Scala naturæ
A scala naturae ("escada da natureza") ou cadeia dos seres é uma ideia recorrente na história da biologia segundo a qual, todos os organismos podem ser ordenados de maneira linear, contínua e progressiva, começando pelo mais simples até alcançar o mais complexo, que normalmente se identifica com o ser humano.
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Origem da ideia [editar]
A ideia da scala naturae remonta até às mais antigas representações da natureza, como a Escada de Jacob, na Bíblia. Em filosofia, o início desta ideia encontra-se no Timeu de Platão, na qual as formas animais aparecem como resultado da degradação progressiva a partir do Homem.
Ideia de scala naturae em filosofia da natureza [editar]
Aristóteles construiu várias séries orgânicas em função de diversos critérios. Não obstante, se trata todavia de uma conceptualização muito vaga da ideia, que não chegará a sistematizar-se até ao Renascimento, quando começa a proliferar o interesse pelas formas intermédias entre animais e plantas. Destaca-se a obra de Edward Tyson.
No século XVIII a ideia da scala naturae conhece o seu maior apogeu, vinculando-se com o tema da unidade anatómica dos animais. A obra de Leibniz e seus trabalhos sobre o cálculo infinitésimal darão um novo impulso à ideia, que se resume na célebre frase "A natureza não faz saltos". Assim, a crença na scala naturae torna-se comum para a maioria dos naturalistas, como Buffon ou Lineu, se bem que seja Charles Bonnet quem levou mais adiante esta conviccão.
A scala naturae e a teoria da evolução [editar]
Lamarck é o primeiro naturalista a oferecer uma interpretação filogenética da cadeia dos seres. Segundo Lamarck, a tendência intrínseca da natureza até ao aumento da complexidade daria conta do tronco ascendente, desde os organismos mais simples até ao mais complexos.
Referências [editar]
- Schmitt, Stéphane. Aux origines de la biologie moderne. L'anatomie comparée d'Aristote à la théorie de l'évolution. 2006. Paris: Éditions Belin
Leitura adicional [editar]
- Lovejoy, O. The great Chain of being. A Study of the History of an idea. 1969. Cambridge: Harvard University Press