Satanismo LaVey

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O Satanismo LaVeyano ou Satanismo de LaVey foi fundado em 1966 por Anton LaVey. Sua crença se baseia na idéia de que Satã é um arquétipo (e não um ser) positivo. Seus ensinamentos também são baseados no individualismo, na auto-indulgência e na moral da lei de talião, com influências dos rituais e cerimônias do ocultista Aleister Crowley e dos filósofos Friedrich Nietzsche e Ayn Rand. Empregando a terminologia de Crowley, os praticantes definem o Satanismo como o "Caminho da Mão Esquerda", religiosa e filosoficamente, rejeitando o tradicional "Caminho da Mão Direita" de religiões como o Cristianismo por sua percepção da negação da vida e ênfase na culpa e na abstinência.

LaVey procura mostrar, por meio da Bíblia Satânica, o Satanismo como uma adoração do próprio eu.

Diga dentro do seu próprio coração, "Eu sou o meu próprio redentor. (Bíblia Satânica)

Justifica que o uso de "imagens" como instrumento de acesso, ainda que procure valorizar símbolos dos valores carnais e terrenos, inerentes à natureza humana, negando uma adoração.

É, além disso, completamente fácil entender como uma certa espécie de adoradores do demônio foi criada através das invenções dos teólogos. (Bíblia Satânica)

Acaba por fim apresentando a Satã como proclamação da invocação da abertura dos poderes após os portais, e apresentando-se como os verdadeiros adoradores do inefável Rei do Inferno.

Porque eu sou o servidor do mesmo, seu Deus, o verdadeiro adorador do mais alto e inefável Rei do Inferno! (Bíblia Satânica)

Anton LaVey fundou a primeira e maior organização de suporte religioso, a Church of Satan (Igreja de Satã) em 1966, e escreveu as crenças e práticas satanistas publicadas sob o título de The Satanic Bible (A Bíblia Satânica) em 1969. De acordo com a Igreja de Satã, há muitos satanistas pelo mundo, incluindo membros e também não-membros. Ela rejeita a legitimidade de quaisquer outras organizações de satanistas, chamando-os de cristãos-reversos e pseudo-satanistas. Embora o número exato de membros nunca tenha sido divulgado, estima-se que o número esteja em torno das dezenas de milhares.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Na Noite de Santa Valburga de 1966, Anton Szandor LaVey iniciou a Igreja de Satã. Ele já havia promovido eventos de leitura em sua mansão, conhecida como Black House, cobrando dois dólares para a entrada. Com seus associados mais próximos, ele formou a "Magic Circle", onde era executada magia cerimonial. Foi sugerido a LaVey que ele já tinha acumulado material e experiência suficiente para iniciar uma religião organizada.[2]

A Igreja de Satã atraiu grande publicidade. Seu uso de mulheres nuas nos altares e performances de casamentos satanistas e serviços funerais trouxe grande atenção para a organização. Anton LaVey raspou sua cabeça e passou a usar um colar simbólico, às vezes chegando a usar chifres para completar sua imagem do demônio. Sua personalidade extravagante atraiu muitos seguidores e admiradores.[3] [4]

Em 1969, LaVey publicou The Satanic Bible (A Bíblia Satânica) que, até os dias de hoje, continua sendo a leitura mais definitiva sobre o assunto do Satanismo LaVey, descrevendo os conceitos básicos, a filosofia e os rituais da religião. Um livro complementar, The Satanic Rituals (Os Rituais Satânicos), publicado em 1972, apresenta uma série de rituais associados ao Satanismo através dos tempos, mas não necessariamente ligados às crenças satanistas. LaVey também lançou outro livro para expandir sua ideologia, o The Satanic Witch (A Bruxa Satânica), antes publicado como The Compleat Witch (A Bruxa Habilidosa), e dois ensaios: The Devil's Notebook (O Caderno do Demônio) e Satan Speaks! (Satã Fala!).[5]

Desde a sua criação, muitos indivíduos tentaram recriar o sucesso de LaVey fundando novas organizações clamando ser o "verdadeiro" Satanismo, mas a maioria teve existência curta e acabou caindo no esquecimento.[6] Alguns, entretanto, acabaram conseguindo sucesso, provavelmente por seus fundadores terem tido uma forte ligação com a Igreja de Satã no passado. As razões para o rompimento com LaVey citadas foram diferenças ideológicas ou a comercialização da instituição, e a busca por uma elitização e obscuridade anteriormente existentes. Um exemplo notável é a formação do Templo de Set em 1975 por Michael Aquino, ex-membro da Igreja de Satã, que citou discordância com o ateísmo de LaVey.[7] Aquino acreditava numa divindade viva, que ele dizia ser Set.

