Sexismo

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Sexismo é termo que se refere ao conjunto de ações e ideias que privilegiam determinado gênero ou orientação sexual em detrimento de outro gênero (ou orientação sexual). Embora seja constantemente usado como sinônimo de machismo é na verdade um hiperônimo deste, já que é possível identificar diversas posturas e ideias sexistas (muitas delas bastante disseminadas) que privilegiam um gênero em detrimento a outro.

De maneira geral, o termo é usado como exclusão ou rebaixamento do gênero feminino. Trata de uma posição, que pode ser praticada tanto por homens quanto por mulheres; portanto, o sexismo está presente intragêneros tanto quanto entre gêneros. De acordo com Karin Ellen von Smigay, culturas falocráticas possuem: "um vasto conjunto de representações socialmente partilhadas, de opiniões e de tendência a práticas que desprezam, desqualificam, desautorizam e violentam as mulheres, tomadas como seres de menor prestígio social". [1] Assim, de acordo com esta autora, o sexismo acaba "legitimando a violência contra mulheres e todos aqueles que, em determinadas circunstâncias, são reconhecidos como tendo uma posição feminilizada. Mantido por um pensamento essencialista, atribui qualidades e defeitos que seriam inerentes e específicos de cada sexo".[2] De acordo com esta análise, sexismo e homofobia estão estreitamente relacionados.

Ações sexistas podem partir de diversos pressupostos, destacando-se os de que:

  • Um gênero (ou uma identidade sexual) é superior a outro.
  • Mulher e homem são profundamente diferentes (mesmo além de diferenças biológicas), e essas diferenças devem se refletir em aspectos sociais como o direito e a linguagem.
  • Existem características comportamentais que são intrínsecas a determinado gênero, de modo que todas as pessoas deste gênero as possuem (visto em generalizações como "todo homem é mulherengo" ou "toda mulher é delicada" ou "todo homossexual é promíscuo").

Diferentes termos podem ser usados para nomear conjuntos de ideias e ações sexistas de acordo com o gênero afetado. O sexismo contra homens é chamado de misandria ou androfobia. O sexismo contra mulheres é comummente denominado de machismo ou misoginia. As formas de sexismo contra LGBT podem ser genericamente nomeadas como homofobia.

Para Daniel Borrillo, tanto o sexismo quanto a homofobia devem ser pensados a partir da ordem pela qual as relações sociais entre os sexos e sexualidades se estruturam: "A ordem (dita natural) dos sexos determina uma ordem social na qual o feminino deve complementar o masculino, o que se realiza com base em uma subordinação psicológica e cultural". Assim, o sexismo, portanto, poderia ser definido como "a ideologia organizadora das relações entre os sexos, no seio da qual o masculino se caracteriza por seu pertencimento ao universo exterior e político, ao passo que o feminino denota intimidade e ligação com o ambiente doméstico". [3]

É comum que indivíduos promovam atitudes sexistas contra seu próprio gênero. A forma como a cultura age no imaginário coletivo permite que seja possível encontrar mulheres que defendam que "lugar de mulher é na cozinha" ou homens afirmando que "marido que não procura trabalho é vagabundo", assim como há mulheres e homens que se contrapõem a tais ideários, indistintamente.

Como princípio político, o sexismo utiliza o discurso da diferença natural entre os sexos para justificar e legitimar as desigualdades em matéria de direitos políticos. [4]

Exemplos de ideias sexistas[editar | editar código-fonte]

Apesar das discussões políticas, midiáticas e acadêmicas sobre igualdade de gênero travadas nas últimas décadas, muitas ideias sexistas ainda permeiam a cultura brasileira e explicam parte das diferenças sociais, econômicas, ocupacionais e comportamentais entre os gêneros.

Lista de algumas ideias de caráter sexista e de problemas de ordem comportamental, sócio-econômica ou jurídica relacionadas a elas:

