Sinagoga Kadoorie

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Sinagoga Kadoorie Mekor Haim
Fachada da Sinagoga
Fachada da Sinagoga
Local Porto
País  Portugal
Coordenadas 41° 9' 21.38" N 8° 38' 12.9" O
Religião Judaísmo


Arquiteto Augusto dos Santos Malta, Arthur de Almeida Jr.
Estilo arquitetónico Modernismo,
Início da construção 1929
Fim da construção 1938
Página web http://comunidade-israelita-porto.org
Notas A maior Sinagoga da Península Ibérica

A Sinagoga Kadoorie, aliás Sinagoga Kadoorie - Mekor Haim ("Fonte de Vida"), é a sinagoga e sede da comunidade judaica do Porto, cujo nome oficial é Comunidade Israelita do Porto. A sua construção foi iniciada em 1929, tendo sido inaugurada em 1938. É a maior sinagoga da Península Ibérica e situa-se na Rua de Guerra Junqueiro, na cidade do Porto, em Portugal.

Nota: Em 1923 não existia Estado de Israel. Os termos judeu e israelita eram então sinónimos. A comunidade optou pela palavra "Israelita" em vez de "Judaica".


História[editar | editar código-fonte]

A sinagoga e a Comunidade Judaica do Porto[editar | editar código-fonte]

A história da sinagoga Kadoorie está intrinsecamente ligada à história do seu fundador, capitão Artur Barros Basto, um oficial do exército português convertido ao Judaísmo e que se tornou um importante líder comunitário.

Tendo montado a sua vida no Porto, em 1921, o capitão tratou logo de reunir cerca de vinte judeus asquenazim naturais da Lituânia, Polónia, Alemanha e Rússia, recém chegados à cidade e que viviam do comércio. Estes não possuíam sinagoga, não estavam organizados e tinham que se deslocar a Lisboa sempre que, por motivos religiosos, era necessário.

Em 1923, foi registada oficialmente no Governo Civil do Porto a Comunidade Israelita do Porto. Da mesma faziam parte o capitão Barros Basto e as famílias asquenazim. O actual edifício da sinagoga só começaria a ser construído alguns anos mais tarde, mas a comunidade organizou-se e arrendou provisoriamente uma casa, na Rua Elias Garcia, que passou a funcionar como sinagoga.

Em 1929, Barros Basto reuniu fundos que lhe permitiram comprar um terreno na Rua de Guerra Junqueiro, onde a grande sinagoga Kadoorie Mekor Haim viria a ser construída. Foi então entregue na Câmara Municipal do Porto um requerimento para a obtenção do licenciamento necessário para início da obra e, poucas semanas mais tarde, foi colocada a primeira pedra e a construção iniciada.

A obra decorreu lentamente até 1933, devido aos elevados custos e aos fundos limitados do seu fundador e da comunidade, apesar de todo o apoio monetário então prestado pelo Comité dos Judeus Hispano-Portugueses em Londres.

Nesse ano, Laura Kadoorie, a esposa do filantropo judeu de origem iraquiana, Sir Elly Kadoorie, faleceu, e os seus filhos Lawrence e Horace decidiram homenagear a mãe, descendente de judeus portugueses que abandonaram o país devido à Inquisição. Essa homenagem foi materializada no apoio monetário da família à construção de grande parte da Sinagoga do Porto, que passou assim a chamar-se “Sinagoga Kadoorie – Mekor Haim". “Kadoorie” em homenagem à referida família. “Mekor Haim" - o nome que o capitão Barros Basto já lhe tinha dado previamente.

Sinagoga Kadoorie

Arquitectura[editar | editar código-fonte]

O edifício revela uma fisionomia resistente e uma modernidade arquitectónica visível através da sua volumetria simples e despojada que muito revela sobre os seus arquitectos. O interior é decorado com letras hebraicas, contendo passagens da Torá complementadas por decorações de estilo marroquino-sefardita.

Segundo os documentos entregues na Câmara Municipal do Porto, aquando do pedido de licenciamento da obra, esta ficou entregue ao tenente Augusto dos Santos Malta, um arquitecto formado na Escola de Belas Artes do Porto. Alguns dos documentos estão assinados pelo arquitecto Arthur de Almeida Jr., o que sugere que o mesmo possa ter sido co-autor do projecto.

O Mestre Rogério de Azevedo poderá também ter tido intervenção directa na obra, mas apenas na parte final ou até mesmo nos acabamentos. Algumas partes do edifício, nomeadamente os traços de carpintaria da biblioteca, são muito similares a outras obras de Rogério de Azevedo.[1]

Interior da Sinagoga

Actualidade[editar | editar código-fonte]

A Comunidade Israelita do Porto celebrou o seu 90.º Aniversário em julho de 2013. Estiveram presentes famílias judias de países vários. A comunidade é orientada pela filosofia da Chabad Lubavitch e conta, entre os seus membros, com judeus de origens diversas como da Polónia, do Egipto, dos Estados Unidos da América, da Índia, da Rússia, de Israel, de Espanha, de Portugal e de Inglaterra.

Neste momento a comunidade é orientada pelo rabino Daniel Litvak, natural da Argentina. A actual vice-presidente da Comunidade Israelita do Porto é a neta do capitão Barros Basto, Isabel Ferreira Lopes.

No seguimento de uma petição apresentada à Assembleia da República, pela neta, a 31 de Outubro de 2011, o nome de Barros Basto foi reabilitado a 29 de Fevereiro de 2012. Passavam 75 anos desde que, em 1937, Barros Basto tinha sido julgado pelo Conselho Superior de Disciplina do Exército e afastado da instituição militar por participar nas cerimónias de circuncisão dos alunos do Instituto Teológico Israelita do Porto, facto que aquele Conselho considerou “imoral”.

Em declarações à LUSA, Isabel Ferreira Lopes afirmou que, depois da reabilitação do avô, o passo seguinte seria a reabilitação da sinagoga do Porto: «No ano da reabilitação do fundador da Comunidade Israelita do Porto reabilitar-se-á também a sinagoga».


Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Mea, Elvira de Azevedo e Steinhardt, Inácio - Ben-Rosh. Biografia do Capitão Barros Basto, Lisboa: Afrontamento, 1997, pag.222

Ligações externas[editar | editar código-fonte]