de Sete Lagoas, foram abertas várias estradas, que, atingindo Jequitibá, atravessavam diversas localidades, entre elas, o arraial de Santa Luzia. Estas estradas desempenharam importante papel no povoamento da região, não só pelo intenso comércio que propiciavam como também, pelo estabelecimento de ranchos e capelas e pelos numerosos contingentes humanos, que por elas afluíam as Minas, vindos do Norte e dos portos da Bahia.O povoado definitivo de Santa Luzia teria surgido entre 1721 e 1729, no alto das colinas, em cujos vales corriam o córrego das Calçadas, o córrego Seco ou do Dantas e o córrego dos Cordeiros, socavados na época, por mineradores em busca de ouro.

Rua Direita

Nesse local, no topo da colina, edificou-se um rancho que acolhia numerosas tropas vindas de Sabará e outras localidades, pelas estradas que se cruzavam em forma de um "T" e que deram origem à rua do Serro, rua Direita e rua Santa Luzia. Porém, ao contrario da maioria das povoações mineiras da época, Santa Luzia cresceu e floresceu muito mais em função do comércio que da mineração. Os trabalhos mineratórios desenvolveram-se nos córregos das Calçadas, Seco e Cordeiros, mas o povoado não cresceu ali, e sim no alto de uma colina próxima, junto a um rancho que acolhia tropas que faziam o comércio entre o sertão e o Rio de Janeiro. É importante ressaltar o fator religioso na formação do povoado, pois este só surgiu quando faiscadores e tropeiros construíram uma capela, dedicada a Santa Luzia, em frente ao rancho, que foi mais tarde, inteiramente aproveitada para a capela-mor da matriz.A construção da capela, em lugar de movimento de tropas, serviu para desenvolver a atividade comercial no local, atraindo para lá pessoas que se encontravam dispersas pelas regiões vizinhas. O lugarejo foi crescendo perto da capela, a beira das estradas, convivendo, lado a lado, residências e casas comerciais. Formava um "T" com a interseção de duas estradas: a que vinha de Sabará atingia o rancho em frente da Capela, pelo Córrego das Calçadas, dando origem à rua Direita; no fundo, onde estava o cemitério, esta estrada se bifurcava a caminho de Macaúbas, Serro, Distrito Diamantino, etc, formando a rua do Serro.Em 1734 já havia bastante gente no arraial, que se espraiava pelo espigão e pelas ladeiras que subiam do córrego das Calçadas. A atividade mineradora se extinguiu, dando lugar a intensificação do comércio, que em 1740 já contava com 30 estabelecimentos. Nessa época, Santa Luzia desempenhava importante papel de centro comercial, fazendo transação de peles e salitre, com o norte do estado e com o Rio de Janeiro.Devido à sua localização estratégica, o povoado muito floresceu em função do comércio das áreas mineradoras, exercendo o papel de entreposto comercial do sertão. Em documento de 1752, o bispo de Mariana, D. Frei Manoel da Cruz, propõe a transferência da sede da paroquia do arraial de Roça Grande para o de Santa Luzia, justificando:[7] ::

Cquote1.svg (...) o arraial de Santa Luzia é um dos mais populosos das Minas e a sua Igreja é nova, com bastante grandeza e bem paramentada, estando quase no meio da freguesia, circunstâncias todas que concorrem para V. Majestade ser servido mandar fazer a sobredita mudança (…) Cquote2.svg

A qual só se efetivou em 1779, após uma série de reveses com a paroquia de Roça Grande.A medida que o arraial progredia, formava-se, ali, uma elite social abastada, com hábitos sofisticados da vida e cultura com marcante influência francesa. Santa Luzia, seguiu a tradição de importantes vilas mineiras, como Sabará e Diamantina, que cedo desenvolveram o gosto da literatura e do teatro. Já na segunda metade do séc. XVIII tem-se notícia da inclusão de peças teatrais no programa de suas festas cívico religiosas, além da realização de óperas em diversas vilas, como, por exemplo, em Sabará, em 1799.

Evento cívico em frente a o grupo escolar no início do século XX.

O espírito religioso dos luzienses não traduziam-se apenas na construção de belos templos, mas também em algumas festas tradicionais. As mais famosas eram a da padroeira do lugar, a do Rosário, promovida pelos negros, e a do Divino, pelos brancos, como parte dos festejos do "Ciclo da Ressurreição". Todas estas festas representavam um folclore de caráter tipicamente profano religioso, mesclando heranças africanas e portuguesas, como danças, procissões, fogos, rezas, músicas e missas. A semelhança dos demais núcleos urbanos das Minas Gerais daquela época, as festas eram realizadas com grande pompa, atraindo para o local romeiros de toda a redondeza.A partir da segunda metade do séc. XVIII a mineração do ouro começou a declinar e a economia local voltou-se para a produção agropecuária, acarretando certa retração das atividades urbanas. Entretanto, Santa Luzia, conseguiu manter relativo progresso devido, principalmente, à sua situação privilegiada de empório comercial, como constatou José Vieira Couto em 1801[7] :::

Cquote1.svg (...) Santa Luzia, lugar populoso e brilhante, e que deve seu melhoramento actual (cousa rara!) aos arraiaes de Minas, as suas lavras, e a ser, além disso, por causa da sua situação natural como um pequeno empório, onde vem surtir-se de alguns gêneros pertencentes ao commercio muitos negociantes de Piracatu e Serro. (…) Cquote2.svg

Também Saint-Hilaire, viajante francês que ali passou em 1817, ressaltou a importância da Paroquia de Santa Luzia em seu papel de entreposto comercial do sertão, sendo ponto de parada para as tropas que transitavam entre o sertão e o Rio de Janeiro. Nada citou sobre a mineração do ouro, provavelmente devido à insignificância econômica a que esta atividade estava reduzida naquela época[7] .

