Uso Sarum

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Catedral de Salisbury.

Uso Sarum, chamado também de Rito Sarum, era uma variante do Rito Latino usado nas Ilhas Britânicas antes da criação da Igreja Anglicana por Henrique VIII, do Livro de Oração Comum por parte de Jaime I de Inglaterra e da unificação de Ritos litúrgicos latinos pela Bula Papal Quo Primum Tempore de São Pio V.

Originariamente, esse uso era específico da Diocese de Salisbury, mas com o tempo difundiu-se e tornou-se predominante no sul da Inglaterra. Com o advento da século XVI, o rito morreu, mas deixou marcas na Liturgia Anglicana.

História[editar | editar código-fonte]

Em 1078, Guilherme, o Conquistador indicou Sant'Osmundo como bispo de Salisbury. O prelado, durante seu episcopado, iniciou algumas revisões litúrgicas e adaptações dos usos anglo-celta-saxões locais com o latino de Roma e, segundo alguns liturgistas do século XIX, o uso galicano de Ruan.

Com a invasão normanda da Inglaterra e a subsequente deposição dos saxões, também o clero foi trocado, o que levou tradições franco-normandas para a cultura religiosa inglesa.

Crê-se que o uso Sarum influenciou outros ritos ocidentais fora da Inglaterra, como o norueguês nidaros e o português bracarense.

Quando da Reforma Inglesa, o uso Sarum foi mantido com graduais modificações até Eduardo VI, quando a pressão protestante por identidade própria resultou na implementação do Livro de Oração Comum. Com Maria I, o Catolicismo foi restaurado e com ele o uso Sarum. Com Isabel I, todavia, o anglicanismo foi definitivamente implantade e, a partir de então, somente os sacerdotes fiéis a Roma mantiveram os antigos costumes, até ser totalmente suplantado pelo uso Tridentino.

Ritual Sarum[editar | editar código-fonte]

As missas dominicais e de dias de preceito contavam com a participação de quatro ministros: presbítero, diácono, subdiácono e acólito. Segundo o costume, os ministros dirigiam-se para todos os altares da igreja e os incensava, terminando no altar principal onde as antífonas e a oração coleta deveriam ser cantadas. Finalmente, rezava-se em vernáculo pelas intenções dos presentes e, em seguida, a procissão seguia para a paramentação (geralmente, perante o próprio altar em que seria consagrado o corpo de Cristo, dado que sacristias são historicamente posteriores na arquitetura eclesial).

Algumas preces da missa são singulares, como a preparação do sacerdote para a Sagrada Comunhão. Algumas cerimônias, também: o ofertório das espécies do pão e do vinho eram feitas num único ato; após a consagração, a elevação das espécies era com os punhos cruzados; a partícula era posta no cálice somente ao fim do Agnus Dei (Santo). À comunhão sob uma espécie, do corpo, era seguida por um gole de vinho não consagrado. O primeiro capítulo do Evangelho de São João era recitado enquanto os ministros saiam. Acredita-se, com base no Missal Sarum, que não havia genuflexão, embora possa ter sido introduzida no século XVI

Ver também[editar | editar código-fonte]