Saquarema

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Município de Saquarema
"Capital Nacional do Surfe[1] "
Vista da Lagoa de Saquarema

Vista da Lagoa de Saquarema
Bandeira de Saquarema
Brasão de Saquarema
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 8 de maio
Fundação 8 de maio de 1841 (173 anos)
Gentílico saquaremense
Prefeito(a) Franciane Mello (PMDB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Saquarema
Localização de Saquarema no Rio de Janeiro
Saquarema está localizado em: Brasil
Saquarema
Localização de Saquarema no Brasil
22° 55' 12" S 42° 30' 36" O22° 55' 12" S 42° 30' 36" O
Unidade federativa  Rio de Janeiro
Mesorregião Baixadas IBGE/2008[2]
Microrregião Lagos IBGE/2008[2]
Municípios limítrofes Araruama, Maricá, Rio Bonito e Tanguá
Distância até a capital 100 km
Características geográficas
Área 354,675 km² [3]
População 74 221 hab. Censo IBGE/2010[4]
Densidade 209,26 hab./km²
Altitude 2 m
Clima tropical
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,762 (46º) – alto PNUD/2000[5]
PIB R$ 724 587,591 mil IBGE/2008[6]
PIB per capita R$ 10 678,78 IBGE/2008[6]
Página oficial
Commons
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Saquarema é um município brasileiro do estado do Rio de Janeiro situado na região dos Lagos.

História[editar | editar código-fonte]

Por volta do ano 1000, tribos indígenas de língua tupi provenientes das bacias dos rios Madeira e Xingu, na margem direita do rio Amazonas, ocuparam a maior parte do atual litoral brasileiro, expulsando os habitantes anteriores, falantes de línguas do tronco linguístico macro-jê, para o interior do continente. Quando os europeus chegaram à região de Saquarema, no século 16, esta estava ocupada pela nação tupi dos tamoios, também chamados tupinambás.[7]

Em 1530, dom João III, rei de Portugal, reconhecendo que o sistema de "excursões" para guardar as costas do Brasil exigia grandes sacrifícios e não apresentava resultados satisfatórios, devido à falta de portos onde se pudesse atracar com as embarcações para prover a colônia de mantimentos e homens, resolveu fundar uma colônia nas margens do Rio da Prata.

Para isso, organizou uma frota com duas naus, um galeão e duas caravelas e uma tripulação de aproximadamente 400 pessoas e tendo, como comandante, Martim Afonso de Sousa, com poderes extraordinários concedidos por dom João III através de uma carta régia datada de 20 de novembro de 1530. Dentre tais poderes, destacava-se o de tomar posse e colocar marcos em todo o território até a linha demarcada.

Saindo de Lisboa em 3 de dezembro de 1530, chegou à Baía de Todos-os-Santos em 13 de março de 1531, depois de ter se dividido. Uma parte da frota dirigiu-se ao norte. No dia 17 do mesmo mês, Martim Afonso de Sousa reiniciou a viagem indo em direção ao sul. Após contornar Cabo Frio, atracou em frente ao Morro de Saquarema (morro da Igreja de Nossa Senhora de Nazaré), no lugar onde hoje é a construção da Barra Franca.

Alguns tripulantes desembarcaram e foram entrar em contato com uma grande tribo de índios que obedeciam às ordens do chefe Sapuguaçu. Esses índios moravam em choças feitas de sapé ou tábua com uma porta em cada extremidade e sem repartimento no interior.

Os utensílios mais comuns eram:

"yni" – rede de dormir; "urupema" – peneira; "lyma" – fuso; "uru" – cesto pequeno com tampa; "ygaçaba" – talha cheia d’água; "camuty" ou "camucin" – pote de boca pequena; "yunduá' – pilão; "pyça" ou "puça" – rede de pescar; "urucu" ou "jity" – cesto de pescar; "pindayaba" – caniço; "yapara" e "uyba" – arco e flecha; "yagaras" – canoas feitas de um só tronco de árvore.

Os tamoios eram ótimos canoeiros. Remavam de pé a um compasso certíssimo, com o que ficaram maravilhados os europeus. Assavam peixes sobre brasa, ou então sobre um gradeado de madeira, a que se dava o nome de "mokaem" (moquém). Ao assado envolvido em folhas, chamavam "pokeka", hoje chamado de moqueca.

À carne e ao peixe pilado e misturado com farinha, davam o nome de "paçoka". Sua bebida preferida era feita de suco de caju que eles chamavam de "caium". Tinham sempre guardada, na choça, a farinha de mandioca – "carimã" e a usavam para fazer um bolo enroscado chamado "ubeiju", de onde vem o nome do beiju.