Padroeira da cidade[editar | editar código-fonte]

Vista da Matriz de Santa Luzia na Rua Direita

Conta a história, que um pescador chamado Leôncio, que tinha problemas na visão, observou um objeto brilhando no rio, enterrado na areia. Quando pegou era a imagem de Santa Luzia, a santa protetora dos olhos, e assim se deu o primeiro milagre da santa, já que na mesma hora ele volta a enxergar. A imagem foi levada para a primeira capela do arraial, tornando-se a padroeira do município. Chegando a Portugal a noticia dos milagres que estavam sendo operadas padroeira do Bom Retiro de Santa Luzia, o Sargento Mór Joaquim Pacheco Ribeiro, que estava desenganado pela ciência medica da sua Pátria, volta sua ultima esperança para o poder divino. Faz um voto à Santa milagrosa do sertão mineiro, pedindo-lhe a visão perdida. Como recebeu o milagre, o nobre filho da terra lusitana não duvidou em dar cumprimento ao voto que fizera e vem com suas filhas Ana Senhorinha, Angélica e Adriana, começando a construção do templo, onde hoje está a Matriz de Santa Luzia, localizada na Rua Direita, no Centro Histórico, em 13 de dezembro de 1758. O ouro empregado em toda construção de decoração interna foi doado por Antônio Martins Gil e extraído no Rio das Velhas. O serviço de moldura de talha foi feito por Felipe Vieira e Francisco de Lima Cerqueira, que encheram de gloria a arte decorativa das Minas Gerais.

Formação administrativa[editar | editar código-fonte]

Um registro de 1761 que pedia a elevação do arraial à categoria de vila, apresenta como credencial para tal o fato da localidade apresentar duas grandes igrejas, mais cinco nas cercanias. Pela Lei nº 317 de 18 de março de 1847[8] o povoado foi a categoria de vila com a denominação de Vila de Santa Luzia, tendo com freguesias os atuais municípios de Sete Lagoas, Santa Quitéria (Esmeraldas), Lagoa Santa e Matozinhos. Nessa data é comemorado o aniversário da cidade assim como em outras cidades coloniais. Em 1850 a vila é extinta e anexada novamente a Sabará, pela lei n° 472, de 31 de maio de 1850, que suprimiu o município, provavelmente por este não ter cumprido as exigências previstas na lei de formação de município, como, por exemplo, construção de Casa de câmara e cadeira, dentro de um prazo de três anos. A restauração da Vila de Santa Luzia é confirmada pela Lei nº 755 de 30 de abril de 1856[9] , mas sem as freguesias de Santa Quitéria e Capella Nova. A elevação a cidade é expedida logo no ano de 1858 pela Lei nº 860 de 14 de maio de 1858[10] com o nome de Santa Luzia do Rio das Velhas e a partir de 1924, passou a se chamar Santa Luzia.[11]

Cidade Imperial[editar | editar código-fonte]

Solar da Baronesa

A partir da segunda metade do século XIX, Santa Luzia sofreu um processo paulatino de declínio. Vários fatores concorreram para isto e o mais importante parece ter sido a queda do comércio entre o sertão e o Rio de Janeiro, decorrente da decadência da mineração e, consequentemente, do poder aquisitivo da população que vivia dessa atividade. Desaparecia, assim, o sustentáculo do dinamismo econômico luziense, ou seja, papel de entreposto comercial do sertão. O centro dinâmico da Província deslocara-se para as zonas cafeeiras da Mata e Sul e as áreas que não se estruturaram em função dessa atividade, como era o caso de Santa Luzia, tiveram que reorganizar-se e passaram por períodos de crise até encontrar opções econômicas relevantes. O município voltou-se, principalmente, para a atividade agrícola de subsistência, produzindo, em 1864, milho, arroz, feijão, mandioca, trigo, batatas, café, mamona e algodão. Sua produção artesanal chegou a adquirir certo vulto nessa época, tendo-se noticia da fabricação de moveis, como por exemplo oratórios, além de imagens delicadíssimas de pedra de jaspe, chegando, ambos, a serem vendidos fora da Província.

Santa Luzia foi visitada por Richard Francis Burton em 1867, vindo de Sabará de canoa, navegando o Rio das Velhas. Hospedou-se num hotel que considerou muito precário mas barato. Teve sua atenção despertada pelo grande número de casas de prostituição estabelecidos na vila apesar dela ser tida como sede de um santuário. Comentou, porém, ter ouvido falar que esse comércio ali era menos próspero do que em Curvelo. Registrou a existência da igreja matriz e da igreja de N. S. do Rosário.

Monumento aos Bravos da Revolução Liberal de 1842

Uma atração extra de Santa Luzia é o Convento de Macaúbas, fundado pelos irmãos Manuel e Felix da Costa Soares em 1714. O convento, devido à proibição da existência de obras de ordem segunda em Minas, não era propriamente um convento mas sim uma casa de recolhimento. Só foi devidamente regulamentado no final do século XVIII. A instituição também foi visitada por Burton que anotou que a construção que visitara era de 1745 e não a primitiva de 1714 cujas ruínas ainda podiam ser vistas.[12]

Lá se educaram filhas ilustres de Diamantina, de Chica da Silva e do padre Rolim. Quando o inquieto padre inconfidente foi para o degredo, sua mulher e filhos ficaram morando numa casa na entrada do convento. Ao regressar ao Brasil devidamente indultado, ele os recolheu, voltou para Diamantina e viveu feliz até quase os noventa anos de idade, sobrevivendo à mulher e a alguns filhos. O mais interessante é que a mulher do padre Rolim, Quitéria Rita, era exatamente filha de Chica da Silva.

Um dos acontecimentos mais relevantes na vida do luziense do séc. XIX foi sua participação na Revolução Liberal de 1842 contra o governo Imperial, quando alguns moradores uniram-se aos revoltosos, comandados por Teófilo Ottoni, fazendo o seu quartel-general no próprio povoado - o solar Teixeira da Costa, localizado em frente à matriz e que ainda guarda as marcas de balas em suas janelas. Santa Luzia foi palco da batalha final desta revolução, sendo um Muro de Pedras utilizado como trincheira contra as tropas legalistas de Duque de Caxias, monumento que constitui, atualmente, parte de seu acervo histórico.

Com o fim da exploração do ouro, Santa Luzia tornou-se um importante centro comercial, ponto de parada dos tropeiros que vinham negociar e comprar mercadorias. Na rua do Comércio, no bairro da Ponte, existia um porto para os barcos que navegavam pelo Rio das Velhas, transportando mercadorias comercializadas em Minas Gerais. Assim, Santa Luzia passa a ser um ponto de referência do comércio, cultura e arte.