A outra grande organização ligada à ideologia LaVeyana é a First Satanic Church (Primeira Igreja Satânica), fundada em 1999 pela filha de Anton LaVey, Karla LaVey. Ela argumenta que, após a morte do pai, a Igreja se distanciou de seu modus operandi original, tornando-se uma máquina com fins comerciais. Assim, a Primeira Igreja Satânica é considerada uma re-fundação da original.

Hoje a Igreja de Satã ainda é vista como a representação de facto do Satanismo LaVeyano aos olhos do público, e novas publicações continuam a ser lançadas aplicando a filosofia satanista a tópicos contemporâneos.[5] [8]

Crenças[editar | editar código-fonte]

Em A Bíblia Satânica, Anton LaVey descreve Satã como uma força motivadora e balanceadora na natureza.

Em seu mais importante ensaio, Satanism: The Feared Religion (Satanismo: A Religião Temida), o atual líder da Igreja de Satã, Peter H. Gilmore, afirma:[9]

Cquote1.svg Os satanistas não acreditam no sobrenatural, nem em Deus e nem no Demônio. Para o satanista, ele é seu próprio Deus. Satã um símbolo do homem vivendo da forma como dita sua natureza carnal e magnífica. A realidade por trás de Satã é simplesmente a força obscura e evolucionária da entropia que permeia toda a natureza e dá os meios para a sobrevivência e propagação inerente a todas as coisas vivas. Satã não é uma entidade consciente a ser adorada, mas uma reserva de poder dentro de cada ser humano para ser tomada à vontade. Assim, qualquer conceito de sacrifício é rejeitado como uma aberração cristã — no Satanismo não há divindades por quais se sacrificar. Cquote2.svg

Satã é citado como tendo aparecido na mitologia e na literatura pelo mundo como um trickster, um rebelde e uma figura procurando a destruição ou a escravidão do homem. Figuras como o grego Prometeus são tidas como perfeito exemplo das qualidades de Satã, o rebelde orgulhoso.[10] Satã é visto como um indivíduo poderoso que age não se importando com o que os outros possam dizer. Ainda, a palavra satã vem do hebraico "adversário" ou "acusador" (ha-satan). Assim, combinando a tradicional imagem de rebeldia associada a Satã e outras divindades relacionadas, juntamente com o aspecto etimológico da palavra em si, os satanistas clamam ser adversários do comportamento de massa que eles definem como comportamento de manada, vendo-o como um entrave à individualidade, criatividade e progresso.[11]

Os satanistas procura unidade a entidade espiritual que o acompanha, a função de Deus é executada e satisfeita pelo próprio satanista, ou seja, toda a necessidade de adoração, rituais e foco religioso ou espiritual é auto-dirigida, mas isto porque o satanismo Lavey defende a propositura de que ao contrário dos que se dizem satanista e fazem uso de domos de proteção quando da invocação, o verdadeiro satanista tem um contado sem restrições com as criaturas infernais.

Apesar da insistência da temática materialista, a invocação e a produção de poderes somente ocorre com a invocação de Satã:

"Invocação de Satã e nomes infernais que seguem (veja o Livro de Leviatã) são agora lidos em voz alta pelo sacerdote. Participantes deverão repetir cada nome infernal depois que ele tenha sido dito pelo sacerdote."(Bíblia Satânica)

Tanto que no direcionamento do poder infernal para a pessoa que seja o alvo, Lavey promove uma figura de linguagem entre a Bruxa que faz encantamentos de amor com o satanista que deve entrar em estado de oração a Satã, pedindo sua benção para destruir seu opositor:

A bruxa que lança seu charme entre longas esperas pelo telefone, antecipando a chamada do seu desejoso amor; o feiticeiro necessitado que invoca a benção de Satã, e então espera com alfinete e dedal controlar o sucesso; (Bíblia Satânica)