Gostavam da dança chamada de "poroce" e, nela, utilizavam ornamentos feitos de plumas de garças ou araras que eram o capacete chamado de "acangatara" e uma espécie de manto chamado de "açayaba". Tocavam instrumentos que eram a buzina chamada de "mamby", o guarará chamado de "ymbia" e tambores.

Por séculos, esses indígenas dominaram a parte litorânea onde hoje se localiza a sede do município de Saquarema e apelidaram a lagoa de "socó-rema", que quer dizer "bandos de socós" (ave pernalta abundante na lagoa naquela época) e, com a evolução da linguagem, passou a chamar-se saquarema. Os tamoios foram sempre aliados dos franceses e, por isso, foram exterminados pelo então governador do Rio de Janeiro, Antônio Salema.

Salema reuniu a gente do Rio de Janeiro e alguns do Espírito Santo. De São Vicente, veio o capitão Jerônimo Leite com muitos portugueses e índios cristãos. As forças somaram 400 portugueses e 700 índios e a partida da expedição deu-se em 4 de agosto de 1575. Logo, chegaram a uma aldeia onde os tamoios tinham fortificado. Salema e sua gente cercou essa aldeia, num lugar hoje conhecido por campo do Maranguá, travando-se cruéis lutas em toda a capitania. Vários dias já durava o cerco, e então, de acordo com o narrado pelo padre Luís da Fonseca:

Cquote1.svg Os tamoios, vendo-se perdidos, tomaram a resolução heroica de fazer uma sortida em massa. Reinou, então, uma paz no acampamento inimigo que inquietou Salema. Um jesuíta, o padre Baltazar Álvares, ofereceu-se para investigar o que era, e no dia 21 de setembro de 1575 encaminhou-se para o campo tamoio. Esse jesuíta, com artimanhas, mentiras e promessas lisonjeiras, conseguiu com o chefe dos tamoios, uma entrevista com Salema. O chefe índio, confiante na palavra do padre, cedeu, e de fato, no dia seguinte com toda solenidade, o chefe índio apresentou-se ao chefe branco. Salema, dando sua palavra de honra de militar que os deixaria em paz, exigiu, para isso, a entrega de três franceses que estavam entre os índios, os quais foram enforcados na praia. Transpondo esse obstáculo, Salema continuou a sua marcha pela praia até Arraial do Cabo, onde praticou o mais cruel desbarato. Cquote2.svg

O rei dom João III, buscando uma solução menos dispendiosa para o problema da colonização do Brasil, resolveu dividir o território em capitanias hereditárias. Foi devido à concretização desse desejo real, que as terras do atual município de Saquarema, passaram a pertencer a Martim Afonso de Sousa, por se encontrar dentro dos limites fixados para a Capitania de São Vicente a ele doada.

Dado a extensão do território da capitania, muitos anos se passaram antes que as terras de Saquarema recebessem os benefícios da civilização. Só em 1594, os padres da Ordem do Carmo, por elas de interessaram, pleiteando e obtendo, em 5 de outubro desse ano a doação de algumas sesmarias localizadas na região. No lugar hoje denominado Carmo, próximo a Ipitangas, iniciaram os religiosos, logo ao chegar, a construção de um convento que denominaram de Santo Alberto e do qual no presente, existe, apenas, como recordação, a imagem do seu padroeiro, venerado na exposição de imagens antigas em uma das salas do palácio do Bispo em Niterói.

Após a chegada dos carmelitas, outras sesmarias foram concedidas nas redondezas das suas, o que motivou a criação de várias fazendas nas terras de Saquarema.[8] No século XVII, foi erguida uma capela dedicada a Nossa Senhora de Nazaré no mesmo lugar onde, hoje, se encontra a Igreja Matriz. No século XIX, houve importante produção de café na região. A partir do século XX, tornou-se uma região basicamente turística e de veraneio[9] .

Origem do Nome[editar | editar código-fonte]

A região que hoje compõe o município era habitada por uma grande tribo de tamoios. Por séculos, os indígenas dominaram a parte litorânea, onde hoje se localiza a sede municipal de Saquarema, e denominavam a lagoa de "Socó-rema" que, quer dizer bandos de socós (ave pernalta abundante na lagoa naquela época). Com a evolução da linguagem, passou a chamar-se Saquarema.[10] Já o tupinólogo Eduardo de Almeida Navarro sugere outra hipótese etimológica para "Saquarema": segundo ele, "Saquarema" pode ser oriundo da junção dos vocábulos tupis sakurá (uma variedade de caramujo) e rema (fedorento), significando, portanto, "caramujos fedorentos".[11]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Distante cerca de cem quilômetros da capital do estado, possui as as seguintes praias: Massambaba, Barra Nova, Prainha, Boqueirão, Itaúna, Jaconé, Vilatur e Vila, com condições favoráveis à prática do surfe. Uma das mais famosas é a Praia de Itaúna, que é conhecida como "o Maracanã do surfe"[12] .