O imperador D. Pedro II, em visita a Santa Luzia em 1881, ficou hospedado no Solar da Baronesa, um centro de referência social e cultural do século XVI, localizado na Rua Direita, no Centro Histórico. A visita foi registrada, pelo imperador, através de desenho de um trecho do centro histórico da cidade. Esse desenho foi a prova histórica que concedeu ao município o título de Cidade Imperial.

Santa Luzia, por d. Pedro II – Diário do Imperador – v. 24/1a. parte – de 26.03 a 19.04/1881..

Crescimento econômico[editar | editar código-fonte]

A partir de 1880 a situação econômica luziense encontrou melhores perspectivas devido à construção de uma fábrica de tecidos, próxima a cidade. O potencial algodoeiro da região, o crescimento demográfico local e, consequentemente, a ampliação do mercado consumidor, foram fatores favoráveis ã instalação da "fábrica de Tecidos São Vicente" em Santa Luzia.

A situação internacional também contribui para o aparecimento de indústrias têxteis no Brasil, já que, em 1860, sua produção de algodão foi ampliada para exportar apara a Inglaterra, em substituição ao algodão norte-americano, cujas exportações foram interrompidas com a Guerra de Secessão. Com o fim da Guerra Civil, entretanto, as exportações norte-americanas retomaram seu lugar, acarretando uma queda da produção e exportação nacionais. Mas, ao que tudo indica, a abundância da matéria-prima a preços baixos, na década de 70, criou uma condição favorável para as manufaturas têxteis no Brasil.

Entretanto, a fábrica São Vicente não obteve o sucesso esperado nos seus primeiros anos de funcionamento. Problemas ligados à força motriz prejudicavam sua produção, provocando séria crise financeira. Em 1891, a fábrica foi vendida à Companhia Cedro e Cachoeira, de propriedade dos irmãos Mascarenhas, donos de uma série de indústrias têxteis na área do Rio das Velhas. Também os Mascarenhas lutaram para solucionar o problema da força motriz, só resolvido alguns anos depois. Então, sua produção foi ampliada, chegando a trabalhar com 100 teares e 150 operários. Nesse momento, porém, surgiu o problema da aquisição da matéria-prima com o término do "boom" algodoeiro na região, passando a fabrica a adquiri-la no Nordeste.

O algodão do Nordeste era transportado pelo vapor "Saldanha Marinho", fretado pela Companhia para levar tecidos e trazer algodão, ampliando, com isto, o seu mercado consumidor, viajando até Juazeiro. A navegação era feita não só no rio São Francisco como também no Rio das Velhas, chegando até Santa Luzia conforme o nível das águas. Nos períodos de seca, o Rio das Velhas não se prestava à navegação e o transporte era feito por tropas. Esse tipo de transporte, entretanto, foi abandonado em pouco tempo, pois em 1893 os trilhos da Estrada de Ferro Central do Brasil chegaram a Santa Luzia, e, logo depois, a Pirapora, passando a fabrica a receber e expedir mercadorias por ela, abandonando totalmente a precária navegação do Rio das Velhas.

O estabelecimento da Estação Ferroviária "Rio das Velhas", em Santa Luzia, foi de grande importância para a economia local. A parte baixa da cidade, localizada as margens dos trilhos e do rio, tomou novo impulso com o incremento da atividade comercial. Desenvolveram-se o comércio a varejo e atacado, esse ultimo encarregado das exportações para outras regiões, sobretudo os tecidos de algodão vendidos no norte do Estado.

A parte alta da cidade não foi tão beneficiada quanto a parte baixa. Manteve-se estagnada, sem melhorias urbanas ou comerciais, como relata o Jornal do Comércio de 1897[7] :

Cquote1.svg (...) mal calçada, mal iluminada, com ruas em ladeira e a certas horas do dia sem viva alma que por elas transite, parece uma cidade morta, uma verdadeira necrópole ... as casas particulares conservam-se fechadas, as comerciais com uma só porta aberta e com os patrões ou caixeiros assentados nos balcões,as famílias olhando para a rua através das venezianas, as ruas desertas(...) Cquote2.svg
Novo prédio do Fórum Desembargador Pedro Viana

Apesar do quadro decadente apresentado pelo jornal, a falta de movimento na cidade, naquela época, era um fato normal. Note-se que as atividades econômicas de caráter urbano eram insignificantes, pois a maioria da população vivia no meio rural, dedicando-se a atividades agropecuárias. A parte alta da cidade só teve certo desenvolvimento quando foram efetuados alguns melhoramentos urbanos, em 1913: instalação de luz elétrica, canalização de água potável, bondes elétricos comunicando o centro com o bairro da Estação Férrea, recebendo, assim, uma certa modernização que estimulou, de certa forma, as atividades industriais e comerciais.

O desenvolvimento econômico apresentado pelo município, a partir da segunda metade do século passado, transformou um pouco a fisionomia da cidade, que sofreu acentuado crescimento urbano, mas soube, entretanto, preservar grande parte de sua memoria colonial. Na parte alta da cidade, a mais antiga e tradicional, persistem monumentos de grande valor histórico enfeitando as ruas tortuosas e íngremes, como a capelinha do Bonfim, igreja do Rosário, a matriz, a casa da Baronesa, o solar Teixeira da Costa (mais conhecido como Quartel dos Revoltosos), e muitos outros.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Situada à 18 km de Belo Horizonte, Santa Luzia está localizada de forma estratégica na Região Metropolitana, próxima aos aeroportos de Confins e da Pampulha. Dispõe de linha férrea e gasoduto subterrâneo. Santa Luzia é o 4º polo Industrial da Grande BH e ocupa o décimo terceiro lugar entre as cidades mais populosas de Minas Gerais. O município possui três vias de acesso com portais: via MG-020 ou Avenida das Indústrias; via MG-010 e MG-433 via São Benedito e via BR-381, através da Avenida Beira Rio. Os portais marcam o limite com com Belo Horizonte e Sabará e dão identidade ao município, além de fazerem parte do sistema de segurança.

