Serra do Ramalho (Bahia)

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Município de Serra do Ramalho
Bandeira desconhecida
Brasão de Serra do Ramalho
Bandeira desconhecida Brasão
Hino
Aniversário 13 de julho
Fundação 13 de junho de 1989
Gentílico Não disponível
Prefeito(a) Deoclides Magalhaes Rodrigues (PPS)
(2013–2016)
Localização
Localização de Serra do Ramalho
Localização de Serra do Ramalho na Bahia
Serra do Ramalho está localizado em: Brasil
Serra do Ramalho
Localização de Serra do Ramalho no Brasil
13° 34' 19" S 43° 35' 52" O13° 34' 19" S 43° 35' 52" O
Unidade federativa  Bahia
Mesorregião Vale São-Franciscano da Bahia IBGE/2008[1]
Microrregião Bom Jesus da Lapa IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes norte: Bom Jesus da Lapa; sul: Carinhanha; leste: Bom Jesus da Lapa e Santana (Bahia); oeste: São Félix do Coribe
Distância até a capital 845 km
Características geográficas
Área 2 677,366 km² [2]
População 31 646 hab. IBGE/2010[3]
Densidade 11,82 hab./km²
Altitude 438 m
Clima subúmido a semi-árido
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,595 baixo PNUD/2010[4]
PIB R$ 131 080,281 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 4 107,94 IBGE/2008[5]
Página oficial

Serra do Ramalho é um município brasileiro do estado da Bahia.

História[editar | editar código-fonte]

O povoamento inicial[editar | editar código-fonte]

Os primeiros desbravadores da região foram os bandeirantes, seguindo-se do ciclo da pecuária e da mineração. Existem vestígios da presença indígena, embora não haja registros sobre os grupos indígenas que habitavam o local. Acredita-se que seriam do tronco lingüístico macro-jê.

A área do município pertencia anteriormente ao município de Bom Jesus da Lapa. Era habitada sobretudo pelas populações ribeirinhas, em sua maioria remanescentes de quilombos (quilombolas).

Até os anos 1970, região consistia em mata complexa e virgem, classificada como Mata Caatingada, Cerrado e Vegetação Hidrófila. Havia a ocorrência de espécies como o ipê, o cedro, a aroeira, a baraúna etc. Havia rios intermitentes e riachos na encosta da Serra do Ramalho (mesmo nome do município), além de rios perenes como o Rio São Francisco e o Rio Carinhanha.

A região era famosa pela fertilidade de suas terras em meio ao semi-árido do entorno e para lá se dirigiram muitos flagelados da seca.

As agrovilas[editar | editar código-fonte]

Em 1973, a região do Médio São Francisco foi decretada prioritária para desapropriação pelo governo federal, em vista da construção da represa de Sobradinho e da necessidade de reassentar os moradores desalojados pela obra.

A partir de março de 1976, o povoamento do região foi intensificado pelo assentamento das populações desalojadas. O projeto de assentamento, intitulado Projeto Especial de Colonização de Serra do Ramalho, foi idealizado pelos engenheiros civis e agrônomos da empresa paulista Hidroservice. A maioria das mil famílias que foram instaladas em Serra do Ramalho era dos povoados de Pau-a-Pique, Bem-Bom, Intãs e Barra da Cruz, todos situados no município de Casa Nova. As famílias eram compostas de camponeses beraderos, ou seja, indivíduos que tiravam do rio, diretamente ou indiretamente, o seu sustento. Estas famílias foram assentadas em um casebre e um lote de vinte hectares em um sistema de agrovilas. O sistema de agrovila separava os lotes a serem cultivados do local de moradia, ambos distantes do Rio São Francisco. Segundo o projeto original, as agrovilas concentrariam as casas dos colonos (aproximadamente 250 por agrovila), os serviços públicos, comunitários e religiosos, e o comércio. A Agrovila Nove abrigaria a administração do projeto e a cooperativa. Entretanto, somente a Agrovila Nove disponibilizaria os serviços previstos.

Deslocados em relação ao seu ambiente de vida anterior, muitos colonos não se adaptaram ao sistema das agrovilas e emigraram. Isto fez com que o INCRA assentasse nas agrovilas ociosas famílias de sem-terras originárias de diferentes pontos da Bahia, do Nordeste e do Centro-Sul do país. Novas agrovilas foram criadas para atender a esta demanda e o projeto original foi descaracterizado. Aos poucos, os pequenos lotes foram se agrupando em lotes maiores. Hoje predomina a agricultura de sequeiro com grande ociosidade das terras.

Os índios Pankaru[editar | editar código-fonte]

Na década de 50 do século XX, imigraram para a região os índios Pankarus, guiados pelo chefe Apolônio Kinane. A notícia do interesse do governo federal pela região estimulou a ação de grileiros. A posse da terra onde habitavam os índígenas foi reivindicada por um fazendeiro e o chefe Apolônio chegou a ser preso, juntamente com um filho e dois genros. Posteriormente, com os assentamentos realizados na região, coube aos indígenas a homologação de cerca de mil hectares em 1991 onde hoje se localiza a Aldeia Vargem Alegre e um lote de três hectares na Agrovila 19,com 50 casas. Ainda hoje, há a disputa deste lote com um não-indígena, que afirma ter a propriedade da terra.

Emancipação política[editar | editar código-fonte]

Em 1989, Serra do Ramalho tornou-se município autônomo e a sede do município passou a ser a Agrovila Nove.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Sua população estimada em 2007 era de 31.074 habitantes. Localiza-se entre o Rio São Francisco e a serra de mesmo nome do município.

O município participa das unidades geomorfológicas da Depressão do São Francisco, Patamares do Chapadão e Várzeas e Terraços Aluviais. A vegetação consiste em Floresta Estacional Decidual e Floresta Estacional Semidecidual.

Os principais produtos agrícolas são o algodão herbáceo (em caroço), a soja, a banana, a mandioca, o maracujá e o tomate.

Fontes[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Página visitada em 23 de agosto de 2013.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
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