Satíricon

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Satíricon é uma obra da literatura latina de autoria do prosador romano Petrônio, escrita provavelmente próximo do ano 60 d.C.[1] , que descreve as aventuras e desventuras do narrador, Encólpio, do seu amante Ascilto e do servo, o jovem Gitão, que se intromete entre os dois amantes provocando ciúme e discussão. Juntamente com o poeta Eumolpo, embarcam em aventuras diversas acabando naufragados nas mão de Circe, uma sacerdotisa do deus Príapo.

Dessa sátira notável dos tempos do imperador Nero sobrevivem apenas fragmentos, dos quais o mais significativo é o afamado Banquete de Trimalquião, onde se fazem descrições detalhadas dum jantar luxuoso, extravagante e decadente oferecido pelo que se poderia chamar um "novo-rico" romano[1] .

Satíricon é um dos mais antigos romances conhecidos[2] . Pode-se considerar Satíricon uma sátira — uma grande crítica aos costumes e à política da Roma antiga. Os episódios narrados estão em sintonia híbrida, ou seja, passagens cômicas são intercaladas com outras trágicas de forma natural e harmônica. O narrador parte do retrato puramente zombeteiro da cena para narrar uma desgraça, articulando-se por meio de expressões solenes, artifícios retóricos, da mesma forma que se apresentam palavras do idioma popular, às vezes vulgares demais. Passagens maliciosas, baixas, descritas e acobertadas por um fantástico domínio da arte retórica por parte de Encólpio, o narrador-personagem, que se mantém ao mesmo tempo fiel e avesso à retórica.

Enredo[editar | editar código-fonte]

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Delicioso também é o episódio, em que (provavelmente) Eumolpo, quando servia em Pérgamo, seduz um jovem rapaz prometendo-lhe diversas prendas. Quando consegue finalmente concretizar a tão desejada relação sexual, a troco da promessa de um magnífico corcel, descobre que prometeu demais e não cumpre a sua promessa. Aborrecido o jovem ameaça contar ao seu pai. No entanto não há zanga que não possa ser ultrapassada, e uma noite, com muita arte e sedução, Eumolpo lá consegue que o jovem lhe permita satisfazer uma vez mais seus desejos. Apesar dos protestos iniciais e das ameaças de contar ao pai, o jovem indica a Eumolpo que, se quiser, pode voltar a possuí-lo. Eumolpo não se faz rogado e, cansado, cai a dormir. Mas o jovem adolescente, descobertos os prazeres do sexo passivo, quer mais, e Eumolpo, no meio de muito arfar e suspirar, lá consegue arrefecer pela terceira vez os ardores do moço, caindo outra vez logo de seguida em sono pesado. Passado menos de uma hora é de novo acordado: "Porque é que estamos parados?" pergunta o jovem. Agastado e estafado, Eumolpo responde: "Ou dormes ou vou já contar ao teu pai."

Referências

  1. a b FARIA, Pablo Picasso Feliciano de. FUJISAWA, Katia S. "Linguística Histórica, Latim Vulgar e mudança sintática: evidências em Satyricon da tendência de mudança da ordem SOV para SVO" in Língua, Literatura e Ensino. Campinas: Unicamp, 2009, vol. 4. ISSN 1981-6871. Disponível em PDF.
  2. GARRAFFONI, Renata S. Bandidos e salteadores: concepções da elite romana sobre a transgressão social. Dissertação de mestrado apresentada em 15 de outubro de 1999. Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp. Disponível em PDF.


Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]