Seja Você Mesmo (mas não Seja sempre o Mesmo)

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Seja Você Mesmo (mas não Seja sempre o Mesmo)
Álbum de estúdio de Gabriel o Pensador
Lançamento 15 de maio de 2001[1] [2]
Gênero(s) Rap rock
Duração 52:50
Idioma(s) Português
Gravadora(s) Sony Music
Produção Itaal Shur, Liminha, Chico Neves
Cronologia de Gabriel o Pensador
Último
Último
Nádegas a Declarar
(1999)
Tás a Ver: O Melhor de Gabriel o Pensador
(2003)
Próximo
Próximo

Seja Você Mesmo (mas não Seja sempre o Mesmo) é o quinto álbum de estúdio do rapper brasileiro Gabriel o Pensador, lançado em 2001 pela gravadora Sony Music. Para o disco produzido por Itaal Shur, Liminha e Chico Neves, o cantor queria fazer algo mais reflexivo comparado ao que havia feito anteriormente e que ajudasse as pessoas a pensarem em sua realidade e fizesse-os quererem mudar a situação

Diferentemente de seus antecessores, no disco foram utilizadas guitarras, por sugestão do produtor Itaal Shur, o que foi notado e elogiado pela maioria dos críticos, que qualificaram esse como o "mais pesado" de seus álbuns. No entanto, a produção também contou com ritmos mais parecidos com os de seus trabalhos anteriores. A canção "Tem Alguém Aí?" teve a participação de Digão enquanto Lenine cantou ao lado de Gabriel em "Brasa".

Antecedentes e produção[editar | editar código-fonte]

Com seu disco anterior, Nádegas a Declarar, que foi certificado pela ABPD com um disco de ouro,[3] Gabriel havia chego ao posto de "preferência nacional".[4] No entanto, nessa época, ele estava "realmente obcecado em fazer as pessoas pensarem, protestarem e quererem mudar isso que está aí" e querendo "dizer as coisas com mais força" e encontrou na música uma maneira "de dar mais impacto".[5] [6] O cantor afirmou que "a gente sempre acha que chegou a uma situação limite e que está na hora de mudar tudo, aí as coisas sempre ficam piores. Mas acho que desta vez está demais. Não dá para continuar." Ele criticou essa situação em "Até Quando?", música na qual diz "espetar" o ouvinte, pois, segundo ele, "os escândalos e as tragédias não provocam mais nenhuma comoção".[6] O uso de guitarras foi uma sugestão dada pelo produtor do CD, Itaal Shur, no entanto Gabriel disse que Seja Você Mesmo (Mas Não Seja Sempre o Mesmo) "não é um CD só de rock, são algumas músicas".[5]

Estilo e temas[editar | editar código-fonte]

O disco se diferenciou dos anteriores por seu "som mais pesado" e uso de guitarras,[5] que acontece em "Se Liga Aí", "Pega Ladrão!" e "Até Quando?", enquanto que "É Pra Rir Ou Pra Chorar?", "Sem Parar" e "Mário" se mantém com a sonoridade de seus discos anteriores.[7] Além do rock, o disco contou com peso de instrumentos de samba em "Até Quando?", funk em "Sem Parar" e swing em "É pra Rir ou pra Chorar?".[8]

Paulo Vasconcellos, do CliqueMusic, descreveu o álbum como um "disco temático contra a corrupção, a violência policial, a injustiça e o conformismo da população."[6]Mauro Ferreira, crítico carioca, disse que o CD "pode ser encarado como um tratado politizado sobre o exercício benéfico da cidadania" e que nele o cantor crítica a desigualdade, "radiografa[ndo] em seu discurso as fraturas expostas de uma sociedade injusta".[8]

A canção que abre o disco, "Se Liga Aí", "é praticamente uma carta de princípios pelas liberdades" e contém "riff bem rock n roll e vocais nervosos de Gabriel";[8] [9] ela é seguida de "Até Quando?", cuja letra crítica o conformismo da sociedade brasileira.[6] [8] "Ãh" possui uma "letra é engraçada e seu final é uma lição a ser entendida", que trata da alienação,[6] [9] enquanto "Pega Ladrão!" critica a política brasileira.[5] [7]

