Sebastião Camargo

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Sebastião Camargo
Nome completo Sebastião Ferraz de Camargo Penteado
Pseudônimo(s) "China"
Nascimento 25 de setembro de 1909
Jaú, SP,  Brasil
Morte 26 de agosto de 1994 (84 anos)
São Paulo, SP,  Brasil
Fortuna Aumento US$ 1,3 bilhão (1993)
Cônjuge Dirce Navarro de Camargo
Filho(s) Rosana Camargo de Arruda Botelho,
Renata de Camargo Nascimento,
Regina de Camargo Pires Oliveira Dias
Ocupação Empresário

Sebastião Camargo (Jaú, 25 de setembro de 1909São Paulo, 26 de agosto de 1994) foi um empresário brasileiro, fundador da construtora Camargo Corrêa.

Começo[editar | editar código-fonte]

Sebastião Ferraz de Camargo Penteado era filho de fazendeiros. Em 1926, seu pai morreu deixando os dez filhos órfãos e o dinheiro se esvaeceu[1] Sebastião Camargo estudou só até o terceiro ano primário. Aos 17 anos, aprendeu a transportar terra retirada de construções usando uma carroça puxada por um burro. Tomou gosto pelo negócio e, em 1939, comprou duas carroças. Com a pá em punho e as rédeas nas mãos, Camargo ajudou a construir as estradas que se multiplicavam pelo interior de São Paulo.

Logo aprendeu terraplenagem e se transformou num modesto empreiteiro. Em 1936 conheceu o advogado Sylvio Brand Corrêa e os dois abrem um pequeno escritório no centro de São Paulo. Juntam-se a mais um sócio, Mauro Marcondes Calasans e, em 27 de março de 1939, surge a Camargo, Corrêa & Cia. Ltda. – Engenheiros e Construtores, passando a atuar oficialmente como construtora, com sede na rua Xavier de Toledo, também no centro da capital paulista.[2]

Em 1940, Sebastião Camargo adquiriu um trator, o que significou grande vantagem tecnológica em relação à concorrência.

Nos anos 50, a construção de Brasília era o sonho do empreiteiro. Ao participar da licitação, ouviu de um assessor do presidente Juscelino Kubitschek que a Camargo Corrêa não tinha máquinas em número suficiente para encarar as obras da nova capital. "Pois então me dê três dias e eu provo que o senhor está enganado", respondeu, contrariado. Quando o prazo expirou, o empresário desfilou pelo cerrado com mais de 100 tratores vindos de seus canteiros de São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás. Coube à Camargo Corrêa a abertura de várias estradas que possibilitaram o acesso à capital federal.

Em 1960, Juscelino Kubitschek sugeriu que Sebastião Camargo construísse um moinho de trigo para abastecer Brasília. Preocupado com o rigor técnico que a tarefa exigia, ele trouxe um especialista da Suíça para garantir a qualidade do serviço. Batizou-o de Moinho de Trigo Jauense.

Em 1962, quando a empreiteira construiu a hidrelétrica Usina Hidrelétrica Engenheiro Sousa Dias (também conhecida por Usina de Jupiá), no rio Paraná, uma das maiores do Brasil, concluída em 1968, o tamanho da obra obrigou que uma cidade fosse construída ao seu redor para alojar os 12 mil funcionários.

Nos anos 70, a construtora entrou na licitação para as obras da Ponte Rio-Niterói e tirou o segundo lugar. Mortes de pedreiros e desmoronamentos em meio à construção obrigaram o presidente Emílio Garrastazu Médici a pedir ao empreiteiro que assumisse a obra. "Pois não, senhor presidente, mas vou fazer do meu jeito. Vou começar derrubando tudo e partir do zero", respondeu Camargo.

Grupo Camargo Corrêa[editar | editar código-fonte]

A Camargo Corrêa & Cia Ltda. Engenheiros e Construtores foi responsável por mais de mil obras (incluindo as rodovias Imigrantes e Bandeirantes, o gasoduto Brasil-Bolívia, além da usina nuclear de Angra I e as hidrelétricas de Ilha Solteira, Itaipu e Tucuruí).

A partir dos anos 1990, o empresário passou a fazer parte da lista de bilionários da revista Forbes e sua fortuna pessoal foi avaliada em US$ 1,3 bilhão. Foi casado com Dirce Camargo, falecida aos 20 de abril de 2013, e teve três filhas, Rosana Camargo de Arruda Botelho, Renata de Camargo Nascimento e Regina de Camargo Pires Oliveira Dias.

Após a sua morte por insuficiência respiratória em 1994, o controle da Holding Morro Vermelho, que abrangia 34 empresas dos mais variados setores, incluindo agricultura, siderurgia, têxtil, alumínio e transporte, passou para os genros, Fernando de Arruda Botelho, Luiz Roberto Ortiz Nascimento e Carlos Pires Oliveira Dias.

Fernando Botelho faleceu em 13 de abril de 2012 em acidente aéreo na cidade de Itirapina, interior de SP.[3]

O atual presidente do grupo é Luiz Roberto Ortiz Nascimento.[4]

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

  • O astuto Bastião, como era chamado pelos mais íntimos, ou China, para a maioria, devido aos traços orientais de seus olhos, não admitia homem barbudo, cabeludo ou desquitado na firma.
  • Sempre com um cachimbo na boca, Sebastião Camargo reservava os fins de semana para se atirar no mato. Não era raro ele se aventurar em caçadas no Mato Grosso. Podia-se medir a paixão observando a coleção particular de animais empalhados na fazenda em Jaú. Pelo menos uma vez por ano embrenhava-se em alguma selva africana. Tudo mudou radicalmente em 1988, quando o caçador quase virou caça. Ao deparar com um leão, ele mirou a fera e errou o alvo. Foi salvo por pouco e passou a se dedicar à criação de javalis, patos, gado e cavalos.
  • Na construção de Itaipu, houve quase um atrito diplomático. A Camargo Corrêa não havia sido aceita para a obra do lado brasileiro. O ditador paraguaio Alfredo Stroessner, amigo de pescaria do construtor, protestou: "Onde está Don Sebastián?" Ameaçou melar o negócio, obrigando o governo brasileiro a contratar a Camargo Corrêa.

Referências

  1. The Latins the Man Who Built Brazil (em inglês) CNN Money. Página visitada em 10 de Fevereiro de 2013.
  2. Grupo Camargo Corrêa_Linha do tempo
  3. Grupo Camargo Corrêa. 13/abr/2012-Comunicado. Página visitada em 15 de Fevereiro de 2013.
  4. Palácio do Planalto. 24/ago/2012 - Agenda: Dilma se reúne com presidente do Grupo Camargo Corrêa. Página visitada em 10 de Fevereiro de 2013.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
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Precedido por
-
Presidente do Grupo Camargo Corrêa
1939 - 1994
Sucedido por
Dirce Camargo