Serra do Navio

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Município de Serra do Navio
Bandeira de Serra do Navio
Brasão desconhecido
Bandeira Brasão desconhecido
Hino
Fundação 17 de março de 1992[1]
Gentílico serra-naviense
Prefeito(a) Jose Maria Amaral Lobato[2] (PSB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Serra do Navio
Localização de Serra do Navio no Amapá
Serra do Navio está localizado em: Brasil
Serra do Navio
Localização de Serra do Navio no Brasil
00° 53' 45" N 52° 00' 07" O00° 53' 45" N 52° 00' 07" O
Unidade federativa  Amapá
Mesorregião Sul do Amapá IBGE/2013[3]
Microrregião Macapá IBGE/2013[3]
Municípios limítrofes Oiapoque, Calçoene, Pracuúba, Pedra Branca do Amapari e Ferreira Gomes.
Distância até a capital 141 km
Características geográficas
Área 7 756,506 km² [4]
Distritos Cachaço e Sede[1]
População 4 761 hab. estatísticas IBGE/2013[5]
Densidade 0,61 hab./km²
Altitude 148,5 m
Clima equatorial Af
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,709 alto PNUD/2010[6]
PIB R$ 129 002 mil IBGE/2010[7]
PIB per capita R$ 29 258 69 mil IBGE/2010[8]
Página oficial
Prefeitura www.serradonavio.ap.gov.br

Serra do Navio é um município brasileiro no centro do estado do Amapá. A população estimada em 2013 era de 4 761 habitantes[5] e a área é de 7 756,506 km², o que resulta numa densidade demográfica de 1 427,08 hab/km².

História[editar | editar código-fonte]

O município de Serra do Navio foi criado em 1º de maio de 1992, através da lei n.º 007/92.

Mina de manganês[editar | editar código-fonte]

O primeiro relato da presença de manganês no estado do Amapá veio de um relato do engenheiro Josalfredo Borges, a serviço do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), em local indefinido às margens do rio Amapari. Com a criação do território federal, em 1943, a pesquisa despertou o interesse do interventor, o capitão Janary Gentil Nunes, que já em seus primeiros meses de gestão deu ampla publicidade ao relatório de Borges. Para o militar, a mineração seria a base da economia e do desenvolvimento do território, ao invés da pesca e dos produtos tradicionais de extração, como a borracha ou a castanha. Em 1945, ele ofereceu um prêmio em dinheiro para quem fornecesse informações que levassem à identificação de depósitos de minério de ferro. Um comerciante ribeirinho chamado Mário Cruz levou pessoalmente ao interventor algumas pedras escuras e pesadas, que usara como lastro para seu barco, em busca da recompensa prometida. O material foi analisado na sede do DNPM no Rio de Janeiro, pelo engenheiro Glycon de Paiva, que constatou tratar-se de manganês de teor elevado.

