Shipibo-conibo

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Casa e cozinha de povos da etnia Shipibo
Uma jarra Shipibo

Os Shipibo-Conibo ou Shipibo-Konibo são um grupo étnico da Amazônia peruana que se distribuem ao longo das margens do Ucayali, Callería Pachitea Aguaytía, Tamaya e do lago Yarinacocha lago entre as regiões de Huánuco, Madre de Dios, Loreto e Ucayali, no Peru.[1]

Os Conibos ou Manoas habitam o Pampa del Sacramento e das margens do rio Ucayali, no Peru contactados por missionários espanhóis em 1683, e em 1685 por franciscanos fundaram uma missão entre eles e foram massacrados[2]

Os Shipibo-Conibo-Shetebo, conhecidos por sua cerâmica, segundo Erikson[3] constituem o grupo, mais numeroso e mais atípico dos povos Pano das margens do Ucayali. Entre as características distintas está o seu sistema social que proíbe casamento entre parentes até a sétima geração ascendente. Contudo, pondera o autor, apesar das diferenças entre os grupos atualmente denominados como shipibo-conibo, seus cinco dialetos são mutuamente inteligíveis, assim como o o seu xamanismo é semelhante, inclusive com o de outros povos pano a exemplo dos Marubo.

Distribuição[editar | editar código-fonte]

Localizaçao dos Shipibo-Konibo junto a outras etnias da família linguística pano

Na amazônia peruana, existen mais de 12 etnias diferentes. O povo shipibo-konibo, como dito, se distribui ao longo das margens do rio Ucayali, existem mais de 140 comunidades nativas organizadas nessa região. È característico de sua organização social a existencia de:

  • o “chefe da comunidade” que é a autoridade principal
  • o “agente municipal” encarregado de zelar pela limpeza da comunidade
  • o “teniente-gobernador”, quem zela pela ordem e segurança da comunidade.

A cidade mais próxima dessa região é Pucallpa, uma cidade do Peru, capital do departamento Ucayali e da província de Coronel Portillo com cerca de 270 mil habitantes.

Xamanismo[editar | editar código-fonte]

Uma das característica do xamanismo do grupo Pano é a utilização de uma bebida preparada com o cozimento das plantas Banisteriopsis caapi e Psychotria viridis conhecida como Ayahuasca em toda Amazônia. Segundo Luz, que procedeu uma revisão bibliográfica sobre esse uso,[4] embora todos os homens saibam como preparar a bebida, normalmente apenas um ou dois em cada aldeia o fazem habitualmente. Qualquer homem iniciado pode beber, mas o padrão varia; alguns nunca tomam, enquanto outros tomam sempre que servido, o que acontece mais ou menos uma vez por semana ou mês em alguns grupos.

O cerimonial envolve uma reunião onde os membros permanecem sentados em bancos apropriados e entoam cânticos e/ou uma repetição rítmica monossilábica, que expressam um diálogo com os espíritos da bebida visões com alto grau de similaridade tanto no conteúdo como na freqüência de ocorrência há relatos de grandes cobras coloridas e brilhantes; onças e jaguatiricas, visões que são discutidas após a cerimônia, buscando-se obter informação a respeito da causa de uma doença da caça ou do comércio.

Ainda segundo Luz (o.c.) entre os Shipibo-Conibo as cerimônias públicas de consumo de beberagens tendo por base a Banisteriopsis caapi desapareceram e atualmente só é ingerida em sessões terapêuticas onde tem o papel de propiciar o diagnóstico e servir de inspiração ao xamã.

Tais cerimônias são realizadas à noite, quando xamã vestido com sua roupa tradicional (tari) utiliza a referida bebida, entoa cânticos medicinais, fuma, defumando o paciente na fumaça de seu cachimbo, enquanto marca o ritmo com o voltear de um maço de ervas fragrantes chamado moe. Referem-se às visões que ele tem então são padrões geométricos (kené/kewé) nos quais se acredita estarem contidas virtudes terapêuticas ao serem desenhados sobre o corpo do paciente.

