Second Life

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Second Life
Second Life logo.svg
Slogan Seu mundo. Sua imaginação.
Gênero Rede de relacionamento
Ambiente virtual
País de origem  Estados Unidos
Idiomas Inglês, Português e outros.
Lançamento 2003
Proprietário Linden Lab
Página oficial http://secondlife.com/

O Second Life (também abreviado por SL[1] ) é um ambiente virtual e tridimensional que simula em alguns aspectos a vida real e social do ser humano. Foi criado em 1999 e desenvolvido em 2003 e é mantido pela empresa Linden Lab.[2] Dependendo do tipo de uso, pode ser encarado como um jogo, um mero simulador, um comércio virtual ou uma rede social. O nome "second life" significa em inglês "segunda vida", que pode ser interpretado como uma vida paralela, uma segunda vida além vida "principal", "real". Dentro do próprio jogo, o jargão utilizado para se referir à "primeira vida", ou seja, à vida real do usuário, é "RL" ou "Real Life"[3] que se traduz literalmente por "vida real".

Esse ambiente virtual tinha recebido muita atenção da mídia internacional,[4] [5] [6] [7] [8] principalmente as especializadas em informática,[9] [10] [11] [12] pois o número de usuários registrados e também os activos havia crescido significativamente em 2007, mas muitos usuários, denominados também de residentes, abandonaram o Second Life, migrando para redes como Facebook, Twitter e outras redes sociais. O número de usuários (residentes) conectados ao Second Life gira em torno de 60.000, com alguns picos acima de 70.000 nos fins de semana.

Esta aplicação em 3D cria uma meta universo para comunidades virtuais. Simula perfeitamente um ambiente tridimensional e utiliza animação em 3D e avatares. Graças ao realismo da animação, os avatares podem sentir, ver ou experimentar uma interacção real.

Obtendo renda no ambiente virtual[editar | editar código-fonte]

Além de poder comprar os Linden Dollar com dinheiro real no site, é possível também ganhar Linden Dollar no jogo e convertê-los no site novamente para dinheiro real. Há inúmeras maneiras de se obter uma fonte de renda: é possível criar objetos, construir imóveis, desenvolver acessórios para os avatares (as personagens também são conhecidos por avatares[13] [14] ), fazer apostas em máquinas caça-níqueis, trabalhar para outros avatares e muito mais.

À medida que muitos usuários "jogam " second life, e outros o utilizam como meio de relacionamento, eles passam a adquirir produtos e contratar serviços virtuais, para aprimorar o seu avatar tanto na aparência como adquirindo casas, terrenos, veículos, roupas etc. Esse consumo cria uma demanda que possibilita que outros usuários criem e comercializem, de modo a suprir essa demanda. E com isso cria-se uma economia virtual e uma fonte de renda e de negócio também.

Mas um fato deve ser destacado. Pouca gente consegue ganhar dinheiro no Second Life. A maioria esmagadora gasta dólares no SL. Quando se cria uma conta no site da Linden Labs, pode-se cadastrar o cartão de crédito internacional. Pode-se então comprar lindens e gastá-los no SL. O motivo dos gastos se deve ao interesse de quem deseja ficar no jogo de obter roupas melhores, desenhadas e exclusivas, que são caras, para que o avatar seja distinto dos demais avatares.

Outros residentes costumam alugar terrenos para poderem colocar uma casa e, desta forma, poderem "jogar" objetos no chão, podendo assim melhor conhecer o Second Life. Praticamente em todo o Second Life, os avatares apenas podem vestir roupas, sem poder "jogar" um objeto no chão, como por exemplo um automóvel, uma mesa de jantar, para impedir que o ambiente virtual de uma ilha seja modificado.

O custo para manter uma ilha é elevado. Geralmente, mais de uma pessoa ajuda a pagar uma ilha para poder mantê-la on-line. O custo atual de uma ilha gira em torno de R$ 400 a R$ 500 por mês, dependendo da cotação do dólar. Todas as ilhas são pagas, e o não pagamento da mesma causa a desativação da ilha. Para colocar uma ilha on-line, o custo inicial é em torno de R$ 1.200.

Muitos usuários novatos no SL, costumeiramente denominados de "noobs", chegam procurando empregos. Os empregos no SL existem, porém são poucos, e se ganha em lindens. Não é necessário trabalhar para poder ficar no SL. Existem no SL muitas lojas de roupas, objetos gratuitos denominados Freebie. Lá se pode comprar muita coisa pagando zero lindens.

Novatos não conseguem empregos porque não sabem como o SL funciona e não sabem a quem pedir um emprego. os empregos mais comuns são de DJ, promoter (propagandista) de uma loja ou de um DJ (que praticam, entre outras, os famigerados spams no metaverso, inundando convites para suas listas de contatos), officer (um usuário administrador, que tem acesso a certas funções desativadas a usuários normais ) de uma ilha, escortes (acompanhamentes, garotas e garotos de programa virtuais), etc.