LaVey propõe que todos os deuses foram criação dos humanos, e não o contrário, e que dessa forma a adoração de uma divindade acaba sendo a adoração do próprio ser humano. Ele sugere que os satanistas racionais internalizem seus deuses e adorem a si próprios, daí a máxima satanista, "eu sou meu próprio deus".[12]

O Satanismo LaVeyano deliberadamente evita a adoração de quaisquer divindades (aqui deve ser entendido: divindades do caminho-da-mão-direita). A crença em tais divindades externas é geralmente tida como fator de exclusão de alguém como satanista e, particularmente, a adoração da figura do Demônio é considerada simplesmente uma variação do Cristianismo com seus valores invertidos, com seus praticantes devendo ser chamados de "adoradores do Demônio", e não satanistas.[8]

Filosofia[editar | editar código-fonte]

Individualismo fundamental[editar | editar código-fonte]

Lavey se preocupou em meio a linguagem arcana da Bíblia Satânica promover que não encoraja a crueldade e o comportamento irresponsável, afirmando que isto é uma representação produzida por teólogos e padres, embora não defenda que quando estiver sendo opositado, destruí-lo por meio de feitiços é uma opção:

Cquote1.svg Ao caminhar em território aberto, não incomode ninguém.
Se alguém lhe incomoda, peça-lhe que pare.
Se ele não parar, destrua-o.
Cquote2.svg

O satanista é visto como o equivalente do Übermensch do filósofo alemão Friedrich Nietzsche; LaVey dizia que "os satanistas assim o nascem, não são fabricados", e que "os satanistas têm uma doença chamada independência, que precisa ser encarada da mesma forma que o alcoolismo". Há fortes elementos progressistas e libertários; a diversidade é encorajada, espera-se que cada um descubra sua própria sexualidade, tome consciência de sua própria personalidade e decida suas ambições na vida. Por tal esforço de individualismo, o Satanismo é considerado uma religião do "Caminho da Mão Esquerda".

Satanismo e auto-transformação[editar | editar código-fonte]

Aderentes a religiões de negação da vida são muitas vezes tidos como auto-abnegados em sua devoção à sua própria servilidade. Os adeptos do Satanismo LaVeyano veem a religião como uma promoção ao relacionamento impessoal com o que as igrejas costumam chamar de "Deus". O Satanismo apresenta uma oportunidade de auto-identidade com o conceito de "Deus" definido pelo próprio indivíduo. Foi dada grande atenção a detalhes de film noir como White Heat e The Big Sleep ao se criar o ideal de auto-identidade baseado em formas deliberadamente pessoais. O Satanismo encoraja o seguidor da religião a crescer através de sua vida e perceber como ele vai se adequando a ela.

Virtuosidade satanista[editar | editar código-fonte]

A lei de talião serviu fortemente de base para a formulação do Satanismo LaVeyano. "Trate os outros como eles lhe tratam" suplantou a diretiva "trate os outros da forma que gostaria de ser tratado", de forma que você só mostra compaixão e piedade àqueles que as mereçam. É uma regra reativa, se comparada à regra proativa do Cristianismo; pela regra, amor, compaixão e simpatia não são desperdiçadas em ingratos; estes são dados apenas aos que o praticante considera merecedores. A religião do Satanismo, da forma exposta por LaVey, é centrada quase que exclusivamente sobre o conceito de ser seu próprio deus; assim, valores e aquisições como amor, afeição e carinho, juntamente com os conceitos opostos como ódio e desprezo, devem ser disseminados a critério do indivíduo satanista. Desta forma, é responsabilidade do invidíduo (e não de um deus, ou falta de alguma entidade maligna) tanto justificar quanto aceitar as consequências de suas ações. LaVey sentia que pessoas fortes e inteligentes desperdiçavam muito tempo em vampiros espirituais — indivíduos fracos que sempre demandavam atenção e cuidado, sem nunca dar nada em troca. Ele ensinou aos satanistas que deve-se manter distância tanto quanto possível dessas pessoas de forma a se viver de acordo com seus instintos e vontades individuais.

