Santo Amaro (distrito de São Paulo)

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Distrito paulistano de
Santo Amaro
Área 15,70 km²
População (74°) 60.373 hab. (2013)
Densidade 38,70 hab/ha
Renda média R$ 3.665,76
IDH 0,943 - muito elevado()
Subprefeitura Santo Amaro
Região Administrativa Centro-Sul
Área Geográfica 7 (norte) e 6 (sul)
Sp Santo Amaro.jpg
Distritos de São Paulo Bandeira da cidade de São Paulo.svg

Santo Amaro é um distrito da zona sul da cidade de São Paulo, SP, Brasil. Foi um município independente até ser incorporado por São Paulo em 1935. O distrito é delimitado pelas avenidas Roque Petroni Jr., Professor Vicente Rao e Marginal Pinheiros.

É a região da cidade onde houve a maior concentração de imigrantes alemães a partir de 1829. Em 1838, foi elevado a município, se desmembrando de São Paulo, e permaneceu assim até 1944, quando voltou a ser incorporado novamente por São Paulo. A partir de 1947, soma-se a parcela de europeus ligados a atividade industrial o constante fluxo migratório de nordestinos, que intensificaram o comércio do bairro.

Atualmente é o mais importante centro da região sul da cidade, sendo considerado, para esta e também para vários municípios vizinhos, mais importante que o centro da cidade de São Paulo. É, em boa parte composto por loteamentos de alto padrão, embora ainda haja certas regiões onde predomina o comércio popular, como o Largo 13 de Maio. Santo Amaro já foi o maior polo industrial da cidade de São Paulo, e hoje em dia é considerado o segundo maior polo comercial da cidade.

Possui atualmente, 4 universidades e 8 faculdades, 26 escolas de ensino fundamental municipais, 50 escolas estaduais e 65 escolas particulares. As de ensino médio somam 20 escolas estaduais e 41 particulares. A estrutura de cultural e de lazer conta ainda com 5 bibliotecas, 7 casas de cultura e o Teatro Paulo Eiró, em homenagem ao poeta local de maior projeção.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes: Missão de Ibirapuera[editar | editar código-fonte]

O primeiro registro de ocupação da região refere-se a uma missão jesuíta de índios guaianases chamada "missão do Ibirapuera". O nome, na língua tupi (ybyrá-puera), significa "pau podre", "árvore apodrecida". O aldeamento foi um dentre vários devastados pela varíola.[1]

Fundação[editar | editar código-fonte]

José de Anchieta, vindo do povoado de São Paulo de Piratininga, em uma das várias vezes que visitou a região, percebeu que, devido ao número de índios catequizados e colonos instalados na região, era possível constituir ali um povoado. Para esse fim, foi construída uma capela em terras do português João Paes e de sua esposa Suzana Rodrigues, os quais doaram à capela a imagem de Santo Amaro. A região de Santo Amaro foi, então elevada a paróquia em 1680[1] e transformada em freguesia em 1686.

Colonização alemã[editar | editar código-fonte]

No final do Primeiro Reinado, por ocasião do casamento de Dom Pedro I com Dona Amélia de Leuchtenberg, o primeiro grupo de colonos alemães veio se juntar ao povoamento daquela região. Data dessa época de pioneiros o cemitério da Colônia (alemã), em Parelheiros.

No final do século XIX e início do século XX, novos grupos de alemães (e também de escandinavos) dirigiram-se à região de Santo Amaro, estabelecendo-se preferentemente no bairro do Alto da Boa Vista, ao qual deram uma característica própria que persiste até os dias de hoje.

Município[editar | editar código-fonte]

Em 1832, Santo Amaro tornou-se município separado de São Paulo, sendo instalado em 7 de abril de 1833. O município, então, abrangia todo o território ao sul do córrego da Traição (hoje canalizado sob a avenida dos Bandeirantes), parte da Vila Mariana e da Saúde, todo o Ipiranga e Cursino, estendendo-se até a serra do Mar, incluindo as terras correspondentes aos atuais municípios de Itapecerica da Serra, Embu, Embu-Guaçu, Taboão da Serra, São Lourenço da Serra, Juquitiba, Mauá, São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Ferraz de Vasconcelos, Poá e Itaquaquecetuba e Suzano.

