Shivaji

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Shivaji Shahaji Bhosle
Chhatrapati
Retrato do Chhatrapati(Imperador) Shivaji Maharaj (1680-1687), exposto no Museu Britânico
Governo
Reinado 1642 — 1682
Coroação 6 de Junho de 1674
Consorte Sai bai (Nimbalkar)
Herdeiro Sambhaji
Sucessor Sambhaji
Títulos Kshatriya Kulavataunsha , Kulwadi bhushan.
Vida
Nome completo Shivaji Shahaji Bhosle
Nascimento 19 de Fevereiro de 1630[1] [2]
Forte Shivneri, perto de Pune, India
Morte 3 de Abril de 1680
Forte Raigad
Esposas Soyarabai (Mohite)
Putalabai (Palkar)
Sagunabai (Shirke)
Kashbai (Ingale)[3] [4]
Filhos Sambhaji, Rajaram e seis filhas: Sakhubai Nimbalkar, Ranubai Jadhav, Ambikabai Mahadik, Deepabai, Rajkunvarbai Shirke, Kamlabai Palkar.
Pai Shahaji
Mãe Jijabai

Shivaji Bhosle (Língua marata:शिवाजी भोसले; 19 de Fevereiro de 16303 de Abril de 1680), com o título real Chhatrapati Shivaji Maharaj (Língua marata:छत्रपती शिवाजी महाराज) foi um aristocrata Maratha de clã Bhosle, que fundou o Império Maratha.[5] [6] Shivaji liderou a resistência para libertar a nação Maratha, que estava sob o domínio do Sultanato de Bijapur, e estabeleceu Hindavi Swarajya ("Autogoverno"). Ele criou um Reino Maratha independente com o Forte Raigad como sua capital,[6] e lutou com sucesso contra o Império Mogol para defender seu reino.[5] Ele foi coroado como Chhatrapati - o Soberano - do Reino de Maratha em 1674.[5] [6]

Ele alcançou o re-estabelecimento de um governo Hindu em sua terra natal, após ter sido governada e dominada por várias dinastias mulçumanas por algumas centenas de anos. Ele estabeleceu uma competente e progressivo governo civil com a ajuda de suas tropas militares bem regulamentadas e disciplinadas, além de organizações administrativas bem organizadas. A prevalência prática de obter mulheres como espólios de guerra, destruição de monumentos religiosos, escravidão e conversão forçada religiosa foram fortemente combatidas em sua administração. Shivaji era um religioso Hindu.[7] Ele também inovou nas táticas militares utilizadas em seu período, sendo o pioneiro no "Shiva sutra" ou Ganimi Kava (Tátitcas de Guerrilha), o que alavancou fatores estratégicos como geografia, velocidade, surpresa e ataques pontuais para derrotar seus numerosos e poderosos inimigos.[7]

Primeiros anos de vida[editar | editar código-fonte]

Local de nascimento do Chhatrapati no Forte Shivneri

Shivaji nasceu no Forte Shivneri perto da cidade. Enquanto sua mãe Jijabai estava grávida, ela rezou para uma divindade local chamada Shivai para abençoar seu esperado filho. Shivaji ganhou esse nome por causa dessa divindade local.[8]

Não há nenhum registro contemporâneo da data exata de nascimento e infância de Shivaji.[8] As datas de nascimento encontradas em vários registros incluem:

  • O 3° dia de meia escuridão de Phalguna, 1551 do calendário Shaka (Sexta-Feira, 19 de Fevereiro de 1630).[2] Essa data é aceita pelo estado de Maharashtra como dia oficial do nascimento de Shivaji.[9]
  • O segundo dia de meia luz de Vaisakha no ano de 1549 do Shaka Samvat.[2] (Quinta-Feira, 6 de Abril de 1627), ou outras datas perto desse dia.[8] [10]

O pai de Shivaji Shahaji Bhosale serviu por muitos anos Malik Ambar, que defendey a região Deccan contra a invasão dos Mogóis. Sua mãe Jijabai era filha de Lakhujirao Jadhav de Sindkhed. Durante o período de nascimento de Shivaji, o poder em Deccan era dividido entre Sultanatos islâmicos – Bijapur, Ahmednagar e Golconda. Shahaji continuo trocando sua lealdade entre o Nizamshahi de Ahmadnagar, Adil Shah de Bijapur e os Mogóis, mas sempre manteve o seu ''jagir (feudo) em Pune e seu pequeno exército consigo. Gomaji Naik Pansambal, um leal mestre de artesanato do estado, foi colocado por Lakhuji Yadavrao para cuidar de Jijabai. Ele se manteve com Jijabai e Shivaji por toda a sua vida. Ele alertou Shivaji em tomar certas decisões cruciais, o que acabou repercutindo no perfil do Império Maratha.