Região Metropolitana[editar | editar código-fonte]

O intenso processo de conurbação atualmente em curso na chamada Grande BH vem criando uma metrópole cujo centro está em Belo Horizonte e atinge os municípios de Contagem, Betim, Igarapé, Nova Lima, Ribeirão das Neves, Santa Luzia, Ibirité, Vespasiano e Sabará. A Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) foi criada no ano de 1973 e atualmente é constituída por 34 municípios, sendo a terceira maior aglomeração urbana do Brasil, com 4 882 997 habitantes.[13] Seu Produto Interno Bruto (PIB) somava em 2005 cerca de 62,3 bilhões de reais, dos quais aproximadamente 1,85% pertenciam ao município de Santa Luzia.[14]

Geologia e hidrografia[editar | editar código-fonte]

Rio das Velhas, em Santa Luzia.

Situado na Depressão de Belo Horizonte, uma das três províncias geomorfológicas da Grande BH, o município de Santa Luzia tem uma paisagem típica caracterizada por colinas côncavo-convexas e fundos de vales extensos, formados por depósitos aluvionais.

O município tem a altitude média de 750 metros. O ponto culminante do município está na Serra da Piedade, na divisa com Sabará, no extremo sudeste, podendo atingir 1 200 metros. A altitude mínima se encontra na foz do Rio Taquaraçu, com 650 metros, no extremo norte.[15] O núcleo urbano, constituído por dois segmentos distintos, assentou-se sobre o fundo do vale do Rio das Velhas (parte baixa da cidade) e no topo das colinas (parte alta), apresentando, devido ao relevo acidentado e á diferença de nível entre os dois pontos, fortes declividades de 10 a 25% e superior a 25%, em algumas áreas.

Possui vasta rede hidrográfica, pertencente à bacia do Rio das Velhas, principal curso d'água que atravessa o município e o divide ao meio. Este sofre gravemente com a degradação ambiental, pois ao passar por Santa Luzia, o rio já recebeu os seus afluentes Ribeirão Arrudas e Onça, altamente poluidos por receberem uma grande parte de esgoto in natura de Belo Horizonte e Contagem, pois suas estações de tratamento de esgoto ainda não operam em capacidade total. Os principais cursos d'água no município, são: os ribeirões Baronesa, da Mata, os córregos do Grajaú, da Calçada, Tenente, Maquiné, Bicas e o rio Taquaraçu. O município possui quatro pequenas e médias estações de tratamento de esgoto operando, e está sendo construída uma de grande porte garantindo 100% do tratamento de esgoto. O sistema de abastecimento de água tratada, coleta de esgoto sanitário e todas estações são operadas pela Copasa.[16]

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima luziense é caracterizado tropical com estação seca (Aw, segundo Köppen), próximo do clima subtropical úmido (ou tropical de altitude - Cwa) com diminuição de chuvas no inverno e temperatura média anual de 21,45 °C, tendo invernos secos e amenos (raramente frios) e verões chuvosos com temperaturas moderadamente altas. Os meses mais quentes, fevereiro e março, contam com temperatura média de 23,4 °C. E o mês mais frio, junho, de 18,0 °C. Outono e primavera são estações de transição.[17]

A precipitação média anual é de 1477,3 mm, sendo junho o mês mais seco, quando ocorrem apenas 7,8 mm. Em dezembro, o mês mais chuvoso, a média fica em 333,8 mm.[17]

Dados climatológicos para Santa Luzia
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima média (°C) 28,8 29,2 29,2 28 26,5 25,5 26 27,1 28 28,4 28,3 28 27,7
Temperatura mínima média (°C) 18 18,1 17,3 15,6 12,7 10,6 10,3 12,9 14,6 16,7 17,4 17,8 15,2
Precipitação (mm) 276,3 200,1 161,8 70,6 23,3 12,8 7,8 9,5 48,2 118,1 215 333,8 1 477,3
Fonte: Tempo Agora (médias climatológicas entre 1961 e 1990) [17]


Demografia[editar | editar código-fonte]

O início da ocupação de Santa Luzia data de 1692, mas seu grande crescimento populacional só aconteceu no século XX, com a o desenvolvimento de Belo Horizonte e a confirmação das cidades vizinhas como periferia da capital. O crescimento foi intensificado principalmente no Distrito de São Benedito, nos anos 50 com aprovação dos bairros São Benedito e São Cosme, impulsionados talvez pela tentativa do Estado de criar em Santa Luzia uma Nova Cidade Industrial, maior que a já existente em Contagem, porém esse projeto não vingou bem por questões políticas e geográficas. Mas isso não desanimou a ocupação, pois nos anos 80 foram criados dois grandes conjuntos habitacionais, o Cristina e o Palmital, que juntos formavam o maior conjunto habitacional da América Latina.

Evolução demográfica de Santa Luzia (1940-2013), em hab.[18] [19] [20] [21] [4]


Política[editar | editar código-fonte]

Câmara Municipal.

Com a elevação a vila, Santa Luzia deveria construir o prédio da câmara de acordo com as exigências previstas na lei de formação de município, não conseguido construir, em três anos a vila foi extinta e anexada a Sabará. Com o tempo foram vencidas as dificuldades e o município se fortaleceu. Um dos promissores políticos de Santa Luzia foi o Barão de Santa Luzia. Santa Luzia foi berço de vários políticos mineiros, como o senador Modestino Gonçalves.

O Poder Executivo da cidade de Santa Luzia é representado pelo prefeito e seu gabinete de secretários, em observância ao disposto na Constituição Federal.[23] A Lei Orgânica do Município, criada em 16 de agosto de 2000, é a lei maior do município.[24]

O Poder Legislativo é representado pela câmara municipal, composta por 13 vereadores eleitos para cargos de quatro anos (em observância ao disposto no artigo 29 da Constituição, que disciplina um número máximo de 21 para municípios com mais de cento e sessenta mil e menos de trezentos mil de habitantes).[23] Em 2011, a Emenda a Lei Orgânica nº 01/2011 aumentou o número de cadeiras para dezessete a ser fixado a partir de 2013.[25]

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Santa Luzia possui uma área de 233,759 km² e subdivide-se em Sede, que se dá a categoria de cidade, e o distrito de São Benedito. A Sede de acordo com o plano diretor se divide-se em Parte Alta, Parte Baixa, Zona de Expansão Urbana e Zona Rural.

