Segunda Guerra Civil de Sula

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Segunda Guerra Civil de Sula
Parte das Guerras civis romanas
Sulla Glyptothek Munich 309.jpg
Busto de Sula na Gliptoteca de Munique.
Data 83 a.C.82 a.C.
Resistência mariana na Hispânia não reprimida completamente até 72 a.C.
Local Itália, Sicília, África
Desfecho Vitória decisiva para Sula
Mudanças
territoriais
Nenhuma
Combatentes
Vexilloid of the Roman Empire.svg Optimates Vexilloid of the Roman Empire.svg Populares
Principais líderes
Vexilloid of the Roman Empire.svg Lúcio Cornélio Sula
Vexilloid of the Roman Empire.svg Marco Licínio Crasso
Vexilloid of the Roman Empire.svg Cneu Pompeu Magno
Vexilloid of the Roman Empire.svg Metelo Pio
Vexilloid of the Roman Empire.svg Caio Mário, o Jovem
Vexilloid of the Roman Empire.svg Cneu Papírio Carbão
Vexilloid of the Roman Empire.svg Pontio Telesinos
Vexilloid of the Roman Empire.svg Lúcio Cornélio Cina

A Segunda Guerra Civil de Sula foi uma das várias guerras civis romanas da antiga Roma. Foi travada entre Lúcio Cornélio Sula e Caio Mário.

Prelúdio[editar | editar código-fonte]

Sula havia conseguido o controle temporário de Roma e exilou Caio Mário na África após a sua primeira marcha sob Roma, mas se retirou logo em seguida devido a Primeira Guerra Mitridática. Esta retirada permitiu que Caio Mário e seu filho Caio Mário, o Jovem, voltassem para Roma com um exército e, com Lúcio Cornélio Cina tomarem o controle de Roma do apoiador de Sula, Cneu Otávio, durante a ausência de Sula. Com as ordens de Mário, alguns de seus soldados que passavam por Roma assassinaram os principais partidários de Sula, incluindo Otávio. Suas cabeças foram expostas no fórum romano. Depois de cinco dias, Cina ordenou que suas tropas mais disciplinadas matassem os soldados furiosos de Mário. Ao todo, cerca de 100 nobres romanos tinham sido assassinados. Mário declarou que as reformas e leis de Sula eram inválidas, exilou oficialmente Sula e elegeu a ele mesmo como comandante leste de Sula e ele e Cina foram eleitos cônsules para o ano de 86 a.C. Mário morreu quinze dias depois e Cina e foi deixado com o controle total de Roma.

Tendo conseguido esta conquista, os marianos enviaram Lúcio Valério Flaco com um exército para aliviar Sula de seu aprisionamento no leste. Flaco havia apontado Caio Flávio Fímbria como segundo em comando, um indivíduo que a História registrou que possuía poucas virtudes. Ele então eventualmente se mobilizou contra seu comandante e incitou as tropas para assassinarem Flaco.

Enquanto isso, os dois exércitos romanos acampados próximos a localidade de Sula, não pela primeira vez, encorajou a seus soldados que espalhassem a discórdia dentro do exército de Flaco. Muitos desertaram a favor de Sula antes de que Flaco pudesse fugir para o norte, ameaçando os domínios do norte de Mitrídates. Enquanto isso, Sula se moveu para interceptar o exército póntico e acabar com a guerra Orcomeno.

Curso[editar | editar código-fonte]

Com Mitrídates derrotado e Cina agora morto devido a um motim, Sula estava determinado a recuperar o controle de Roma. Em 83 a.C., ele desembarcou incontestavelmente em Brundísio com três legiões veteranas. Assim, ele havia posto seus pés na Itália, os antigos nobres apoiadores de Sula que tinham sobrevivido ao regime de Mário se uniram a Sula. O mais importante foi Metelo Pio, que reuniu suas legiões na África e junto com Marco Licínio Crasso que havia levantado tropas na Hispânia, juntaram-se a Sula logo após o seu desembarque na Itália. O consular Lúcio Márcio Filipo também se uniu a Sula e liderou uma força que incluiu a Sardenha na causa de Sula. Aqui é onde o jovem Pompeu surge, filho de Pompeu Estrabão, levantou três legiões em Piceno e, derrotou as forças de Mário, retornando a Sula. Com estes reforços, o exército de Sula cresceu para cerca de 50 mil homens, com suas legiões leais começando sua segunda marcha para Roma.

Para verificar seus inimigos sem antecedente resistência, Carbão enviou seus cônsules fantoches, Caio Norbano Balbo e Lúcio Cornélio Cipião Asiático, ambos junto com seus exércitos contra Sula. Ansioso para não parecer um invasor com fome de guerra, Sula enviou deputações para Norbano oferecendo uma negociação, mas foram rejeitadas. Norbano então se moveu para bloquear o avanço de Sula em Canúsio e tornou-se o primeiro a enfrentá-lo na Batalha do Monte Tifata. Aqui, Sula infligiu uma derrota esmagadora sobre os marianos, com Norbano perdendo seis mil de seus homens contra 70 de Sula. O abatido Norbado se retirou com os resto de seu exército para Cápua, assim Sula foi interrompido em sua busca pelo segundo cônsul, Cipião. Mas os homens de Cipião não estavam dispostos a lutar e quando Sula se aproximava, desertaram em massa para ele, inchando ainda mais as suas fileiras. O cônsul e seu filho foram encontrados encolhidos em suas tendas e os trouxeram para Sula, que os libertou após extrair uma promessa de que nunca mais iriam lutar contra ele ou retornaram para Carbão. No entanto, imediatamente após a sua libertação, Cipião quebrou sua promessa e retornou para Carbão em Roma. Sula então derrotou Norbano pela segunda vez, que também fugiu para Roma que teve Metelo Pio e todos os outros senadores apoiando Sula contra seus declarados inimigos de Estado.

