Seymour Martin Lipset

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Seymour Martin Lipset (Nova Iorque, 18 de março de 192231 de dezembro de 2006) foi um sociólogo estadunidense, filho de imigrantes judeus russos

Biografia[editar | editar código-fonte]

Seu pai era impressor e sua mãe uma camponesa, imigrantes da Rússia Imperial.

Lipset residiu em bairros pobres de Nova Iorque, graduou-se no City College de Nova Iorque, em 1943, e concluiu seu doutorado, PhD, na Universidade de Columbia, Nova Iorque, em 1949.

Na juventude, sua origem operária, sua nacionalidade russa, e a influência universitária o levaram a aderir ao marxismo, sendo um socialista ativo, na vertente anti-stalinista, trotskista, e, posteriormente, a se aprofundar nas especificidades da sociedade americana. [1]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Lipset foi professor da Universidade da Califórnia em Berkeley, da Universidade de Columbia, da Universidade Harvard, do Instituto Hoover, da Universidade de Stanford, entre 1975 e 1990, da Universidade de Toronto e da Universidade George Mason. [2] [3]

Pensamento Político e Sociológico[editar | editar código-fonte]

Sua tese de doutorado, que foi seu primeiro livro, intitulada Agrarian Socialism: The Cooperative Commonwealth Federation in Saskatchewan, 1950, o notabilizou por se constituir num esforço de explicação de porque os EUA foram a única sociedade ocidental a não ter um Partido Socialista ou trabalhista forte. Cinquenta e um ano depois, seu livro, escrito em parceria com Gary Marks, intitulado It Didn't Happen Here: Why Socialism Failed in the United States, voltou a tematizar a mesma questão, fazendo um amplo estudo comparativo com as democracias ocidentais. [4]

Lipset destacou-se pela riqueza de sua teoria da democracia e pela defesa da tese do excepcionalismo americano, sendo um admirador dos ideais fundadores da América.

Ele foi um dos primeiros formuladores da "teoria da modernização", afirmando a democracia como consequência necessária do desenvolvimento e do crescimento econômico. [5] Lipset definia-se como um centrista, influenciado pelo pensamento social e político de Alexis de Tocqueville, John Stuart Mill e Max Weber[6]

Tornou-se um ativo membro da ala conservadora do Partido Democrata, após abandonar o Partido Socialista em 1960, e foi um dos primeiros "neoconservadores", corrente intelectual e política que adquiriu grande visibilidade na Era Bush.

Lipset identificava, nos EUA, a força da cultura antiestatal, individualista, e a defesa da meritocracia e do dinamismo econômico, como fatores que explicavam a ausência de um Partido Socialista forte naquele país. Segundo Lipset, os cinco pilares do credo político americano: liberdade, igualitarismo, individualismo, populismo, e laissez-faire explicavam o caráter excepcional da democracia americana. O grau de adesão a esses princípios nos Estados Unidos, teria uma intensidade muito elevada, não observada em outras democracias ocidentais. [7]

Lipset propõe que nos países mais ricos e desenvolvidos, os conflitos distributivos se tornam menos radicais, o desenvolvimento econômico criaria condições para ânimos menos acirrados, em outras palavras, a prosperidade geraria, progressivamente, estabilidade política. [8]

O ideal igualitário no plano da cidadania e nas condições de disputa no mercado de trabalho, a associação entre desenvolvimento econômico e democracia, ou entre capitalismo e democracia, era enfatizada. A democracia e o capitalismo faziam uma perfeita combinação afirmava Lipset[9]

As esquerdas americanas, por essas razões, seriam, predominantemente, anarquistas e não socialistas. O caso americano, segundo ele, era muito pouco provável de vir a confirmar a tese marxista da luta de classes levando a uma revolução inevitável. Obra de referência: It Didn't Happen Here: Why Socialism Failed in the United States, 2001

Lipset argumentava que a fraqueza do socialismo nos EUA refletia também a heterogeneidade da classe trabalhadora.

A estabilidade da democracia americana era explicada pelo modo mais moderado de tratar o conflito de classes, fator que favorecia emoções políticas mais contidas. Mas essa estabilidade decorria, também, da vigência de instituições que possibilitam o dissenso e o conflito, ao mesmo tempo que contribuem para a legitimidade e o consenso. A garantia de que a minoria poderá se tornar maioria em um novo governo, a importância das lideranças políticas e dos valores políticos para a boa funcionalidade dos sistema político inserem-se entre os fatores de estabilidade das instituições democráticas. Obras de referência : Political Man: The Social Bases of Politics, 1960; The First New Nation, 1963, Consensus and Conflict, 1987; The First New Nation and Continental Divide: The Institutions and Values of the United States and Canada, 1990

Publicou obras importantes sobre organização sindical, modernização, opinião pública, estratificação social e sociologia da vida intelectual.