"Tem Alguém Aí?", com a participação de Digão, "fala da dependência e das causas que levam o jovem a procurar a droga", nessa música Gabriel contou com o auxílio do psiquiatra Merinho Pereira;[5] Gabriel utiliza "cinismo debochado" em "É pra Rir ou pra Chorar?";[8] já "Sem Parar" "tem a ver com superação, seguir em frente."[10] Em "Mário", o cantor defende a "politização do cidadão", como o personagem da música que "deixou de ser otário" e passou a lutar por seus direitos e a enfrentar os poderosos como um representante do povo.[8] [6] A canção "Brasa" trata da relação do brasileiro que vive no exterior com o país, de duas formas: de quem vê o Brasil de fora e sente saudade e de quem volta e fica com vergonha de tudo de ruim que percebe na realidade nacional.[5] [6] Gabriel varia o estilo em "Sei Lá", onde canta suas dores de amor.[8]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Críticas profissionais
Avaliações da crítica
Fonte Avaliação
CliqueMusic 2 de 5 estrelas.Star full.svgStar empty.svgStar empty.svgStar empty.svg[7]
Whiplash.net (Positiva)[9]

Os críticos em geral avaliaram esse como "mais rock" que seus anteriores.[5] [8] [7] [9] Rodrigo Simas do Whiplash.net comentou que esse disco se diferencia dos anteriores, pois "são pouquíssimas músicas com barulhos eletrônicos e texturas pop/dance bastante presentes nos seus outros CDs." Ele elogiou a maioria das músicas, dizendo que são "composições bastante interessantes, tanto no instrumental, como logicamente nas letras". Simas ainda disse que o nome do disco "já valeria comprar esse disco" e elogiou a mudança de comportamento do cantor. Simas destacou "Até Quando?", que ele qualifica como "sensacional"; e "Ãh" que "é uma música bem fraquinha, mas sua letra é engraçada e seu final é uma lição a ser entendida." Ele ainda elogiou "Pega Ladrão" e "a pesada 'Tem Alguém Aí'".[9]

Escrevendo para o CliqueMusic, Marco Antonio Barbosa, disse que o "radicalismo, claro, que ficam restritos (aparentemente) às letras." Ele elogiou as críticas sociais feitas, mas disse que "falta humor, ou quando o há, é sem graça" e qualificou os trocadilhos de "Mário" e "Se Liga Aí" como "tristes". Ele elogiou a música "Brasa" dizendo que nela "há emoção verdadeira". Ele finalizou dizendo que é "um álbum que dá aos fãs de Gabriel quase tudo o que eles esperam", mas que "faltaram algumas risadas e mais indignação - sonora, e não verbal."[7]

Mauro Ferreira afirmou que Itaal Shur foi "um plus e tanto no som do Pensador" e que as "guitarras dão um tempero-extra à música, de refrão pegajoso" sobre "Se Liga Aí". Ferreira disse que Gabriel "toca na ferida" em "Tem Alguém Aí?"; elogiou "É pra Rir ou pra Chorar?" dizendo que ela é "uma das músicas mais suingantes do CD" e o refrão desta tanto quanto de "Masturbação Mental" que ele qualifica como "quase hipnotizante".[8] Affonso Romano de Sant'Anna comparou Gabriel com os repentistas, dizendo que já no título do disco o cantor demonstra tais características, "pois à frase 'seja você mesmo' segue-se 'mas não seja sempre o mesmo', aparentemente contradizendo, mas duplicando a mensagem."[11]

Faixas[editar | editar código-fonte]