Bandeira de Santa Luzia Bairros e distritos de Santa Luzia

Santa Luzia, Minas Gerais, Brasil Bandeira de Santa Luzia Bandeira de Minas Gerais Bandeira do Brasil

Sede - Parte Alta


Centro | Camelos | São Geraldo | Alto Bela Vista | Adeodato | Esplanada | Capitão Eduardo | Bonanza | Vila das Mansões | Santa Monica | Jardim Santa Cruz | Boa Esperança | Moreira | Idulipê | Córrego das Calçadas | Santa Matilde | Córrego Frio | Petrópolis | Imperial | Industrial Americano | Colorado | Kennedy | Bom Jesus | Maria Adélia | Parque Nova Esperança | Recanto do Olaria | Retiro do Recreio

Sede - Parte Baixa


Ponte Grande | Ponte Pequena | São João Batista | Rio das Velhas | São Francisco | Alto do Tanque | Nossa Senhora das Graças | Novo Centro | Monte Carlo | Morada do Rio | Vila Olga | Vila Íris | Gameleira | Bicas | Santa Rita | Vale das Acácias | Dona Rosarinha | Padre Miguel | Bagaçu | Vila Ferraz | Carreira Comprida | Frimisa

São Benedito


São Benedito | Palmital | Cristina | Belo Vale | Londrina | Asteca | São Cosme | São José | Chácaras Santa Inês | Chácaras Del Rey | Chácaras Gervásio Lara | Vila Nova Esperança | Nova Conquista | Três Corações | Castanheiras | Baronesa | Luxemburgo | Duquesa I | Duquesa II | Liberdade

Zona de Expansão Urbana


Ribeirão da Mata | Barreiro do Amaral | Santa Helen | Pinhões | Casa Branca | Bom Destino | Simão da Cunha | Maquiné

Zona Rural


Taquaraçu de Baixo | Engenho | Andrequicé


Distritos


São Benedito

Santaluziapolitico.png

Economia[editar | editar código-fonte]

Santa Luzia possui uma vocação econômica antiga, graças ao ciclo do ouro, muito abundante na região. A extração de ouro fez a cidade se fortalecer economicamente nos primeiros 100 anos. Mas com o fim do ciclo do ouro a cidade se viu fadada a agropecuária, mas se mantendo estabilizada como entreposto comercial. Novas expectativas surgiram com construção de uma fábrica de tecidos e a construção da Estrada de Ferro Central do Brasil. A partir de 1950, com a decisão do governo de fortalecer a capital Belo Horizonte, assim como as áreas vizinhas, principalmente com a atividade industrial, a cidade teve um crescimento industrial e populacional.

Frimisa após um grande incêndio em 1955.

A construção do maior frigorífico da América Latina, o FRIMISA, inaugurado por Juscelino Kubitschek, onde onde hoje se está instalado o centro administrativo de Santa Luzia, trouxe fama e mais indústrias. A Companhia Frigoríficos Minas Gerais S.A.(Frimisa) foi autorizada pela Lei nº 833, de 17 de dezembro de 1951. Seu objetivo era a construção e exploração de uma rede de matadouros e armazéns frigoríficos destinados à industrialização da carne e de produtos derivados. A diversidade de interesses regionais e a ausência, em Minas, de tradição de empresariamento por intermédio de companhias por ações, não obstante a presença do Estado como avalista maior do investimento, foram fatores que dificultaram a implantação rápida da empresa. Sua regulamentação só ocorreu em abril de 1953, por meio do Decreto nº 3.981, e só entrou em funcionamento efetivo em 1959. No mês de agosto de 1955, irrompeu um violento incêndio. Após verificados os prejuízos advindos desse sinistro, o frigorífico adotou medidas que a colocaram como empresa pioneira das políticas de prevenção.

Para atrair investidores no município, a prefeitura municipal adotou a política de incentivos fiscais, como a alíquota de 2% do ISSQN. Nos cinco distritos industriais estão instaladas diversas empresas de vários segmentos de mercado. Nos últimos anos, a taxa de crescimento da cidade foi de 13% e o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 78%. Este crescimento é reflexo de uma política voltada para o desenvolvimento econômico e social, ou seja, investir na geração de empregos, no atendimento social e na preservação da identidade cultural do município.

Por se uma cidade polinucleada, o município não possui uma localidade com característica de centro econômico, as atividades estão localizadas em bairros polos, sendo que no distrito de São Benedito está concentrada a maior atividade comercial, sendo muitas vezes confundido com sendo o centro por pessoas que não conhecem a cidade direito.

Distritos industriais[editar | editar código-fonte]

Plano de implantação da Nova Cidade Industrial

Com o plano de fortalecer Belo Horizonte, o Governo estadual, no início da década dos anos cinquenta, criou o Distrito Industrial de Santa Luzia. De forma geral, os objetivos da sua implantação e localização inserem-se no mesmo contexto que explica a criação da Cidade Industrial de Contagem. Entretanto, este Distrito somente foi planejado e organizado internamente em 1973. Sua proposta de planejamento previa a reserva de área para implantação de oficinas de reparos e manutenção, para implantação de atividades de prestação de serviços ( comércio, bancos ), para uso residencial, para recreação e demais usos : escolas,administração, saúde, etc. Entretanto, esta proposta não foi concretizada ocorrendo tão somente os assentamentos industriais.

Em Contagem, a escolha se deu, principalmente, pela facilidades de transporte e de suprimento de energia elétrica, enquanto que em Santa Luzia, ao lado das boas condições viárias , pesou bastante a existência de fontes de matéria-prima na região. Entretanto, o dimensionamento desses dois Distritos foi determinado de forma assistêmica. Prova disto é a grande extensão de área declarada de utilidade pública para fins de desapropriação em Santa Luzia - cerca de 21 km², grande parte da qual foi considerada inaproveitável para fins industriais , em estudo encomendado pela CDI-MG em 1973. Esse estudo foi elaborado levando-se em consideração a área já de domínio público, a existência de indústrias em funcionamento e o papel a ser desempenhado por Santa Luzia na Região. Os fatores básicos da seleção preliminar, nesse novo estudo, foi a topografia dos terrenos, a distância ao Rio das Velhas, as cotas de inundação, a possibilidade de abastecimento de água, dimensão, grau de urbanização, suporte do solo e facilidades de transporte. Em 1950, Santa Luzia representava 1,1 % do volume de produção industrial regional, passando a responder, em 1970, por 3,6 % da produção metropolitana.

