Sinclair ZX80

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Sinclair ZX80
Computador doméstico
ZX80.jpg
Sinclair ZX80
Lançamento: 1980 (33–34 anos)
Descontinuado: 1981 (32–33 anos)
Sistema operativo: Sinclair BASIC
Microprocessador: Zilog Z80 em 3,25 MHz
Memória: 1KB (base) — 16KB
Portal Tecnologias da informação

O Sinclair ZX80 foi um computador doméstico apresentado ao mercado britânico em Fevereiro de 1980 pela Sinclair Research de Cambridge, Inglaterra. Notabilizou-se por ter sido o primeiro computador vendido no Reino Unido por menos de 100 libras (para ser exato, £99,95). Estava ainda disponível sob a forma de "kit" para montar (por £79,95). O ZX80 tornou-se extremamente popular e durante algum tempo, houve uma lista de espera de vários meses para os interessados em adquirir uma versão ou outra.

O ZX80 foi uma verdadeira inovação e detonou no Reino Unido a febre dos computadores domésticos nos anos 1980. Ele foi superado por várias outras máquinas Sinclair, notadamente o Sinclair ZX81 e o bem sucedido ZX Spectrum.

Especificações técnicas[editar | editar código-fonte]

A máquina, projectada por Jim Westwood, girava em torno da UCP μPD780C-1 (um clone do Zilog Z80) da Nippon Electric Corporation, funcionando a 3,25 MHz, e equipada com 1 KB de RAM estática (expansível para 16 KB usando um módulo de memória separado), e 4 KB de ROM contendo a linguagem de programação Sinclair BASIC, editor e "SO". Os comandos do BASIC não eram digitados letra a letra; em vez disso, eram seleccionados como numa calculadora científica — cada "tecla" tinha várias funções diferentes activadas pelo uso de várias teclas modificadoras (SHIFT).

A máquina era montada numa minúscula caixa plástica branca, com um teclado de membrana inteiriço, azul, na parte frontal; devia sua aparência peculiar ao desenhista industrial Rick Dickinson. Houve problemas de durabilidade, confiabilidade e super-aquecimento. O sistema completo tinha cerca da metade do tamanho de dois livros de bolso colocados lado a lado (21,9 cm de comprimento por 17,5 cm de largura e 4 cm de altura) e pesava 375 g.

Armazenamento[editar | editar código-fonte]

Uma forma simples de armazenamento offline tornou-se possível usando um gravador de cassetes. Os programas eram armazenados e lidos a 250 bps.

Áudio[editar | editar código-fonte]

Não havia originalmente. Posteriormente, foram produzidas algumas expansões por terceiros, que possibilitavam esse recurso.

Vídeo[editar | editar código-fonte]

O vídeo era exibido através da conexão de um modulador de RF com uma televisão doméstica. O gerador de sinal de vídeo do ZX80 usava um hardware minimalista e uma combinação de software para gerar uma imagem quando ele estava ocioso, isto é, aguardando que uma tecla fosse pressionada. Ao rodar um programa BASIC, todavia, a tela ficava negra. Isso impedia o uso de gráficos móveis etc. O subseqüente ZX81 aperfeiçoou isto um pouco porque podia rodar num modo SLOW ("lento") enquanto criava um sinal de vídeo, ou num modo FAST ("rápido") sem gerar um sinal de vídeo (tipicamente usado para cálculos extensos).

A resolução gráfica era de 64X48 pixéis (monocromáticos), já que havia apenas 386 bytes para a memória de vídeo. O modo texto era de 32X24 caracteres.

Teclado[editar | editar código-fonte]

Teclado de membrana (Mylar), sensível ao toque, com 40 teclas (a maioria executando duas ou três funções, com exceção da barra de espaço, "New line" e Shift). A tecla Shift dava acesso aos símbolos especiais, teclas de movimentação do cursor, blocos gráficos e a função "RUBOUT" (delete). As letras só podiam ser digitadas em maiúsculas.

