Selge

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O teatro romano de Selge.

Selge (em grego: Σελγη) foi uma cidade importante da região histórica da Pisídia, situada nas vertentes sul dos Montes Tauro, perto do local onde o Rio Eurimedonte (denominado atualmente Köprüçay) força o seu caminho para sul através das montanhas.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Acredita-se que a cidade tivesse começado por ser uma colónia grega, pois Estrabão refere que teria sido fundada por gregos da Lacónia (região cuja capital é Esparta), mas ao mesmo tempo acrescenta uma nota confusa sobre ter sido previamente fundada por Calcas.[2] A acrópole de Selge ostentava o nome de Kesbedion.[1]

A aldeia de Altınkaya e as ruínas de Selge vistas do teatro.
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A região onde se situava era muitíssimo fértil, produzindo azeite, vinho e madeira de várias variedades em abundância. Outras produções valiosas e famosas da cidade eram o storax, uma resina aromática utilizada em perfumaria, e uma pomada preparada a partir de raízes de lírios.[3]

A cidade era de muito difícil acesso, por estar rodeada de precipícios e leitos de torrentes afluentes do Eurimedonte e do Cestrus (o atual Aksu), cuja passagem requeria pontes.

Em consequência das suas excelentes leis e constituição política, Selge ganhou o estatuto da mais poderosa e populosa cidade da Pisídia e numa ocasião conseguiu reunir um exército de 20 000 homens. Devido a estas circunstâncias e ao valor das suas gentes, pelo qual qual eram vistas como aparentadas meritórias dos espartanos, Selge nunca foi subjugada por nenhuma potência estrangeira antes dos romanos, mantendo sempre a sua liberdade e independência. Quando Alexandre passou pela Pisídia, em 333 a.C., Selge enviou-lhe uma embaixada e ganhou o seu favor e amizade.[4]

No período em que o general selêucida Aqueu se proclamou governante da Ásia Ocidental, Selge esteve em guerra com a cidade vizinha de Pednelissos, que esteve cercada pelas tropas de Selge. A pedido de Pednelissos, Aqueu envou uma grande força militar contra Selge em 218 a.C. Depois de uma longo e enérgico cerco e algumas traições, os selgianos começaram a desesperar e enviaram emissários a Aqueu para negociar a paz. Esta seria concedida nas seguintes condições: Selge pagava imediatamente 400 talentos, os prisioneiros de Pednelissos eram libertados e depois de algum tempo seria pago outro tributo de 200 talentos.[5]

Depois disso seguiu-se um longo período praticamente sem menções históricas a Selge. Pelas suas moedas, sabe-se que a cidade ainda era florescente no tempo de Adriano (imperador romano entre 117 e 138 d.C.). Ptolemeu, que viveu sensivelmente na mesma altura, menciona Selge na sua obra Geografia,[6] mas estranhamente não há qualquer referência à cidade por parte de Plínio, o Velho (23-79 d.C.). No século V d.C. Zósimo chama-lhe uma pequena cidade, mas suficientemente forte para repelir uma bando de godos.[7] Outra referência à cidade aparece nos escritos de Hiérocles, o geógrafo bizantino do século VI.

Ruínas na atualidade[editar | editar código-fonte]

A ponte romana do Eurimedonte, a 12 km da cidade, na estrada que lhe dá acesso desde a Antiguidade.

Os restos da cidade encontram-se num planalto a 950 m de altitude onde também se encontra a aldeia de Altınkaya (também chamada Zerk), que até há alguns anos era praticamente inacessível por automóvel.[8] As ruínas consistem principalmente em partes da muralha e restos da acrópole. Há ainda vestígios da ágora, do gymnasion, da stoa, do estádio, da cisterna, da necrópole, da basílica bizantina e de dois templos, um dedicado a Zeus e outro a Artemisa. As ruínas mais bem conservadas são as do teatro, restaurado no século III d.C.[8] [9]

A 12 km das ruínas, meio caminho da planície costeira da Panfília, encontram-se duas pontes romanas em bom estado, muito próximas uma da outra, uma sobre o Rio Köprüçay (antigo Eurimedonte) e outra sobre um pequeno afluente. A primeira, denominada Ponte do Eurimedonte (em turco: Oluk Köprü), ainda está em uso, servindo a estrada que cruza Garganta de Köprülü, um canhão profundo e estreito.[8] O nome turco do rio deve o seu nome a esta ponte — Köprüçay significa "rio ou ribeira da ponte".[9]

Notas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b "Selge". (em inglês) Dictionary of Greek and Roman Geography. (1854). Ed. Smith, William. Londres: Little, Brown & Co. 
  2. Estrabão. Geographia (em inglês). [S.l.: s.n.]. vol. xii 7.
  3. Estrabão, citado por Plínio em Naturalis Historia
  4. Arriano, Anabasis Alexandri
  5. Políbio, Histórias. v.72-77 (em inglês)
  6. Ptolomeu, Geografia
  7. Zósimo, Historia Nova
  8. a b c Ayliffe, Rosie; Dubi, Marc; Gawthrop, John; Richardson, Terry. The Rough Guide to Turkey (em inglês). 5ª ed. [S.l.]: Rough Guides, Ltd, 2003. 555 p. ISBN 1-84353-071-6
  9. a b Brosnahan, Tom. Selge (Altinkaya), Turkey (em inglês). Turkey Travel Planner. Travel Info Exchange, Inc.. Arquivado do original em 2010-10-15. Página visitada em 2010-10-15.
  • "Selge". (em inglês) The Princeton Encyclopedia of Classical Sites. (1976). Ed. Stillwell, Richard et. al. Princeton University Press. ISBN 978-0691035420. Consultado em 2010-10-14. 
  • Knight, Kevin (2009). Selge (em inglês). www.newadvent.org. Robert Appleton Company, New Advent Catholic Encyclopedia. Arquivado do original em 2010-10-15. Página visitada em 2010-10-15.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Selge
  • Selge (em inglês). www.antalya.org. OTI Travel. Página visitada em 2010-10-15.
  • Selge (em inglês). www.goturkey.com. Portal oficial do Turismo da Turquia. Página visitada em 2010-10-15.