Sapo-comum
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Sapo-comum em Bensheim, Alemanha
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| Bufo bufo Linnaeus, 1758 |
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Mapa de distribuição de Bufo bufo
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O sapo-comum ou sapo-europeu (Bufo bufo) é uma espécie de sapo da família Bufonidae. Encontra-se distribuído por toda a Europa, com a excepção da Irlanda e algumas ilhas mediterrânicas. A sua área de distribuição estende-se até Irkutsk na Sibéria a este e até ao norte de África a sul, nomeadamente nas montanhas do norte de Marrocos, Argélia e Tunísia.
Os adultos podem atingir os 18 centímetros e a sua pele tem uma aparência verrugosa. Apresentam uma cor de pele que vai desde o verde até ao castanho. Como defesa contra predadores, segregam uma substância tóxica, de sabor desagradável. Esta substância é normalmente suficiente para deter a maior parte dos predadores. Apesar dos adultos passarem a maior parte do tempo em terra, as fêmeas migram para charcos e outras fontes de água parada para depositar os ovos. Estes diferem dos ovos das rãs porque formam longos fios ao invés de uma massa amorfa. Os ovos são depositados na Primavera, quando as fêmeas tentam regressar ao local onde nasceram. Os girinos são semelhantes aos de outras espécies exceptuando que a sua cabeça é maior, mais redonda e mais escura.
O sapo-comum alimenta-se de invertebrados como insectos, aranhas, lesmas e minhocas, que caçam com as suas línguas pegajosas. Os sapos caçam geralmente à noite, e são mais activos em dias húmidos.
Durante a migração para os locais de reprodução, muitos sapos são atropelados nas estradas. Em alguns locais, túneis especiais são construídos por baixo das estradas de maneira a que os sapos possam passar e algumas associações organizam patrulhas para ajudá-los a atravessar estradas movimentadas carregando-os em baldes.
Índice |
Taxonomia [editar]
Ao sapo-comum foi inicialmente dado o nome binomial Rana bufo pelo biólogo sueco Carolus Linnaeus na 10ª Edição do Systema Naturae em 1758.2 Nesta obra, colocou todas as rãs e sapos num único género, Rana. Mais tarde, tornou-se óbvio que o género deveria ser subdividido, e em 1768, o naturalista austríaco Josephus Nicolaus Laurenti colocou o sapo-comum no género Bufo, nomeando-o de Bufo bufo.3 4 Sapos neste género estão incluídos na família Bufonidae, os sapos verdadeiros.5
Várias sub-espécies de Bufo bufo foram reconhecidos ao longo dos anos. O sapo do Cáucaso pode ser encontrado nas regiões montanhosas do Cáucaso e foi a certo tempo classificado de Bufo bufo verrucosissima. Devido ao seu genoma maior e por diferenciar-se de Bufo bufo morfologicamente, é agora reconhecido como Bufo verrucosissimus.6 7 Bufo bufo spinosus encontra-se na região Mediterrânica. Cresce até a um tamanho maior e a sua pele tem mais espinhos que indivíduos localizados mais a norte e com os quais há intergradação.8 É agora aceite como Bufo spinosus.9 Bufo bufo gredosicola restringe-se à Sierra de Gredos, uma cordilheira no centro de Espanha. Tem glâdulas paratoides especialemente grandes e a sua cor tende a ser mais às manchas do que uniforme.10 É considerada sinónima de Bufo bufo.5
Bufo bufo faz parte de um complexo de espécies, um grupo de espécies relacionadas entre as quais a demarcação exacta não é clara.1 Acredita-se que várias espécies contemporâneas formam um grupo antigo de taxa relacionados de tempos pré-glaciais. Estes são Bufo spinosus), Bufo verrucosissimus e Bufo japonicus. O sapo-comum europeu (Bufo bufo) parece ter surgido mais tarde.6 Crê-se que a distribuição da forma ancestral estendia-se até à Ásia mas o isolamento entre o tipo oriental e ocidental ocorreu como resultado da maior aridez e desertificação no Médio Oriente durante o Mioceno médio.11 A relação taxonómica exacta entre espécies permanece pouco clara.6 Estudos serológicos de populações de sapos da Turquia realizados em 2001 examinaram as proteínas do soro sanguíneo de Bufo verrucosissimus e Bufo spinosus. Foi concluído que as diferenças entre as duas espécies não eram significativas e por isso a primeira deveria ser considerada sinónima da segunda.12