Quando Shivaji era um noviço, uma tropa de Pachtuns – mercenários afegãos – se aproximou de Shivaji pedindo para se alistar em seu exército. Shivaji estava hesitante, mas Gomaji o aconselhou a aceitá-los em seu serviço. Isso resultou em um perfil secular do das forças armadas de Maratha. Todas as comunidades apreciam o respeito e um tratamento justo em seu reino. Gomaji também ensinou a arte da espada para Shivaji e especialmente o uso efetivo da lança, a característica arma Maratha.

De acordo com Tarikh-i-Shivaji, Shahaji colocou seu jagir na região de Latur sob o comando de Dadoji Konddev, que mostrou boas habilidades administrativas, assim como kulkarni (administrador) de Malthan. Em pouco tempo, Shivaji se tornou um habilidoso espadachim, estrategista e um talentoso cavaleiro, treinado por rigorosos guerreiros Maratha, como Baji Pasalkar.

Aos 12 anos, Shivaji foi levado para Bangalore onde foi formalmente treinado. Aos 14 anos, ele retornou para Pune com a rajmudra (selo de soberania) e um conselho de ministros.

Shivaji com Jijamata

Shivaji era extremamente devotado à sua mãe Jijabai, que levou a uma profunda religiosidade, com uma vida ascética próxima de um isolamento virtual. Esse ambiente religioso teve uma profunda influência em Shivaji. Ele estudou cuidadosamente os dois grandes épicos Hindus: Ramáiana e Mahabharata. As menssagens morais e espirituais dos épicos causaram uma grande impressão nele. The morality and spiritual messages of the epics made a great impression on him. Ao longo de sua vida, ele aprofundou seu interesse nos ensinamentos religiosos e procurou a compania de santos Hindus e Sufi (facção esotérica do Islão) ao longo de sua vida.[8]

Como administrador do jagir (feudo) de Shahaji, Dadoji Konddeo foi incubido de obter total controle da região Maval. Ele ganhou sobre a maioria dos deshpande (chefes) Maval e subjulgou outros. Shivaji adquiriu nessa região, seus primeiros companheiros fiéis e um grande número de soldados, incluindo Yesaji Kank, Baji Pasalkar, Baajiprabhu Deshpande e Tanaji Malusare. Na compania dos seus camaradas Maval, o jovem Shivaji caminhou pelas colinas e florestas ao longo de Sahyadri, tornando-se mais maduro e adquirindo conhecimento sobre essas terras. Em torno de 1639, ele comandava um endurecido e leal grupo de oficiais e soldados.

Confrontos com os sultanatos regionais[editar | editar código-fonte]

Em 1645, aos 16 anos, Shivaji liderou sua primeira ação militar atacando e capturando o Forte Torna do Reino Bijapur. Em 1647 ele havia capturado os fortes de Kondana e Rajgad e tinha controle de grande parte da região de Pune. Por volta de 1654, Shivaji havia capturado fortes em Gates Ocidentais e ao longo da costa de Concão. Em uma tentativa para conter Shivaji, Adilshah prendeu o pai de Shivaji em 1648–49 e enviou um exército liderado por Farradkhan contra o outro filho de Shaji, Sambhaji, em Bangalore, e outro exército liderado por Fattekhan contra Shivaji no Forte Purandhar. Ambos conseguiram derrotas os exércitos. Shivaji peticionou o filho do Imperador Shahjahan, Dara Shikoh, que era governador de Decão, assumindo sua lealdade aos Mogóis para buscar apoio na libertação de seu pai. Os Mogóis reconheceram Shivaji como um Mogol sardar e pressionaram Adilshah à libertar Shahaji. Em troca, Shivaji teve que ceder um forte e Sambhaji cedeu a cidade de Bangalore e um forte para Adilshah.

