Selkie

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Um selo das Ilhas Faroé representando a captura de uma mulher-foca

Selkies (também conhecidos como silkies ou selchies) são criaturas mitológicas encontradas no folclore das Ilhas Faroé[1] , Islândia, Irlanda e Escócia. A palavra deriva do escocês primitivo selich, (do inglês antigo seolh significando selo).[2] Os selkies são ditos viverem como focas no mar, mas mudam a sua pele para se tornar humanos na terra.

Origem[editar | editar código-fonte]

A origem mitológica da selkie não é muito clara[3] . As lendas sobre elas surgiram nas ilhas Orkney e Shetland[4] , no extremo norte da Inglaterra.

Quando os contos antigos estavam sendo transcritos para o papel, nos séculos XVIII e XIX[3] , algumas das velhas tradições sugeria que selkies eram como as fadas, anjos caídos, condenados a viver como animais até o dia do Juízo Bíblico. Outros insistiram que selkies eram seres humanos, uma vez que, por alguma contravenção, foram condenados a assumir a forma de uma foca e viver o resto de seus dias no mar. A terceira possibilidade discutida pelos contadores de histórias de Orkney, era que as selkies eram na verdade, as almas daqueles que se afogaram. Uma noite a cada ano essas almas perdidas eram autorizadas a deixar o mar e voltar à sua forma humana original[5] .

Lendas[editar | editar código-fonte]

Os selkies vivem como focas no mar, mas possuem a capacidade de se tornarem humanos ao retirar suas peles de foca[6] [7] . Do mesmo modo, basta vestirem novamente sua pele de foca para retornar à sua forma original. Selkies quando estão na forma humana, são excepicionalmente belos e encantadores. Gostam de ir à praia para dançar, sendo nessas ocasiões onde geralmente são capturados[8] .

Diz-se que ao esconder a pele de foca, quem a tem passa a exercer domínio sobre a selkie, que não pode retornar ao mar pois não consegue se transformar novamente sem a pele. As Selkies só podem fazer contato com um ser humano, por um curto período de tempo e depois, devem retornar ao mar[9] . E não podem fazer contato novamente com um ser humano antes de decorrido 7 anos, a menos que o humano lhe roube a sua pele de foca e a esconda ou queime-a[10] .

De acordo com a lenda, a selkie quando dominada, é uma boa esposa e convive bem com os humanos. Porém, caso consiga recuperar sua pele, ela não exitará em deixar tudo para trás, seja marido, filhos, etc., e voltar ao mar[11] . Geralmente, a selkie evita rever seu marido humano, mas às vezes é possível vê-la brincando com seus filhos na praia.

A lenda Selkie também é contada no País de Gales, mas em uma forma ligeiramente diferente. Para os galeses, as (os) Selkies são seres humanos que regressaram ao mar. Para eles, o selkie Dylan (Dylan Ail Don), o primogênito de Arianrhod (uma importante deusa mitológica que faz parte da mitologia celta), foi diversas vezes um tritão ou "espírito do mar", que em algumas versões da história, fugiu para o mar logo após o nascimento[12] .

Existem também Selkies do sexo masculino, que também são descritos como sendo muito bonitos em sua forma humana, e têm grande poder de sedução sobre as mulheres humanas[13] . Eles procuram aquelas que estão insatisfeitas com sua vida romântica. Isto inclui mulheres casadas esperando por seus maridos pescadores. Se uma mulher quer fazer contato com um macho Selkie, ela tem que ir para uma praia e derramar sete lágrimas no mar[14] .

Podemos ver exemplos de histórias de seres parecidos com as selkies em várias culturas. No Brasil, por exemplo, temos o boto-cor-de-rosa[15] que se transforma em humano para seduzir jovens donzelas e depois retorna às águas.

Referências

  1. Spence, Lewis. The minor traditions of British mythology. Ayer Publishing, 1948. p55
  2. Selkie entry at Dictionary.comSeal entry at Dictionary.com
  3. a b Sigurd Towrie. The origin of the selkie-folk Orkneyjar. Visitado em 13 de maio de 2015.
  4. Sigurd Towrie. Finfolk — the key to the puzzle Orkneyjar. Visitado em 13 de maio de 2015.
  5. Muir, Tom. Scotland’s Storybook. [S.l.: s.n.], 2010.
  6. A Selkie Story Education Scotland. Visitado em 12 de maio de 2015.
  7. Garry, Jane. Archetypes and Motifs in Folklore and Literature. [S.l.: s.n.], 2005. ISBN 0-7656-1260-7
  8. Selkies Urban Dictionary. Visitado em 14 de maio de 2015.
  9. (13 de fevereiro de 2012) "Dica de Filme: O Mistério da Ilha – a lenda da vida (The Secret of Roan Inish)". Casa do Contador de Histórias (20). Visitado em 14 de maio de 2015.
  10. (Julho 1884) "Selkies". Baily's Magazine of Sports & Pastimes 42: 355–356.
  11. Beth Winegarner. A Home for Selkies. Visitado em 14 de maio de 2015.
  12. Shaman, Sunbird. Spirit Seeker. [S.l.]: Lulu Enterprises Incorporated, 2008. ISBN 1409224384, 9781409224389
  13. Amorous encounters Orkneyjar. Visitado em 13 de maio de 2015.
  14. Brent Knorr. Mario Butter: Selkies The Guild Companion. Visitado em 13 de maio de 2015.
  15. Thais Pacievitch. A Lenda do Boto InfoEscola. Visitado em 13 de maio de 2015.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Thomson, David The People of the Sea: A Journey in Search of the Seal Legend
  • Katharine Briggs, An Encyclopedia of Fairies, Hobgoblins, Brownies, Boogies, and Other Supernatural Creatures, ISBN 0-394-73467-X
Ícone de esboço Este artigo sobre Mitologia (genérico) é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.