As Nove Declarações Satânicas[editar | editar código-fonte]

(Retiradas da Bíblia Satânica)

  1. Satã representa indulgência ao invés de abstinência!
  2. Satã representa a existência vital ao invés de sonhos espirituais fantasiosos!
  3. Satã representa sabedoria pura ao invés de auto-ilusão hipócrita!
  4. Satã representa bondade para quem a merece ao invés de amor desperdiçado aos ingratos!
  5. Satã representa vingança ao invés de virar a outra face!
  6. Satã representa responsabilidade para o responsável ao invés de dar atenção a vampiros espirituais!
  7. Satã representa o homem como outro animal, algumas vezes melhor, mas geralmente pior do que aqueles que caminham sobre quatro patas, e que, por causa de seu "desenvolvimento espiritual e intelectual", tornou-se o animal mais maligno de todos!
  8. Satã representa todos os chamados pecados, desde que eles levem à gratificação física, mental ou emocional!
  9. Satã tem sido o melhor amigo que a Igreja já teve, já que é ele que a tem mantido no mercado por todos esses anos![13]

As Onze Regras Satânicas da Terra[editar | editar código-fonte]

(Retiradas da Bíblia Satânica)

  1. Não dê opiniões ou conselhos a menos que alguém os peça.
  2. Não conte seus problemas aos outros a menos que você esteja certo de que eles estão dispostos a ouvi-los.
  3. Quando no lar de alguém, demonstre respeito, caso contrário não vá lá.
  4. Se um convidado em seu lar lhe irrita, trate-o com crueldade e sem piedade.
  5. Não avance sexualmente a menos que lhe seja dado um sinal positivo.
  6. Não pegue algo que não lhe pertença, a menos que seja um fardo para a outra pessoa ou que ela peça para ser livrada dele.
  7. Esteja ciente do poder da mágica se você a empregou com sucesso para obter seus desejos. Se você negar o poder da mágica após tê-la utilizado, perderá tudo o que obteve.
  8. Não reclame de nenhuma coisa para a qual não precise se sujeitar.
  9. Não faça mal a crianças pequenas.
  10. Não mate animais não-humanos a menos que seja atacado, ou para comer.
  11. Ao andar em território aberto, não perturbe ninguém. Se alguém lhe perturbar, peça para parar. Se ele não parar, destrua-o.[14]

Os Nove Pecados Satânicos[editar | editar código-fonte]

(Retiradas da Bíblia Satânica)

  1. Estupidez — Está no topo da lista dos pecados satânicos, sendo o principal pecado do Satanismo. É uma pena a estupidez não ser dolorosa. Uma coisa é ignorância, mas nossa sociedade incentiva a estupidez. Isso tem a ver com as pessoas indo onde quer que lhes é dito para ir. A mídia promove a estupidez como uma postura cultivada que não só é aceitável, como é louvável. Os satanistas precisam aprender a enxergar através do que lhes é dito e não concordarem em agirem como estúpidos.
  2. Pretensão — Uma postura vazia pode ser muito irritante e não aplica as principais regras da Magia Inferior. Está em pé de igualdade com a estupidez por manter o dinheiro circulando nos dias de hoje. Cada um é levado a se sentir como um fardo pesado, tendo dinheiro ou não.
  3. Solipsismo — Projetar suas reações, respostas e sensibilidades em alguém é provavelmente bem menos responsável que você pode ser muito perigoso para os satanistas. É o erro de esperar que as pessoas lhe deem a mesma consideração, cortesia e respeito que você naturalmente as dá. Elas não darão. Ao invés disso, os satanistas precisam concentrar suas energias para aplicar o ditado "faça com os outros o que eles fazem com você". Dá trabalho para a maioria de nós e requer constante vigilância, mas lhe tira a ilusão confortável de que todos são como você. Como dito, certas utopias seriam ideais em uma nação de filósofos, mas infelizmente (ou talvez felizmente, de um ponto de vista maquiavélico) estamos bem distantes disso.
  4. Auto-ilusão — Consta nas "Nove Declarações Satânicas", mas merece ser repetido aqui. É outro pecado principal. Não podemos nos curvar a quaisquer das vacas sagradas que nos são apresentadas, incluindo os papéis que esperamos desempenhar. A única ocasião onde a auto-ilusão é bem-vinda é por diversão, e com cuidado. Mas neste caso, não é auto-ilusão!
  5. Conformismo de massa — É óbvio do ponto de vista satanista. Não há problema com os desejos de alguém, desde que eles os beneficie. Mas apenas os tolos seguem o bando, deixando uma entidade impessoal lhe dizer o que fazer. A chave é escolher um mestre sabiamente, ao invés de ser escravizado pelos caprichos de muitos.
  6. Falta de perspectiva — Novamente, esta pode trazer grande dor para o satanista. Você jamais deve perder a visão de quem e o que você é, e que ameaça pode ser, por sua própria existência. Estamos fazendo história agora e a todo momento, todos os dias. Sempre tente manter uma ampla visão histórica e social na mente. Esta é uma importante chave tanto para a Magia Inferior quanto para a Magia Superior. Veja os padrões e encaixe as coisas se você quer que as peças fiquem em seus devidos lugares. Não se abale pelas impressões da massa: tenha consciência de que você está trabalhando em um outro nível, além do resto do mundo.
  7. Negligência da ortodoxia do passado — Esteja alertado que esta é uma das chaves para a lavagem cerebral das pessoas de modo a aceitar algo diferente e novo, quando na realidade é algo que já foi aceito mas agora é apresentado numa nova embalagem. Deliramos com a genialidade do suposto criador e esquecemos do original. Isto forma a sociedade alienada.
  8. Orgulho contraprodutivo — Esta segunda palavra é importante. Orgulho é bom até a hora em que você começa a jogar o bebê fora junto com a água da banheira. A regra do Satanismo é: se funciona para você, ótimo. Quando para de funcionar para você, quando você está no canto da parede e a única saída é dizer "sinto muito, cometi um erro, desejo que possamos nos ajustar de algum modo", então o faça.
  9. Falta de estética — Esta é a aplicação física do fator de balanceamento. Estética é importante na Magia Inferior e deve ser cultivada. É óbvio que ninguém pode ganhar dinheiro fora dos padrões clássicos de beleza e forma na maior parte do tempo, sendo assim desencorajados na sociedade consumista; mas uma atenção para a beleza, para o balanceamento, é uma ferramenta satanista essencial e precisa ser aplicada para a maior eficácia mágica. Não é o que é supostamente prazeroso: é o que realmente é. Estética é algo pessoal, reflete a natureza individual, mas existem configurações universalmente agradáveis e harmoniosas que não devem ser negadas.[15]