Batalhas[editar | editar código-fonte]

Pratapgad[editar | editar código-fonte]

Estátua de Shivaji em Raigad

Adilshah enviou Afzal Khan, um general experiente e veterano, em um esforço para acabar com o domínio de Shivaji, que ele enxergou como uma revolta regional. Algumas pessoas alegam que Afzal Khan profanou templos Hindu em Tuljapur e Pandharpur, na esperança de trazer Shivaji para as planícies, que possuía recursos militares limitados, e combate-lo levando ele e seu pequeno exército à destruição, utilizando um exército muito maior, melhor equipado e com mais experiência em batalhas. Afzal Khan deve ter esperado encontrar Shivaji e seu exército nas planícies, no entanto, Shivaji, pesando cuidadosamente suas opções, decidiu que iria encontrar Afzal Khan em sua própria casa no pretexto de negociações diplomáticas. Shivaji enviou uma carta para Afzal Khan dizendo que estava ansioso por um encontro. O encontro foi arranjado entre Afzal Khan e Shivaji no sopé do Forte Pratapgad.[7]

Shivaji carregou consigo algumas armas ocultáveis: bichhwa (adaga) e wagh nakh (garras de tigre) e vestiu um chilkhat (Cota de malha) sob suas roupas para o encontro. O que aconteceu durante o encontro não foi gravado pelos escribas, mas a lenda diz que, assim que se encontraram, Afzal Khan foi ao encontro de Shivaji e o abraçou e, nesse momento, tentou esfaquea-lo pelas costas. Shivaji sobreviveu graças à sua cota de malha e agilidade. Ele contra-atacou e o feriu com a wagh nakh e bichwa fazendo com que Afzal Khan tropeçasse em seus joelhos e saindo para fora da tenda, colapsando em um palanquim de espera, onde ele foi morto antes que pudesse soar o alarme. Enquanto isso, Krishna Bhasker Kulkarni - representante legal de Afzal Khan e Sayyed Banda - um guarda costas, atacou Shivaji. Ele respondeu matando Bhasker Kulkarni enquanto Jiva Mahla (Guarda costas de Shivaji) cortava o braço de Banda com sua espada.

Logo depois de matar Afzal Khan, Shivaji subiu em direção ao Forte Pratapgarh com seus oficiais e ordenou que os canhões fossem disparados. Esse era o sinal para sua infantaria, que estava escondida estrategicamente sob uma densa cobertura vegetal no vale, imediatamente atacasse as tropas de Afzal Khan.[7]

Subseqüente à Batalha de Pratapgarh travada na densa floresta de Javli em 10 de Novembro de 1659, o exército de Shivaji atacou as forças de Vijapur (que eram de Afzal Khan) e os envolveu em manobras rápidas pelos flancos. As tropas de Maratha troops sob o comando de Kanhoji Jedhe atacaram 1,500 fortes mosqueteiros de Afzal Khan e os empurraram ao sopé do forte. Então, em uma rápida marcha, uma secção das tropas de Adilshahi, comandadas por Musekhan, foram atacadas. Musekhan foi ferido e fugiu logo em seguida, deixando seus soldados para serem mortos pelas tropas de Maratha.

Comandante Moropant Pingale liderou a infantaria em um ataque rápido ao flanco esquerdo das tropas de Adilshahi. A artilharia inimiga foi ineficaz frente ao ataque rápido e repentino. Ao mesmo tempo, o comandante Ragho Atre, rapidamente atacou a cavalaria de Adilshahi, antes que ela estivesse totalmente preparada para a batalha, e quase liquidou toda a cavalaria. A cavalria de Shivaji, liderada por Netaji Palkar rperseguiu a retirada das tropas de Adilshahi que estavam tentando se juntar as tropas reservas estacionadas mais adiante. As tropas que estavam de retirada foram combatidas e se dispersaram.[7]

Essa inesperada vitória fez de Shivaji um herói no folclore de Maratha e uma figura legendária entre o seu povo. A grande quantidade de armas, cavalos e armaduras capturadas, além de outras coisas, ajudaram a fortalecer o emergente exército de Maratha. O Imperador Mogol Aurangzeb começou a enxergar Shivaji como um grande problema para o Império Mogol. Logo em seguida, Shivaji, Shahaji Raje e Netaji Palkar (o chefe da cavalaria de Maratha) decidiram atacar e derrotar o Reino de Adilshahi em Bijapur. Mas coias não saíram como planejadas, pois a saúde de Shahaji piorou e eles foram forçados a adiar o ataque. No entanto, Netaji Palkar continuou com essa missão em uma escala menor de ataques e com pequenas incursões dentro do Reino de Adilshahi.