Outra prática que está se tornando constante no SL são os negociadores de lindens (na falta de uma expressão mais adequada no idioma português), que revendem lindens dóllars por reais. São verdadeiros cambistas, que convertem dinheiro real em dinheiro virtual. Muitos usuários, para adquirirem lindens dóllars, acabam por comprar direto destes usuários, pois é uma prática mais fácil de ser feita, do que a procura a lojas de câmbios oficiais no metaverso do SL. Não há qualquer agência reguladora de câmbio oficial no SL, apenas a própria administradora do programa. Em anos anteriores já foi tentado uma regulamentação deste setor, mas tanto a Linden Labs, quanto as instituições que se aventuraram a executar negócios no metaverso do SL acabaram por amargar um grande prejuízo. Hoje existem prestadores de serviços, que repassam o dinheiro virtual para usuários (aqui os cambistas de primeira linha), e estes para os demais (cambistas de outras linhas de negociação). No final da fila estão os usuários comuns que compram os linden dóllars dos negociadores de lindens que conhecem.[15]

Construindo objetos[editar | editar código-fonte]

Não se pode construir objetos em qualquer lugar ou terreno no Second Life, pois a maioria deles é de propriedade privada. Um jogador iniciante deve se dirigir às Sandboxes (Caixas de Areia), que são ilhas onde o avatar tem acesso livre para construir os objetos que desejar.

O avatar pode salvar os objetos selecionados em seu inventário, assim como outras coisas que ele ganhou de outras pessoas, freebies, prêmios, cartões de visita, etc.

Os meios de construir objetos no Second Life são muito interativos. Na Sandbox, ou no terreno que você criou, você começa com uma lista de objetos básicos: cubos, pirâmides, esferas, semi-esferas, etc. Esses objetos, somados e editados, podem dar formas a inúmeras coisas maiores e bem mais complexas do que os objetos básicos que se dispunha inicialmente. Os objetos básicos podem ser editados em seu tamanho (proporcional ou não), forma, rotação, posição, etc.

Os objetos construídos no Second Life podem, na maioria das vezes, conter scripts, a programação LSL que faz o objeto construído obedecer a ordens predeterminadas. Os scripts ficam anexos ao conteúdo do objeto, e um objeto pode conter vários tipos de scripts.

Os scripts são essenciais para fazer um objeto ser um mostruário de item a venda, por exemplo, e poder transferir esse item quando um avatar clicar nele e selecionar a opção comprar.

Grupos[editar | editar código-fonte]

No Second Life, os grupos funcionam como comunidades; podem ser de uma empresa ou até mesmo um grupo de amigos. Criar um grupo custa 100 Linden Dollars, e pode ter muitos membros divididos em um total de dez funções. Duas das funções são obrigatórias em um grupo: Everyone, que são todos os membros que entram no grupo, e Owner, que, além do criador do grupo, pode ter mais pessoas auxiliando com o gerenciamento.

Linguagem virtual[editar | editar código-fonte]

O Second Life, assim como outros jogos, tem seus próprios termos, para denominar objetos e ações dentro do metaverso. Por exemplo, o termo Gesture (significa Gesto) denomina todos os gestos que são encontrados no Second Life. Estes gestos variam, desde danças à falas. Prim ou Prims denomina cada elemento de uma construção, ou seja, cada objeto que foi criado para fazer uma construção. Cada ilha permite um limite de 15.000 prims, um bom número que pode armazenar inúmeras construções. Sim é uma porção de terra, também conhecido como ilha. Rental é a denominação de um objeto que é colocado em lojas de algum centro comercial, para que algum empresário alugue-a apenas pagando a quantia em Lindens. O Second Life possui muito mais termos, mas eles podem ser descobertos com o decorrer do jogo.

Educação[editar | editar código-fonte]

Muitas universidades e empresas estão usando Second Life para educar e treinar, inclusive as Universidades de Harvard e Oxford.[16] Em 2007 o mundo virtual Second Life passou a ser usado como um meio de ensino de línguas estrangeiras.[17] Educadores, tanto em Second Life quanto na vida real, começaram a usar o mundo virtual para ensinar. O inglês (como língua estrangeira) ganhou presença através de várias escolas e cursos, como British Council, voltado para o Teen Grid (um espaço virtual para adolescentes). A língua espanhola e o Instituto Cervantes possuem uma ilha em Second Life. Uma lista de projetos educacionais em Second Life (incluindo algumas escolas de línguas) podem ser encontrados no site SimTeach. Realizada em Março de 2009, a Conferência Internacional teve a participação de 3.647 avatares debatendo intensamente os diferentes usos do Second Life em educação, inclusive com um painel com as experiências de destaque em língua portuguesa no mundo virtual. A ABED - Associação Brasileira de Educação a Distância, contou também com inúmeras atividades realizadas no Second Life.