"Carimbo" utilizado por grupos dos Shipibo-Conibo para pintura corporal

Consideram que para que o desenho se fixe são necessárias três a quatro sessões de cinco horas cada. Durante o tratamento o paciente deve abster-se de comidas compradas na cidade, gorduras, sal, açúcar, e condimentos bem como frutas, certas caças e peixes, devendo também evitar o contato com mulheres menstruadas e casais que tenham copulado.

Além das restrições dietéticas, que às vezes também tem que ser seguidas pelos parentes do doente, os curandeiros também receitam ervas combinadas e também podem extrair ou chupar energias e objetos causadores de doenças, alguns lançados por feiticeiros inimigos, no corpo de seus pacientes[5]

Na sociedade shipibo-konibo existe um consenso geral a respeito de que os kené tenham sido ensinados aos Shipibo por uma entidade de nome Inka. O espírito dono do cipó do qual se faz a bebida "ayawaska", para eles é Nishi ibo, contam também com o espírito do colibri, Pino. Há uma correlação entre os cânticos, as visões e os desenhos, os desenhos que irão curar precisam ser fixados ao corpo pelo canto do xamã e pelo voltear do moe. Luz (o.c.) Brabec, Mori[6]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bena Jema em shipibo, Pueblo Nuevo, é uma comunidade shipibo-conibo situada na entrada da cidade de Tingo María, Peru

Referências

  1. VALENZUELA, Pilar (2000): "Ergatividad escindida en wariapano, yaminawa y shipibo-konibo" [1] en Indigenous languages of lowland South America. Essays on indigenous languages of lowland South America. Contributions to the 49th International Congress of Americanists in Quito 1997, Universidad de Leiden.
  2. ENCYCLOPÆDIA BRITANNICA. Conibos. Encyclopædia Britannica, décima primeira edição
  3. ERIKSON, Philippe. Uma singular pluralidade: a etno-história pano. in: In: Historia dos Índios no Brasil. Manuela Carneiro da Cunha (org.), 1992 Disponível no Google Livros Nov. 2011
  4. LUZ, Pedro Fernandes Leite da. Estudo comparativo dos complexos ritual e simbólico associados ao uso da Banisteriopsis caapi e espécies congêneres em tribos de língua Pano, Arawak, Tukano e Maku do noroeste amazônico. RJ, UFRJ, Museu Nacional, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social disponível NEIP Nov. 2011
  5. EAKIN, LUCILLE; LAURIAULT ERWIN; BOONSTRA, HARRY Bosquejo etnografico de los Shipibo-Conibo del Ucayali. Lima, Pe, Ignacio Prado Pastor Ed.,1980 SIL Nov. 2011
  6. BRABEC DE MORI, Bernd; MORI SILVANO DE BRABEC, Laida. La corona de la inspiración. Los diseños geométricos de los Shipibo-Konibo y sus relaciones con cosmovisión y música. Indiana, núm. 26, 2009, pp. 105-134 Instituto Ibero-Americano de Berlín REDALYC Nov. 2011

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • COLPRON, Anne-Marie. Monopólio masculino do xamanismo amazônico: o contra-exemplo das mulheres xamã shipibo-conibo. Mana, Rio de Janeiro, v. 11, n. 1, Apr. 2005 . Available from Scielo. access on 23 Nov. 2011.
  • ARÉVALO, G. 1994. Medicina indígena: Las plantas medicinales y su beneficio en la Salud. Shipibo conibo. Asociación interétnica de desarrollo de la selva peruana. Lima-Perú.
  • CÁRDENAS, C. 1989 Los Unaya y su Mundo Aproximación al Sistema Médico de los Shipibo - Conibo del río Ucayali . Instituto Indigenista Peruano IPP, Centro AmazÛnico de AntropologÌa y Aplicación Práctica CAAAP . CONCYTEC.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]