Magia[editar | editar código-fonte]

Magia, tal qual praticada no Satanismo LaVeyano, é definida no Livro de Belial da Bíblia Satânica, como "a mudança de situações ou eventos em acordância com a vontade do indivíduo que, usando métodos aceitos normalmente, seriam imutáveis". Esta definição incorpora dois tipos de mágica largamente distintos: Inferior (manipulativa e situacional) e Superior (ritual e cerimonial). O Satanismo LaVeyano, entretanto, não descreve a magia moralmente, discernindo a variedade "branca" (boa) de "negra" (maligna). Tal neutralidade está relacionada ao ponto de vista filosófico de Anton LaVey, de um universo pessoal e amoral.[16]

Magia Inferior[editar | editar código-fonte]

A Magia Inferior é um sistema de manipulação que incorpora um ou mais dos três temas psicológicos principais: sexo, sentimento e admiração. O primeiro tema é auto-explicativo — sedução sexual é o principal caminho seguido; o termo "sentimento" refere-se a idéias ou impressões de inocência ou aquelas que inspirem contentamento, compaixão ou que agrade; e "admiração" na maioria das vezes denota ideias de austeridade e respeito ou impressões que provoquem medo ou submissão da outra parte. Os temas podem ser combinados, quando apropriado, para multiplicar o impacto psicológico ao aumentar o número de respostas emocionais simultâneas do recipiente. Para construir suas teorias da Magia Inferior, Anton LaVey parece ter se inspirado, ao menos em parte, de The Command to Look, do fotógrafo William Mortensen, capitalizando suas estratégias, e incentivando o praticante do Satanismo a expandir quaisquer um dos três grandes temas que ele naturalmente exiba.

LaVey posteriormente expandiu seu sistema de manipulação no The Satanic Witch. O livro foi escrito da perspectiva de uma mulher porque LaVey acreditava que as mulheres poderiam aplicar suas teorias mais efetivamente, mas o livro também se aplica a homens. Ele relaciona ideias trabalhadas da observação de proprietários de parques e de manipuladores de rodas da fortuna na manipulação dos consumidores. The Satanic Witch também propõe o LaVey Synthesizer Clock (Relógio Sintetizador de LaVey), uma forma de somatotipia que adiciona um quarto tipo corporal, o "feminino". O sintetizador é usado na identificação da personalidade de modo a saber a melhor maneira de manipular uma pessoa através das características geralmente associadas com seus tipos e a que LaVey se referia como suas personalidades "demoníacas", ou seu oposto no relógio.