Actualizações[editar | editar código-fonte]

Uma ROM de 8K do ZX81 foi disponibilizada posteriormente para atualizar o ZX80, e custava cerca de 20% do preço de um ZX81 completo. Ela vinha acompanhada de uma cobertura plástica para o teclado e um manual do ZX81. Com a simples abertura da tampa do ZX80, a remoção da ROM original do seu soquete e a inserção (cuidadosa) da nova ROM, o ZX80 (agora ZX81) passava a funcionar de modo idêntico ao irmão mais novo, exceto pelo modo "SLOW" (e isso devido puramente a diferenças de "hardware"). O processo podia ser facilmente revertido, trazendo o ZX80 de volta ao seu velho "eu".

A memória do ZX80 de 1KB podia ser expandida por um "RamPac" de 3KB. Não foram lançadas atualizações para a ULA, que só lidava com números inteiros, nem para o vídeo monocromático.

Vendas[editar | editar código-fonte]

Até o fim de sua produção, em Agosto de 1981, as vendas do ZX80 foram de cerca de 100.000 unidades – um número inaudito para a época – e que contribuiu significativamente para colocar o Reino Unido na liderança do uso doméstico de computadores através dos anos 1980.

Todavia, o real significado do ZX80 não jaz em suas vendas (relativamente modestas, se comparadas com as de seus sucessores imediatos), mas no seu desenho e marketing inovadores. Na época do seu lançamento, era um dos menores e mais baratos computadores domésticos do mundo. Foi também um dos primeiros voltados para o utilizador doméstico, não para o hobbista ou profissional. Em fins da década de 1970, computação era algo muito complexo, muito caro, ou ambos. Um disco rígido de 20 Mb podia custar quase €3000 (três mil euros), enquanto a memória RAM custava cerca de €23 (vinte e três euros) por Kb.

Com tais custos, a computação a sério estava restrita ao mundo dos negócios ou às universidades. Utilizadores domésticos podiam fazer experiências com placas de circuito impresso sem gabinete, que eles podiam montar por conta própria, mas o computador resultante era tão básico que a utilidade prática tornava-se mínima. Um bom exemplo disso foi um produto da própria Sinclair, o MK14.

Mercado actual[editar | editar código-fonte]

Devido a sua tendência em superaquecer, máquinas sobreviventes em bom estado são bastante incomuns e podem atingir altos preços entre colecionadores. São particularmente raras fora do Reino Unido, pois embora o ZX80 tenha sido exportado em pequenas quantidades para os Estados Unidos, foi somente em 1981 que a Sinclair Research entraria de facto nesse lucrativo mercado.

Clones[editar | editar código-fonte]

Brasil[editar | editar código-fonte]

Taxas de importação proibitivas (ou sua proibição efetiva, como aconteceu no Brasil durante a vigência da reserva de mercado para o mercado de informática), bem como leis fracas de proteção à propriedade intelectual, instigaram algumas empresas brasileiras a produzir clones do ZX80 em 1981:

Aparentemente, o Brasil foi o único país do mundo a produzir clones do ZX80 em larga escala. A produção de cópias ilegais disseminou-se por outras regiões do globo somente a partir do ZX81.

Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

A Microace de Santa Ana, Califórnia, produziu um clone do ZX80 pouco depois do seu lançamento no Reino Unido. Todavia, teve de interromper a fabricação por força de uma ação judicial movida pela Sinclair. Posteriormente, lançaram um clone do ZX81 vendido exclusivamente nos EUA sob forma de kit e desta vez (a se dar crédito aos seus anúncios), sob licença da Sinclair Research.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CASARI, Nelson. TK 85, domínio rápido. São Paulo: Atlas, 1986. ISBN 85-224-0133-0.
  • HURLEY, Linda. Programas para jovens programadores: TK82-83-85 CP200. São Paulo: McGraw-Hill, 1984.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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