Sardinha

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Como ler uma caixa taxonómicaSardinha
Sardinops sagax

Sardinops sagax
Estado de conservação
Status iucn3.1 LC pt.svg
Pouco preocupante
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Actinopterygii
Ordem: Clupeiformes
Família: Clupeidae
Género: Sardina, Dussumeria, Escualosa, Sardinella e Sardinops

As sardinhas ou manjuas[1] são peixes da família Clupeidae, aparentados com os arenques. Geralmente de pequenas dimensões (10–15 cm de comprimento), caracterizam-se por possuírem apenas uma barbatana dorsal sem espinhos, ausência de espinhos na barbatana anal, caudal bifurcada e boca sem dentes e de maxila curta, com as escamas ventrais em forma de escudo.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O nome "sardinha" vem da ilha Sardenha, onde, um dia, já foram abundantes.[2] Segundo o Dicionário Aurélio, o nome se originou do termo latino sardina[1] ."Manjua" veio do francês antigo manjue.[3]

Descrição[editar | editar código-fonte]

São peixes pelágicos que formam, frequentemente, grandes cardumes e que alimentam importantes pescarias. Apresentam, distribuído em seu sistema sanguíneo, um importante lipídio: o ômega-3, que se julga ser um "protetor" do coração. As sardinhas alimentam-se de plâncton.

As "sardinhas" de lata que se encontram nos supermercados podem ser de espécies variadas, desde sardinhas do género Sardina (as verdadeiras sardinhas) até arenques. O tamanho dos animais enlatados varia conforme a espécie. Sardinhas enlatadas de boa qualidade devem ter a cabeça e as guelras removidas antes de serem embaladas[4] Também podem ser evisceradas antes do embale (tipicamente as variedades maiores). Se não forem evisceradas elas devem estar livres de comida não digerida ou fezes[4] (isto é feito tendo o peixe vivo dentro de um tanque o tempo suficiente para que o seu sistema digestivo se esvazie por si mesmo). Elas podem ser enlatadas em óleo ou em algum tipo de molho. As sardinhas assadas são um prato tradicional na cozinha portuguesa.

A sardinha capturada na costa Portuguesa é a única espécie de peixe em toda a Península Ibérica a obter a certificação de qualidade, como resposta às preocupações sobre a sustentabilidade dos recursos. A sardinha Portuguesa vai passar a ter a etiqueta azul do "Marine Stewardship Council", o certificado de pescado ambientalmente certificado. A sardinha Portuguesa é pescada legalmente por quase meia centena e media de embarcações em todo pais.

A certificação é uma mais-valia para toda a fileira de pesca e em particular para a indústria conserveira, que exporta quase 50% da sua produção. As normas internacionais caminham para a certificação de todo o pescado, sendo a etiquetagem ecológica um nicho de mercado importante. A sardinha é pescada pela frota do cerco, uma arte amiga do ambiente, por não ser agressiva para outras espécies. Esta certificação é uma oportunidade para toda a fileira da sardinha, no sentido em que vai deixar de pensar na sobrevivência e vão passar a pensar e planear a sua actividade com base na sustentabilidade e durabilidade do recurso.

A certificação traz mais informação ao consumidor, quer do produto fresco quer do congelado, por forma a ser valorizado o preço de venda, aumentando a rentabilidade de toda a fileira. Para o segmento da produção a certificação não vem trazer mudanças a faina, nem vai obrigar a investimentos nas embarcações.

Para se obter o rótulo azul da certificação, a embarcação tem de se sujeitar a auditorias para aferir os padrões das normas ambientais em que trabalha. Por ano são capturadas cerca de 60 mil toneladas de sardinha em toda a costa Portuguesa, e em 2008 as embarcações facturaram 450 milhões de euros na venda da sardinha.

Desembarques de sardinha em Portugal[editar | editar código-fonte]

Em número de desembarques, verifica-se uma tendência de redução no segmento de pesca de cerco, uma vez, que em 2008 teve um ano excepcional, tendo desembarcado mais de 80 000 toneladas de sardinha e outros pequenos pelágicos. Em 2009 regressou ao nível médio de peso descarregado, a rondar as 65 000 toneladas. O preço médio a que a produção foi paga teve um significativo acréscimo de 16 por cento.

A sardinha, com 62 000 toneladas, representa cerca de 45 por cento dos desembarques em peso efectuados em lotas nacionais. Os desembarques somados da sardinha, cavala e carapau representam quase 65 por cento da pesca total descarregada em portos nacionais.

A pesca do cerco prevalece nas Zonas Norte, Centro e Alentejo, sendo a sardinha a espécie preferencial em todas as zonas excepto no Algarve, cedendo o lugar à cavala. A sardinha, em toda a costa atlântica oeste, tem um peso relativo na produção do cerco, em torno dos 90 por cento.

Matosinhos reúne cerca de 25 por cento dos desembarques de todas as lotas, atendendo à representatividade que nesse porto tem a pesca de cerco. Sesimbra tem-se mantido desde há dois anos como o segundo porto com maior peso de pescado desembarcado, tendo superado o porto de Peniche.[5]

Referências

  1. a b FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 553
  2. Glossário sobre a Sardinha Título não preenchido, favor adicionar.
  3. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 082
  4. a b CODEX STANDARD FOR CANNED SARDINES AND SARDINE-TYPE PRODUCTS CODEX STAN 94 –1981 REV. 1-1995 (pdf) Codex Alimentarius. 1-7 pp. FAO/WHO Codex Alimentarius Commission. Página visitada em 2007-01-18.
  5. Datapescas no site do Ministério da Agricultura e Pescas de Portugal Título não preenchido, favor adicionar.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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