Smara
|
||||
|---|---|---|---|---|
|
— Município —
|
||||
| Vista de Smara | ||||
|
|
||||
| Localização de Smara no Saara Ocidental | ||||
| Região | Guelmim-Es Semara | |||
| Província | Smara | |||
| Fundação | Século XIX | |||
| Fundador | Ma El Aïnin | |||
| Altitude | 300 m (984 pés) | |||
| População (2004)1 2 | ||||
| - Total | 33 910 | |||
| - Estimativa (2012) | 49 652 | |||
| Zoco semanal | quinta-feira | |||
|
Território do Saara Ocidental sob o controle de Marrocos
|
||||
Smara, Semara ou Es-Semara (em espanhol: Esmara; em árabe: سمارة; transl.: as-Samārah) é uma cidade do Saara Ocidental administrada de facto por Marrocos, que a considera parte do seu território. É a capital da província marroquina de homónima, que faz parte da região de Guelmim-Es Semara. Em 2004 tinha 33 910 habitantes1 e estimava-se que em 2012 tivesse 49 652 habitantes.2
Smara situa-se em pleno deserto do Saara, no vale de Saguia el Hamra, 225 km a leste de El Aaiún e 230 km a sul de Tan-Tan (distâncias por estrada). É a única cidade importante do Saara Ocidental que não foi fundada durante o período colonial espanhol.
Atualmente, a importância de Smara deve-se sobretudo às guarnições militares marroquinas e das forças de manutenção da paz das Nações Unidas e ao comércio, nomeadamente o zoco (mercado) semanal que se realiza todas as quintas-feiras. Os principais monumentos da cidade são a zaouïa (santuário), palácio e grande mesquita de Ma El Aïnin (ou Ma al-'Aynayn, Mohamad Mustafa Ould Sheikh Mohamad Fadel), o fundador da cidade, além da chamada mesquita velha e das muralhas.3 4 Nos arredores há diversos locais com pinturas rupestres: no oued Selouan (23 km), oued Aasli Boukerch (30 km), Amgala (80 km), oued Tazouwa (135 km) e oued Mirane (145 km). Nos três últimos sítios encontram-se também sepulturas pré-islâmicas.5
Índice |
História [editar]
Até ao final do século XIX Smara pouco mais era que um ponto de passagem, cruzamento e abastecimento de caravanas transarianas. A cidade foi fundada no final do século XIX pelo chamado "sultão azul", Ma El Aïnin, o xeque saaráui que combateu o colonialismo espanhol e francês. Apesar de se situar longe da costa, Smara era rica em pastagens e água e estava bem situada para controlar as caravanas, e passou a ser a capital de Ma El Aïnin, que ali construiu um ribat (fortaleza), um palácio e uma grande mesquita em Smara.
Ma El Aïnin combateu os ocupantes espanhóis a partir de 1898, com o apoio do sultão de Marrocos. Em 1902 transformou Smara na sua capital sagrada e tornou-a um centro religioso importante, dotando-a de uma biblioteca islâmica. Em 1904 Ma El Aïnin proclamou-se imã e declarou a jihad (guerra santa) contra o colonialismo francês. Em 1910 o sultão marroquino retira o seu apoio devido às pressões dos franceses e o xeque passa então a apoiar os combatentes antifranceses do sul de Marrocos. Em 1913, Smara é ocupada e quase completamente arrasada por tropas francesas, que devolvem a cidade a Espanha. A resistência continuou, mas foi diminuindo gradualmente até se extinguir em 1920.
Em 1958 Smara assistiu à operação aerotransportada Huracan, levada a cabo conjuntamente por tropas espanholas e francesas, com o objetivo de desalojar o Exército de Libertação de Marrocos do sul.6 No mesmo ano, a Espanha cedeu a faixa de Tarfaya a Marrocos.
A Frente Polisário, que luta pela independência do Saara Ocidental, foi fundada em Smara em 10 de maio de 1973. As tropas marroquinas ocuparam a cidade a 27 de novembro de 1975, causando a fuga de inúmeros saaráuis para a Argélia, para escaparem às represálias dos marroquinos pelo seu apoio à Frente Polisário. A força aérea marroquina usou napalm, fósforo branco e bombas de fragmentação contra os refugiados, provocando centenas de mortos, que a Amnistia Internacional estima em 530.
Um dos campos de refugiados saaráuis da região argelina de Tindouf administrados pela chamada República Árabe Saaraui Democrática tem o nome de Smara.7
Em 2005 a cidade assistiu a fortes protestos contra a ocupação marroquina.
