Santa Margarida de Cortona

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Santa Margarida de Cortona, e cenas da sua vida como franciscana. Pintura em madeira, de autor anónimo, c. 1298, actualmente no Museu Diocesano de Cortona
Retrato de Santa Margarida de Cortona, c. 1298, pormenor de pintura em madeira, de autor anónimo, no Museu Diocesano de Cortona

Santa Margarida de Cortona (Laviano, Perugia, Itália, 1247 - Cortona, Itália, 22 de fevereiro de 1297 foi uma religiosa franciscana italiana.

Casa onde nasceu Santa Margarida de Cortona

Filha de camponeses pobres, ficou órfã de mãe aos 7 anos, e, ainda adolescente, viveu como amante de um nobre de Montepulciano, também adolescente como ela, de quem teve um filho. O assassinato do pai da criança em 1273, durante uma caçada, deixou-a como mãe solteira, abandonada tanto pela família do nobre como por seu pai e sua madrasta. Contam os seus biógrafos que o cão do amante regressou a casa e puxando a sua saia a levou a descobrir o local onde estava seu corpo. Estes acontecimentos levaram-na a confessar em público: "Em Montepulciano perdi a honra, a dignidade e a paz"[1] . Arrependeu-se da sua vida passada, dirigiu-se ao Convento Franciscano de Cortona[2] e aí encontrou apoio espiritual. Passados três anos de penitência, decidiu, em 1277, viver em pobreza como Irmã da Ordem Terceira Franciscana, e deixou seu filho entregue aos cuidados de outros franciscanos, em Arezzo. Entregou-se à oração e à caridade e conseguiu apoio para criação em 1278 de uma Confraria de Santa Maria da Misericórdia, uma espécie de hospital onde as mulheres, religiosas ou leigas, podiam assistir e cuidar de doentes, pobres e sem abrigo.

Depois da morte tornou-se popular o seu culto na cidade onde viveu até à morte. O Papa Leão X permitiu que a cidade de Cortona a recordasse com memória litúrgica no dia da sua morte - 22 de Fevereiro. Em 1623 o Papa Urbano VII estendeu essa autorização a toda a Ordem Franciscana, mas só a 16 de maio de 1728 foi oficialmente canonizada pelo Papa Bento XIII[3] .

Santa Margarida de Cortona, pintura de Gaspare Traversi (1722-1770)

A tradição religiosa católica recorda-a como protetora dos órfãos, mães solteiras, prostitutas, sem abrigo.

Nas pinturas em sua homenagem aparece com hábito de franciscana e um véu branco, às vezes com um cachorrinho aos pés, ou então como penitente, contemplando a Cruz de Cristo e uma caveira.

Na primeira metade do século XIX existiu em Lisboa uma instituição pública, na Cordoaria, com o título de Santa Margarida de Cortona[4] .

Em 1950 o realizador italiano Mario Bonnard dirigiu um filme, de carácter dramático e biográgico - Margherita da Cortona -, estreado em Portugal em 1954[5] .

Referências

  1. DAIX, Georges. Dicionários dos Santos. Lisboa: Terramar, 2000. ISBN 9789727102747.
  2. Diferente de Crotona, outra cidade italiana, na costa sul.
  3. Nos calendários litúrgicos católicos aparece a sua memória umas vezes no dia 22 de fevereiro, data da morte, e outras no dia 16 de maio, data da canonização. Em muitos calendários nem sequer é referida no dia 22 de fevereiro por ter precedência litúrgica a memória mais antiga da Cadeira de São Pedro em Antioquia.
  4. Era uma espécie de Casa de acolhimento para as prostitutas como refere o livro Da prostituição na cidade de Lisboa, publicado em 1841 pelo médico Francisco Inácio dos Santos Cruz - Da prostituição na cidade de Lisboa: ou Considerações historicas, hygienicas e administrativas em geral sobre as prostitutas, e em especial na referida cidade (e-Livro Google) - http://books.google.pt/books, visitado em 16 de fevereiro de 2014. No documento a grafia é Crotona.
  5. Em Portugal apresentado com o título de Margarida de Cortona e a estreia teve lugar a 21 de junho de 1954 - http://www.imdb.com/