O Distrito Industrial de Santa Luzia, constituído por 4 glebas que totalizam cerca de 8.700.000 m² numa faixa de aproximadamente 1.800 m de ambos os lados do talvegue do Rio das Velhas localizadas no município de Santa Luzia, Nordeste da Região Metropolitana de Belo Horizonte, é delimitado ao Norte pelo Córrego do Inferno, e ao Sul, pela rodovia BR-381. Antes mesmo de qualquer plano global de organização interna, a área onde se situam ps distritos Industriais de Santa Luzia já abrigava algumas indústrias que ali se instalaram graças às condições locacionais favoráveis da microrregião. A disponibilidade de levantamento planialtimétrico dessa microrregião, em escala adequada, tornou possível a seleção das quatro glebas com potencialidades para implantação de Distritos Industriais.

Considerados os fatores restritivos, como declividade máxima dos terrenos, tamanho, mínimo dos lotes industriais, possibilidade de inundações, infraestrutura existente e características geológicas, as quatro glebas potenciais resultantes foram denominadas DI-1, DI-2, DI-3 e DI-4.

DI-1 - Distrito Industrial Simão da Cunha, Implantado em 1973, distante 11 km do centro de Santa Luzia, com uma área total de 2.844.525,00 m². Possui 34 empresas, na maioria de pequeno e médio portes. Está localizado à margem esquerda da BR-381. Parte desse distrito se situa em Sabará.

DI-2 - Distrito Industrial da Avenida das Indústrias, implantado em 1973, com área 2.989.353 m². O distrito é ocupado por 15 empresas, algumas de grande porte.

DI-3 - Distrito Industrial da Rodovia MG-145 (Atual Avenida Oswaldo Ferreira), situado a 3 km do centro histórico de Santa Luzia foi implantado em 1973. Tem uma área total de 1.288.080,00 m².

DI-4 - Distrito Industrial de Carreira Comprida foi implantado em 1973, distante 5 km do centro histórico de santa Luzia junto à Avenida Ângelo Teixeira da Costa no bairro de Carreira Comprida, com área total de 1.577.272,00 m². O distrito tem 13 empresas instaladas.

Dentro do município há outros locais onde se aglomeram industrias, mas não fazem parte dos distritos industriais existentes.

Estrutura urbana[editar | editar código-fonte]

Saúde[editar | editar código-fonte]

O Hospital São João de Deus.

Santa Luzia possuía no ano de 2009 61 estabelecimentos de saúde, sendo 22 deles privados e 39 municipais entre hospitais, pronto-socorros, postos de saúde e serviços odontológicos. A cidade possui ainda cerca de 96 leitos para internação em estabelecimentos de saúde.[26] Existe um único hospital geral, o Hospital São João de Deus, sendo este filantrópico. Santa Luzia conta ainda com 49 auxiliares de enfermagem, 42 cirurgiões dentistas, 171 clínicos gerais, 21 cirurgiões gerais, 86 enfermeiros, 33 pediatras, 26 gineco-obstetras e 230 distribuídos em outras categorias, totalizando 658 profissionais de saúde. No ano de 2008 foram registrados 2 932 de nascidos vivos, sendo que 7.8% nasceram prematuros, 45,1% foram de partos cesáreos e 18.3% foram de mães entre 10 e 19 anos (0,5% entre 10 e 14 anos). A Taxa Bruta de Natalidade é de 12,9.[27]

Educação[editar | editar código-fonte]

O fator educação do IDH no município atingiu em 2000 a marca de 0,871 – patamar consideravelmente elevado, em conformidade aos padrões do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). [28]

A cidade de Santa Luzia, em 2009, contava com aproximadamente 34 582 matrículas e 53 instituições do ensino Fundamental; 8 093 matrículas e 19 instituições do ensino Médio.[29] Para aumentar ainda mais a qualidade da educação luziense, a prefeitura organizou alguns projetos de alfabetização e inclusão social. Um deles é o ProJovem Urbano – Programa Nacional de Inclusão de Jovens: Educação, Qualificação e Participação Cidadã, que visa promover a reintegração ao processo educacional de jovens entre 18 e 29 anos, que sabem ler e escrever, mas não concluíram o ensino fundamental. Além disso, promover a qualificação profissional e o desenvolvimento humano, tendo como valor a sua formação integral.[30] O município ainda conta com algumas instituições de ensino superior. São algumas delas Instituto Federal Minas Gerais IFMG (Funciona no antigo CAIC do bairro Londrina), Faculdade de Santa Luzia - FACSAL; Universidade Norte do Paraná (UNOPAR), Centro Universitário Internacional UNINTER Grupo Educacional Uninter, dentre outras.

Ônibus metropolitano em Santa Luzia.

Habitação, serviços e comunicação[editar | editar código-fonte]

No ano de 2010, segundo o IBGE, a cidade tinha 58 332 domicílios entre apartamentos, casas, e cômodos. Desse total 49 074 eram imóveis próprios, sendo 42 350 próprios já quitados (72,6%), 6 724 em aquisição (11,53%) e 6 451 alugados (11,06%); 2 497 imóveis foram cedidos, sendo 359 por empregador (0,62%) e 2 138 cedidos de outra maneira (3,67%). 310 foram ocupados de outra forma (0,53%).[31] Grande parte do município conta com água tratada, energia elétrica, esgoto, limpeza urbana, telefonia fixa e telefonia celular. Naquele ano, 97,61% dos domicílios eram atendidos pela rede geral de abastecimento de água; 96,77% das moradias possuíam coleta de lixo.[31] Atualmente, o lixo de Santa Luzia é jogado a poucos metros do leito do Rio das Velhas, em um aterro controlado no bairro Barreiro do Amaral.

O abastecimento de água é feito pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). Já o serviço de fornecimento de energia elétrica é feito pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). No ano de 2003 existiam 50 552 de consumidores e foram consumidos 242 671 478 de KWh de energia.[15] O índice por área de discagem direta a distância (DDD) é de 031. Há fácil acesso à internet em algumas partes da cidade. Santa Luzia foi escolhida uma das 100 primeiras cidades que serão atendidas pelo Programa Nacional de Banda Larga (PNBL).[32] Santa Luzia conta ainda com alguns jornais. No ano de 2000 eram 3 no total,[15] destacando-se o Muro de Pedras e o Leia Agora. Também há uma rádio comunitária.

