Sobreiro

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Como ler uma caixa taxonómicaSobreiro
Quercus suber

Quercus suber
Estado de conservação
seguro
Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: eudicotiledóneas
Clado: rosídeas
Divisão: Magnoliophyta
Ordem: Fagales
Família: Fagaceae
Género: Quercus
Espécie: Q. suber
Nome binomial
Quercus suber
L.
O Sobreiro, 1905, pintura de D. Carlos I.
Sobreiro / Portugal

O sobreiro, sobro, sobreira ou chaparro (Quercus suber) é uma árvore da família do carvalho, cultivada no sul da Europa e a partir da qual se extrai a cortiça. O sobreiro é, juntamente com o Pinheiro-bravo, a espécie de árvores mais predominante em Portugal, sendo mais comum no Alentejo litoral e serras Algarvias.

É devido à cortiça que o sobreiro tem sido cultivado desde tempos remotos. A extração da cortiça não é (em termos gerais) prejudicial à árvore, uma vez que esta volta a produzir nova camada de "casca" (súber) com idêntica espessura a cada 9 anos, período após o qual é submetida a novo descortiçamento. Recentemente, têm-se desenvolvido processos mais mecanizados e seguros para se proceder a esta operação, como o caso da máquina que corta a cortiça, evitando lesões prejudiciais à vida do sobreiro e que facilita o trabalho dos tiradores, sem os substituir, aumentando assim a produtividade.

O sobreiro também fazia parte da vegetação natural da Península Ibérica, sendo espontâneo em muitos locais de Portugal e Espanha, onde constituía, antes da acção do Homem, frondosas florestas em associação com outras espécies, nomeadamente do género Quercus.

A finalidade da cortiça é o fabrico de isolantes térmicos, tecido de cortiça(vestuário, acessórios como malas, bolsas, carteiras e sapatos), materiais de isolamento sonoro de aplicação variada e ainda indústria aeronáutica, automovel e até aeroespacial, mas sobretudo é utilizada produção de rolhas para engarrafamento de vinhos e outros líquidos. Portugal é o maior produtor mundial de cortiça, a cortiça portuguesa é responsável por 50% da produção mundial. O setor que emprega diretamente 12 mil pessoas, e contribui com 3% do PIB cerca de 5.5 mil milhões de euros(7.6 Bilion US$) Os Montados são sistemas agro-silvo-pastoris e um dos exemplos de sistemas tradicionais sustentáveis de uso no solo da Europa. Representam uma área de aproximadamente 1,2 Mha, a maior parte na região do Alentejo, no sul de Portugal. O valor económico dos montados deve-se, essencialmente, à produção de cortiça, estando a sua importância cultural relacionada com o papel que têm na conservação da biodiversidade e valores históricos como o registo de sistemas sociais e agrícolas tradicionais.Uma longa tradição na exploração da matéria-prima. Desde o século XIV, que Portugal já exportava cortiça para o Reino Unido e Flandres. A gestão tradicional dos Montados permite combinar dois objectivos importantes a produção agro-pastoril e conservação do ecossistema aém da cortiça o sobreiro dá o fruto que é a bolota, também conhecida por lande ou ainda (mais correctamente) glande,que serve para alimentar as varas do porco preto alentejano também conhecido por porco de montanheira do qual se faz o além de enchidos o presunto ibérico ou presunto de pata negra.

Distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

Área de ocorrência do Sobreiro (Mediterrâneo ocidental).

Distribui-se essencialmente pela Península Ibérica e por alguns locais mais úmidos do norte de África. Em Portugal predomina a sul do rio Tejo, surgindo naturalmente associado: ao pinheiro-bravo nos terrenos arenosos da Península de Setúbal, Vale do Sado e no barlavento algarvio; à azinheira (Quercus ilex) nalgumas regiões do interior alentejano, zona nascente da serra algarvia, Tejo Internacional e Douro Internacional; ao carvalho-cerquinho (Quercus faginea) na Estremadura, Alentejo Litoral e Monchique; ao carvalho-das-canárias (Quercus canariensis) na região de Odemira-Monchique; ao carvalho-negral (Quercus pyrenaica) em alguns pontos da Beira Interior e Alto Alentejo, como as Serras da Malcata, São Mamede e Ossa. Surge ainda em alguns pontos de clima atlântico com pluviosidades extremamente elevadas, como na Serra do Gerês, onde predomina nas encostas mais soalheiras.

A situação da área florestal é ocupada por sobreiros jovens/adultos e que 42,2% correspondia a sobreiros jovens sendo a idade média sobreiros portugueses de 85 anos, para uma longevidade produtiva de 180/200 anos.

Quercus suber (Algarve, Portugal)
Várias espécies de árvores em Portugal. Legenda:

O sobreiro é uma espécie que requer humidade e solos relativamente profundos e férteis, embora também tolere temperaturas altas e períodos secos de três a quatro meses, típicos do clima do sul de Portugal. Nas regiões a sul do Tejo o sobreiro comporta-se como uma espécie de folhagem persistente e possui Folha (botânica)folhas que medem 2,5 a 10cm por 1,2 a 6,5cm, e são de cor verde escura e sem pelos. Têm forma denticular, uma nervura principal algo sinuosa e 5 a 8 pares de nervuras secundárias. Quando surge nas regiões do norte do país, onde é menos frequente, tem um comportamento ligeiramente marcescente, e folhas maiores, mais finas e claras. De uma forma geral, em Portugal o sobreiro predomina no Alentejo litoral, Península de Setúbal, Baixa Estremadura, serras algarvias (com excepção das regiões próximas do Guadiana) e parte do Ribatejo, tendo núcleos dispersos no resto do país.

Simbologia[editar | editar código-fonte]

Em 2007 foi cunhada uma moeda comemorativa da presidência portuguesa do conselho da União Europeia, cujo tema principal é um sobreiro.[1] Em 21 de dezembro de 2011 a Assembleia da República aprovou um projeto de resolução que declarou o sobreiro como "árvore nacional"[2] [3] . O sobreiro ocupa uma área de cerca de 737 000 hectares dos mais de 3,45 milhões de hectares de floresta em Portugal, segundo o último Inventário Florestal Nacional, de 2006.[3]

Sequenciação do genoma[editar | editar código-fonte]

Em 2013, foi lançado o projeto projecto GenoSuber, uma investigação 100% portuguesa que vai dar informação completa do genoma do sobreiro. A árvore escolhida para a sequenciação do genoma desta espécie é de Montargil e tem entre 120 e 150 anos.

Esta é a primeira vez que uma equipa totalmente portuguesa vai sequenciar um organismo superior [4] .

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

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