  • A gestão no feminino é mais humana
    • Nova tendência de contrabalançar o maxismo, atribuindo - ao invés - competências genéticas superiores às mulheres.
  • É dever natural do homem o sustento da família
    • Evasão escolar precoce de grande parte dos homens, sobretudo nas classes mais pobres, que se veem pressionados a trabalhar para sustentar suas famílias enquanto suas irmãs ou esposas têm maior liberdade para escolherem entre trabalhar ou estudar. Consequente inversão no desequilíbrio educacional relativo a gênero, com as mulheres alçando níveis educacionais mais altos que os homens, em média. [5] [6]
    • Sobrecarga ocupacional masculina (25% dos homens brasileiros economicamente ativos trabalham mais que 49 horas semanais contra apenas 12% das mulheres na mesma condição [7] )
  • Mulheres devem ser responsáveis pela casa
    • Alto percentual de mulheres sem ocupação econômica, embora já se concentrem neste gênero os mais altos índices de formação educacional e profissional [8]
  • As mães são mais importantes na formação dos filhos que os pais
    • Baixíssimo índice de decisões judiciais favoráveis a que a guarda de filhos de casais separados seja dada aos pais ou seja compartilhada entre pai e mãe [9]
  • Homens não choram/ homens devem ser fortes / homem que apanha de mulher é frouxo (e variações destes raciocínios)
    • Menor procura de indivíduos do sexo masculino por atenção médica em comparação às mulheres [10]
    • Resistência de indivíduos do gênero masculino em prestar queixa contra suas parceiras quando estes vêm a ser vítimas de violência doméstica [11]
  • Trair é da natureza masculina (mas não da feminina)
    • Atitudes masculinas violentas, muitas vezes originando crimes de agressão ou contra a vida, quando de suspeita ou constatação de infidelidade conjugal
    • Rejeição social percebida por mulheres que traem seus companheiros, ao contrário do que ocorre aos homens infiéis.
    • Contaminação de mulheres casadas por doenças sexualmente transmissíveis contraídas por seus maridos.
  • As mulheres são mais frágeis (ou inocentes)
    • Predisposição do judiciário a minimizar o papel de mulheres criminosas e a aplicar sobre elas penas mais brandas.
    • Exclusão "a priori" das mulheres de determinados campos profissionais.
  • Gays são promíscuos/não conseguem controlar seus impulsos sexuais
    • Maior dificuldade de homossexuais em adotar crianças [12] [13]
    • Dificuldade de reconhecimento por parte do Estado - muitas vezes por influência religiosa - de promulgar uma lei anti-homofobia. [14]
    • Dificuldade de inclusão em certos grupos sociais, por questão de sexismo ou crença religiosa.
  • Associação errônea entre AIDS e homossexuais, pelo preconceito generalista com origem em estatísticas do Ministério da Saúde [15]
    • Discriminação contra homossexuais. [16]
    • Heterossexuais que acreditam nesta crença não dão tanta importância à prevenção de DSTs.[17]

Referências

  1. SMIGAY, Karin Ellen von (2002). Sexismo, homofobia e outras expressões correlatas de violência: desafios para a psicologia política p. 34. 32-46 pp.. Visitado em 02 de setembro de 2013.
  2. SMIGAY, Karin Ellen von (2002). Sexismo, homofobia e outras expressões correlatas de violência: desafios para a psicologia política p. 35. 32-46 pp.. Visitado em 02 de setembro de 2013.
  3. BORRILLO, Daniel (2009). A homofobia p. 24-25.. Visitado em 07 de outubro de 2013.
  4. VERFUS, Anne. Voto familiarista e voto familiar: contribuição para o estudo do processo de individualização das mulheres na primeira metade do século XIX (em <código de língua não-reconhecido>). São Paulo: Estação Liberdade, 2005. 405-433 pp. p. 430. ISBN 8574481114.
  5. http://www.db.com.br/noticia/43260.html
  6. http://www.universia.com.br/materia/materia.jsp?id=3012
  7. http://www.ibge.gov.br/lojavirtual/default.php?codigoproduto=8877
  8. http://delas.ig.com.br/a+volta+ao+lar/n1237491673175.html
  9. http://www.pailegal.net/chicus.asp?rvTextoId=1097664668
  10. http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_8/2008/06/23/em_noticia_interna,id_sessao=8&id_noticia=68458/em_noticia_interna.shtml
  11. http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/05/080519_homens_agressao_dg.shtml
  12. http://oglobo.globo.com/sp/mat/2008/01/09/promotor_que_pediu_separacao_de_bebe_de_transexual_diz_que_casal_gay_anormal_-327934459.asp
  13. http://www.elpais.com/articulo/sociedad/Tribunal/Europeo/Derechos/Humanos/condena/Francia/impedir/adoptar/lesbiana/elpepusoc/20080122elpepusoc_2/Tes
  14. http://www1.folha.uol.com.br/poder/920652-dilma-suspende-kit-gay-apos-protesto-da-bancada-evangelica.shtml
  15. http://portal.saude.gov.br/portal/saude/Gestor/visualizar_texto.cfm?idtxt=28231
  16. http://www.tupi.am/programas/tupi-doc/38263/Para_o_Dia_do_Hetero_Bolsonaro_associa_gays_a_AIDS_e_criminalidade
  17. Maia, Christiane; Guilhem, Dirce; Freitas, Daniel. (04-2008 - Epub: 29-02-2008). "Vulnerabilidade ao HIV/Aids de pessoas heterossexuais casadas ou em união estável". Revista de Saúde Pública 42 (2). DOI:10.1590/S0034-89102008005000004. ISSN 0034-8910.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • Gênero, Sexualidade e Direitos: construindo políticas de enfrentamento ao sexismo e a homofobia (em português) Gênero, Sexualidade e Direitos: construindo políticas de enfrentamento ao sexismo e a homofobia. Publicação que reúne textos do projeto de extensão “Políticas de enfrentamento ao sexismo e a homofobia no ambiente escolar: re-significando as práticas educativas no estado do Tocantins".
  • Três décadas de resistência feminista contra o sexismo e a violência feminina no Brasil: 1976 a 2006. Texto científico publicado na Revista do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (Sociedade e Estado) sobre as estratégias utilizadas nos últimos trinta anos para a erradicação da violência contra a mulher no Brasil.
  • Tudo é interseccional? Sobre a relação entre racismo e sexismo. Texto científico publicado na Revista Novos Estudos sobre a relação entre racismo e sexismo.
  • Combate ao sexismo em livros didáticos: construção da agenda e sua crítica. Texto científico publicado na Revista Cadernos de Pesquisa sobre a questão do sexismo nos livros didáticos.