Serra Pelada

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Serra Pelada
Serra Pelada no exato local onde se faziam as prospecções, vista a partir da Vila dos Garimpeiros.
Localização
Localização Curionópolis
Bandeira do Pará.svg Pará
País(es)  Brasil
Características
Altitude máxima 503 m
(621 pés)
Comprimento 5.800 ha

A Serra Pelada é uma serra brasileira localizada no sudeste do estado do Pará. Se tornou muito conhecida durante a década de 1980 por uma corrida do ouro moderna, tendo sido o local do maior garimpo a céu aberto do mundo[1] , de onde foram extraídas, oficialmente, 30 toneladas de ouro.[2] Localiza-se no município de Curionópolis, a aproximadamente 35 quilômetros da sede do município.

A serra é um complexo mineral que abrange uma área de aproximadamente 5 mil hectares. Hoje existem diversas cooperativas atuantes na área defendendo os direitos minerários de seus cooperados concedidos pelo DNPM - Departamento nacional de Pesquisas Minerais, órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia.

Em 1982, devido à grande fama alcançada pelo garimpo de Serra Pelada, foi gravado no local o filme Os Trapalhões na Serra Pelada, que foi estrelado pela célebre trupe humorística Os Trapalhões.

Atualmente, a antiga cava onde se situava o garimpo é um lago com 100 metros de profundidade.[2] Estima-se que existam no local cerca de 350 toneladas de metais preciosos, entre ouro, platina e paládio.[3]

Devido à recente valorização do ouro no mercado internacional após a crise econômica de 2008-2012, muitos garimpos até então desativados, passaram a ser reabertos. Em 2011, a empresa de mineração canadense Colossus Minerals Inc. se associou à Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (COOMIGASP), formando a joint venture Serra Pelada Companhia de Desenvolvimento Mineral (SPCDM), que irá explorar de forma mecanizada o ouro de Serra Pelada a partir de 2013.[4] [5] [6] [7] [8]


História[editar | editar código-fonte]

Descoberta[editar | editar código-fonte]

Oficialmente a extração começou com um pequeno sitiante que ao cavar um pé de bananeira encontrou uma estranha pedra e ao mostra-la em um bar espalhou-se a noticia de se tratar de ouro. Em duas semanas já tinha garimpeiros do Brasil inteiro. A festa durou cerca de oito semanas quando a União interveio na área. A história divulgada é de que em 1976, um geólogo encontrou amostras de ferro no sul do Pará. Em 1979, um garimpeiro encontrou ouro no local. O ministro de Minas e Energia da época, fez o anúncio oficial da existência do metal em Carajás. A partir de 1980 levas de migrantes se deslocaram para o Pará e ocuparam o garimpo, que pertencia à fazenda Três Barras, propriedade de Genésio Ferreira da Silva.[2]

Auge[editar | editar código-fonte]

Em 21 de maio de 1980, o governo federal promoveu uma intervenção na área, já ocupada por 30 mil garimpeiros. Áreas de lavra e garimpeiros foram registrados pela Receita Federal, e todo ouro encontrado deveria ser vendido à Caixa Econômica Federal. A intervenção foi comandada pelo militar Sebastião Rodrigues de Moura, o major Curió.

Em 1981, os depósitos de ouro na superfície se esgotaram, e a Vale tentou reaver a posse da área. Mas os interesses eleitorais (havia 80 mil garimpeiros na área) levaram o governo a fazer obras para prorrogar a extração manual. Em 1982, o garimpo foi reaberto e Curió foi eleito deputado federal. Curió tomou posse na Câmara em 1983 e propôs uma lei que dava permissão para que garimpeiros continuassem explorando o ouro de Serra Pelada por cinco anos. Em 1984, a Vale recebeu indenização de US$ 59 milhões pela perda da concessão da mina por quebra de contrato.

Declínio[editar | editar código-fonte]

A extração continuou caindo. Em 1988, foi de 745 kg, e, em 1990, de menos de 250 kg. Em março de 1992 o governo não renovou a autorização de 1984, e o garimpo voltou a ser concessão da Vale.

Aspectos geológicos[editar | editar código-fonte]

Um exemplar de ouro (pepita) extraído da Serra Pelada

A seqüência sedimentar é composta, na sua porção basal, por arenitos conglomeráticos, conglomerados e arenitos na base, os quais gradam em direção ao topo para siltitos vermelhos e argilitos.

A mineralização de ouro apresenta controle litológico e estrutural, sendo que a maior concentração de ouro está relacionada ao controle estrutural. A extração de ouro de Serra Pelada era efetuada nas áreas de aluvião, e na rocha primária. Os depósito de aluvião eram encontrados nas grutas da região e explorados com abertura de poços e trincheiras até atingir o cascalho aurífero de onde o ouro era recuperado manualmente com auxílio de uma bateia ou levados até rudimentares aparelhos concentradores.

Na rocha primária, o desmonte era feito sob a forma de bancadas para evitar desmoronamentos. Apesar disso, as frentes de trabalho dos garimpeiros, por eles denominadas de Babilônia I e Babilônia 2 , foram diversas vezes interditadas para que se fizessem rebaixamentos na cava do garimpo.