Magia Superior[editar | editar código-fonte]

A Magia Superior envolve ritual e cerimônia de modo a focar a energia emocional para um propósito específico. O ritual satanista varia enormemente, com o formato básico descrito na Bíblia Satânica. Os satanistas são encorajados a usar quaisquer meios que se encaixem em suas necessidades psicológicas e emocionais para levar o trabalho a um clímax de exaustão completa. Note-se que a Igreja de Satã afirma que o conhecimento da Magia Inferior contribui para o conhecimento da Magia Superior.

O ritual do Satanismo LaVeyano é chamado de "câmara de descompressão intelectual". O planejamento cuidadoso da forma do ritual de acordo com considerações racionais de quais significados e meios serão usados é executada antes do início dos rituais; durante o ritual, o ceticismo e a descrença são voluntariamente suspensos, permitindo aos magos expressar totalmente suas necessidades e frustrações sexuais ou emocionais, focando em nada além de seus sentimentos verdadeiros e profundos. Também é dito que no Satanismo compreende-se que a Magia Superior funciona melhor num grupo pequeno e comprometido, do que num grupo grande e que se distrai facilmente.

A Magia Superior, da mesma forma que a Inferior, emprega um ou mais de um dos grandes temas psicoemotivos: luxúria (sexo), compaixão (sentimento) e destruição (admiração). LaVey disserta sobre os métodos de forma a focar nessas motivações. Rituais de luxúria podem envolver masturbação, tendo o orgasmo como objetivo. Rituais de compaixão são direcionados a evocar piedade ou tristeza, e o choro é fortemente encorajado. Rituais de destruição envolvem a aniquilação simbólica de um inimigo com alguma representação física, que é envolvida e destruída no ritual com algum tipo de esmagamento, despedaçamento ou fogo. A Magia Superior também lembra a inferior pela possibilidade de combinar mais de um dos três grandes temas emocionais, quando apropriado, de forma a maximizar o sucesso do trabalho. Em quaisquer dos casos, a auto-expressão completa e à exaustão é encorajada para o sucesso do ritual satanista.

É dada grande ênfase na evocação e na música. A última parte da Bíblia Satânica é dedicada a invocações e às dezenove Chaves Enoquianas, originalmente escritas por John Dee. A música é encorajada porque é tida como facilitadora da manipulação de emoções, o que contribui para o sucesso dos rituais, fortemente atrelados à expressão emocional.

A missa negra[editar | editar código-fonte]

A "missa negra", uma oposição simbólica à igreja usada no passado, não é mais usada pelos satanistas, conforme Anton LaVey explicou em uma entrevista para a Occult America.[17] Ele não deu continuidade às dramatizações executadas nas missas negras originais. "Aquilo", ele explicou, "eram psicodramas na época em que as pessoas precisavam deles. Eles expressavam sua oposição, sua rebelião contra a igreja estabelecida. Nossos rituais foram subitamente modificados para expressar as necessidades de nossa era em particular."

Anton LaVey escreveu na Bíblia Satânica, no capítulo do Livro de Lúcifer intitulado "Missa Negra":

Cquote1.svg Geralmente assume-se que a cerimônia ou serviço satanista é sempre chamado de missa negra. Uma missa negra não é uma cerimônia mágica praticada pelos satanistas. O satanista veria uma missa negra como uma espécie de psicodrama. Mais ainda, uma missa negra não necessariamente implica somente em praticantes satanistas. Uma missa negra é essencialmente uma paródia do serviço religioso da Igreja Católica Romana, mas pode vagamente ser vista como uma sátira a qualquer outra cerimônia religiosa. Cquote2.svg
Anton LaVey

LaVey chegou mesmo a considerar a missa negra uma redundância, e comumente comete-se o erro de se pensar que a Igreja de Satã executa missas negras; entretanto, fazer uso de velas pretas e beijar as nádegas do demônio (ambas práticas mencionadas no capítulo) seriam práticas contraditórias para um satanista. Em 1966, Anton LaVey manteve um círculo de magia em sua casa enquanto se preparava para raspar sua cabeça e anunciar o Anno Satanas. Após isso, os membros proeminentes da Igreja de Satã passaram a realizar missas negras nas noites de sexta-feira na Black House.[17]