Turismo[editar | editar código-fonte]

Cidade predominantemente turística, é conhecida também como "a capital nacional do surfe". As ondas de suas praias estão entre as melhores do país. Além dos campeonatos de surfe nacionais e internacionais, as festas religiosas constituem um importante atrativo para o turismo local. As principais atrações turísticas da cidade são:

  • As praias, As lagoas, as Cachoeiras, Cascatas e Serras,Muitos Admiradas Por Turistas que Vem a Cidade!
  • O Sambaqui da Beirada (sítio arqueológico de 4 500 anos);
  • A Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazareth, de 1630;
  • O Templo do Rock (museu-residência do roqueiro Serguei);
  • O Mirante do Morro da Cruz;
  • O Centro de Treinamento de Vôlei;
  • A rampa de voo livre.
  • Cachoeiras do Tingui (no 3º distrito de Saquarema)

Festas Religiosas[editar | editar código-fonte]

Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, em Saquarema

Dentre as festas religiosas, pode-se citar, como a de maior destaque, a de Nossa Senhora de Nazareth (padroeira do município), que ocorre do dia 30 de agosto a 8 de setembro e que é a terceira maior festa católica do Brasil e o mais antigo círio de Nazaré do país, datado de 1630, sendo mais antigo até mesmo que o famoso círio de Belém, no Pará[carece de fontes?]. Saquarema possui, também, uma tradicional celebração da Semana Santa. O Beija-Mão, o Canto da Verônica, a Banda de Música com as marchas fúnebres e os personagens históricos representados na Procissão do Enterro causam emoção ao relembrar o sepultamento de Jesus.

Outra festividade muito tradicional no município (desde 1740, introduzida pelo Barão de Saquarema) é a Festa do Divino Espírito Santo (Pentecostes), que ocorre cinquenta dias após a Páscoa e que constitui uma grandiosa manifestação popular e cultural, com a Folia do Divino (uma das únicas cidades do Brasil a ter essa manifestação popular) e suas insígnias. Essas são as três maiores festividades do município e, por isso, vem sendo pleiteado que tais festividades possam ser inclusas como Patrimônio Histórico Imaterial Municipal e Estadual devido à sua abrangência e, assim, possam ser preservadas e continuem sendo manifestações que, todos os anos, atraem milhares de turistas, romeiros e devotos à cidade.

Temos também as festas de São João, que ocorre em 24 de junho; São Pedro, que ocorre no dia 29 de junho e a festa de Corpus Christi, que, com seus tapetes de sal, forma um grande mosaico a céu aberto. Também há a festa de Nossa Senhora da Conceição (padroeira de Sampaio Correa - terceiro distrito), que ocorre em 8 de dezembro e a festa de Santo Antônio (padroeiro de Bacaxá - segundo distrito), que acontece em 13 de junho.

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

A cidade está dividida em três distritos e 32 bairros.

Principais acessos rodoviários[editar | editar código-fonte]

  • RJ-106 - Rodovia Amaral Peixoto
  • RJ-118 - Estr. Sampaio Corrêa - Jaconé
  • RJ-124 - Via Lagos
  • RJ-128 - Av. Saquarema/Estrada do Palmital

Transporte[editar | editar código-fonte]

São empresas de transporte público que atuam no município:

Linhas intermunicipais:

Linhas municipais:

  • Rio Lagos Transportes - Atua em todas as linhas municipais no município de Saquarema.ela vai a vários Bairros como Bacaxá,Jaconé,Sampaio Correa,Vilatur,Saquarema,Palmital,Rio da areia entre outros.

Referências

  1. Capital do Surfe Brasileiro e do Vôo livre na Região dos Lagos. Disponível em http://www.saquarema.rj.gov.br/capital.php. Acesso em 19 de agosto de 2012.
  2. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  3. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  4. Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  5. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  6. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
  7. BUENO, E. Brasil: uma história. 2ª edição. São Paulo. Ática. 2003. p. 19.
  8. http://www.saquarema.rj.gov.br/historia.php
  9. http://guiadolitoral.uol.com.br/saquarema-rj.html
  10. http://www.saquarema.rj.gov.br/historia.php
  11. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 597.
  12. Conhecida como o Maracanã do Surf é o palco de muitos eventos de Surf. Disponível em http://www.indoviajar.com.br/brasil/rj/saquarema/as-praias-praia-de-itauna.htm. Acesso em 19 de agosto de 2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]