Scipione Breislak

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Scipione Breislak (Roma, 1748Milão, 15 de Fevereiro de 1826), também conhecido por Scipio Breislak, foi um geólogo e professor italiano de origem alemã que se notabilizou como pioneiro do estudo do vulcanismo e das sulfataras e fumarolas.

Estudou ciências naturais, Física e Matemática em Roma sob a orientação de Giovanni Fortis e Pietro Petrini, tendo sido contratado como professor destas disciplinas por um colégio da República de Ragusa, a actual cidade de Dubrovnik, onde ganhou notoriedade. Depois de alguns anos naquela cidade, transferiu-se para o Collegio Nazareno de Roma, onde se iniciou no estudo e ensino da Mineralogia e da Geologia e no qual fundou um gabinete de mineralogia, para o qual conseguiu excelentes espécimes. Dedicava o seu tempo livre a viagens de exploração geológica nos Estados Papais.

Durante uma viagem a Nápoles e a França, entrou em contacto com os principais naturalistas franceses do tempo, com destaque para Georges Cuvier, Antoine François de Fourcroy e Jean-Antoine Chaptal, com os quais estabeleceria uma frutuosa relação de troca de conhecimentos e informações.

Após o seu regresso foi durante algum tempo director de uma fábrica de salitre nos arredores de Nápoles, período durante o qual realizou diversas viagens de estudo a Puzzuoli e Solfatara tendo como objectivo pesquisar a geologia daquelas regiões. Ao publicar em 1786 um estudo sobre a região de Tolfa, rica em alumina, atraiu a atenção de Fernando I das Duas Sicílias, sendo então nomeado inspector das minas do Reino de Nápoles e professor de mineralogia e física dos cursos de artilharia da Academia Militar de Nápoles.

Sob a sua direcção foram construídas novas instalações industriais destinadas a refinar o enxofre extraída das sulfataras da região vulcânica de Solfatara. Neste período realizou numerosas viagens de estudo através da antiga Campania para estudar a sua geologia, tendo publicado em 1798 o resultado dos seus estudos na obra intitulada Topografia fisica della Campania, hoje considerada como de grande qualidade científica.

Breislak também publicou um ensaio sobre a geologia estrutural das sete colinas de Roma, que ele interpretou como sendo restos de um vulcão desmantelado, uma opinião que Giovanni Battista Brocchi posteriormente demonstrou ser errada.

As convulsões políticas que se abateram sobre a Itália na sequência da Revolução francesa e das Guerras napoleónicas levaram a que Breislak se fixasse em Paris em 1799, cidade onde permaneceu até 1802. Neste último ano foi nomeado por Napoleão Bonaparte para o cargo de inspector das fábricas de salitre e de pólvora do Reino de Itália, fixando-se nos arredores de Milão, onde a maioria das fábricas se localizava. Faleceu em Milão a 15 de Fevereiro de 1826.

Em sua homenagem foi dado o nome de breislakite a um mineral (também conhecido por ilvaíte) e ao dinossáurio Scipionyx samniticus, uma espécie que viveu no Cretácico, há cerca de 113 milhões de anos, e cujo o único fóssil conhecido foi descoberta na província italiana de Benevento, uma região cujos fósseis foram descritos pela primeira vez por Breislak. O seu nome foi também dado em 1878, por inicitaiva do astrónomo alemão Johann Friedrich Julius Schmidt, a uma cratera da Lua, situada a sueste do circo Maurolycus, nas coordenadas 48,2° S e 18,3° E, com um diâmetro de 50 km e uma altura máxima de 2550 m.

Obras publicadas[editar | editar código-fonte]

  • Essais mineralogiques sur la solfatare de Puzzuole, Chez Janvier Giaccio, Nápoles, 1792;
  • Topografia fisica della Campania, Florença, 1798.
  • Voyages physiques et lythologiques dans la Campanie; suivis d'un mémoire sur la constitution physique de Rome; avec la carte générale de la Campanie, d'apres Zannoni; celle des Cratères éteints entre Naples et Cumes; celle du Vésuve, du plan physique de Rome, etc.etc. par Scipion Breislak; traduits du manuscrit italien, et accompagnés de notes par le Général Pommereuil, 2 volumes, Paris: Dentu, An IX (1801);
  • Introduzione alla geologia, Milão, 1811 (republicada em francês em 1819 com o título Institutions géologiques).
  • Trait sur la structure extrieure du globe, 3 vol., Milão, 1818 e 1822.
  • Descrizione geologica della provincia di Milano, 1822;
  • Descrizione geologica della Lombardia, Milão, 1822;
  • Sopra i terreni tra il Lago Maggiore e quello di Lugano, 1838.

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