Single

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Um single, na nomenclatura da indústria fonográfica, é uma canção considerada viável comercialmente o suficiente pelo artista e pela gravadora para ser lançada individualmente, mas é comum que também apareça num álbum - neste caso, sendo frequentemente, as canções mais populares do álbum, lançadas separadamente para uso promocional (as chamadas "músicas de trabalho" ou "músicas de divulgação"), como download (ou venda em formato físico) e rádio-difusão, ou mesmo em videoclipes. Em outros casos, as canções lançadas como singles podem não aparecer em álbuns.

O single em vinil (abreviatura de single play) tinha o formato padrão de 7 polegadas e 45 rpm (embora no Brasil a rotação padrão do chamado "compacto simples" fosse de 33⅓), cada lado tendo uma duração de cerca de 4 minutos. O lado A era a canção propriamente a ser lançada comercialmente (podendo ou não aparecer num álbum subsequente), e o lado B, em geral, era uma canção extra, que normalmente não era incluída em álbuns.

História[editar | editar código-fonte]

As especificações básicas para o single foram estabelecidas no final do século XIX, quando o disco gramofônico começou a suplantar os cilindros fonográficos na música comercial. Os discos de gramofone eram fabricados numa gama de velocidades de reprodução (de 16 rpm a 78 rpm) e em diversos tamanhos (incluindo o de 12 polegadas/30 cm). Por volta de 1910, entretanto, o disco de goma-laca de 10 polegadas (25 cm) e 78 rpm se tornou o formato mais comumente utilizado.

As limitações técnicas inerentes ao disco de gramofone definiram o formato padrão para as gravações comerciais no começo do século XX. As técnicas relativamente toscas de corte do disco à época e as espessuras das agulhas usadas nos toca-discos limitava o número de sulcos por polegada que poderiam ser inscritas na superfície do disco, e uma velocidade de alta rotação era necessária para obter uma fidelidade de gravação e reprodução aceitáveis. A velocidade de 78 rpm foi escolhida como padrão por causa da introdução, em 1925, do toca-disco elétrico, que rodava a 3600 rpm com a engrenagem na razão de 46:1, resultando numa velocidade de rotação de 78,26 rpm.

Com esses fatores aplicados ao formato de 10 polegadas, compositores e intérpretes progressivamente adaptaram suas produções para se enquadrar nessa nova mídia. O single de 3 minutos permaneceu o padrão até a década de 1960, quando a disponibilidade da gravação de microssulcos e a técnica de masterização aprimorada permitiram aos artistas de estúdio aumentar a duração de suas gravações. A ruptura veio com "Like a Rolling Stone", de Bob Dylan, e, embora a CBS tenha tentado fazer a canção mais "amigável" à rádio-difusão, cortando-a na metade e dispondo cada parte em um dos lados do vinil; tanto Bob Dylan quanto os fãs exigiram que a canção completa de 6 minutos fosse disposta em um único lado e que as estações de rádio tocassem-na inteira. O subsequente sucesso da canção foi responsável em grande parte para a mudança na convenção comercial dos singles de até 3 min.

Tipos[editar | editar código-fonte]

Os singles foram lançados em vários formatos, incluindo discos de vinil de 7, 10 e 12 polegadas (respectivamente: 18, 25 e 30 cm), normalmente a 45 rpm; discos de goma-laca de 10 polegadas; fita cassete; CD singles de 8 e 12 cm; e ainda "flexi discs" de plástico, de 7 polegadas. Outros formatos menos comuns incluem singles em fita cassete digital; DVD; LD; assim como muitos outros formatos não padronizados de disco de vinil (5 polegadas/12 cm, 8 polegadas/20 cm, etc).

O formato mais comum do single em vinil era o de 7 polegadas e 45 rpm. Este foi apresentado em 1949 pela RCA como um substituto menor, mais durável e de maior fidelidade que os discos de goma-laca de 78 rpm. Os primeiros discos de 45 rpm eram em mono, com gravações em ambos os lados do disco. Como as gravações em estéreo se tornaram populares no fim da década de 1960, quase todos os discos de 45 rpm foram produzidos em estéreo a partir do começo da década de 1970.

Embora o formato de 7 polegadas tenha sido o padrão para os singles em vinil, singles de 12 polegadas tiveram seu uso iniciado por DJs em discotecas na década de 1970. O maior tempo de reprodução desses singles permitiram a inclusão de faixas com mixagens extensas de dance. Além disso, a maior área da superfície do disco de 12 polegadas permitiu sulcos mais amplos e maior separação entre eles, resultando, finalmente, em menor diafonia. Consequentemente, eles "caíram" melhor e eram menos suscetíveis aos arranhões (scratches). O single de 12 polegadas ainda é considerado o padrão para a dance music, embora sua popularidade tenha declinado nos últimos anos.

Dependendo do tipo, além da canção propriamente (o lado A), um single pode incluir remixagens dela, uma canção adicional (lado B), ou um videoclipe para promoção da canção, e ainda um poster colecionável.

Cultura[editar | editar código-fonte]

As vendas de singles são registradas na paradas musicais, sendo na maioria dos países no formato de Top 40. Essas paradas são muitas vezes publicadas em revistas e numerosos programas de TV e rádio fazem a contagem regressiva da lista. Para ser selecionável para as paradas o single deve atender aos requisitos da companhia responsável pela parada, normalmente regulando o número de canções e o tempo total de reprodução do single.

Na música popular, a importância comercial e artística do single (comparando com o EP ou álbum) tem variado com o tempo, desenvolvimento tecnológico e de acordo com o público de um artista particular ou gênero. Os singles tem sido geralmente mais importantes para os artistas que vendem para um público consumidor mais jovem (adolescentes jovens ou pré-adolescentes), que tendem a ter recursos financeiros mais limitados. A era de ouro dos singles foi, talvez, a dos de vinil de 7 polegadas e 45 rpm (no Brasil, os "compactos simples"), dos 1950 até meados da década seguinte, durante primeiros anos do rock. A partir do meio da década de 1960, os álbuns se tornaram o foco principal e mais importante, pois os artistas criavam álbuns uniformes de alta qualidade e temas coerentes, uma tendência que atingiu seu ápice no desenvolvimento de álbuns conceituais. Nos anos 1990 e 2000, os singles receberam cada vez menos atenção nos E.U.A. em detrimento dos álbuns, os quais, já no formato de CD, tinham os custos de produção e distribuição virtualmente idênticos àqueles, mas poderiam ser vendidos a preços maiores e se tornou o método principal de venda de música no mercado. Os singles continuaram a ser produzidos no Reino Unido e na Austrália, sobrevivendo à transição do CD ao download digital.

A interrupção do single tem sido citada com um grande erro comercial pela indústria fonográfica, que considerou que isso eliminou um formato barato para jovens fans se tornarem consumidores de música. Em seu lugar houve a predominância do álbum, que afastou os clientes pelo preço caro do formato que pagavam, mas cujo interesse se reduzia a apenas uma ou duas canções. Isso acabou encorajando o interesse nos programas de compartilhamento de arquivos na internet, como o Napster para, inicialmente, essas canções, mas que resultou em sério prejuízo para o mercado fonográfico.

Entretanto, a dance music seguiu um padrão comercial diferente, pois que o single, especialmente o vinil de 12 polegadas, permanece um importante método pelo qual a dance music é distribuída.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]