Ele, também, aumentou seu envolvimento com os assuntos do judaísmo com o avançar da idade e dedicou-se muito ao tema Conflito no Oriente Médio, formulando propostas para a negociação de paz entre israelenses e palestinos. [10] [11]

Cargos que ocupou e entidades que integrou[editar | editar código-fonte]

  • Presidente da Associação Americana de Ciência Política, 1979 a 80, e da Associação Sociológica Americana, 1992 a 93.
  • Presidente da Sociedade Internacional de Psicologia Política.
  • Presidente da Associação Sociológica de Pesquisa.
  • Presidente da Associação Mundial para Pesquisa de Opinião Pública.
  • Presidente da Sociedade para Pesquisa Comparativa.
  • Presidente da Sociedade Paul F. Lazarsfeld, em Vienna.
  • Membro da Academia Nacional de Ciências.
  • Diretor do Instituto Estados Unidos da Paz
  • Membro do Conselho do Albert Shanker Institute
  • Membro do U.S. Board of Foreign Scholarships
  • Membro do Comitê para Reforma da Lei Trabalhista
  • Membro do Commitê para uma Efetiva UNESCO
  • Consultor do Instituto Nacional Humanidades
  • Consultor do National Endowment for Democracy
  • Consultor do Comitê Judeu Americano.
  • Presidente do Professores Americanos pela Paz no Oriente Médio

Veja também[editar | editar código-fonte]

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Agrarian Socialism: The Cooperative Commonwealth Federation in Saskatchewan, a Study in Political Sociology (1950)
  • We'll Go Down to Washington (1951)
  • Union Democracy com Martin Trow and James S. Coleman
  • Social Mobility in Industrial Society com Reinhard Bendix (1959)
  • Social Structure and Mobility in Economic Development com Neil J. Smelser (1966)
  • Economic Development and Political Legitimacy (1959)
  • Political Man: The Social Bases of Politics (1960)
  • The First New Nation (1963)
  • The Berkeley Student Revolt: Facts and Interpretations, com Sheldon S. Wolin
  • Student Politics (1967)
  • Revolution and Counterrevolution: Change and Persistence in Social Structures, (1968)
  • Prejudice and Society com Earl Raab
  • The Politics of Unreason: Right Wing Extremism in America, 1790-1970 com Earl Raab (1970)
  • The Divided Academy: Professors and Politics com Everett Carl Ladd, Jr. (1975)
  • The Confidence Gap: Business, Labor, and Government in the Public Mind (1987)
  • Continental Divide: The Values and Institutions of the United States and Canada (1989)
  • Jews and the New American Scene com Earl Raab (1995)
  • American Exceptionalism: A Double-Edged Sword (1996)
  • It Didn't Happen Here: Why Socialism Failed in the United States com Gary Marks (2001)
  • The Paradox of American Unionism: Why Americans Like Unions More Than Canadians Do, but Join Much Less com Noah Meltz, Rafael Gomez, and Ivan Katchanovski (2004)
  • The Democratic Century com Jason M. Lakin (2004)
  • "Steady Work: An Academic Memoir", in Annual Review of Sociology, Vol. 22, 1996

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Seymour Martin Lipset, Netlibrary
  2. Seymour Martin Lipset, Dies at 84, New York Times, 2006
  3. Seymour Martin Lipset, Scholar of democracy driven to understand American society, Gary Marks, 12 January 2007 The Guardian
  4. Seymour Martin Lipset, Scholar of democracy driven to understand American society, Gary Marks, 12 January 2007 The Guardian
  5. Seymour Martin Lipset, Scholar of democracy driven to understand American society, Gary Marks, 12 January 2007 The Guardian
  6. Book Review of "American Exceptionalism" by Seymour Martin Lipset, Kevin Lamb, 1996
  7. Book Review of "American Exceptionalism" by Seymour Martin Lipset, Kevin Lamb, 1996
  8. Revista Lua Nova, O que mantém a democracia ? Quatro autores, página 117
  9. Book Review of "American Exceptionalism" by Seymour Martin Lipset, Kevin Lamb, 1996
  10. Seymour Martin Lipset, Scholar of democracy driven to understand American society, Gary Marks, 12 January 2007 The Guardian
  11. Seymour Martin Lipset, Sociologist, Dies at 84, New York Times, 2006