Serras de Sudeste

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Aclive na BR-293, dentro do município de Piratini

Serras de Sudeste (frequentemente chamada de Serras do Sudeste ou Serra do Sudeste), na verdade, é um nome que designa um planalto, o Planalto Dissecado de Sudeste ou Escudo Sul-Riograndense, localizado na região sudeste do estado brasileiro do Rio Grande do Sul, próximo ao Uruguai.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Relevo[editar | editar código-fonte]

Mapa de relevo do Sul do Brasil

Este planalto compreende um conjunto de ondulações suaves a moderadas e cobertas por vegetação rasteira e herbácea, conhecidas como coxilhas, cujos níveis mais altos não ultrapassam muito além dos 500 m de altitude. É um planalto antigo, cuja superfície tabular só foi preservada entre alguns rios. Esses terrenos do período Pré-Cambriano formam o chamado Escudo Sul-Riograndense e ocupam toda a porção sudeste do estado, formando uma área triangular cujos vértices correspondem aproximadamente às cidades de Porto Alegre, Dom Pedrito e Jaguarão. O conjunto está dividido, pelo vale do rio Camaquã, em duas grandes unidades, uma ao norte e outra a sul, denominadas Serra de Herval e Serra dos Tapes, respectivamente.

Há três municípios, nesta região, cujas áreas urbanas estão situadas acima dos 400 metros de altitude: Caçapava do Sul, com 444 metros, Pinheiro Machado, com 436 metros, e Encruzilhada do Sul, com 432 metros. Com a área urbana acima dos 300 metros, estão as cidades de Canguçu, com 386 metros, Piratini, com 349 metros, e Santana da Boa Vista, com 306 metros.

Coxilhas das Serras de Sudeste, no município de Morro Redondo

Um dos pontos mais altos deste planalto é o Cerro do Sandin, com 510 metros de altitude, situado no município de Piratini.

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima dos municípios localizados neste planalto é subtropical ou temperado (Cfa e Cfb). Os verões são amenos (dias com temperatura superior a 30°C não são muitos durante o ano), nas localidades acima dos 300 m de altitude. Os verões possuem temperaturas um pouco mais elevadas nas localidades de altitudes menores. Os invernos são relativamente frios, com geadas freqüentes. Ocorrências de neve são incomuns, ocorrendo, no máximo, entre uma e duas vezes por década, e de forma muito fraca e rápida. As últimas precipitações de neve registradas ocorreram em 4 de setembro de 2006, em alguns municípios da região, como Canguçu[1] , e em 5 de setembro de 2008, em Piratini e Pinheiro Machado (município onde a precipitação de neve foi mais forte, durante o período da tarde)[2] .

Paisagem serrana do município de Arroio do Padre

As chuvas são regularmente distribuídas durante o ano, com média entre 1.300 mm e 1.500 mm anuais para a região, mas períodos incertos de estiagem podem ocorrer. A temperatura média anual, nas cidades localizadas nesta região, está entre os 16°C e os 18°C. Janeiro costuma ter temperaturas médias em torno dos 21°C, e julho costuma ter médias de 11°C, nas localidades acima de 300 m de altitude. Nas localidades de altitudes menores, a média do mês mais quente situa-se entre os 22°C e os 24°C, e a média do mês mais frio está entre 11°C e 12°C.

Vegetação[editar | editar código-fonte]

A maior parte das Serras de Sudeste é composta por campos, com vegetação rasteira e herbácea (pampas). Outra formação importante, ocorrente principalmente na porção leste, porém atualmente bastante reduzida pela ocupação humana, é a floresta estacional semidecidual[3] . A vegetação nativa, tanto no domínio dos campos quanto no das matas, apresenta ocorrência de corticeiras, pitangueiras, coronilhas, canelas brancas, butiás, branquilhos, canelas pretas, araucárias, aroeiras pretas, aroeiras cinzentas e aroeiras periquitas. Merece registro o crescimento da silvicultura, que tem promovido o aumento da presença de florestas de árvores exóticas (eucaliptos, pinhos, acácias), ao lado de espécies de tradicional uso paisagístico (salsos-chorões, ciprestes, cedros, álamos e plátanos).

Fauna[editar | editar código-fonte]

As espécies mais características da região, quanto à fauna, são: mamíferos como veado-virá, veado-campeiro, lebre, tatu, raposa, gambá, capivara, graxaim (sorro), aves como chimango, perdiz, caturrita, quero-quero, jacu, ema, seriema, pomba do mato (pombão), cardeal-de-topete-vermelho, periquito, tico-tico, joão-de-barro, répteis como lagarto, cobra cruzeira, cobra verde e peixes como traíra, jundiá, lambari etc.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

A região faz parte da bacia hidrográfica do Rio Camacuã.

Municípios abrangidos[editar | editar código-fonte]

Cerro próximo à área urbana de Canguçu, com altitude de cerca de 500 metros no topo
Figueira no distrito serrano da Cascata, em Pelotas
Paisagem do distrito pelotense da Cascata

Turismo[editar | editar código-fonte]

Devido às belas paisagens rurais, esta região tem sido visitada por muitos turistas, com a existência de muitas pousadas entre as paisagens serranas. Vale ressaltar que nesta região está a cidade de Piratini, considerada a primeira capital da República Riograndense, o que destaca a importância histórica destas terras.

Economia[editar | editar código-fonte]

As principais atividades econômicas da região são: agricultura, pecuária e extração de pedras para exportação, além da viticultura, que, devido à característica do clima das Serras de Sudeste, favorece a elaboração de vinhos de alta qualidade. O turismo também é significativo como fonte de renda.

A silvicultura tem adquirido grande importância econômica, com o florestamento das áreas de campos, através do plantio de árvores de fácil adaptação ao ambiente e de rápido crescimento (eucaliptos, pinhos e acácias), utilizadas principalmente na indústria madeireira.

Rodovias[editar | editar código-fonte]

As seguintes rodovias federais cruzam as Serras de Sudeste: BR-116, BR-392, BR-471 e BR-293.

Referências[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]