Todos os projetos acima descritos tiveram pouco retorno efetivo, face ao número de usuários que acessam o Second Life, bem como em razão de que a sua maioria prefere conhecer outras pessoas. Grande parte dos locais onde são mantidos tais projetos permanece em sua maior parte do tempo desertos.

Um exemplo disso foi o desaparecimento das duas ilhas do Banco Bradesco, que mantinha uma espécie de auditório para filmes e aulas de como construir e modelar objetos no Second Life.

Houve poucos usuários participantes, haja vista a dificuldade de se avisar que no local realizavam-se aulas, bem como o horário delas, já que muitos dos usuários do Second Life se dizem irritados com as maciças propagandas de lojas de DJs e, desta forma, saem dos grupos das empresas, para não receberam a cada instante um spam.

Aparência geral e cenários[editar | editar código-fonte]

Second Life é como uma vida paralela: é possível fantasiar os planos até então impossíveis de serem atingidos na vida real. O cenário do jogo é em terceira dimensão e completamente interativo, onde praticamente qualquer objeto encontrado em sua jornada poderá sofrer a interação do avatar, conforme sua respectiva função.

Os cenários são variados, dependendo do desenho e do gosto de quem criou cada região. Apesar do ambiente possuir um mapa global extenso, a distância não é um problema, pois é possível voar e se teletransportar. É possível, também, correr, abaixar-se, pular, entre outros inúmeros gestos disponíveis. O jogo tem um fuso horário próprio (UTC-7) ou Pacific Meridian Time, o mesmo da Califórnia, onde é sediado o Linden Lab, mantenedor do jogo. Em relação ao horário de Brasília, a diferença é de 4 horas para menos. Se agora no Brasil (verifique seu relógio) são 23:21, no Second Life a hora é 19:21.

O ciclo dia-noite no Second Life, porém, dura apenas 4 horas, período em que o sol nasce e se põe. Nesta última versão lançada em 2010, é possível "configurar" qual horário do dia você quer que seu avatar veja. Esta versão também traz um menu interativo em português.

É possível comprar, ou às vezes encontrar gratuitamente, gestos, roupas, peles, formas de corpo, e também trocar de sexo ou cabelo. Objetos também podem ser encontrados ou comprados: carros, casa, bola, vara de pescar, cadeira, quadros, revistas, jornais, motos etc.

Na maioria dos lugares do mundo virtual do Second Life não há qualquer dano ao personagem, ou seja, mesmo que alguém dê um tiro com uma arma virtual, apesar do barulho ou susto, o personagem não sofrerá qualquer tipo de avaria. Mesmo caindo de centenas de metros de altura, também não há problemas: o avatar levanta-se e pronto. Mas é possível "perder energia" ao levar tiros ou cair em terrenos virtuais onde aparece o ícone de um coração (indicado pela palavra "saúde") na barra superior da tela. Nestes locais, caso o avatar perca 100% de sua "energia", ele volta para a "área de boas-vindas" do Second Life, a região por onde todo avatar entra pela primeira vez no mundo virtual. Esta característica é acionada pelo dono do terreno virtual, e é uma das maneiras de se criar jogos dentro do Second Life. As guerras entre vampiros, lobisomens e outros clãs se dá dentro do metaverso, nas ilhas onde é permitido este tipo de "jogo" (um jogo dentro do "jogo").

Usabilidade[editar | editar código-fonte]

A usabilidade do Second Life é interativa com quase todos os objetos do cenário, principalmente com aqueles que são colocados ali especialmente para serem usados por outras pessoas, como fontes de distribuição de jornais, revistas, freebies, asas-deltas e outros. O Second Life pode ser utilizado tanto em visão de primeira pessoa como de terceira pessoa. Ao aumentar o zoom, o avatar deixa de aparecer na tela, sendo substituído por um pequeno alvo, o que aumenta o manuseio de muitos objetos, como armas, por exemplo.

Polêmicas[editar | editar código-fonte]

Com uma rede social complexa, o Second Life também sofreu críticas da imprensa e opinião pública por não conseguir controlar crimes virtuais como racismo e crimes relacionados à pedofilia.[18] [19] [20]

A segunda vida "encantou" a ponto de até mesmo famosas comunidades católicas fazerem da vinda do Papa Bento XVI ao Brasil, em 2007, um motivo para entrarem no serviço,[21] [22] o que levantou questionamentos sobre a legitimidade de tal ação em comunhão com a verdadeira doutrina da Igreja Católica.