Em 1886, foi inaugurada a linha férrea de São Paulo a Santo Amaro, com a presença do imperador Pedro II. A antiga linha seguia desde pelo que hoje corresponde à Avenida da Liberdade, Rua Vergueiro, Rua Domingos de Morais e Avenida Jabaquara (o trajeto da atual Linha 1 do metrô). Ela então passava por trás de onde, mais tarde, seria construído o aeroporto de Congonhas, seguindo então para o centro do município. O plano original para construção da linha previa que ela fosse estendida até o povoado de São Lourenço da Serra[2] .

Essa linha de trens foi substituída, em 7 de julho de 1919, por uma linha de bondes, que do trajeto anterior desviava na Rua Domingos de Morais para a Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, seguindo pelas regiões de Indianópolis, Campo Belo, Brooklin Paulista e Alto da Boa Vista, dando origem ao que hoje são a Avenida Ibirapuera e a Avenida Vereador José Diniz.

Em 1899, foi inagurada a Santa Casa de Misericórdia de Santo Amaro e, em 1924, a igreja Matriz de Santo Amaro (atual catedral de Santo Amaro, pois em 30 de maio de 1989 o papa João Paulo II criou a diocese de Santo Amaro, desmembrando a região da arquidiocese de São Paulo).

Reincorporação[editar | editar código-fonte]

A inauguração do Aeroporto de Congonhas, em 1934, foi uma das razões pelas quais o decreto estadual número 6983, de 22 de fevereiro de 1935, determinou a extinção do município de Santo Amaro, incorporando-o ao município de São Paulo. (Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, o aeroporto Campo de Marte foi ocupado pelas tropas rebeldes, o que levou o Governo de Getúlio Vargas a procurar locais alternativos para o transporte aéreo em São Paulo.). Uma outra razão para que o município fosse reincorporado foi o endividamento do município, que acabou sendo pago por São Paulo.

A área do antigo município foi então subdividida nos subdistritos de Santo Amaro, Ibirapuera, Capela do Socorro, e no distrito de Parelheiros.

Movimentos emancipacionistas ocorridos nas décadas de 1950, 1970 e 1980, contudo, não conseguiram sensibilizar a população para que Santo Amaro fosse novamente elevado à condição de município.

Atualidade[editar | editar código-fonte]

O antigo município de Santo Amaro corresponde às atuais áreas 6 e 7 do município de São Paulo (sul e sudoeste), englobando os atuais distritos paulistanos de Santo Amaro, Campo Grande, Campo Belo, Campo Limpo, Capão Redondo, Vila Andrade, Jardim Ângela, Jardim São Luís, Socorro, Cidade Dutra, Grajaú, Parelheiros e Marsilac, Cidade Ademar, Pedreira, parte do distrito do Itaim Bibi, que, segundo a estimativa do IBGE para 2004, totalizavam uma população de aproximadamente 2.100.000 de habitantes, em uma área de 660 km², que corresponde a 43% do total da superfície do município de São Paulo.

O distrito de Santo Amaro, centro da Zona Sul de São Paulo, continua a exercer considerável influência sobre os moradores dos municípios que já pertenceram a seu território.

É curioso observar que em áreas de Parelheiros e de Marsilac ainda são encontradas aldeias de índios guaranis, descendentes dos indígenas das épocas jesuíticas.

A região de Santo Amaro concentra importantes indústrias, sobretudo na região localizada entre Santo Amaro e Jurubatuba, precisamente no distrito de Campo Grande.

Recentemente, grandes escritórios e sedes de bancos estabeleceram-se nas áreas próximas à Marginal do Rio Pinheiros.

Nesse distrito reside o Museu de Santo Amaro, cuja curadoria pertence ao CETRASA.

Referências

  1. a b Marcildo, Maria Luiza. A Cidade de São Paulo: povoamento e população, 1750-1850. São Paulo: Pioneira, 1973.
  2. Lei Provincial nr. 56, de 11 de maio de 1877
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