Socialismo ou Barbárie

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Socialismo ou barbárie)
Ir para: navegação, pesquisa

Socialismo ou Barbárie foi um grupo socialista libertário radical francês do período pós-guerra. Seu nome vem de uma frase de Rosa Luxemburgo usada em um ensaio de 1916, The Junius Pamphlet. O grupo existiu de 1948 até 1965. A personalidade que o animava era Cornelius Castoriadis, também conhecido como Pierre Chaulieu ou Paul Cardan.[1]

O grupo se originou na trotskista Quarta Internacional, onde Castoriadis e Claude Lefort constituíram a chamada Tendência Chaulieu-Montal no Partido Comunista Internacionalista francês, em 1946. Em 1948, eles experimentaram o seu "desencanto final com o trotskismo" [2] , levando-os a romperem com os trotskistas para formar o Socialismo ou Barbárie, cujo jornal começou a aparecer em março de 1949. Castoriadis mais tarde disse a respeito desse período

"... a principal audiência do grupo e do jornal era formada por grupos da antiga esquerda radical: Bordigistas, comunistas de conselho, alguns anarquistas e alguns órfãos da "esquerda" alemã dos anos 1920" [3]

Eles foram vinculados à Tendência Johnson-Forest, que se desenvolveu como um corpo de idéias dentro das organizações trotskistas americanas. Uma facção desse grupo formou mais tarde o grupo Facing Reality. Os primeiros tempos também trouxeram debates com Anton Pannekoek e um influxo de ex-bordigistas para o grupo.

O grupo era composto tanto de intelectuais quanto de trabalhadores e concordavam com a idéia de que os principais inimigos da sociedade eram as burocracias que governavam o capitalismo moderno. eles documentaram e analisaram a luta contra a burocracia no jornal do grupo. A edição de número 13 (janeiro-março de 1954), por exemplo, era dedicada à Revolta de 1953 na Alemanha do Leste e às greves que pipocaram em vários setores de trabalhadores franceses naquele verão. Seguindo a crença de que o que a luta diária que a classe trabalhadora encarava era o conteúdo real do socialismo, os intelectuais encorajavam os trabalhadores no grupo a relatarem cada aspecto de suas vidas no trabalho.

O socialismo ou barbarie era crítico do leninismo, rejeitando a idéia de um partido revolucionário e colocando ênfase nos conselhos de trabalhadores. Enquanto alguns membros partiram para formarem outros grupos, aqueles que permaneceram se tornaram mais e mais críticos do marxismo ao longo do tempo. Jean Laplanche, um dos membros-fundadores do grupo, recorda os primeiros dias da organização:

...a atmosfera logo se tornou impossível. Castoriadis exercia hegemonia sobre o jornal (ele escrevia os principais artigos) e sua idéia central em meados dos anos 1950 era a de que uma terceira guerra mundial era inevitável. Isso era muito difícil para outras pessoas no grupo suportarem: continuar nossas vidas, ao mesmo tempo em que pensavam que o mundo seria destruído por uma explosão atômica em alguns anos. Era uma visão apocalíptica.[4]

A Revolução Húngara de 1956 e outros eventos da década de 1950 levou à afluência de mais membros ao grupo. Nessa época, eles propunham o ponto fundamental como

...a necessidade do capitalismo de por um lado reduzir os trabalhadores a simples executores de tarefas e por outro a sua impossibilidade de continuar funcionando se for bem sucedido nesse ínterim. O capitalismo precisa atingir objetivos mutuamente incompatíveis: a participação e a exclusão do trabalhador na produção - como todos os cidadão em relação à política. [5]

Isso ficou caracterizado como a distinção entre o dirigeant (dirigente) e o exécutant (executor) em francês. Essa perspectiva permitiu o grupo expandir seu entendimento às novas formas de conflito social que emergiam fora da esfera da produção.

Em 1958 desentendimentos quanto ao papel político do grupo levou à saída de membros importantes. Claude Lefort e Henri Simon deixaram o grupo para formar Informations et Liaison Ouvrières.

Em 1960, o grupo tinha crescido para ao redor de 100 membros e tinha desenvolvido novas ligações intenacionais, primariamente na emergência de uma organização irmã na Grã-Bretanha chamada Solidarity.

No começo dos anos 1960, disputas dentro do grupo sobre a crescente rejeição do marxismo por Castoriadis levou à saída do grupo ao redor do jornal Pouvoir Ouvrier. O principal jornal Socialisme ou Barbarie continuou a ser publicado até a edição final em 1965, depois da qual o grupo permaneceu dormente e foi então dissolvido. Uma tentativa de Castoriadis para reviver o grupo durante os eventos de Maio de 1968 fracassou.

A Internacional Situacionista foi associada ao grupo e influenciada através de Guy Debord, que era membro de ambos. O movimento social italiano Autonomia também foi influenciado mas menos diretamente.

Alguns membros do Socialismo ou Barbarie:

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Dick Howard. (1975). "Introduction to Castoriadis". Telos (23).
  2. Castoriadis, Cornelius. (1975). "An Interview". Telos (23)., p133
  3. Castoriadis, Cornelius. (1975). "An Interview". Telos (23)., p134
  4. John Fletcher and Peter Osborn. (2000). "The other within: Rethinking psychoanalysis". Radical Philosophy (102).
  5. Cardan, Paul. Modern Capitalism and Revolution. London: Solidarity, 1965. p. 16.

Referências[editar | editar código-fonte]

GOTTRAUX, Philippe: Socialisme ou Barbarie, un engagement politique et intellectuel dans la France de l'après guerre. Editions Payot Lausanne, s.l., 1997.

Cornelius Castoriadis (translated by Bart Grahl and David Pugh). (1975). "An Interview". Telos (23).

Claude Lefort (translated by Dorothy Gehrke and Brian Singer). (1977). "An Interview". Telos (30).