Uma característica peculiar do ouro de Serra Pelada é a quantidade de paládio – um elemento do grupo da Platina - que ocorre junto com o ouro e que determinava as variedades comercializadas no garimpo, e que eram respectivamente:

  • O ouro amarelo, com 1 a 2% de Paládio;
  • O ouro fino, com 6 a 7% de Paládio;
  • E o ouro bombril, com teores superiores a 9% de Paládio.

Aspectos socioeconômicos[editar | editar código-fonte]

Em seu período áureo o garimpo de Serra Pelada era dotado de privilegiadas condições socioeconômicas. Este privilégio decorreu da necessidade do governo de ordenar e até criar condições de vida para a multidão de pessoas que diariamente chegavam ao local em busca do seu Eldorado.

Já em 1980 o garimpo possuía instalações da Companhia Brasileira de Alimentação (COBAL), que instalou um armazém inflável na Serra, da Caixa Econômica Federal (CEF), da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, Polícia Federal, da Polícia Militar, do Departamento Nacional de Produção Mineral, e da DOCEGEO - Rio Doce Geologia e Mineração, uma subsidiária da Vale S.A.. Esta última empresa era, juntamente com a CEF, a responsável pela compra, purificação e repassagem do ouro para o Banco Central, sendo retido 8% como parte de um seguro obrigatorio.

Face às características de Serra Pelada - uma ocorrência de ouro na superfície da terra, que de morro transformou-se em um enorme buraco - os desmoronamentos das frentes de lavra eram freqüentes, trazendo consigo a morte de garimpeiros.

Uma verdadeira cidade surgiu nas imediações de Serra Pelada, que recebeu o nome de Curionópolis, além de uma pequena vila - a Vila dos Garimpeiros, que na verdade é um distrito do município de Curionópolis - que hoje é habitada por pouco mais de 6 mil habitantes.

Extração e comercialização[editar | editar código-fonte]

A região de Serra Pelada alcançou sua maior extração de ouro no ano de sua descoberta, ou seja, em 1980. Naquele ano, somente de maio a novembro - período em que os garimpeiros podiam exercer suas atividades - foram retiradas cerca de 7 toneladas de ouro. Todavia, já em 1981, quando as atividades garimpeiras foram se tornando mais difíceis e perigosas em função das grandes profundidades alcançadas, a extração caiu para 2,5 toneladas de ouro. Ao final de 1981 o garimpo atingiu o lençol fréatico e a água brotou no enorme buraco em que se transformara o garimpo de Serra Pelada.

Ao final de 1984, a profundidade do buraco de Serra Pelada já era de quase 200 metros. A extração de ouro passou a declinar violentamente, de modo que, em 1990, somente 600 quilos de ouro foram retirados. Esta quantidade caiu para 13 quilos em 1991, ano em que, através de portaria ministerial, os direitos de lavra de Serra Pelada foram repassados para a Vale (na época CVRD), que passou a ser a detentora dos direitos minerários da região de Serra Pelada até o ano de 2002.

Segundo Levantamento feito pela DOCEGEO - subsidiária da Vale - na década de 1980, pesquisas mostraram que uma jazida de minerais da Serra Pelada tinha cerca de 350 a 450 mil toneladas de ouro, entre outros minérios de valores comerciais que até aquele momento não tinham sido calculados. Estudos recentes avaliam a jazida em aproximadamente em U$ 10,175 trilhões, em valor de mercado.

Segundo a União existem mais de 45 mil garimpeiros cadastrados na Coomigasp, a atual detentora dos direitos minerários de Serra Pelada, e que a fatia destinada a cada sócio seria de R$ 68 milhões de reais, mais os recursos retidos pela CEF, já descontado todos os custos de extração.

Serra Pelada atualmente[editar | editar código-fonte]

Hoje o antigo garimpo é uma sombra do que fora um dia. São aproximadamente 6.500 habitantes que moram em barracos miseráveis. Parece uma favela de cidade grande. O curioso é que o sudeste do Pará, onde se localiza Serra Pelada, é uma das regiões mais ricas em minérios do Brasil, mas os garimpeiros não podem ganhar a vida explorando o garimpo. Isto porque a área pertence à Vale do Rio Doce. Esta que detém a concessão de exploração da área, de acordo com as leis brasileiras onde toda riqueza natural é da União e não do proprietário do terreno.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • MEIRELLES, E.M.: TEIXEIRA, J. T.; MEDEIROS FILHO, C.A – 1982 - Geologia preliminar do depósito de ouro de Serra Pelada. In: Anais do I Simpósio de Geologia da Amazônia. Belém. Sociedade Brasileira de Geologia 74-80
  • JORGE JOÂO, X.S.; NEVES, A. P.: LEAL, J.W.L. – 1982 – Ouro de Serra Pelada- Aspectos da Geologia e Garimpagem. In: Anais do I Simpósio de Geologia da Amazônia. Belém, Pará – Sociedade Brasileira de Geologia 52-60
  • FERREIRA, A.; HORITA, N; - 1995 – A redescoberta do ouro: como se formou o mercado moderno de ouro no Brasil. – São Paulo -ANORO –Associação Nacional de Ouro e Câmbio.


Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências