Dicotomias saussureanas

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Sincronia)
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Este artigo ou se(c)ção cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde dezembro de 2012). Por favor, adicione mais referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Tree.gif

Nos estudos linguísticos que Ferdinand de Saussure ministrou entre 1907 e 1910 na Universidade de Genebra, que acabaram sendo compilados por dois de seus alunos no notório livro Curso de linguística geral, diversas dicotomias são utilizadas na construção de uma ciência que viria a ser a Linguística.

As Dicotomias[editar | editar código-fonte]

Entre 1907 e 1910, Saussure ministrou três cursos sobre linguística na Universidade de Genebra. Em 1916, três anos após sua morte, dois de seus alunos, Charles Bally e Albert Sechehaye, com a colaboração de A. Ridlinger, compilaram as anotações de alunos que compareceram a estes cursos e editaram o Curso de Linguística Geral, livro seminal da ciência linguística.[1]

Sincronia X Diacronia[editar | editar código-fonte]

Sincronia: do grego ‘syn’ (″juntamente″) + chrónos (“tempo”): ao mesmo tempo Diacronia: do grego ‘dia’ (″através″) + chrónos (“tempo”): através do tempo

Ferdinand de Saussure enfatizou uma visão sincrônica, um estudo descritivo da linguística em contraste à visão diacrônica do estudo da linguística histórica, que é o estudo da mudança dos signos no eixo das sucessões históricas (através do tempo), e era a forma como o estudo das línguas era tradicionalmente realizado no século XIX. Com tal visão sincrônica, Saussure procurou entender a estrutura da linguagem como um sistema em funcionamento em um dado ponto do tempo (recorte sincrônico), para além do processo histórico-temporal de mudanças.

Língua X Fala[editar | editar código-fonte]

Em sua teorização, Saussure também efetua uma separação entre língua e fala. Para ele, a língua é uma construção coletiva, um sistema de valores que se opõem uns aos outros e que está depositado, como produto social, na mente de cada falante de uma comunidade. Assim, a língua possui homogeneidade e não varia entre os sujeitos de um grupo linguístico-social, estando capacitada a ser o objeto do estudo linguístico. Já a fala, para Saussure, é um ato individual e está sujeito a fatores externos, muitos desses não linguísticos e, portanto, não passíveis de análise científica.

Significante X Significado[editar | editar código-fonte]

O signo linguístico constitui-se numa combinação de significante e significado, como se fossem dois lados de uma moeda.

    • O significante do signo linguístico é uma "imagem acústica" (cadeia de sons). Consiste no plano da forma.
    • O significado é o conceito, reside no plano do conteúdo.
    • Conjuntamente, o significante e o significado formam o signo.

Sintagma X Paradigma[editar | editar código-fonte]

Saussure define o sintagma como “a combinação de formas mínimas numa unidade linguística superior”, que surge a partir da linearidade do signo. Essa linearidade exclui a possibilidade de pronunciar dois elementos ao mesmo tempo: um termo só passa a ter valor a partir do momento em que ele se contrasta com outro elemento. Já o paradigma é, como o próprio autor define, um "banco de reservas" da língua, fazendo com que suas unidades se oponham, pois uma exclui a outra.

Contudo, indubitavelmente, a teoria do valor é um dos conceitos cardeais do pensamento de Saussure. De forma geral, esta teoria postula que os signos linguísticos estão em relação entre si no sistema de língua. Entretanto, essa relação é diferencial e negativa, pois um signo só tem o seu valor na medida em que não é um outro signo qualquer: um signo é aquilo que os outros signos não são.

Como exemplo disso, podemos ter a diferenciação entre cachorro e homem. A característica positiva "mamífero" não os distingue, mas a característica "quadrúpede", positiva no cachorro e negativa no homem, os distingue. Existindo outros animais com a característica "quadrúpede", outras características devem ser consideradas para definir o que o animal é. Todavia, é definitivo que não são homem por não possuírem a característica "bípede".

Referências

  1. PIETROFORTE, Antonio Vicente. A língua como objeto da Lingüística. In FIORIN, José Luiz (org.). Introdução à Lingüística. I. Objetos teóricos. 3ª edição. São Paulo: Contexto, 2004. ISBN 85-7244-192-1