Transporte[editar | editar código-fonte]

Avenida Brasília, uma das vias mais movimentadas da cidade.

O setor dos transportes é administrado pela Secretaria de Seguranca Pública Trânsito e Transportes. O Sistema de Transporte Coletivo de ônibus abrange aproximadamente 75 linhas intra e intermunicipais exploradas por uma única empresa.

Em 2010, a frota de veículos atingiu a marca de 55 257 veículos.[33] A frota de carros tem crescido a taxas que variam de 11% ao ano e esse crescimento só perde para o número de motos na cidade, que registra um crescimento médio de 14,5% ao ano.[33] Proporcionalmente, Santa Luzia tem uma das quinze maiores proporções de veículo por habitante de Minas Gerais: 1 veículo para cada grupo de 3,6 habitantes (em São Paulo, estima-se um veículo por 1,78 habitante; Brasília tem 1 veículo por 2,4 habitantes e o Belo Horizonte 1 veículo por 2,4 habitantes). Enquanto os ônibus costumam andar lotados com até cem passageiros, os carros costumam circular vazios. A utilização de bicicletas como meio de transporte também é bastante reduzida por falta de investimentos em campanhas educativas e por falta de segurança ao ciclista em vários pontos da cidade, principalmente na ligação entre distrito de São Benedito e Sede da cidade.

A Região Metropolitana de Belo Horizonte possui três aeroportos. O Aeroporto de Confins (Aeroporto Internacional Tancredo Neves), construído na década de 1980, é um dos mais modernos do Brasil e capaz de receber cinco milhões de passageiros por ano com conforto e comodidade. O Aeroporto Industrial de Confins opera desde agosto de 2006, com a produção voltada para a exportação.[34] Há também dentro do município um pequeno aeródromo particular localizado na divisa com Sabará. Em 7 de junho de 2014, o bairro São Benedito inaugurou um terminal metropolitano do BRT de Belo Horizonte.

Cultura e lazer[editar | editar código-fonte]

Tradições e Patrimônio histórico[editar | editar código-fonte]

Centro histórico.

Por ser uma cidade colonial, Santa Luzia possui um patrimônio histórico, pequeno, mas interessante. A comunidade também tem mostrado seu esforço na manutenção das coisas antigas da gloriosa cidade, procurando preservá-las em museus instalados em antigos casarões, no centro histórico. Santa Luzia é uma cidade voltada para o turismo religioso, pois mantém viva a cultura popular através de festas religiosas como: Nossa Senhora do Rosário, Folia de Reis e a padroeira da cidade, Santa Luzia. Faz parte do circuito da Estrada Real, porém não tem trechos da mesma dentro do seu limite. Vem se destacando também no município o turismo de eventos e o turismo rural.

  • Igreja Matriz de Santa Luzia: Erguida no topo da rua Direita, no qual é possível se ver de várias partes da cidade, tem seu no seu interior acabamento barroco, com algumas obras citadas como feitas por Mestre Ataíde, seu exterior foi totalmente desconfigurado no início do século 20.
  • Igreja de Nossa Senhora do Rosário: Templo erguido pela irmandade dos negros nos primórdios do arraial. Em meados do séc. XVIII recebeu melhorias com apoio dos homens brancos filiados à confraria dos negros.
  • Capela de Nosso Senhor do Bonfim: Construída na confluência das ruas Direita, Floriano Peixoto e do Bonfim, possui um único retábulo dedicado ao Senhor do Bonfim, cuja imagem, em tamanho natural, é de rara beleza.
  • Solar da Baronesa: Edificado entre o final do séc. XVIII e início do XIX, para abrigar a família do 1º Barão de Santa Luzia, Manuel Ribeiro Viana, Tenente Coronel, Comendador, comerciante, vereador, acionista fundador do Banco do Brasil e sua esposa Maria Alexandrina de Almeida, grandes beneméritos desta cidade. Em 1881 hospedou D. Pedro II e sua comitiva em viagem por Minas Gerais. Em seu interior encontra-se decoração nos estilos Rococó e Neoclássico e um lindo retábulo consagrado a Nossa Senhora das Dores.
  • Muro de Pedras: Região onde foi palco da última batalha da Revolução Liberal de 1842, possui um conjunto de trincheiras feitas com pedras da região. Possui um obelisco de homenagem aos que lutaram e deram suas vidas por seus ideais, possui também um mirante, que apesar de não estar em um topo muito alto, possui alcance de visão, podendo ver até os arranha-céus de Belo Horizonte encravados na Serra do Curral.
  • Mosteiro de Macaúbas: Instituição religiosa fundada em 1714 por Félix da Costa, natural de Alagoas, que inicia a construção da Ermida dedicada à devoção de Nossa Senhora da Conceição, e de um pequeno prédio anexo, às margens do Rio das Velhas. Foi o 1º Colégio Feminino da região, de grande prestígio protegido por Ato Régio de 1789, pela Rainha de Portugal D. Maria I. Em 1933, o Colégio foi fechado nascendo o Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição de Macaúbas.
  • Solar Teixeira da Costa: Um dos casarões mais belos do período colonial, erguido no séc. XVIII pelo vigário luziense, Manoel Pires de Miranda. Em 1842, serviu de quartel-general dos bravos “Luzias”, forças rebeldes do império, durante a Revolução Liberal. Posteriormente foi ocupado pelas tropas legalistas vitoriosas do Barão de Caxias. Em meados do séc. XIX foi adquirido pela Baronesa de Santa Luzia funcionando como “Casa de São João de Deus”. No final do séc. XIX passou a pertencer à família Teixeira da Costa, nela residindo o importante Senador do Congresso Mineiro Manoel Teixeira da Costa. Atualmente pertence à municipalidade, abrigando a “Casa de Cultura” e o “Museu Aurélio Dolabella”.