O mesmo engenheiro foi à Serra do Navio analisar os depósitos e concluiu haver grande viabilidade comercial, mas recomendou que a exploração fosse feita por uma concessão única, que assim teria mais competitividade no mercado internacional. O interventor aceitou a recomendação de Paiva e convenceu o então presidente Gaspar Dutra a criar, por meio do decreto-lei 9.858/46, uma área de reserva nacional englobando todo o depósito de manganês e conferindo ao território a competência para prospectar e explorar, por meio de concessão. Empresas nacionais e estrangeiras foram convidadas a visitar a região e a apresentarem suas candidaturas à exploração da área. Três empresas responderam o convite: a Companhia Meridional de Mineração (subsidiária brasileira da United States Steel), a Hanna Coal & Ore Corporation, e a Sociedade Brasileira de Indústria e Comércio de Minérios de Ferro e Manganês (ICOMI). A brasileira ICOMI, com sede em Belo Horizonte e atuação em Minas Gerais, foi escolhida pelos nacionalistas brasileiros e venceu a concorrência contra as gigantes estadunidenses.[9] Mas depois de ganhar a concorrência, a necessidade de capital para realizar a prospecção fez a ICOMI associar-se a outra grande companhia estadunidense, a Bethlehem Steel, maior consumidora mundial de manganês.[10] O contrato previa que a ICOMI teria de investir no Amapá pelo menos 20% de seu lucro líquido. Ainda assim, sofreu severas críticas de nacionalistas brasileiros, que faziam objeção à participação de uma firma estrangeira no negócio, do financiamento estrangeiro e do caráter exportador da atividade.[11] O contrato assinado em 1947 previa ainda um perímetro máximo de 2.500 hectares, o equivalente a 0,17% do território do Amapá, e o pagamento de 4 a 5% das receitas totais na forma de royalties ao governo do território. Além da área de exploração, foi concedida à empresa uma área adicional de 2.300 hectares para a construção de instalações industriais e estações ferroviárias, além de uma vila operária, que daria origem à cidade de Serra do Navio[12] e à vila dos trabalhadores do porto e da ferrovia, que começaram a ser construídas em janeiro de 1957 e ficaram prontas em 1959. Cada vila tinha 330 casas, alojamentos coletivos para solteiros , temporários e visitantes, e prédios coletivos (escolas, hospitais, refeitórios), abrigando até 1.500 pessoas, entre trabalhadores e familiares. A Vila de Serra do Navio foi dotada de ruas largas, postes de concreto para a fiação elétrica e telefônica, calçadas, parques, clubes com piscina, quadras esportivas, restaurante e lanchonete, drenagem de águas das chuvas e tratamento de água e esgoto. Todas as casas tinham mais de 90m² e contavam com saneamento e energia elétrica, proveniente de geradores da ICOMI.[12]

No entanto, a reserva esgotou antes do tempo previsto e a empresa deixou o local. Com a saída definitiva da ICOMI e após a instalação do município, a sede passou a ser administrada pela prefeitura, e a administração da cidade tornou-se mais eficiente.

Uma curiosidade que pode explicar o nome da cidade é, segundo os antigos moradores, que o rio que passa em frente à cidade, se observado via área, possui a forma de um navio.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Localiza-se na microrregião de Macapá, mesorregião do Sul do Amapá. A população estimada em 2003 era de 3724 habitantes e a área é de 7757 km², o que resulta numa densidade demográfica de 0,48 hab/km². Sua fauna é bastante rica. É uma das poucas cidades brasileiras onde ocorre o beija-flor-brilho-de-fogo, uma espécie rara.

Limites[editar | editar código-fonte]

Serra-navienses ilustres[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (2007). Serra do Navio - Histórico (PDF) Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Visitado em 12 de outubro de 2013. Cópia arquivada em 12 de outubro de 2013.
  2. Eleições 2012 (7 de outubro de 2012). Candidatos a Prefeito Serra do Navio/AP. Visitado em 12 de outubro de 2013. Cópia arquivada em 12 de outubro de 2013.
  3. a b Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais (19 de julho de 2013). Divisão Territorial do Brasil Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Visitado em 12 de outubro de 2013.
  4. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (10 de outubro de 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Visitado em 5 de dezembro de 2010. Cópia arquivada em 9 de novembro de 2011.
  5. a b Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1º de julho de 2013). Estimativas da população residente nos municípios brasileiros com data em 1º de julho de 2013. Visitado em 9 de setembro de 2013. Cópia arquivada em 9 de setembro de 2013.
  6. Atlas do Desenvolvimento Humano (29 de julho de 2013). Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Visitado em 26 de agosto de 2013. Cópia arquivada em 9 de setembro de 2013.
  7. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2010). Produto Interno Bruto dos Municípios - 2010 » PIB a preços correntes » Comparação entre os Municípios: Amapá. Visitado em 12 de outubro de 2013. Cópia arquivada em 12 de outubro de 2013.
  8. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2010). Produto Interno Bruto dos Municípios - 2010 » PIB a preços correntes » Comparação entre os Municípios: Amapá. Visitado em 12 de outubro de 2013. Cópia arquivada em 12 de outubro de 2013.
  9. Drummond 2007, p. 122-126
  10. Drummond 2007, p. 147
  11. Drummond 2007, p. 135
  12. a b Drummond 2007, p. 127-129

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]