Clima [editar]
No inverno, os dias são quentes, com temperaturas máximas entre 23 e 34°C, e as noites temperadas, com mínimas entre os 14 e 21°C. No verão, as temperaturas máximas situam-se sempre acima dos 30°C, e frequentemente acima dos 40°C, chegando por vezes aos 50°C. A par de Marraquexe, Smara tem o recorde de temperatura máxima de cidades marroquinas, com 53°C. A média das temperaturas máximas do mês mais quente é 40°C e a média das temperaturas mínimas do mês mais frio é 17°C.
Na literatura [editar]
Smara deu nome a um livro do aventureiro francês Michel Vieuchange (1904-1930), que percorreu 1 400 km a pé disfarçado de mulher berbere desde Tiznit até Smara, onde chegou a 1 de novembro de 1930, onde contraiu uma disenteria que seria a causa da sua morte pouco depois em Agadir. O livro Chez les dissidents du sud marocain et du Rio de Oro; Smara ("Entre os dissidentes do sul marroquino e do Rio do Ouro; Smara) foi publicado postumamente em 1932 pelo irmão Jean Vieuchange, a partir dos sete blocos de notas e mais de 200 fotografias do irmão, e foi um sucesso de vendas.8 Em 1987 foi publicada uma edição em inglês com o título Smara, The Forbidden City ("Smara, A Cidade Proibida").9
Notas e referências [editar]
- Texto inicialmente baseado na tradução dos artigos «Es-Semara» na Wikipédia em francês (acessado nesta versão), «Esmara» na Wikipédia em espanhol (acessado nesta versão) e «Smara» na Wikipédia em inglês (acessado nesta versão).
- ↑ a b Recensement général de la population et de l'habitat 2004 (em francês). www.hcp.ma. Royaume du Maroc - Haut-Comissariat au Plan. Página visitada em 26 de fevereiro de 2012.
- ↑ a b Sahara Occidental: Les villes les plus grandes avec des statistiques de la population (em francês). gazetteer.de. World Gazeteer. Página visitada em 26 de fevereiro de 2012.
- ↑ Ellingham, Mark; McVeigh, Shaun; Jacobs, Daniel; Brown, Hamish. The Rough Guide to Morocco (em inglês). 7ª ed. Nova Iorque, Londres, Deli: Rough Guide, Penguin Books, 2004. 824 p. p. 651-652. ISBN 9-781843-533139
- ↑ Kjeilen, Tore. Smara - Red and friendly (em inglês). LookLex.com (Lexic Orient). Página visitada em 26 de fevereiro de 2012.
- ↑ Province d'Es-Smara (em francês). www.crt-guelmim.com. Conseil Regional de Tourisme Guelmim-Smara. Arquivado do original em 24 de outubro de 2010. Página visitada em 26 de fevereiro de 2012.
- ↑ Baltzer, Jacques. (maio de 2011). "Les parachutistes de l'armée de l'air" (em francês). Revista Assaut (62): 82. ISSN 1777-2958.
- ↑ Day 14: Tinfou to Tindouf (em inglês). Sahara with Michael Palin. Prominent Palin Productions Limited (2002). Página visitada em 26 de fevereiro de 2012.
- ↑ Vieuchange, Michel; Vieuchange, Jean. Chez les dissidents du sud marocain et du Rio de Oro; Smara (em francês). [S.l.]: Plon, 1932. 296 p. ISBN 9780880011464
- ↑ Vieuchange, Michel; Vieuchange, Jean. Smara, The Forbidden City (em inglês). [S.l.]: W. W. Norton, Ecco travels, 1987. 290 p. ISBN 9780880011464
Ligações externas [editar]
- Galeria de Smara na Fotopedia (em inglês).
- Wisner, Geoff (15 de janeiro de 2010). Smara: The Forbidden City (em inglês). wordswithoutborders.org. Words Without Borders. Página visitada em 26 de fevereiro de 2012.
- Maoulainine, Naama. Smara Paradise of Sahara (em inglês). maoulainine.8m.com. Maoulainine.8m.com. Página visitada em 26 de fevereiro de 2012.
- Smara (em francês). touraumaroc.com. Touraumaroc.com. Página visitada em 26 de fevereiro de 2012.
- Moncelon, Jean. Smara (em francês). www.moncelon.com. D'Orient & D'Occident. Página visitada em 26 de fevereiro de 2012.