Os novos cônsules para 82 a.C. foram Carbão, no seu terceiro mandato, e Caio Mário, o Jovem, que possuía apenas 22 anos de idade na época. Na pausa da campanha durante o inverno, os marianos definiram sobre a reposição de suas forças. Quinto Sertório cobrou homens da Etrúria, os veteranos de Mário saíram de suas aposentadorias para lutarem sob as ordens de seu filho e os samnitas reuniram seus guerreiros em apoio a Carbão, na esperança de destruírem o homem que os derrotou durante a Guerra Social, Sula.

Como o inverno havia acabado, Sula percorreu ao longo da Via Latina para a capital e Metelo liderou as forças de Sula no norte da Itália. Carbão se jogou contra Metelo, enquanto o jovem Mário defendeu a própria cidade de Roma. Mário moveu-se para bloquear o avanço de Sula em Sígnia, caindo de volta para a cidade-fortaleza de Preneste, em frente da qual elaborou seu plano de batalha. A luta foi longa e difícil, mas no final, os veteranos de Sula ganharam o dia. Com suas linhas flambadas e deserções em massa de suas tropas para Sula, o jovem Mário decidiu fugir. Ele e muitos de seus homens buscaram refúgio em Preneste, mas os habitantes aterrorizados, fecharam suas portas; Mário teve que ser içado por uma corda, enquanto centenas de marianos eram presos entre as paredes e os seguidores de Sula eram massacrados. Sula então deixou seu tenente, Lucrécio Preneste Oféla cercar e passou por Roma que estava indefesa.

Após sua derrota, Mário ordenou ao pretor Bruto Damasipo em Roma, que matasse quaisquer simpatizantes restantes de Sula, antes de que Sula pudesse retornar a cidade. Damasipo convocou uma reunião no senado, lá, na Cúria marcou os homens a serem rotulados como assassinos. Alguns, como Lúcio Domício Enobarbo foram mortos no chão do senado, quando tentavam fugir, e o pontífice máximo (pontifex maximus), padre-chefe de Roma, Quinto Múcio Cévola foi assassinado no Templo de Vesta, e os corpos dos mortos foram lançados no rio Tibre.

Como Sula havia cercado a cidade de Roma com suas tropas, os portões foram abertos sem resistência pelo povo, sem uma luta, os marianos fugiram. A cidade era de Sula, mas ele não iria gastar muito tempo em Roma, assim mais uma vez saiu com seu exército. Ao mesmo tempo, Sula derrotou Mário, enquanto Metelo estava enfrentando um exército liderado pelo general de Carbão, Caio Carrinas, Carbão com sua força superior se retirou após ouvir a derrota em Preneste para Armínio. Sula então teve outra vitória em Satúrnia, seguida por sua derrota por Carbão em Clúsio. Tendo tomado e saqueado a cidade de Sema, Pompeu e Crasso abateram 3 000 marianos em Espoleto, antes de emboscar e destruir uma força enviada por Carbão para aliviar Mário em Preneste. Enquanto isso, os samnitas, Pôncio Telesino e o lucano Marco Lampônio marcharam com 70 000 homens para quebrar o cerco a Preneste. Um Sula vigoroso bloqueou em somente um passe e fez o seu percurso impossível, Sula também bloqueou uma tentativa de Damasipo com duas legiões para chegar a Mário. Metelo esmagou um exército liderado por Norbano em Favência e Marco Terêncio Varrão Lúculo conquistou uma vitória sob os homens de Carbão em Placência. Carbão não havia se ferido, mas tinha sofrido várias derrotas perdendo o ânimo de lutar. Mesmo que ele ainda possuísse exércitos no campo, ele decidiu fugir do local. Com sua equipe e alguns soldados, Carbão fugiu para a Sicília, na tentativa de continuar a resistência por lá. Damasipo e Carrinas juntaram suas forças com os samnitas e lucanos e marcharam sobre Roma. Lá, na Batalha do Portão Colina, a última batalha decisiva da guerra civil teve lugar e fora do amargo, Sula finalmente emergiu vitorioso com 50 000 mortos, entre eles o samnita Telesino. Carrinas e Lampônio foram trazidos para Sula no dia seguinte e executados.

Sula agora entrava na cidade Roma vitorioso. Uma reunião do senado foi convocada no Templo de Belona, enquanto Sula estava se dirigindo aos senadores com os gritos aterrorizados no Campo de Marte. Sula disse aos senadores para não se preocuparem, de que alguns "criminosos estão recebendo uma correção". Era o som de 8 000 prisioneiros que se renderam no dia anterior prontos para serem executados por ordens de Sula, nenhum deles foi poupado. Logo, Sula tinha se declarado ditador, e ele agora possuía poder supremo sob Roma.

Quando as pessoas famintas de Preneste se desesperaram e se renderam a Oféla, Mário se escondeu nos túneis abaixo da cidade e tentou escapar através deles, mas falhou e cometeu suicídio. O povo de Preneste foi massacrado por Oféla. Carbão logo foi descoberto e preso por Pompeu, que Sula havia mandado para rastrear o homem. Pompeu o encontrou chorando antes de colocá-lo em correntes e executá-lo publicamente em Lilibeu, com a cabeça, em seguida, enviada para Sula e exibida junto com a cabeça de Mário e os outros no fórum.

Resultado[editar | editar código-fonte]

Ao fim desta guerra, Sula foi instalado como ditador romano.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]