Um estudo publicado em 2012 examinou as relações filogenéticas entre espécies Euroasiáticas e do Norte de África no grupo Bufo bufo e indicou que o grupo tem uma longa história evolutiva. Bufo eichwaldi, uma espécie presente no sul do Azerbeijão e do Irão descrita recentemente, separou-se da linhagem principal entre nove e treze milhões de anos atrás. Divisões posteriores ocorreram quando Bufo spinosus se separou há cerca de cinco milhões de anos quando os Pirenéus se começaram a formar, um evento que isolou as populações da Península Ibérica das presentes no resto da Europa. As restantes linhagens europeias separaram-se em Bufo bufo e Bufo verrucosissimus há menos de três milhões de anos durante o Pleistoceno.13
Muito ocasionalmente o sapo-comum hibridiza com o sapo-corredor (Epidalea calamita, anteriormente B. calamita).14
Distribuição e habitat [editar]
O sapo-comum é o quarto anfíbio mais comum na Europa, a seguir à Rana temporaria, Pelophylax esculentus e o tritão-comum (Lissotriton vulgaris).14 Pode ser encontrado por todo o continente com excepção da Islândia, as regiões mais a norte da Escandinávia onde é demasiado frio, e certas ilhas mediterânicas. Estas incluem Malta, Creta, Córsega, Sardenha e as Ilhas Baleares. O limite oriental da sua distribuição é em Irkutsk na Sibéria e para sul, estende-se até partes do noroeste de África nas montanhas nortenhas de Marrocos, Argélia e Tunísia. Um variante relacionado vive no Extremo Oriente, incluindo no Japão.14 O sapo-comum habita em locais com altitude até 2500 metros na parte sul da sua área de distribuição. Habita principalmente em áreas florestadas com coníferas, árvores de folha caduca e bosques mistos, especialmente em localidades húmidas.15 Também ocupa ambientes rurais abertos, campos, parques e jardins, e frequentemente ocorre em zonas secas bastante longe de águas paradas.14
Comportamento [editar]
O sapo-comum movimenta-se normalmente a andar lentamente ou por pequenos saltos envolvendo as quatro patas. Passa a maior parte do dia escondido em abrigos escavados sob a folhagem ou debaixo de uma raiz ou de uma pedra onde a sua coloração os torne inconspícuos. Emerge ao crepúsculo e pode mover-se certa distância no escuro enquanto caça. Está mais activo em tempo húmido. De manhã terá já regressado à sua base e pode ocupar o mesmo local durante vários meses. É voraz e come bichos-de-conta, lesmas, escaravelhos, lagartas, moscas, minhocas e até pequenos ratos.16 17 Presas pequenas e rápidas podem ser apanhadas por um chicotear da língua enquanto que itens maiores são apanhados com as mandíbulas. Não tendo dentes, engole a comida inteira numa série de goles.16 Não reconhece as suas presas como tal, mas antes tentará consumir qualquer objecto pequeno, escuro e em movimento que encontre à noite. Um estudo mostrou que tentam agarrar um pedaço de papel preto de 1 cm como se fosse uma presa mas que não ligaria a peças em movimento maiores.18 Sapos parecem usar dicas visuais para alimentação e conseguem ver as suas presas a intensidades de luz muito baixas, tão baixas que humanos não conseguiriam discernir nada a essas intensidades.19 Periodicamente, o sapo-comum liberta a sua pele, que sai em farrapos e é depois consumida.16
