Sistema Cantareira

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Sistema Cantareira
Represas de Paiva Castro (1973), Águas Claras (1973), Cachoeira (1975), Atibainha (1975), Jaguari (1981) e Jacareí (1981),[1]  [2] }}
Reservatório Paiva Castro, em Mairiporã
Sistema Sistema Cantareira
Nome Represas de Paiva Castro (1973), Águas Claras (1973), Cachoeira (1975), Atibainha (1975), Jaguari (1981) e Jacareí (1981),[1] [2]
Dono Estado de São Paulo (concessionária: SABESP)
Espelho d'água 86,0 km²
Área de drenagem 2.307 km²
Localização Municípios de Bragança Paulista, Piracaia, Vargem, Joanópolis, Nazaré Paulista, Franco Da Rocha, Mairiporã, Caieiras
Volume de armazenamento 990 milhões de
Vazão 27,9 /s
Início de operação 29 de junho de 1973 (40 anos) (Paiva Castro e Atibainha)

Sistema Cantareira é o maior dos sistemas administrados pela Sabesp, destinado a captação e tratamento de água para a Grande São Paulo e um dos maiores do mundo, sendo utilizado para abastecer 8,8 milhões de clientes da Sabesp.[3] [4] O sistema é composto por seis barragens interligadas por um complexo sistema de túneis, canais, além de uma estação de bombeamento de alta tecnologia para ultrapassar a barreira física da Serra da Cantareira.[5] O sistema chama atenção ainda pela distância de sua estrutura em relação ao núcleo urbano ao qual ela serve e também pela extensão da sua área de drenagem, que se estende até o sul do estado de Minas Gerais.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Por volta de 1960, o governo paulista, preocupado com o alto crescimento demográfico da cidade de São Paulo e dos municípios vizinhos, cuja população já totalizava 4,8 milhões de habitantes, decide reforçar o abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo planejando a construção de diversas represas nas nascentes da bacia hidrográfica do rio Piracicaba, iniciando assim o Sistema Cantareira[6] .

Em 1966, iniciou-se a construção das barragens do Rio Juqueri (hoje, Paiva Castro), Cachoeira e Atibainha. Em 1976, foram iniciados os reservatórios de Jaguari e Jacareí, acrescentando uma capacidade de 22 mil litros/segundo ao sistema[1] .

Crise hídrica de 2014[editar | editar código-fonte]

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Editado pela última vez em 17 de abril de 2014.

Devido a sucessivas baixas históricas no início de 2014, a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Departamento de Água e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE) determinaram uma redução da vazão máxima de captação de água do sistema, de 31 para 27,9 m3/s, a partir de 10 de março de 2014. Para atender esta determinação, a Sabesp utilizou água dos sistemas Guarapiranga e Alto Tietê para abastecer clientes antes atendidos pelo sistema Cantareira.[7] [8] [9]

Em 17 de março de 2014, a Sabesp iniciou obras nas represas de Nazaré Paulista e Joanópolis, orçadas em 80 milhões de reais, para captar o chamado "volume morto", uma reserva de 300 bilhões de litros de água que fica abaixo do nível das atuais comportas e que é capaz de abastecer a região metropolitana de São Paulo por 4 meses.[10]

Em 18 de março de 2014, o então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, pediu autorização para retirar água do Rio Paraíba do Sul e colocá-la no sistema Cantareira. Essa autorização deve ser analisada pela Agência Nacional de Águas já que o Paraíba do Sul é um rio interestadual e é utilizado para abastecer o estado do Rio de Janeiro.[11]

Em 31 de março de 2014, o governo de São Paulo e a Sabesp anunciaram a ampliação, a partir de 1 de abril, para todos os 31 municípios atendidos pela empresa do programa de descontos nas tarifas de água e esgoto.[12]

Em 12 de abril de 2014, devido ao prolongado período de secas na região que abastece o Sistema Cantareira, seus reservatórios atingiram 12,0% de sua capacidade utilizável, o pior nível desde 1974, ano em que foi criado.[13]

Características[editar | editar código-fonte]

As águas do Sistema Cantareira descem pelo efeito da gravidade desde as represas de Jaguari e Jacareí, na região de Bragança Paulista, passando para as represas de Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro. De lá seguem por dutos até a Estação Elevatória de Santa Inês, que bombeia as águas para a pequena represa de Águas Claras. Este reservatório tem uma função de segurança, permitindo que o funcionamento do sistema prossiga por até 3 horas em caso de alguma paralisação. De Águas Claras a água é enviada para a Estação de Tratamento de Água de Guaraú[14] , onde são tratados atualmente 27,9 m3 de água por segundo[3] .

