Serguei Eisenstein

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Sergei Eisenstein)
Ir para: navegação, pesquisa
Serguei Eisenstein
Nome completo Serguei Mikhailovitch Eisenstein
Nascimento 23 de janeiro de 1898
Riga, Império Russo
Morte 11 de fevereiro de 1948 (50 anos)
Moscou, União Soviética
Ocupação Diretor, roteirista, editor
Cônjuge Pera Atasheva
Outros prêmios
Prêmio honorário de ouro do Festival Internacional de Moscou, Que Viva México! - 1979 (post-mortem)
IMDb: (inglês)

Serguei Mikhailovitch Eisenstein (em russo: Сергей Михайлович Эйзенштейн, transl. Serguei Mihailovitch Eizenshtein; Riga, 23 de janeiro de 1898 - Moscou, 11 de fevereiro de 1948) foi um dos mais importantes cineastas soviéticos. Foi também um filmólogo.

Relacionado ao movimento de arte de vanguarda russa, participou ativamente da Revolução de 1917 e da consolidação do cinema como meio de expressão artística.[1]

Notabilizou-se por seus filmes mudos A Greve, O Encouraçado Potemkin e Outubro, assim como os épicos históricos Alexandre Nevski e Ivan, o Terrível. Sua obra influenciou fortemente os primeiros cineastas devido ao seu uso inovador de escritos sobre montagem.

Biografia[editar | editar código-fonte]

O jovem Serguei com seus pais Mikhail e Julia Eisenstein.

Eisenstein nasceu em Riga, na Letônia, mas sua família mudava-se com frequência nos seus primeiros anos, como Eisenstein continuou a fazer ao longo de sua vida. O pai de Eisenstein, Mikhail Ossipovitch Eisenstein, era descendente de judeus-alemães e suecos[2] [3] e sua mãe, Iulia Ivanovna Konetskaya, era de uma família russa ortodoxa. Ele nasceu em uma família de classe média.[4] Seu pai era um arquiteto e sua mãe era filha de um próspero comerciante.[5] Iulia deixou Riga no ano da Revolução de 1905, levando Serguei com ela para São Petersburgo.[6] Serguei voltaria às vezes para ver seu pai, que mais tarde mudou-se para se juntar a eles por volta de 1910.[7] O divórcio seguiu-se esse tempo de separação, com Iulia abandonando a família para morar na França.[8]

No Instituto de Engenharia Civil de Petrogrado, Serguei estudou arquitetura e engenharia, a profissão de seu pai.[9] No entanto, na escola, junto com seus colegas, Serguei se juntaria aos militares para servir a revolução, o que o separaria de seu pai. Em 1918 Serguei juntou-se ao Exército Vermelho, enquanto seu pai Mikhail apoiava o lado oposto.[10] Isso levou seu pai para a Alemanha após a derrota, enquanto Serguei foi a Petrogrado, Vologda e Dvinsk.[11] Em 1920, Serguei foi transferido para uma posição de comando em Minsk, após providenciar uma exitosa propaganda para a Revolução de Outubro. Nesta época, Serguei estudou japonês, aprendeu cerca de trezentos caracteres kanji que ele citava como uma influência no seu desenvolvimento pictórico,[12] e ganhou uma exposição no teatro Kabuki;[13] esses estudos levaram-no a viajar para o Japão.

Com o ator de kabuki japonês Sadanji Ichikawa II, Moscou, 1928

Em 1920 Eisenstein mudou-se para Moscou e começou sua carreira no teatro trabalhando em Proletkult.[14] Suas produções receberam os títulos Máscaras de Gás, Ouça Moscou e Estupidez Suficiente em cada Homem Sábio,[15] Eisenstein trabalharia então como designer de Vsevolod Meyerhold.[16] Em 1923, Eisenstein começou sua carreira como um teórico,[17] escrevendo A Montagem das Atrações para o jornal LEF.[18] O primeiro filme de Eisenstein, O Diário de Glumov, também foi feito no mesmo ano com Dziga Vertov contratado inicialmente como um "instrutor".[19] [20] O filme fez parte da sua produção teatral O Homem Sábio.

Eisenstein teve constantes atritos com o regime de Josef Stalin, devido à sua visão do Comunismo e à sua defesa da liberdade de expressão artística e da independência dos artistas em relação aos governantes, posição que era perseguida num país no qual a indústria cinematográfica sofria com a falta de recursos para se nacionalizar.

Criou uma nova técnica de montagem, chamada montagem intelectual ou dialéctica.