Feriados satanistas[editar | editar código-fonte]

O mais importante feriado satanista é o aniversário do próprio satanista, uma vez que representa a data de nascimento de seu próprio deus. A data funciona como um lembrete para que o satanista, comprometido com a verdadeira "existência vital", deve considerar a si próprio como a pessoa mais importante de sua vida. LaVey recomenda que o satanista celebre seu próprio aniversário da maneira que quiser, com tanta pompa e cerimônia quanto ache necessário. A celebração satanista do próprio aniversário pode assim ser algum tipo de "missa negra", ao redirecionar para si próprio a comemoração dos aniversários das entidades sagradas que existe em outras religiões nos "dias santos".

Três feriados satânicos foram enumerados por Anton LaVey na Bíblia Satânica, embora não sejam considerados sagrados. Entre tais feriados está a Walpurgisnacht, que em adição ao significado ocultista carregado pela data, também marca a fundação da Igreja Satânica em 1966, ou ano I A.S. (Anno Satanas, "No ano de Satã"). Esta data é comumente celebrada por satanistas em rituais de grupo privados, festas privadas ou celebrações de família, para comemorar a fundação da Igreja de Satã.

LaVey também menciona os solstícios de verão e inverno, e os equinócios da primavera e outono como feriados menores. Estes são geralmente celebrados em pequenas festas ou rituais privados. Entretanto, eles também são usados para substituir feriados populares que os satanistas evitam por causa da temática cristã, mas também querem aproveitar a celebração.

O dia das bruxas é muito comumente celebrado pelos satanistas, mas tipicamente há muito menos significância ocultista atrelada à data do que a maioria das pessoas imagina. O dia das bruxas é uma data popular tanto para cerimônias privadas quanto de grupo, mas é também uma data popular para os satanistas manterem festas privadas sem qualquer outro propósito além de aproveitar a diversão com o macabro que é normalmente celebrada pelo grande público. Quando muito, os satanistas parecem encarar a data com bom humor e um senso de ironia.

O Satanismo não proíbe especificamente a celebração de qualquer feriado ou festa mantido por outras culturas ou mesmo religiões. Não é de fato inteiramente incomum para alguns satanistas celebrar festas tipicamente cristãs como o Natal, embora as conotações religiosas costumem ser ignoradas. Muitos satanistas, entretanto, transferem feriados como o Natal para o solstício de inverno, ou mesmo ignoram totalmente a data.

Em 6 de junho de 2006 (6/6/6), uma missa satânica foi organizada pela Igreja de Satã em Hollywood, Califórnia, Estados Unidos. Esta celebração teve um número limitado de 100 convidados e foi organizada como uma forma de zombar da crendice e do medo popular acerca da data. A data 6 de junho de 2006 não possui nenhum significado para o Satanismo, nem o número 666. O evento foi documentado e muitos membros da Igreja de Satã foram entrevistados pela BBC, sob permissão.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Adherents.com. Membership and grography data for 4,300+ religions, churches, tribes, etc.
  2. The Church of Satan. Aquino, Michael. 2002.
  3. The Werewolf Book. Steiger, Brad. 1999.
  4. Encyclopedia of Occultism and Parapsychology. Gale Group. 1996.
  5. a b Satanic Source Sheet. Church of Satan.
  6. Pretenders to the Throne. Magus Peter H. Gilmore. Church of Satan.
  7. The Temple of Set. Aquino, Michael. 2002.
  8. a b Satanism: An interview with Church of Satan High Priest Peter Gilmore. WikiNews. 5-11-2007.
  9. Satanis: The Feared Religion. Magus Peter H. Gilmore. Church of Satan.
  10. A Dictionaty of World Mythology. Cotterell, Arthur. Oxford University Press, USA. 1990.
  11. What in Hell is 'Satan'? L. Hernandez. 2005. Bloodfire Library.
  12. The Satanic Bible. LaVey, Anton. 1969.
  13. The Nine Satanic Statements. Church of Satan.
  14. The Eleven Satanic Rules of the Earth. Church of Satan.
  15. Os Nove Pecados Satânicos. Church of Satan.
  16. A Bíblia Satânica.
  17. a b Occult America. John Godwin, 1972. Church of Satan.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]