O sistema atende a cerca de 9 milhões de pessoas, quase metade da população da Região Metropolitana de São Paulo, nas zonas Norte, Central, partes das Zonas Leste e Oeste da capital, além dos municípios de Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Osasco, Carapicuíba e São Caetano do Sul, parte dos municípios de Guarulhos, Barueri, Taboão da Serra e Santo André[15] .

Reparos ambientais[editar | editar código-fonte]

A Sabesp mantém próximo à represa do Jaguari um viveiro que produz anualmente 300 mil mudas de espécies nativas destinadas ao reflorestamento e recomposição das matas ciliares. Ali também funciona um Centro de Educação Ambiental, que atende escolas e faculdades públicas e privadas. Na Represa Cachoeira, a Sabesp conserva livre de ocupação uma área de 200 hectares, visando futura recomposição vegetal.[1] .

Controvérsias e riscos ambientais[editar | editar código-fonte]

O Sistema Cantareira corre sérios riscos de degradação ambiental, juntamente com o Parque do Horto Florestal, com a construção do Trecho Norte do Rodoanel, segundo alguns ambientalistas. O projeto do Rodoanel tem sido objeto de intensa controvérsia, por atravessar a Serra da Cantareira, temendo-se a possibilidade de comprometimento do Sistema Cantareira e do abastecimento de água da cidade de São Paulo em razão da obra.[16] [17] [18] [19] [20] [21] [22]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d SOLIA, Mariângela; FARIA, Odair Marcos; ARAÚJO, Ricardo. Mananciais da região metropolitana de São Paulo. São Paulo: Sabesp, 2007
  2. Sabesp. Sistema Cantareira (diagrama)
  3. a b Sabesp - Sistema Cantareira
  4. Nível da Cantareira cai a 16,4%, novo recorde negativo. Estadão (28 de fevereiro de 2014). Página visitada em 1 de março de 2014.
  5. O Globo, 11/01/2010 Represas de SP chegam ao nível máximo de armazenamento e Sabesp alerta para risco de inundações - Visitado em 15 de agosto de 2010.
  6. Risco de racionamento de água no interior de São Paulo é alto, por Lucas Sampaio. Folha de S.Paulo, 4 de fevereiro de 2014 (inclui mapa dos sistemas que abastecem a Grande São Paulo)]
  7. Alckmin diz que vai remanejar água para evitar racionamento na Grande SP. Estadão (6 de março de 2014). Página visitada em 7 de março de 2014.
  8. Maior crise hídrica de SP expõe lentidão do governo e sistema frágil. 22 de Março de 2014
  9. Má gestão leva à pior crise de água em SP. Governo paulista ignorou relátorios sobre crise e superexploração de sistema que abastece Grande SP e interior. Por Rafael Zanvettor. Caros Amigos, 19 Março 2014.
  10. Sabesp começa obras para captar volume morto de reservatório. G1 (17 de março de 2014). Página visitada em 18 de março de 2014.
  11. Alckmin pede para usar água do Paraíba do Sul no Cantareira. G1 (19 de março de 2014). Página visitada em 19 de março de 2014.
  12. Nível do Sistema Cantareira cai para 13,4%. G1 (31 de março de 2014). Página visitada em 31 de março de 2014.
  13. Mesmo com medidas emergenciais, nível do Cantareira cai novamente e chega a 12% (em português). R7 (12 de abril de 2014). Página visitada em 12 de abril de 2014.
  14. Estação de Tratamento de Água do Guaraú (ETA Guaraú)
  15. Sabesp - Região Metropolitana de São Paulo
  16. Novo traçado do Rodoanel afetará zona norte
  17. Obras do Rodoanel Norte podem começar em fevereiro
  18. Após diversas denúncias encaminhadas ao BID, ambientalistas da Cantareira não entendem a demora da vinda do Painel MICI
  19. A Verdade do Rodoanel
  20. Jornal da Serra
  21. Instituto Socioambiental. Para quem serve o Rodoanel de São Paulo?
  22. Rodoanel vai fechar ruas de SP. Estadão, 7 de outubro de 2010

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • SOLIA, Mariângela; FARIA, Odair Marcos; ARAÚJO, Ricardo. Mananciais da região metropolitana de São Paulo. São Paulo: Sabesp, 2007

Ligações externas[editar | editar código-fonte]