Subsequentemente, o Sultão de Bijapur enviou um exército composto principalmente por mercenários afegãos para subjulgar e derrotar Shivaji, antes que ele pudesse expandir seu exército. Na batalha que se seguiu, o exército de Bijapur foi derrotado pelas tropas de Maratha. Essa intensa e sangreta batalha encerrou com a rendição incondicional das forças de Bijapur à Shivaji.

Kolhapur[editar | editar código-fonte]

dando a espada para Shivaji]] Para conter a perda em Pratapgad e para derrotar o novo emergente poder Maratha, outro exército, dessa vez superando a marca dos 10,000, foi enviado contra Shivaji, comandando pelo renomado general de Bijanpur Rustamjaman.[11] Com uma cavalria de 5,000 Marathas, Shivaji atacou-o perto de Kolhapur em 28 de Dezembro de 1659. Em uma troca de movimento, Shivaji liderou um total ataque frontal no centro das forças inimigas, enquanto outras duas porções de sua cavalaria atacavam os flancos. Essa batalha durou por várias horas e no final as tropas de Bijapur estavam aniquiladas e, Rustamjaman havia escapado do campo de batalha.[7] As tropas de Adilshahi perderam em torno de 2,000 cavalos e 12 elefantes para os Marathas.[11] Esta vitória alarmou o poderoso Império Mogol, que agora se referiam Shivaji como a "Montanha dos Ratos ". Aurangzeb, o Imperador Mogol, estava preparado para trazer toda sua força e recursos do Império Mogol para colocar abaixo essa ofensa Maratha.

A pedido de Badi Begum de Bijapur, Aurangzeb enviou seu tio materno (irmão da Rainha Mumtaz Mahal) Shaista Khan em 16 de Janeiro de 1660, com um exército de mais de 100.000, juntamente com uma poderosa divisão de artilharia, para derrotar Shivaji. Khan estava acompanhado de eminentes comandantes como Turktaj, Hussain, Haider, Naamdar Khan, Kartalab Khan, Uzbek Khan, Fateh Jung e Rajputs como Bhau Singh, Shyam Singh, Rai Singh Sisodiya, Pradyuman e muitos outros.[11] Khan era um comandante experiente que derrotou Shahaji na mesma região em 1636.[7] Ele foi ordenado à atacar o Reino Maratha em conjunto com o exército de Bijanpur liderados por Siddi Jauhar. Aurangzeb ordenou Shaista Khan para capturar o Reino Maratha, para assim adicioná-lo ao seu império (ele tinha a intenção de enganar Adilshahi), após a derrota esperada de Shibaji por Jauhar. Shivaji agora se preparava para enfrentar um ataque combinado das tropas dos Mogóis e Adilshahi.[11]

Referências

  1. Data oficial aceita pelo Governo de Maharashtra, "Finally, single Shiv Jayanti", The Times of India, 4 de Fevereiro de 2003. Página visitada em 27-01-2010.
  2. a b c Previously disputed, Bhawan Singh Rana. Chhatrapati Shivaji. [S.l.]: Diamond Pocket Books (P) Ltd., 2005. p. 11. ISBN 9788128808265
  3. Chhatrapati Shivaji. [S.l.]: Diamond Pocket Books (P) Ltd., 2005-01-01. p. 18. ISBN 8128808265
  4. Raṇajita Desāī; V. D. Katamble. Shivaji the Great. [S.l.]: Balwant Printers Pvt. Ltd., 2003. p. 193. ISBN 8190200003
  5. a b c http://www.jstor.org/pss/2053980
  6. a b c http://www.jstor.org/pss/4407933
  7. a b c d e f g Babasaheb Purandare. Raja Shivachhatrapati (Língua marata:राजा शिवछत्रपती). 15 ed. Pune: Purandare Prakashan, 2003.
  8. a b c d Jadunath Sarkar. Shivaji and His Times. Segunda ed. Londres: Longmans, Green and Co., 1919. 1178011569
  9. Finally, single Shiv Jayanti. The Times of India (4 de Fevereiro de 2003).
  10. N. Jayapalan. History of India. [S.l.]: Atlantic Publishers & Distri, 2001. p. 211. 9788171569281
  11. a b c d (Produtor)Nitin Desai. '. Star Pravah.
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