Em 2009 houve uma reestruturação generalizada em grande parte de ilhas, principalmente as ilhas que eram mantidas por empresas. Algumas empresas não conseguiram adaptar o conteúdo das ilhas as novas regras impostas pela Linden Labs, muitas regras as quais vieram à tona por questão da ilegalidade de determinados tipos de serviços oferecidos pelas empresas. Um exemplo claro eram os bingos, cassinos e ilhas com oferta e exploração generalizada de jogos de azar (jogatinas). Muitos países, como o Brasil, por exemplo, não permitem, em sua constituição federal, este tipo de serviço. Por isso mesmo, a Linden Labs, obedecendo e seguindo orientações a respeito destas restrições regionais, acabou por mudar os critérios de validação de produtos e serviços disponibilizados em suas "ilhas".

As ilhas no Second Life[editar | editar código-fonte]

Desde 2010, a Linden Labs disponibilizou a versão 2.0 do visualizador do Second Life para seus residentes. E também a Welcome Island, Ilhas de Boas-Vindas em português, que é exclusiva para novos jogadores e funciona como uma auto-ajuda, com orientações sobre comandos básicos de operação do avatar, relacionados à movimentação da tela, do próprio avatar, observação do ambiente e interação com os objetos, itens e outros avatares dentro do metaverso do Second Life.

Além da Welcome Island, existe a Discovery Island, Ilha da Descoberta em português, esta direcionada para todos os residentes (novos ou velhos), onde se passa também experiências iniciais aos interessados. Há a oferta gratuita de produtos e objetos, que são adquiridos sem a necessidade do avatar possuir lindens dollars.

As Freebies são as ilhas com itens gratuitos para, principalmente, novos residentes ou residentes que não tem trabalho e querem obter produtos e objetos de graça. São grandes shoppings centers, onde muitos procuram objetos, itens e produtos para seu avatar: roupas, sapatos, blusas, camisas, camisetas, jóias, acessórios (como bonés, brincos, pulseiras), etc. Há até carros, barcos e casas em algumas Freebies.

Neste universo existem diferentes ilhas, específicas por assunto ou tema, direcionados para públicos específicos ou em geral, que tratam e permitem diferentes ações e movimentos. Ilhas de nudismo, sexo virtual, compras (estilo shoppings centers), discotecas, praias, as já citadas SandBoxes (para avatares criarem animações e testar seus objetos adquiridos), Yoga, Lutas (existem os chamados "clãs" dentro do metaverso do SL, que travam lutas e guerreiam nestas ilhas em grupos ou isoladamente), entre outras. É um metaverso complexo, com vários desdobramentos, e muitas possibilidades de interação, cada uma para o gosto específico do residente e experientes.

Referências

  1. Link O Estado de S. Paulo: A arquitetura virtual nem começou: "[...] para o Second Life (SL), [...]"
  2. Linden Lab (em inglês)
  3. Expresso: Agitação social e escândalos sexuais crescem no Second Life: "[...] como em RL (querendo dizer na vida real, Real Life)"
  4. Mais de 200 notícias em português sobre Second Life
  5. mais de 350 notícias sobre Second Life em italiano
  6. Mais de 2.600 notícias sobre Second Life em inglês
  7. Expresso: Problemas reais chegam à vida virtual
  8. B2B Magazine: Anhembi Morumbi inaugura campus no Second Life
  9. Exame Informática: Universidade de Aveiro inaugura hoje ilha no Second Life
  10. Exame Informática: Yahoo! estreia pesquisa no Second Life
  11. INFO Online: O Yahoo! pôs sua ferramenta de busca para funcionar dentro do Second Life esta semana.
  12. PC WORLD: Second Life conta com apenas 0,6% dos brasileiros conectados
  13. Abril Info Corporate: "[...] Assim, o avatar do vendedor da IBM [...]"
  14. PC WORLD: "Avatares de qualquer lugar do mundo podem freqüentá-la e [...]"
  15. Second Life Finance to Go Real: Bans Unregulated Financial Industry bizcovering.com. Visitado em 2 de Março de 2011.
  16. Parker, Quin. "A second look at school life", The Guardian, 2007-04-6. Página visitada em 2007-06-16.
  17. Dorveaux, Xavier. "Apprendre une langue dans un monde virtuel", Le Monde, 2007-07-15. Página visitada em 2007-07-15.
  18. Expresso: Agitação social e escândalos sexuais crescem no Second Life
  19. Diário Digital: Polícia investiga Second Life por casos de pedofilia
  20. INFO Online: Second Life reage a denúncias de pedofilia
  21. O Globo Online. – "Emissora da renovação carismática cria ilha no Second Life"
  22. G1. Portal de Notícias da Globo. – "Na visita do Papa, Second Life ganha 'igreja'"

Ligações externas[editar | editar código-fonte]