Lenine participou do álbum na canção "Brasa".
N.º Título Compositor(es) Duração
1. "Se Liga Aí"   Gabriel o Pensador, Liminha, Ana Lima 3:51
2. "Até Quando?"   Gabriel o Pensador, Tiago Mocotó, Itaal Shur 4:21
3. "Ãh"   Gabriel o Pensador, Itaal Shur 4:19
4. "Pega Ladrão!"   Gabriel o Pensador, Tiago Mocotó, Ana Lima, Itaal Shur 4:11
5. "Tem Alguém Aí? (com Digão)"   Gabriel o Pensador, Merinho Pereira, Digão, Baca 4:43
6. "Masturbação Mental"   Gabriel o Pensador, Itaal Shur 4:34
7. "É pra Rir ou pra Chorar?"   Gabriel o Pensador, Liminha 4:49
8. "Sem Parar"   Gabriel o Pensador, Itaal Shur 4:35
9. "Mário"   Gabriel o Pensador, Itaal Shur 4:27
10. "Brasa (com Lenine)"   Gabriel o Pensador, Lenine 7:06
11. "Sei Lá"   Gabriel o Pensador, Itaal Shur, Jonathan Maron 5:54
Duração total:
52:50

Equipe técnica[editar | editar código-fonte]

A seguir estão listados os músicos e técnicos envolvidos na gravação e produção de Seja Você Mesmo (Mas Não Seja Sempre o Mesmo).[12] [13]

Referências

  1. Seja Você Mesmo (Mas Não Seja Sempre O Mesmo) iTunes. Página visitada em 3 de junho de 2013.
  2. Seja Você Mesmo (Mas Não Seja Sempre O Mesmo) Terra Sonora. Página visitada em 3 de junho de 2013.
  3. Certificações de Gabriel o Pensador na ABPD Associação Brasileira dos Produtores de Disco. Página visitada em 3 de junho de 2013.
  4. Ferreira, Mauro (Outubro de 1999). Gabriel O Pensador, preferência nacional www.gabrielopensador.com.br. Página visitada em 24 de setembro de 2012. Cópia arquivada em 28 de janeiro de 2010.
  5. a b c d e f g Pinheiro, Augusto (18 de junho de 2001). Gabriel volta mais pesado Folha.com. Página visitada em 3 de abril de 2013. "O novo CD de Gabriel, o Pensador, "Seja Você Mesmo, Mas Não Seja Sempre o Mesmo", traz um som mais pesado que o habitual, com bastante uso de guitarras."
  6. a b c d e f g Vasconcellos, Paulo (25 de maio de 2001). Gabriel o Pensador encara o mar de lama brasileiro CliqueMusic. Página visitada em 3 de abril de 2013.
  7. a b c d e Barbosa, Marco Antonio (2001). Seja Você Mesmo, Mas Não Seja Sempre o Mesmo CliqueMusic. Página visitada em 3 de abril de 2013. "O dado realmente novo em seu quinto CD é uma pegada bem mais roqueira que no álbum anterior"
  8. a b c d e f g h i Ferreira, Mauro (Maio de 2001). Seja Você Mesmo (Mas Não Seja Sempre o Mesmo) - Release www.gabrielopensador.com.br. Página visitada em 3 de abril de 2013. Cópia arquivada em 15 de fevereiro de 2004. "Um plus e tanto no som do Pensador. Que está mais roqueiro"
  9. a b c d e Simas, Rodrigo (17 de setembro de 2001). Resenha - Seja Você Mesmo Mas Não Seja Sempre O Mesmo - Gabriel Pensador Whiplash.net. Página visitada em 3 de abril de 2013. "são pouquíssimas músicas com barulhos eletrônicos e texturas pop/dance bastante presentes nos seus outros CDs [...] mas sempre com grande influência de rock"
  10. Rodrol, Lika; Espinossi, Rosângela (28 de maio de 2010). Gabriel O Pensador dedica música para Seleção Brasileira Terra Networks. Página visitada em 4 de abril de 2013.
  11. Sant'Anna, Affonso Romano de (24 de novembro de 2001). Gabriel e o 'rap' pensador O Globo. Página visitada em 15 de março de 2012. Cópia arquivada em 13 de março de 2007.
  12. Seja Você Mesmo (Mas Não Seja Sempre o Mesmo) - Ficha técnica www.gabrielopensador.com.br. Página visitada em 3 de abril de 2013. Cópia arquivada em 15 de fevereiro de 2004.
  13. Seja Você Mesmo (Mas Não Seja Sempre o Mesmo) - Músicas www.gabrielopensador.com.br. Página visitada em 3 de abril de 2013. Cópia arquivada em 15 de fevereiro de 2004.