Quando atacado, o sapo-comum adopta uma posição característica, inchando o seu corpo e colocando-se em pé com as patas traseiras levantadas e a sua cabeça baixa. O seu meio principal de defesa é a secreção de sabor acre produzida pela glândulas parotoides e outras glândulas na sua pele. Esta contém uma toxina chamada bufagin e é suficiente para deter muitos predadores embora a cobra-de-água-de-colar não pareça ser afectada por ela.14 Outros predadores de sapos adultos incluem ouriços, ratos e visons, e mesmo gatos domésticos.17 Aves que se alimentam de sapos incluem garças, gralhas e aves de rapina. Gralhas já foram observadas a perfurar a pele com o seu bico e depois retirar o fígado do animal, evitando assim ingerir a toxina.17 Os girinos também exudem substâncias nocivas que desencorajam que peixes os comam mas que não impede o tritão-de-crista. Invertebrados aquáticos que se alimentam de girinos de sapo incluem larvas de libelinha, escaravelhos da família Dytiscidae e percevejos da família Corixidae. Estes evitam geralmente as secreções nocivas perfurando a pele dos girinos e sugando os líquidos.17
Uma mosca parasita, Lucilia bufonivora, ataca sapos-comuns adultos. Deposita os seus ovos na pele do sapo e quando estes eclodem, as larvas rastejam para as narinas do sapo e comem a sua carne internamente com consequências letais.20 Sphaerium corneum é invulgar na medida em que trepa plantas aquáticas e se desloca no seu pé muscular. Por vezes agarra-se ao pé de um sapo-comum e julga-se que isto será uma maneira de se dispersar para outras localidades.21
Em 2007, investigadores que estavam à procura do monstro do Loch Ness, na Escócia, usando um veículo submarino operado remotamente, observaram um sapo-comum a saltar ao longo do fundo do lago a uma profundidade de 99 m. Ficaram surpreendidos por encontrar um animal que respira ar vivo a tais profundidades.22
Descrição [editar]
O sapo-comum pode alcançar os 15 cm de comprimento. As fêmeas são normalmente mais robustas que os machos e espécimes mais a sul tendem a ser maiores que os do norte. A cabeça é larga com uma boca grande abaixo do focinho terminal que tem duas pequenas narinas. Não têm dentes. Os olhos bolbosos e salientes têm íris de cor amarela ou avermelhada e pupilas com aberturas horizontais em forma de fenda. Por detrás dos olhos estão duas regiões bolbosas, as glândulas parótidas que estão posicionadas obliquamente. Contêm uma substância tóxica, bufotoxina, usada para deter potenciais predadores. A cabeça une-se ao corpo sem um pescoço visível e não têm saco vocal externo. O corpo é largo e achatado, e colocado rente ao chão. Os membros anteriores são curtos com os dedos das patas virados para dentro. Durante a época de reprodução, os machos desenvolvem almofadas nupciais nos primeiros três dedos, que usam para agarrar as fêmeas durante o acasalamento. Os membors posteriores são curtos em relação às de outras rãs e as patas posteriores têm dedos compridos e sem membrana interdigital. Não possuem cauda. A pele é seca e coberta com altos semelhantes a verrugas. A sua cor é castanho, castanho-dourado ou castanho-acizentado, por vezes parcialmente manchado ou com bandas de cor mais escuro. O sapo-comum tende a ser secualmente dimórfico com as fêmeas mais castanhas e os machos mais cinzentos.23 The underside is a dirty white speckled with grey and black patches.14 15
Outras espécies com o qual o sapo-comum pode ser confundido incluem o sapo-corredor (Epidalea calamita) e o sapo-verde-europeu (Pseudepidalea virdis). Aquele é normalmente mais pequeno e possui uma banda amarela ao longo das suas costas enquanto que o último tem um padrão pintalgado característico. As glândulas parótidas de ambos são paralelas em vez de oblíquas como as do sapo-comum.14 A rã-comum (Rana temporaria também é semelhante na aparência mas tem um focinho menos arredondado, pele húmida e macia e normalmente movimenta-se por saltos.24
Os sapos-comuns podem viver muitos anos e sabe-se que podem sobreviver cinquenta anos em cativeiro.25 Na natureza, pensa-se que vivam ente dez e doze anos. A sua idade pode ser determinada contando o número de anéis de crescimento nos ossos das suas falanges.26
Referências
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Ligações externas [editar]