Esporte[editar | editar código-fonte]

Santa Luzia possui vários times de futebol, em sua grande maioria times amadores. Somente nos últimos anos a cidade teve dois representantes profissionais, o União Luziense Esporte Clube e o Arsenal Atividades Desportivas Sport Club. O União Luziense disputou em 2008 o Campeonato Mineiro de Futebol Módulo II, o Arsenal disputou em 2010 o Campeonato Mineiro de Futebol da Segunda Divisão. O Santa Cruz Esporte Clube é dos times mais antigos da cidade e foi muito prestigiado nos anos 50 e 70 e contou com jogadores consagrados em times profissionais como Nívio Gabrich que jogou no Clube Atlético Mineiro.[35]

O principal estádio da cidade é o Estádio do Frimisa, no bairro Frimisa, que tem capacidade máxima de 3 200 espectadores, sendo que este é muito utilizado para jogos de times da capital nas categorias de base. O estádio também foi usado em 2011 para a jogos do Minas Locomotiva, equipe de Belo Horizonte, na Liga Brasileira de Futebol Americano.[36]

Está instalado em Santa Luzia Centro de Treinamento da Categoria de Base do América Futebol Clube (Minas Gerais).

O município vem ganhando um destaque no automobilismo, pois está instalado nele o Mega Space, único autodrómo mineiro licenciado, que possui uma pista de asfalto de 2 600 metros e pista de arrancada, além de um grande espaço para eventos. Já sediou uma etapa Pick-Up Racing.

Um outro nome de destaque no esporte da cidade é a jogadora de volei Fabiana Claudino, que atualmente joga no site do Sesi-SP. Iniciada em escolinhas da cidade, rapidamente conquistou vaga no Minas Tenis Clube, da capital mineira. Conquistou duas medalhas de ouro em jogos olímpicos (Pequim 2008 e Londres 2012), além de dois vice-campeonatos mundiais e quatro títulos do Grand-Prix. Em clube, conquistou diversas Superligas, jogando em times de Minas e do Rio. É católica praticante, e sempre que vem à cidade não deixa de visitar o Santuário de Santa Luzia.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 20 mai. 2011.
  3. Urbanização das cidades brasileiras. Embrapa Monitoramento por Satélite. Página visitada em 25 de Março de 2012.
  4. a b c Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (31 de agosto de 2013). Estimativas da população residente nos municípios brasileiros com data referência em 1º de julho de 2013 (PDF). Página visitada em 31 de agosto de 2013.
  5. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2013). Página visitada em 1 de agosto de 2013.
  6. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2006-2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 16 de dezembro de 2012.
  7. a b c d Circuito de Santa Bárbara: região de Santa Bárbara. Atlas dos monumentos históricos e artísticos de Minas Gerais. Fundação João Pinheiro (1981). Página visitada em 14 de outubro de 2011.
  8. Arquivo Publico Mineiro (18 de mar. de 1847). Eleva à vila a freguesia de Santa Luzia do município de Sabará.. Página visitada em 01 ago. 2011.
  9. Arquivo Publico Mineiro (30 de abr. de 1856). Restaura a vila de Santa Luzia, marca os limites do seu município, e o incorpora à comarca do Rio das Velhas.. Página visitada em 01 ago. 2011.
  10. Arquivo Publico Mineiro (14 de mai. de 1858). Eleva a vila de Santa Luzia à categoria de cidade.. Página visitada em 01 ago. 2011.
  11. IBGE (06 out. 2006). Histórico de Santa Luzia. Página visitada em 24 jul. 2011.
  12. Mosteiro de Macaúbas tem 16 freiras com vocação para vida na clausura, Estado de Minas
  13. Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  14. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (19 de dezembro de 2007). Produto Interno Bruto dos Municípios 2002-2005.
  15. a b c Cidades.Net. Santa Luzia - MG. Página visitada em 11 de março de 2012.
  16. Copasa. Projeto da nova ETE é apresentado a Santa Luzia. Página visitada em 11 de março de 2012.
  17. a b c Tempo Agora. Climatologia de Santa Luzia - MG. Página visitada em 26 de fevereiro de 2012.
  18. Evolução Populacional Santa Luzia. Censos de 1980, 1991, 2000 e 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Página visitada em 31 de julho de 2011.
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  20. Estimativas para 1º de julho de 2011. Estimativas para 1º de julho de 2011. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1º de julho de 2011). Página visitada em 8 de outubro de 2011.
  21. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (31 de agosto de 2012). Estimativas da população residente nos municípios brasileiros com data referência em 1º de julho de 2012 (PDF). Página visitada em 31 de agosto de 2012.
  22. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1º de julho de 2013). Estimativas da população residente nos municípios brasileiros com data em 1º de julho de 2013. Página visitada em 18 de outubro de 2013. Cópia arquivada em 9 de setembro de 2013.
  23. a b DJI. Constituição Federal - CF - 1988 / Art. 29. Página visitada em 18 de fevereiro de 2011.
  24. Câmara Municipal de Santa Luzia. Lei Orgânica do Município de Santa Luzia. Página visitada em 22 de outubro de 2011.
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  26. Cidades@ - IBGE (2009). Luzia Serviços de Saúde 2009 (em Português). Página visitada em 14 de março de 2012.
  27. DATASUS. Caderno de Informações de Saúde - Informações Gerais (xls) (em português). Página visitada em 14 de março de 2012.
  28. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 14 de março de 2012.
  29. Cidades@ - IBGE (2008). Luzia Santa Luzia - MG: Ensino - matrículas, docentes e rede escolar 2009 (em Português). Página visitada em 14 de março de 2012.
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  31. a b Cidades@ - IBGE (2010). Luzia Censo Demográfico 2010: Características da População e dos Domicílios: Resultados do Universo. Página visitada em 14 de março de 2012.
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  33. a b Cidades@ - IBGE (2010). [www.ibge.gov.br/cidadesat/xtras/csv.php?tabela=frota&banco=cidadesat&codmun=315780&nomemun=Santa Luzia Frota 2010]. Página visitada em 14 de março de 2012.
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  35. Santa Cruz do Bela Vista, em Santa Luzia, ganha capela de presente. Jornal Diário da Tarde. Futebol Amador de Minas (11 de maio de 2005). Página visitada em 9 de outubro de 2011.
  36. LBFA. Locomotiva vence Spartans e consegue primeira vitória. Página visitada em 11 de março de 2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]