Semântica estrutural

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A Semântica estrutural, tal como proposta por Ferdinand de Saussure, em sua obra Curso de Linguística Geral, trata da semântica do ponto de vista estrutural, ponto de vista tal que consagrou a maioria dos estudos lingüísticos e literários, aproximando essas duas ciências. Dentro dessa filosofia, Saussure trata da língua e não da linguagem; por estranho que pareça, esses conceitos não se confundem: para Saussure, o que é fundamental dentro de sua teoria é a língua (ferramenta) e não a linguagem (uso da ferramenta). As relações semânticas de cada palavra em particular estão estabelecidas dentro de cada língua; o sujeito, o contexto e a história não são relevados; são, antes de tudo, preteridos pelo sistema, pela forma que a língua revela. Dentro dessa filosofia, o que está em jogo são as relações internas entre cada elemento dentro do sistema como todo.

Para a Semântica Estrutural, um signo é composto de um conceito e uma imagem acústica. Saussure afirma que existem dois planos na língua: o plano das ideias (conceito) e o plano dos sons (fonemas). As ideias, tanto quanto os sons, é uma massa amorfa que, quando unida a uma imagem acústica, produz significado. Pensar simplesmente o conceito sem o som, ou o som sem conceito, seria fazer Psicologia pura ou Fonologia pura. Desse modo, não há materialização do pensamento sem sons, nem espiritualização dos sons sem pensamento. O recorte que é feito em torno da união dos sons com o conceito é o que caracteriza o signo. O significado (conceito) e o significante (imagem acústica), dentro da metáfora de Saussure, são tão indissociáveis que separá-los seria como cortar uma folha de papel, ou seja, compro-metendo-se um, compromete-se o outro.

Porém o que é mais importante na semântica saussuriana é a noção de valor. O que distingue um signo do outro se não é o seu referente no mundo, visto que este último é dei-xado de fora na argumentação? É o que veremos a seguir.

Valor lingüístico[editar | editar código-fonte]

Se um signo não se define, na Semântica Estrutural, particularmente pelo seu referente no mundo, se ele não tem uma significação dentro do contexto do uso, nem uma significação histórica, o que distingue um signo do outro e o torna uma unidade? Poderíamos responder a essa pergunta simplesmente dizendo: juntando uma imagem acústica particular a uma ideia única, eis a unicidade do signo. Mas, isso não se dá de fato. A palavra "manga" traz para os falantes do português do Brasil, por exemplo, dois conceitos distintos que nada têm de sinônimos. Nesse caso, temos dois conceitos, mas não temos para cada um deles (manga=fruta; manga=parte da camiseta) duas imagens acústicas distintas.

Isso equivale a dizer que não é tão simples a questão. Todos os signos têm o par significado/significante, mas eles podem ser semelhantes no conceito ou iguais na imagem acústica (homonímia). Diante disso, Saussure propõe a noção de valor a partir da diferença entre signos. O valor de um signo e sua unicidade só podem ser garantidos em comparação aos outros signos do sistema, estabelecendo suas diferenças. O lingüista suíço pretende definir um signo pelo que ele não é; um signo não tem, assim, um valor determinado no mundo, mas sim um valor que lhe é atribuído pela sua diferença em relação aos demais signos do sistema. Para esclarecer, podemos ilustrar com esse diálogo: — "O que é um gato?" — "É tudo o que não é um gato!". Parece absurdo, mas a noção de valor reside bem nessa ideia; além dessa ideia outra mais: o valor de um signo pode ser dado a partir de seu "poder de troca". O que pode-se "trocar" com uma imagem acústica como panela, que não um conceito que exprima a ideia de "recipiente que comporta alimentos para cozinhar"? Desse mesmo modo, poder-se-ia "trocar" a imagem acústica panela pelo conceito "artifício de tecido que serve para cobrir-se"?

Isso é, portanto, a noção de valor de Saussure. Em suas palavras, "quer se considere o significado, quer o significante, a língua não comporta nem idéias nem sons preexistentes ao sistema lingüístico, mas somente diferenças conceituais e diferenças fônicas resultantes desse sistema".

Relações sintagmáticas e relações associativas[editar | editar código-fonte]

Esse modo de encarar a língua desencadeia dois tipos de relações interdependentes. São elas a relação sintagmática e a relação associativa. Em poucas palavras, a relação sin-tagmática compreende a relação linear dos signos no continuum discreto da fala. As combinações dos signos na linha são chamadas sintagmas, que podem conter duas ou mais unidades, como por exemplo, no texto de C. Benjamim, mega-watts, Centro-Oeste, Nunca se viu …, etc.

Por sua vez, a relação associativa reside no cérebro: é o tesouro que guardamos na memória. São grupos diversos de palavras que se relacionam entre si por um caráter analógi-co simples: as palavras se agrupam pelo seu radical (ensin-ar, ensin-amento, ensin-ei), ou pelas qualidades ou traços comuns entre os conceitos (vestimenta=calça, camisa, etc.; cavaquinho, violão, piano=instrumento musical), também conhecidos como relações de hiperonímia e hiponímia. Pensar as duas relações cooperando na fala, que é deixada de lado por Saussure — mas que é interessante ilustrar aqui, seria pensar numa slot-machine. Há compartimentos a serem preenchidos numa linha, e esses compartimentos aceitam uma permuta inúmera de palavras, como no esquema

O enunciado é somente a linha delimitada pelo eixo sintagmático, mas, alterando qualquer uma das palavras de cada grupo, a frase ainda fará sentido. Obviamente não pode-mos situar qualquer palavra num grupo determinado. O que vai delimitar o grupo é o uso, de modo que não poder-se-ia colocar, no exemplo anterior, um verbo como bebeu. Esse aspecto da fala e do uso, como visto, não faz parte do campo teórico de Saussure e não podemos condená-lo por isso, visto que seus esforços teóricos se concentram na língua e não na linguagem.