Com 26 anos fez “A Greve”, mostrando que arte e política podiam andar juntas. Com 27, deu ao mundo “O Encouraçado Potemkin”, obra que é considerada, juntamente com "Cidadão Kane", de Orson Welles, das mais importantes na história do cinema.[21]

Graças ao sucesso extraordinário do “O Encouraçado Potemkin”, foi chamado pela MGM e embarcou para os Estados Unidos. Só que seus projetos não decolavam, apesar de ter amigos poderosos como Chaplin e Flaherty. Eisenstein resolveu então afastar-se de Hollywood e fazer “Que Viva México”, uma obra ambiciosa sobre a história de um país e sua cultura. Infelizmente, as filmagens foram interrompidas por problemas financeiros.

Desolado, o cineasta voltou para seu país, mas nem a imprensa o perdoava por seu afastamento e pelo seu curto idílio capitalista. Quando sua carreira parecia perdida, entretanto, recebeu a ordem de filmar “Alexandre Nevski”, como uma peça de propaganda anti-germânica. E, assim como já fizera no “Potemkin”, Eisenstein construiu uma obra-prima que está acima da ideologia.

Com o prestígio recuperado, Eisenstein começou “Ivã, o Terrível”, que teria três partes. Mas então começou a II Guerra, e tudo se complicou. O cineasta morreu de ataque cardíaco em 1948. Encontra-se sepultado no Cemitério Novodevichy, Moscou, na Rússia.[22]

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Cena de O Encouraçado Potemkin.
Ano
Título original
Título no Brasil
Título em Portugal
Observações
1923 Dnevnik Glumova O Diário de Glumov O Diário de Glumov
1924 Statchka A Greve A Greve
1925 Bronenosets Potiomkin O Encouraçado Potemkin O Couraçado Potemkine
1927 Oktiabr Outubro Outubro
1928 Gueneralnaia Linnia A Linha Geral A Linha Geral
1929 Sturm uber la sarraz curta-metragem
1930 Romance sentimentale curta-metragem
1931 Da Zdravstvuiet, Meksika! Que Viva México! Que Viva México! inacabado
1935 Bejin Lug O Prado de Bejin O Prado de Bejine inacabado
1938 Aleksandr Nevski Alexandre Nevski Alexandre Nevski
1939 Ferghana canal
1943 Seeds of freedom
1944 Ivan Groznii I Ivan, o Terrível - Parte I Ivan, o Terrível - Parte I
1945 Ivan Groznii II Ivan, o Terrível - Parte II Ivan, o Terrível - Parte II

Referências

  1. Mostra Sergei Eisenstein será aberta neste fim de semana. UFMG (6 de março de 2009). Página visitada em 7 de setembro de 2009.
  2. [1] Sergei Eisenstein A Life in Conflict (em inglês)
  3. Literaty Encyclopedia
  4. Эйзенштейн 1968 [2]
  5. Bordwell 1993, p. 1
  6. Seton 1952, p. 19
  7. Seton 1952, p. 20
  8. Seton 1952, p. 22
  9. Seton 1952, p. 28
  10. Seton 1952, pp. 34-35
  11. Seton 1952, p. 35
  12. Эйзенштейн 1968 [3]
  13. Seton 1952, p. 37
  14. Seton 1952, p. 41
  15. Seton 1952, p. 529
  16. Seton 1952, pp. 46-48
  17. Seton 1952, p. 61
  18. Christie & Taylor 1994, pp. 87-89
  19. Эйзенштейн 1968 [4]
  20. Goodwin 1993, p. 32
  21. SERGEI M. EISENSTEIN(1898-1948). ZAZ Terra. Página visitada em 07/09/2009.
  22. Serguei Eisenstein (em inglês) no Find a Grave.

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • Bordwell, David (1993), The Cinema of Eisenstein, Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press, ISBN 978-0674131385 
  • Goodwin, James (1993), Eisenstein, Cinema, and History, Urbana: University of Illinois Press, ISBN 0252062698 
  • Seton, Marie (1952), Sergei M. Eisenstein: A Biography, New York: A.A. Wyn, OCLC 2935257 
  • Artigos selecionados em: Christie, Ian; Taylor, Richard, eds. (1994), The Film Factory: Russian and Soviet Cinema in Documents, 1896-1939, New York, New York: Routledge, ISBN 041505298X .
  • Эйзенштейн, Сергей (1968), "Сергей Эйзенштейн" (избр. произв. в 6 тт), Москва: Искусство , Избранные статьи

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre cineastas é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.