Segunda Guerra Curdo-Iraquiana

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Segunda Guerra Curdo-Iraquiana
Parte da(o) Conflito curdo-iraquiano
Data Abril de 1974-meados de 1975
Local Curdistão iraquiano
Desfecho Vitória do governo iraquiano
  • Governo iraquiano restabelece o controle sobre o Curdistão
  • Capacidade de combate Peshmerga essencialmente destruída
  • Cessar-fogo
  • Insurgência de baixo nível da União Patriótica do Curdistão
Combatentes
KDP Iraque
Principais líderes
Mustafa Barzani Iraque Saddam Hussein
Forças
50,000-60,000 peshmerga[1]
50,000 irregulares[1]
Total: 100,000-110,000
90,000 homens[1]

1,200 tanques e veículos blindados[1]
200 aeronaves[1]
(nem todas envolvidas)[1]

Vítimas
reivindicação curda:
2,000 mortos[2]
reivindicação curda:
7,000 mortos, 10,000 feridos[2]

100 aviões destruídos[3] 150 tanques destruídos[3]

600,000 deslocados[2] [4]

Segunda Guerra Curdo-Iraquiana foi uma ofensiva liderada por forças iraquianas contra as tropas rebeldes do Partido Democrático do Curdistão de Mustafa Barzani durante os anos de 1974-1975. A guerra veio na sequência da Primeira Guerra Curdo-Iraquiana (1961-1970), já que o acordo de paz de 1970 para a autonomia curda tinha falhado.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Os curdos liderados por Mustafa Barzani estavam envolvidos em combates pesados ​​contra os sucessivos regimes iraquianos de 1960 a 1975. A Primeira Guerra Curdo-Iraquiana (1961-1970) conduziu a um impasse e em março de 1970 o Iraque anunciou um plano de paz que prevê a autonomia curda. O plano deveria ser implementado em quatro anos.[5] No entanto, ao mesmo tempo, o regime iraquiano iniciou um programa de arabização nas regiões ricas em petróleo de Kirkuk e Khanaqin.[6]

Erupção do conflito[editar | editar código-fonte]

O acordo de paz de 1970 não durou muito, e em 1974, o governo iraquiano iniciou uma nova ofensiva contra os rebeldes curdos, empurrando-os perto da fronteira com o Irã. O Iraque informa a Teerã que estava disposto a satisfazer outras exigências iranianas em troca de um fim a seu auxílio para os curdos. Além disso, em março de 1975, com a mediação do presidente argelino Houari Boumedienne, Iraque e Irã assinaram o Acordo de Argel. Segundo o Irã, o acordo cortava suprimentos para os curdos iraquianos. Seguindo esta evolução, Barzani fugiu para o Irã com muitos dos seus apoiantes. Outros renderam-se em massa e a rebelião terminou dentro de um curto período de tempo. As vítimas da guerra são estimadas em cerca de 5.000 soldados e civis.[4]

Consequências[editar | editar código-fonte]

Como consequência o governo iraquiano estendeu seu controle sobre a região norte, após 15 anos e, a fim de garantir a sua influência, iniciou um programa de arabização transferindo árabes para as imediações de campos de petróleo no Curdistão, em particular aquelas em torno de Kirkuk.[7] As medidas repressivas realizadas pelo governo contra os curdos após o acordo de Argel levaram a confrontos renovados entre o exército iraquiano e os guerrilheiros curdos em 1977. Entre 1978 e 1979, 600 aldeias curdas foram queimadas e cerca de 200.000 curdos foram deportados para as outras partes do país.[8]

No início de 1980, com a erupção da Guerra Irã-Iraque, outra rebelião curda no norte do Iraque entrou em erupção, iniciada em grande parte com apoio iraniano. A revolta terminou eventualmente com uma campanha de extermínio em massa por Saddam Hussein em 1986-1989. Durante a campanha Al-Anfal, um número estimado de 182.000 curdos perderam a vida no norte do Iraque e centenas de milhares tormaram-se refugiados, fugindo principalmente para o vizinho Irã.

A área entrou em turbulência mais uma vez em 1991, após a Guerra do Golfo. Incentivados pela derrota de Saddam no Kuwait, os xiitas e os curdos revoltaram-se abertamente contra o regime do Partido Baath. Ao contrário da fracassada rebelião xiita no sul, a revolta curda, eventualmente, levou ao estabelecimento da região autônoma curda.

Referências

  1. a b c d e f Sammy Salama, Ibrahim Al-Marashi: An Analytical History: Iraq's Armed Forces, Routledge, 2008, ISBN 0415400783, pg. 121-122
  2. a b c Iraq (Kurds)
  3. a b The Progress of the Peshmerga Forces and their role in post-2003 Iraq
  4. a b [1]
  5. G.S. Harris, Ethnic Conflict and the Kurds in the Annals of the American Academy of Political and Social Science, pp.118-120, 1977
  6. Introduction. Genocide in Iraq: The Anfal Campaign Against the Kurds (Human Rights Watch Report, 1993).
  7. G.S. Harris, Ethnic Conflict and the Kurds, Annals of the American Academy of Political and Social Science, p.121, 1977
  8. M. Farouk-Sluglett, P. Sluglett, J. Stork, Not Quite Armageddon: Impact of the War on Iraq, MERIP Reports, July–September 1984, p.24